Arquivo da seção ‘19. Outros’

Artigo: Em nome dos fatos – Mírian Leitão

11/08/2010

Tenho algumas reticências quanto ao que escreve Mírian Leitão. O que ocorre é que não tenho a mesma visão político-econômica dela.

Contudo, o artigo que a analista escreveu para as páginas de hoje do jornal O Globo não traz conteúdo opinativo no meu entendimento, e sim factual.

E no que tange aos fatos, está corretíssimo. Mírian traz a verdade sobre a política econômica recente do País e, por isso, publico aqui o artigo, com o qual concordo.

Ressaltando que creio, sim, que o governo Lula manteve a política econômica mas avançou no social, reproduzo, sem mais delongas o texto.

Em Nome dos Fatos

Mírian Leitão

Inflação fora de controle quem enfrentou foi o Plano Real. O acumulado em 12 meses estava em 5.000% em julho de 1994. Quando a inflação subiu em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique, pela incerteza eleitoral criada pelo velho discurso radical do PT, ficou em 12%.

Ela foi reduzida pelo instrumental que o PT havia renegado. Isso é a História. O resto é propaganda e manipulação.

O PT e o governo Lula têm dito que receberam o país com descontrole inflacionário e a candidata Dilma Rousseff repetiu isso na entrevista do Jornal Nacional. O interesse é mexer com o imaginário popular que lembra do tormento da inflação.

A grande vitória contra a inflação foi conquistada no governo Itamar Franco, no plano elaborado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, como todos sabem. Nos primeiros anos do governo FH houve várias crises decorrentes, em parte, do sucesso no combate à inflação, como a crise bancária.

Foi necessário enfrentar todas essas ondas para garantir a estabilização. Nada daquela luta foi fácil. A inflação havia derrotado outros cinco planos, e feito o país perder duas décadas.

Todos sabem disso. Se por acaso a candidata Dilma Rousseff andava distraída nesta época, o seu principal assessor Antonio Palocci sabe muito bem o que foi que houve. Ele ajudou a convencer os integrantes do partido a ter uma atitude mais madura e séria no combate à inflação.

O PT votou contra o Plano Real e fez oposição a cada medida necessária para consolidar a nova ordem. As ideias que o partido tinha sobre como derrotar a alta dos preços eram rudimentares.

Em 2002, a inflação subiu principalmente nos dois últimos meses, após a eleição. A taxa, que havia ficado abaixo de 6% em 2000, subiu um pouco em 2001 e ficou quase todo o ano de 2002 em torno de 7%. Em outubro daquele ano, o acumulado em 12 meses foi para 8,5%. Em novembro, com Lula eleito, subiu para 10,9% e em dezembro fechou em 12,5%.

É tão falso culpar o governo Fernando Henrique por aquela alta da inflação — de 12,5% repita-se, e não os 5.000% que ele enfrentou — quanto culpar o governo Lula pela queda do PIB do ano passado, que foi provocada pela crise internacional.

Recentemente, conversei com um integrante do governo Lula que, longe dos holofotes e da campanha, admitiu que essa aceleração final foi decorrente do fato de que a maioria dos empresários não acreditava que o governo Lula fosse pagar o preço de manter a estabilização.

Esse foi o mérito do PT. Foi ter contrariado seu próprio discurso, abandonado suas próprias propostas, por ter percebido o valor da estabilização.

Esse esforço foi liderado por Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A inflação entraria numa rota de descontrole que poderia até ter destruído o esforço feito durante os oito anos anteriores se o governo Lula tivesse persistido nas suas propostas.

A História foi essa e não a que a candidata Dilma Rousseff apresentou.

Perspectiva preenche lacuna de espaço para debate democrático na internet

19/07/2010

Informa a Folha:

“A promessa política da internet não se realizou, afirma Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP. Safatle é autor de estudos sobre uso da internet nas eleições de 2006 e 2008, feitos em parceria com Marcelo Coutinho, professor da FGV e especialista em internet e política.

Desde que surgiu, a rede mundial de computadores trouxe a esperança de que revitalizaria o debate político público e serviria como espaço de discussão de ideias.

Segundo Safatle, a internet não se configurou como espaço de diálogo, como muitos esperavam, mas de radicalismos exacerbados.

‘A internet está mais para grande espaço fragmentado de posições, onde cada território está ocupado por opiniões muito bem definidas e que não entram em contato com ideias diferentes. Manifestações dissonantes são reprimidas ou ignoradas.’”

A reportagem pinta um quadro que retrata a mais pura verdade a respeito da blogosfera política: Os blogs seguem, em sua maioria, a linha ideológica de seus autores, recebendo aplausos daqueles que concordam com as ideias expressas e sendo rejeitados por uma patrulha formada pelos que discordam.

Não há debate democrático de ideais. Discussão franca de valores então, nem pensar. No que diz respeito às questões polêmicas, não há uma conversa entre blogueiros e leitores, há imposição por parte do blogueiro e aprovação ou rejeição por parte dos leitores.

Resultado prático: Os blogs políticos acabaram por seguir o modelo dos jornais, modificada apenas a escala. O blogueiro se comporta como emissor e os leitores como receptores. Não há a interação sadia que deveria ser estimulada na internet e que existe na rede em outras áreas do conhecimento.

E por que faço aqui este manifesto? Por que desde o início do Perspectiva tive como proposta representar exatamente este espaço democrático, preencher justamente esta lacuna. De tempos em tempos me dirijo ao leitor defendendo estes valores e expressando que a essência do blog é o debate democrático, sensato, justo e independente.

Uns duvidam, dizendo que não há imparcialidade ou isenção. Para esses respondo que concordo, contudo, lembro que o Perspectiva abre espaço para as ideias de seu próprio autor e para as ideias dissonantes. Dificilmente se é totalmente democrático dentro de um corpo só, mas é possível atingir um nível de democracia razoável no sistema inteiro.

E é isso que é feito aqui. Colunistas dos mais diversos matizes ideológicos se dirigem aos leitores e não são censurados. Leitores com as mais diferentes ideias e posições postam seus comentários e só têm suas palavras de baixo calão removidas.

Quando a patrulha de um lado ou de outro começa a agir é completamente desmoralizada por conta da exibição, nos dias seguintes, de pontos de vista diferentes, além da recepção educada e polida, e não raivosa.

Fiquei muito feliz quando, no aniversário de um ano do Perspectiva, o elogio unânime de colunistas e leitores era o que se referia ao espaço democrático e de debate franco que o Perspectiva representava, sem repressão, sem imposição, sem censura.

Espero que o elogio continue valendo e farei de tudo para que o Perspectiva seja, cada vez mais, reconhecido na blogosfera político como plural. O reconhecimento atual, com certeza, já é fruto deste posicionamento.

Portanto, podemos dizer que, se por um lado uma andorinha só não faz verão, por outro, o Perspectiva está aqui para ser local virtual de debate aberto sem radicalismos.

O Perspectiva é um só, mas as perspectivas são muitas.

Após 119 anos de vida, Jornal do Brasil deixará de circular e só existirá na internet

13/07/2010

Terminará, em breve, a vida da versão impressa do Jornal do Brasil. Extremamente tradicional, o JB continuará existindo apenas na internet.

Nelson Tanure, o atual proprietário alega que a internet é o futuro e que todos os jornais caminham para isso. Pode até ser, mas, no fim das contas, a realidade é que as dívidas causadas por sucessivas administrações equivocadas afundaram este veículo de tanta história.

Por mais que o diário continue vivendo na rede mundial de computadores, não será mais possível folhear suas páginas, comprar suas edições nas bancas, manchar os dedos com sua tinta que se solta fácil do papel jornal onde foi impressa.

O Jornal do Brasil estava presente nas revoltas do governo Floriano, no fim da política do café-com-leite, no Estado Novo, no suicídio de Vargas, nos anos JK, na ditadura militar, no impeachment de Collor, na implantação do Plano Real.

Também levou aos leitores as informações sobre as duas grandes guerras, a queda de Hitler, as bombas de Hiroshima e Nagasaki, a guerra das Coreias e a do Vietnã, a queda do Muro de Berlim e a ascenção do dragão chinês.

Quantos ícones do jornalismo se formaram na redação do JB? Quantos furos de reportagem nos foram trazidos pelas páginas deste veículo? Quantas pessoas marcaram suas manhãs durante toda a vida com a leitura do tradicional periódico?

Em suma, é mais um pilar da imprensa escrita que se vai com o passar dos anos. Infelizmente é a ordem natural das coisas, mas estes momentos nos permitem ser saudosistas, por mais que o saudosismo remeta a tempos que se passaram muito antes do nosso próprio nascimento.

Lamenta-se pela história.

Atenção: Título de eleitor agora é obrigatório na hora de votar

13/07/2010

Informa o jornal O Globo a respeito da obrigatoriedade de exibição do título de eleitor no momento da votação, uma importante imformação:

“Pela primeira vez, o eleitor terá que apresentar dois documentos quando for votar no dia 3 de outubro: o título de eleitor e a identidade oficial com foto. Até a aprovação da lei da minirreforma eleitoral, no ano passado, o votante só precisava levar título ou identidade.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não teme que a nova exigência gere mais abstenções nas eleições, pois preparou folhetos explicativos e campanhas.

Quem perdeu o título, poderá pedir segunda via até 23 de setembro. Já o eleitor que votaria pela primeira vez e não tem o título, perdeu o prazo — até 5 de maio.”

Perspectiva tem agora editor-assistente

09/07/2010

Caros leitores do Perspectiva,

Alguns já perceberam, outros não, mas o fato é que há aproximadamente uma semana o blog conta com um editor-assistente, o estudante de Direito Abner Vellasco.

Abner auxiliará este que vos escreve a manter o Perspectiva mais e mais atualizado nestes tempos de corrida eleitoral.

O crescimento da demanda dos leitores, os compromissos pessoais deste autor e editor-chefe que é velho conhecido de vocês, o aumento do número de notícias políticas nesta época e o entusiasmo do próprio Abner foram fundamentais para a decisão.

Pois bem. A partir de agora o blog conta com Abner Vellasco, além, é claro, de contar comigo e com os colunistas. Você pode saber mais sobre todos nós, inclusive sobre o novato Abner, acessando os perfis no menu horizontal acima.

Continuarei respondendo pelas análises e pelos comentários das notícias mais relevantes, ou seja, pelo conteúdo opinativo. Abner trará o conteúdo informativo através de clipping e ficará responsável pela parte operacional de todas as postagens, agilizando o processo.

Com isso o Perspectiva visa aumentar sua qualidade, sua rapidez e sua frequência de postagens, se tornando mais ainda referência para as eleições de 2010.

Um abraço a todos,

Bruno Kazuhiro

Uruguaio de um lado, alemão do outro

03/07/2010

Comentei recentemente que me tornei uruguaio nesta Copa do Mundo.

O jogo histórico onde Suárez, atacante, salvou o Uruguai com as mãos, marcou.

Contudo, embora a marca da garra da seleção uruguaia perdure, é impossível não reconhecer que a Alemanha é o grande time desta Copa.

Além disso, temos um novo grande nome desta competição: Miroslav Klose, que sem rebuliço, sem estardalhaço, vai caminhando, com finalizações certeiras, para ser o maior goleador da história das Copas, superando um Ronaldo que, se por um lado é brasileiro, por outro não é exemplo para a juventude.

Enfim, a Alemanha merece a torcida.

Minhas raízes alemãs me tornam simpático ao país. Não me é sacrifício nenhum torcer por eles.

Resultado: Sou uruguaio de um lado da tabela, alemão do outro.

Até porque os alemães, além de jogarem bonito, eliminaram nos eternos rivais argentinos.

E não, não vejo derrotas argentinas com prazer. Entendo que é um país-irmão, uma nação com que devemos nos integrar culturamente, cooperar economicamente, tratar com respeito. Acho bobagem enxergá-los como inimigos.

Na realidade, a eliminação deles foi boa por conta da promessa que seu técnico fez para o caso de título.

Agora não corremos mais o risco de Maradona correr pelado pelas ruas de Buenos Aires.

Uruguai, a minha nova seleção

02/07/2010

Hoje não falo de mais nada. Não comento mais a política nacional. Não escrevo sobre Serra ou Dilma.

Amanhã voltamos a isso. Hoje é dia de Uruguai.

Estava eu, como todo torcedor brasileiro, cabisbaixo. Observava a disputa entre Uruguai e Gana na televisão sem muito entusiasmo.

Torcia para nossos vizinhos discretamente, mais interessado no que via na tela de meu notebook.

Eis que a disputa chega à prorrogação, mais especificamente ao último minuto desta.

Cruzamento na área uruguaia. Boa defesa do goleiro Muslera.

Rebote de Gana. O zagueiro tira literalmente em cima da linha.

Novo rebote. Não tendo outra opção, defende com as mãos o atacante Suárez. Ele é expulso sem saber que se transformou em exemplo de entrega.

Pênalti marcado. Pênalti cobrado. No travessão.

Suárez salvou o Uruguai com suas mãos e com seu desprendimento.

Gyan, um dos melhores da Copa, faz exatamente o que o uruguaio torcia para que acontecesse quando colocou as mãos na bola deliberadamente.

Saindo de campo chorando, o atacante uruguaio vê o erro ganês. Pula e sorri como um menino.

Vamos aos pênaltis. Três acertos para cada lado.

Defende o primeiro o goleiro Muslera, mas o uruguaio seguinte joga a bola na arquibancada para delírio da torcida, que vaiava os uruguaios e aplaudia os irmãos africanos.

Defende o segundo pênalti o goleiro Muslera.

Dessa vez Loco Abreu, ele mesmo, jogador do Botafogo, atuando com a camisa 13 em homenagem a Zagallo, dá uma cavadinha atrevida e faz o gol.

Festa uruguaia. A alegria não cabe no pequeno país.

Jogo histórico. Suárez heroi nacional. Jogadores do Uruguai saudando a ele, a Muslera e a Abreu.

Comemoração intensa deste que vos escreve. Comedido, não afeito a este tipo de delírio, eu gritava pelos corredores da casa.

O notebook já havia sido deixado de lado há muito tempo.

Uruguai versus Holanda na próxima fase. Os carrascos do Brasil terão contra eles um time que já entrou para os anais do futebol.

Suárez, expulso e suspenso, não estará em campo. Mas já fez sua parte. Estará o heroi na final da Copa.

Começo agora a procurar minha futura camisa do Uruguai nas lojas.

Para nunca mais deixar de torcer.

Já tenho minha nova seleção na Copa.

Milagres acontecem.

Principalmente quando se trata dos celestes.

Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010

O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews

Morre Saramago

18/06/2010

Morreu o escritor e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago.

O português tinha 87 anos e faleceu nas Ilhas Canárias, Espanha.

Fica o registro da partida do escritor que ficou famoso não só por seus livros e artigos, mas também por suas posições políticas de cunho socialista.

Análise: Dunga e o que faz a implicância da imprensa

17/06/2010

Em tempos de Copa do Mundo, não falarei especialmente de futebol, mas creio ser interessante falar de um tema afim: a implicância da imprensa com o técnico Dunga.

Dunga não me parece ser um mestre dos esquemas táticos. Não soa como um prodígio da estratégia. Não passa a impressão de ser um gênio da prancheta.

Contudo, o treinador parece ser um bom motivador. E, cá pra nós, a seleção brasileira parece necessitar mais de motivação para jogadores que já conquistaram quase tudo que sonharam quando crianças, do que de jogadas ensaiadas e marcações perfeitas ensinadas a profissionais de alto nível que conhecem tudo isso há muito tempo.

Sendo assim, termos Dunga no banco de reservas da seleção não parece ser o pior dos mundos. Os títulos da Copa América e da Copa das Confederações provam isso.

Tudo isso exposto, fica a dúvida: Por que a imprensa implica tanto com Dunga?

Talvez por ele não aparentar ter alguma deferência por ela. Talvez por ele não abrir o espaço que outros treinadores abriram. Talvez por não escalar os jogadores que Galvão Bueno e similares exigem na seleção.

Quem sabe por tudo isso ou por nada disso.

Fato é que a imprensa implica com Dunga. Ponto final.

Acontece que uma coisa é implicar, apontando todos os erros reais, outra coisa é manipular fatos para gerar interpretações, pelo grande público, que façam atitudes comuns e triviais soarem como erros.

Hoje em dia, o fato de Dunga fechar um treino da seleção e não permitir a presença das câmeras ganha tons de absurdo.

Mas absurdo não é isso. Absurdos são parágrafos como os que seguem:

“Apesar de liderar o Grupo G com três pontos, contra um de Costa do Marfim e Portugal, o Brasil encontra-se em situação, no mínimo, delicada. A vitória de 2 a 1 sobre os apenas esforçados norte-coreanos, na estreia, acabou sendo um mau resultado em termos de classificação.

Agora, se o Brasil não vencer os adversários, portugueses e africanos enfrentarão os asiáticos sabendo que qualquer vitória por dois ou mais gols de diferença será suficiente para ultrapassar a seleção brasileira no saldo de gols, primeiro critério de desempate na Copa do Mundo.

Sendo assim, a partida contra a Costa do Marfim, domingo, no Soccer City, em Johannesburgo, será importantíssima para a equipe do técnico Dunga.”

Situação delicada?

O Brasil jogou um jogo e venceu um jogo. Ponto final.

A partida contra a Costa do Marfim será importante?

Óbvio que será! Representa um terço dos pontos em disputa no grupo, afinal, serão três partidas.

Convenhamos: O Brasil jogou mal, principalmente no primeiro tempo. O Brasil fez poucos gols. O Brasil tomou um gol de uma seleção fraquíssima.

Mas nada disso justifica uma ridícula notícia alarmante que se baseia em alegações que não têm pé nem cabeça.

Soma-se o óbvio e a possibilidade invariável de Portugal e Costa do Marfim vencerem a Coreia do Norte por uma vantagem grande de gols com uma pitada de implicância com Dunga e pronto: Temos uma situação “no mínimo delicada” após uma vitória na estreia.

Façam-me o favor.

Que os jornalistas Mauricio Fonseca e Marcos Penido, do jornal O Globo, leiam o que eles mesmos escreveram e constatem o que a implicância causa.