Arquivo da seção ‘08. Lula’

Análise Geral: A continuidade e a virada de Anastasia em Minas

27/08/2010

Não há dúvida de que o povo brasileiro, em sua maioria, quer hoje continuidade das políticas que lhe agradam.

Por conta disso, a oposição se vê um tanto quanto encurralada e sem poder propor a mudança radical.

Ao invés de defender a mudança no que caminha mal, José Serra pregou um continuísmo alternativo e meteu os pés pelas mãos.

Mas esse não é o tema em questão. Tratemos aqui de como a tendência de continuidade afeta os estados e, especificamente, Minas Gerais.

Nas unidades da federação se quer, como já dito, a continuidade a nível federal. Contudo, isso varia a nível estadual.

Se a discussão em um estado específico for nacionalizada, ganha espaço quem quer que seja o candidato de Lula.

Mas se o debate for regionalizado, ganha terreno o candidato da máquina estadual, com a sensação de bem-estar sendo conectada com a gestão da unidade federativa.

Portanto, chega-se à conclusão de que os candidatos dos partidos da oposição, quando tentando a reeleição ou apoiados pelos governadores, podem se aproveitar da tendência de continuidade se não nacionalizarem o debate, mesmo sem o apoio de Lula.

É por essas e por outras que os candidatos da oposição nos estados tendem a abandonar Serra: Significaria perder um pouco da relação com o status quo desejado pelo povo.

Por conta disso, Alckmin lidera com folga em São Paulo mesmo sem a ajuda de Lula, mas sendo acusado de não se empenhar na campanha de Serra.

Mas o maior exemplo não é Alckmin e sim Anastasia. Apoiado por Aécio e pregando a continuidade a nível estadual, o atual Governador caminha a passos largos para virar o jogo e ultrapassar Hélio Costa nas pesquisas. Aécio é para Minas quase o que Lula é para o Brasil.

Tanto é verdade o que digo que os peemedebistas já estão preocupadíssimos com o destino da campanha de Hélio.

E mais do que isso: O governo torce para que, no intuito de auxiliar Serra, Aécio nacionalize a campanha mineira, facilitando a vida de Lula.

Aécio gravou depoimento para Serra que passou na televisão ontem.

Os petistas acham que Aécio mordeu a isca.

Mas se a virada de Anastasia for ameaçada, ele retira o anzol da boca em dois tempos.

Como um bom mineiro.

PMDB: Literalmente o partido do Brasil

23/08/2010

Informa o Estadão:

Poder dividido ‘meio a meio’. Assento no Planalto, entre os ‘ministros da casa’, e no Conselho Político que assessora o presidente da República. Henrique Meirelles na equipe econômica. Ministérios de ‘porteira fechada’, os cargos de sempre nas estatais e postos de comando nas vedetes do petróleo, a Petrobrás e a Petro-Sal. Senado e Câmara sob seu comando.

Com a campanha eleitoral em curso e ainda a 42 dias da abertura das urnas, é com essa precisão cirúrgica, alimentada pela liderança nas pesquisas da candidata aliada, Dilma Rousseff (PT), que o PMDB já define as regras de ocupação do poder. Como presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), no posto de vice da chapa presidencial, o PMDB estima o tamanho da cota futura de poder baseado no argumento de que agora, se Dilma ganhar, o partido não é mais ‘um convidado’, mas na verdade um dos ‘donos da casa’, o Palácio do Planalto.

A diferença entre ‘convidado’ e ‘dono da casa’ deriva do fato, como explicam os peemedebistas, de que, um governo Dilma seria fruto da coalizão do PT com o PMDB, e não de simples aliança construída depois da vitória – o que aconteceu, por exemplo, nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

Núcleo. Por isso é que o partido, na condição de sócio-proprietário, já dá como certa a presença de um representante no núcleo político do Palácio do Planalto. ‘Fomos o primeiro partido a assinar com o presidente Lula um compromisso de união política pela democracia, liberdade de imprensa e de opinião, respeito aos direitos humanos e aos movimentos sociais. Com Lula e com Dilma voltamos a ser o velho MDB, que combateu a ditadura’, diz Moreira Franco, escalado para coordenar o programa de governo da candidata petista pelo lado do PMDB.

Depois de passar por uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal e assumir um lugar na coordenação da campanha presidencial, Moreira Franco sonha com um ministério: o das Cidades, que tentou criar na gestão Fernando Henrique Cardoso e só viu a proposta se concretizar no governo de Lula.

Como o partido conseguiu seis ministérios após aderir formalmente ao segundo governo Lula (2007-2010), passando a comandar orçamento superior a R$ 100 bilhões, o cenário pretendido na hipótese de vitoriosa a chapa PT-PMDB supera, em muito, as cifras e o atual espaço de poder.

A legenda, agora, quer assento no Palácio do Planalto, com participação garantida no núcleo da tradicional reunião das 9 horas com o presidente da República, e quer também ministérios em que os postos-chave não sejam divididos com outros aliados – a tal ‘porteira fechada’. Além das estatais e da Petrobrás e da futura Petro-Sal, o partido lembra que é candidato a também ratear poder nas agências reguladoras.”

Está mais do que explicado o slogan da maior legenda do País: “PMDB, o partido do Brasil”.

É corretíssimo!

Afinal, a política brasileira e o fisiologismo peemedebista são irmãos.

O Estado brasileiro, salvo exceções, é isso: Loteamento político da máquina administrativa em seu estado puro.

Compromisso ideológico? Promessa de campanha? Plataforma partidária?

Que nada!

Cada um quer sua fatia e ponto final.

É ou não é o “partido do Brasil” ?

Começa a propaganda eleitoral na televisão: Dilma se sai melhor

18/08/2010

O horário político em todos os canais abertos da nação está de volta, como sempre faz de dois em dois anos.

Embora a audiência dos canais pagos tenha aumentado, reduzindo o número de espectadores da propaganda eleitoral, ela ainda é a maior fonte de informação para decisão do voto.

Sendo assim, os candidatos, principalmente os majoritários, precisam produzir seus programas com muito carinho, tendo escolhido os marqueteiros com muito cuidado.

Parece que a equipe de Marina Silva esqueceu isso tudo. Seus primeiros comerciais foram péssimos, com cara de documentário barato sobre meio ambiente. Ela veio nos contar “uma verdade inconveniente”.

Serra se saiu melhor, se dirigiu pessoalmente ao eleitor, olho no olho, mas não trouxe nada de novo se compararmos com as campanhas tucanas de 2002 e 2006. Falou muito de saúde, algo que pode funcionar, mas que tem, como os remédios, prazo de validade.

Dilma acertou mais. Mirou Lula e emoção, emoção e Lula, visando atingir o grosso do eleitorado. Fala mal para as câmeras, mas apresentar o que a maioria quer ver costuma funcionar na democracia.

A última gota d’água: Lula afirma que “oposição vai perder as eleições”

04/08/2010

Informa a Agência Estado:

“‘A oposição vai perder as eleições presidenciais.’ Sorrindo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou a frase durante a 39ª Cúpula de presidentes do Mercosul, realizada hoje na cidade argentina de San Juan.

[...]

‘Para quem está no governo oito anos não é nada’, disse Lula, em referência a seus dois mandatos presidenciais consecutivos. ‘Mas, com certeza, para a oposição, oito anos é uma eternidade’, ironizou o brasileiro perante os presidentes do Mercosul, vários dos quais riram com o comentário de Lula, que teve cautela em evitar de citar de forma explícita o candidato José Serra, do PSDB.”

Está posta a última gota d’água. Na realidade, transbordou o copo.

Como autor do blog, estou oficialmente desistindo de enxergar seriedade e compostura no Presidente Lula.

Fazer chacota da oposição? Rir dos adversários motivado, provavelmente, pela subida de Dilma Rousseff nas pesquisas?

Ora, mas que falta de respeito. Um absurdo!

Era só o que faltava depois de uma campanha antecipada flagrantemente ilegal e de um aparelhamento da administração pública estratosférico, que gera o uso da máquina na campanha.

Lula joga no lixo a liturgia do cargo. Se comporta como um político qualquer, espertalhão, e não como o Presidente de nossa República.

Haja salto alto! Haja arrogância! Haja prepotência!

Como eleitor, me irritei. Sinceramente.

Embora tenha criticado duramente os erros da gestão do Presidente, tenho elogiado os acertos do governo Lula desde sempre.

E continuarei a fazê-lo, por uma questão de honestidade intelectual.

Mas não dá mais para enxergar em Lula um estadista. Imaginem o que diriam os petistas de Fernando Henrique se ele risse da oposição em 1998.

Essa foi, sim, a gota d’água.

O Perspectiva, por ser democrático, não vota. Mas eu, particularmente, voto Marina Silva e já disse isso aqui.

Contudo, com essa soberba do Presidente começo a ter uma pontinha de vontade de votar em Serra.

A vitória dele provaria ao PT que não se ri antes da hora.

Ainda mais dessa forma desrespeitosa para com o processo democrático brasileiro e, principalmente, para com o eleitor.

Dilma diz que é a mãe do povo brasileiro

29/07/2010

Disse a presidenciável Dilma Rousseff:

“O presidente Lula me deixou um legado [...], que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro.”

Mãe do povo brasileiro?

Sem comentários.

Análise Geral: Os motivos que fazem a oposição não atacar o viés radical do PT

26/07/2010

Por mais que o Presidente Lula tenha uma popularidade astronômica, existem aqueles que não gostam nem um pouco do Presidente e, principalmente, repudiam a ideologia do PT, especialmente a mais radical.

Alguns dizem que estes são os que compõem os tais 5%. Este é o patamar constante de porcentagem que, nas pesquisas de opinião, é atribuído ao conjunto dos que apontam o governo Lula como ruim ou péssimo.

Pois bem. Os brasileiros que têm este viés ideológico questionam, constantemente, sobre o porquê de a oposição não explorar os argumentos a respeito do viés radical do PT.

Eles se perguntam: Por que o PSDB não fala que Dilma Rousseff foi uma “terrorista”? Por que não criticam a invasão de terras feita por um MST financiado pelo governo? Por que não dizem que a UNE foi cooptada? Por que não falam da proximidade com ditadores como Fidel, Chávez e, até mesmo, o líbio Kadafi? Por quê não citam as conexões do Foro de São Paulo? Por quê?

Por essas e por outras estes brasileiros bateram palmas para o candidato a Vice-Presidente da chapa de José Serra, Índio da Costa, quando este apontou as ligações do PT com as FARC e destas com o narcotráfico mundial.

Os tais 5% de brasileiros que, por motivos ideológicos, entendem o governo Lula como ruim ou péssimo sentiram que seus argumentos foram, finalmente, prestigiados.

Contudo, a cúpula da campanha da oposição não gostou nem um pouco do que ocorreu. Índio da Costa baixou o tom, José Serra assoprou e a campanha do PSDB e do Democratas não tratará do tema na televisão ou nos debates, para a tristeza dos 5% que têm a certeza de que atacar o radicalismo do PT poderia dar a vitória aos oposicionistas.

Alguns chegam a dizer: Temos que ter uma oposição de verdade!

Na blogosfera não é diferente, com Reinaldo Azevedo à frente e com muitos outros, como Augusto Nunes, Diogo Mainardi e, inclusive, Yashá Gallazzi, colunista deste blog.

Acontece que esses 5% têm de entender que esses ataques não dariam a vitória à oposição. Os brasileiros não querem uma oposição de verdade em sua maioria e 5% não são suficientes e sim 50% mais um.

Isso se dá por dois motivos simples, que, condensados, me levaram a escrever este texto:

Quem odeia o viés radical do PT já vai votar em Serra, o que faz com que estes ataques não tragam novos votos dentro destes 5%.

E o brasileiro médio, maioria do eleitorado, que em grande parte recebe o Bolsa Família, não faz ideia do que sejam as FARC, não sabem quem é Kadafi ou Ahmadinejad, nunca leram Reinaldo Azevedo e votam com o bolso e/ou com o estômago, e não com ideais.

Portanto, estes 5% têm de entender que enquanto o ensino do País for de baixa qualidade, os fatos que por eles são levantados pouco serão levados em conta na hora do voto da maioria da nação.

Por isso, José Serra está apostando em se apresentar como alguém mais experiente para manter e aumentar os avanços dos últimos 16 anos e não atacando o viés radical do PT.

Acontece que Lula pode muito bem dizer: Se eu comandei os avanços, sei melhor quem deve continuá-los. Obviamente apontará Dilma.

Por conta disso alguns estrategistas da oposição traçam o seguinte plano: Poupar Lula, mas atacar Dilma e o PT.

Nessa linha, Índio da Costa citou a ligação do PT com as FARC.

Mas nesse momento voltamos ao desconhecimento do eleitor médio sobre esse tipo de argumento.

Poderia-se então atacar em uma área de compreensão mais simples, como a ética. Bater no mensalão petista quem sabe. Mas a oposição teve o seu escândalo, embora bem menor e com punição rápida.

Entende-se melhor agora porque afirmam os especialistas que a oposição está com dificuldade para construir o seu discurso.

Os bastidores da disputa pela indicação para o STF

25/07/2010

O jornalista Lauro Jardim comenta, em seu blog, sobre os interessantíssimos bastidores da disputa pela indicação presidencial para a vaga no Supremo Tribunal Federal que se abrirá com a aposentadoria de Eros Grau:

“Os lobistas já preparam seus mais sedutores discursos de convencimento para atuar. Nos próximos quinze dias, Lula definirá o nome do sucessor de Eros Grau no STF. Direta ou indiretamente, uma seleta turma de advogados, ex-ministros e ministros fará campanhas mais ou menos discretas por seus candidatos.

Lula faz mistério, como sempre. Na semana passada, por exemplo, recebeu Eros Grau em audiência. O ministro foi despedir-se. Em 45 minutos de conversa, Lula não tocou no tema sucessão. Se lhe fosse perguntado algo, Eros falaria da satisfação de ver o jurista Arnaldo Malheiros como seu sucessor.

Este não é um ritual desconhecido para Lula. Em quase oito anos, será sua nona indicação para o STF. Além das consultas óbvias — o ministro da Justiça, o advogado-geral da União — Lula ouve um grupo de sua confiança que inclui Márcio Thomas Bastos, Sepúlveda Pertence (ele próprio ex-STF) e Sigmaringa Seixas.

Dessas conversas tira o nome que deverá ter entre 35 e 65 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico, como reza a Constituição. O candidato a ministro do STF terá que ter tido também o apoio de pelo menos uma dessas figuras que influenciam Lula. E, finalmente, torcer para que um desses interlocutores de Lula não sopre características pessoais que possam detoná-lo.

A lista dos candidatos não é grande. Resumidamente, eis o que pesa a favor ou contra os três principais postulantes:

*Cesar Asfor Rocha, presidente do STJ, é, aparentemente, o favorito. Mas sofre resistências poderosas, inclusive dentro do STF. Vários ministros do Supremo têm restrições a ele. Lula, obviamente, sabe desse embaraço, que começa no próprio presidente do STF, Cezar Peluso.

*Arnaldo Malheiros, criminalista reputado, advogado de políticos como Franco Montoro, Mario Covas, FHC, Fernando Collor, tem contra si o mensalão. Ou, mais especificamente, o fato de ter sido defensor de um dos mais notórios símbolos do mensalão, Delúbio Soares. Se virar ministro, terá que se declarar impedido de julgar o caso. A seu favor tem o apoio muito discreto do velho amigo Márcio Thomaz Bastos.

*Luís Roberto Barroso, apesar de novo, 52 anos, é velho candidato ao STF. Nas últimas sucessões trabalhou para viabilizar-se — inclusive com o apoio de José Dirceu em seus tempos de Casa Civil. Um dos mais reputados constitucionalistas do Brasil, Barroso tem agora mais chance de êxito. Conta com apoiadores influentes. Há três semanas, Lula reuniu-se com Sigmaringa Seixas e Gilberto Carvalho. Sig, como é tratado por Lula, sugeriu Barroso como o nome ideal para o cargo. Desfiou uma série de razões. Lula, como faz nessas horas, não disse nada. Apenas cofiou a barba.

Uma conversa aqui com o presidente. Outra ali com seus auxiliares diretos, como Gilberto Carvalho. E a coisa vai tomando figura mais concreta. As duas próximas semanas serão decisivas neste jogo.”

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Análise Geral: Campanha sem conteúdo

08/07/2010
Há algum tempo ficaram explicitadas as estratégias básicas de campanha dos dois candidatos presidenciais que dominam o noticiário: José Serra deseja um embate de currículos, buscando valorizar sua maior experiência. Dilma deseja um embate de governos, buscando valorizar a maior popularidade da gestão da qual fez parte.
 
De qualquer forma, não há disputa de propostas. Há disputa de biografias ou disputa de gestões. Há passado, não há futuro.
 
Agora chega o momento da divulgação dos programas de governo. O de Dilma foi lançado, contestado pelos partidos aliados por conta da radicalização do discurso petista e modificado, já tendo sido anunciada, acreditem, a terceira versão. O de Serra ainda não existe estruturado, tendo sido apresentadas como diretrizes apenas as íntegras de discursos recentes do candidato.
 
Os candidatos e as equipes estão preocupados com a campanha, mas pouco propõem. Dilma só afirma que continuará o que Lula tem feito. Serra vai um pouco mais além prometendo alguns ministérios importantes e garantindo a continuidade do Bolsa Família mas fica por aí.
 
No fim das contas, a campanha está sem conteúdo. Marina tenta denunciar este fato e colocar alguma substância no debate, mas sua falta de exposição e capilaridade prejudicam suas chances de sucesso.
 
Enquanto os brasileiros deveriam discutir seus próximos quatro anos no mínimo, passam o tempo de olho nas conveniências eleitorais expostas em praça pública e em uma discussão sobre o passado.
 
Tomara que o cenário mude. Torço para que isso aconteça e defendo esta tese dentro das minhas possibilidades.
 
Contudo, infelizmente, não creio muito que essa mudança vá ocorrer.

Estatais doaram milhões às centrais sindicais

07/07/2010

Informa o Globo :

“As cinco maiores empresas estatais doaram, juntas, R$ 7,4 milhões para as centrais sindicais realizarem as festas do 1 de Maio no estado de São Paulo entre os anos de 2006 e 2010. As maiores beneficiadas pelo patrocínio com o dinheiro público foram a CUT e a Força Sindical, além de UGT e CGT.”

Sem comentários.

Aguardo para ver se há respostas plausíveis vindas dos leitores que dizem que não há cooptação das entidades representativas dos trabalhadores pelo governo Lula.