Arquivo da seção ‘09. Justiça’

Os bastidores da disputa pela indicação para o STF

25/07/2010

O jornalista Lauro Jardim comenta, em seu blog, sobre os interessantíssimos bastidores da disputa pela indicação presidencial para a vaga no Supremo Tribunal Federal que se abrirá com a aposentadoria de Eros Grau:

“Os lobistas já preparam seus mais sedutores discursos de convencimento para atuar. Nos próximos quinze dias, Lula definirá o nome do sucessor de Eros Grau no STF. Direta ou indiretamente, uma seleta turma de advogados, ex-ministros e ministros fará campanhas mais ou menos discretas por seus candidatos.

Lula faz mistério, como sempre. Na semana passada, por exemplo, recebeu Eros Grau em audiência. O ministro foi despedir-se. Em 45 minutos de conversa, Lula não tocou no tema sucessão. Se lhe fosse perguntado algo, Eros falaria da satisfação de ver o jurista Arnaldo Malheiros como seu sucessor.

Este não é um ritual desconhecido para Lula. Em quase oito anos, será sua nona indicação para o STF. Além das consultas óbvias — o ministro da Justiça, o advogado-geral da União — Lula ouve um grupo de sua confiança que inclui Márcio Thomas Bastos, Sepúlveda Pertence (ele próprio ex-STF) e Sigmaringa Seixas.

Dessas conversas tira o nome que deverá ter entre 35 e 65 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico, como reza a Constituição. O candidato a ministro do STF terá que ter tido também o apoio de pelo menos uma dessas figuras que influenciam Lula. E, finalmente, torcer para que um desses interlocutores de Lula não sopre características pessoais que possam detoná-lo.

A lista dos candidatos não é grande. Resumidamente, eis o que pesa a favor ou contra os três principais postulantes:

*Cesar Asfor Rocha, presidente do STJ, é, aparentemente, o favorito. Mas sofre resistências poderosas, inclusive dentro do STF. Vários ministros do Supremo têm restrições a ele. Lula, obviamente, sabe desse embaraço, que começa no próprio presidente do STF, Cezar Peluso.

*Arnaldo Malheiros, criminalista reputado, advogado de políticos como Franco Montoro, Mario Covas, FHC, Fernando Collor, tem contra si o mensalão. Ou, mais especificamente, o fato de ter sido defensor de um dos mais notórios símbolos do mensalão, Delúbio Soares. Se virar ministro, terá que se declarar impedido de julgar o caso. A seu favor tem o apoio muito discreto do velho amigo Márcio Thomaz Bastos.

*Luís Roberto Barroso, apesar de novo, 52 anos, é velho candidato ao STF. Nas últimas sucessões trabalhou para viabilizar-se — inclusive com o apoio de José Dirceu em seus tempos de Casa Civil. Um dos mais reputados constitucionalistas do Brasil, Barroso tem agora mais chance de êxito. Conta com apoiadores influentes. Há três semanas, Lula reuniu-se com Sigmaringa Seixas e Gilberto Carvalho. Sig, como é tratado por Lula, sugeriu Barroso como o nome ideal para o cargo. Desfiou uma série de razões. Lula, como faz nessas horas, não disse nada. Apenas cofiou a barba.

Uma conversa aqui com o presidente. Outra ali com seus auxiliares diretos, como Gilberto Carvalho. E a coisa vai tomando figura mais concreta. As duas próximas semanas serão decisivas neste jogo.”

Paulo Maluf está na lista de procurados da Interpol: No Brasil, anda livre e é Deputado

21/03/2010

Informa o Globo:

“O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) foi incluído na lista de procurados da Interpol, que é uma espécie de polícia internacional. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo Ministério Público de São Paulo. Com isso, o ex-prefeito de São Paulo pode ser preso ao entrar em um dos 181 países que são membros da Interpol. A decisão da prisão de Maluf pela Interpol não pode, no entanto, ser cumprida no Brasil.

- Nenhum brasileiro nato pode ser extraditado, segundo a legislação – disse o promotor do Ministério Público (MP) de São Paulo Silvio Marques, acrescentando que as autoridades americanas não podem pedir para Maluf ficar preso no Brasil. “

Deixe-me ver se entendi corretamente:

Paulo Maluf pode ser preso se viajar para qualquer um dos países incluídos em um grupo de 181 nações.

Mas no Brasil anda livre e ainda é Deputado Federal?

Sei que o Direito Internacional tem dessas coisas, até porque sou bacharelando em Direito.

Contudo, mesmo assim, fica uma dúvida:

Se a Interpol entende que a culpa de Paulo Maluf é inegável, como pode a Justiça brasileira não ter decretado sua prisão?

Não é o caso de ele ser extraditado, mas sim um questionamento do porquê de a Justiça nacional não condená-lo pelas infrações que chegam a ponto de despertar a reação da Interpol.

O que a Interpol consegue ver que nós não conseguimos?

Deve ser porque dentre todas as justiças cegas do mundo, a brasileira está no seleto grupo das que menos enxergam.

O que acontece é que algumas são cegas mas distinguem claro e escuro.

No Brasil e em alguns outros países existe um pessoal que puxa a Justiça que já é cega e ainda tasca-lhe uma venda nos olhos.

E segue Maluf, Deputado Federal, respondendo, quando perguntado se mente:

“Não necessariamente…”

Seria cômico, se não fosse trágico.

Desfaçatez total.

Até porque aquela assinatura dele, na verdade, não é dele. Aquele dinheiro dele, na verdade, não é dele.

E se você provar que a quantia é dele, ele doa para a Santa Casa de Misericórdia e está tudo resolvido.

Quem precisa de misericórdia somos nós.

Segue o jogo…

Funaro denuncia que PT usou fundos de estatais na arrecadação do mensalão

16/03/2010

Informa O Globo:

“Numa série de depoimentos que vinham sendo mantidos em sigilo pelo Ministério Público Federal, o corretor do mercado financeiro Lúcio Funaro denunciou suposto esquema de arrecadação de recursos para o PT, em transações suspeitas com fundos de previdência de empresas estatais. Entre os principais acusados por Funaro estão o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, o ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno, o atual tesoureiro do partido, João Vaccari, e até o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).

[...]

Os primeiros depoimentos foram prestados por Funaro entre novembro de 2005 e março de 2006. Neles, ele detalhou como funcionavam o pagamento do mensalão do PT ao Partido Liberal (PL), comandado na época pelo então deputado federal Valdemar Costa Neto. Funaro também levantou suspeitas contra o deputado do DEM Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), que investigava empresas do economista na época da CPI dos Correios.

[...]

Os depoimentos foram incluídos no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão. Segundo Funaro, havia desvios contínuos de dinheiro nos fundos de estatais. Um dos beneficiados seria Dirceu, que nega.”

Todos aqueles interessados nos rumos da política nacional, que acompanham o noticiário sobre o tema, precisam ficar atentos para o desenrolar dessas investigações citadas acima.

Novas e escabrosas revelações sobre os subterrâneos do mensalão podem, e devem, atormentar o PT e, consequentemente, a campanha de Dilma Rousseff, na busca destes pela Presidência.

O ponto principal é o de que começa a parecer indubitável que houve grande desvio do meu, do seu, do nosso dinheiro, para que existissem recursos suficientes para o empreendimento do mensalão.

O Perspectiva estará de olho.

Ayres Britto, do TSE, reconhece que investigação de contas eleitorais é precária

01/03/2010

Informa o Globo:

“O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer ter acesso, durante a campanha de 2010, aos extratos bancários de candidatos, comitês financeiros e partidos, sem depender da prestação de contas mensal prevista em lei. A ideia é firmar parceria com o Banco Central (BC), que ficaria responsável por repassar à Justiça Eleitoral extratos mensais das contas específicas criadas para arrecadação e gastos de campanha.

A iniciativa faz parte do esforço do TSE para aumentar a fiscalização durante as eleições. Partidos, comitês e candidatos já são obrigados a divulgar suas contas parciais de campanha nos dias 6 de agosto e 6 de setembro. Os partidos também devem enviar balancetes mensais à Justiça Eleitoral nos quatro meses que antecedem as eleições e nos dois meses seguintes.

Os extratos fornecidos pelos bancos, através do Banco Central, permitiriam ao TSE cruzar dados e identificar erros ou até fraudes nas prestações de contas. A fiscalização é feita contra o relógio, já que eventuais ações contra candidatos com irregularidades contábeis só podem ser ajuizadas até 15 dias depois da diplomação, ou seja, a segunda quinzena de dezembro.

Domingo, o GLOBO mostrou que o tribunal demora a julgar as prestações de contas anuais dos partidos políticos – outra de suas atribuições. Estão em aberto, ainda sem julgamento, 90 processos, de 26 partidos, referentes ao período de 2000 a 2008. As contas do PT, dono da maior fatia do fundo partidário, não são julgadas desde 2001. O fundo é alimentado por verbas públicas.

O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, reconhece que a estrutura de investigação das contas partidárias é precária. Ainda assim, diz que há um esforço para reverter o problema: em 2009, foram julgados 49 processos. Mas ele destaca que a situação é diferente em relação à fiscalização dos gastos de campanha, atividade tratada como prioridade no tribunal. “

Pelo menos o TSE reconhece que a fiscalização é precária.

Diz a psicologia que o primeiro passo para a correção de um erro é admitir que ele existe.

Aguardemos. Mas com a noção de que o sistema de financiamento de campanha é a raiz do erro, não havendo fiscalização dura que resolva totalmente as distorções.

Brasil não pune lavagem de dinheiro, aponta entidade

15/02/2010

Informa a Folha:

“O Brasil não consegue combater e punir um tipo de crime que une traficantes de drogas, corruptos e criminosos de colarinho branco -a lavagem de dinheiro. Faltam leis, disposição das autoridades para sequestrar bens comprados com dinheiro ilícito e preparo dos tribunais superiores para tratar o tema com a complexidade que ele requer.

A avaliação é do principal órgão internacional que sugere e monitora políticas contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, o Gafi (Grupo de Ação Financeira), em relatório de 302 páginas obtido pela Folha.”

Faltam leis? Atenção deputados e senadores, meus caros legisladores!

Falta disposição das autoridades? Atenção Ministério da Justiça, meu caro executor das políticas!

Falta preparo dos tribunais? Atenção Conselho Nacional de Justiça, meu caro coordenador do Judiciário!

Pronto, estão dados os recados.

Mas será que as providências virão?

Atenção: Lula não gosta, mas José Roberto Arruda ficará preso – Impeachment de Paulo Octávio será pedido por PSB e OAB

12/02/2010

O habeas corpus pedido pela defesa do Governador José Roberto Arruda não será concedido. Ainda não é oficial, mas o Ministro Marco Aurélio de Mello do Supremo Tribunal Federal já decidiu que negará a liminar que possibilitaria a Arruda sair da cadeia especial e responder em liberdade às acusações.

Portanto, o Governador deve continuar preso e, provavelmente, passará o Carnaval dessa forma, já que o Supremo só se reunirá novamente na quarta-feira de cinzas, após a folia.

De certa forma, é triste assistir a todo este espetáculo, afinal, trata-se de um Governador, alguém que tinha a confiança de seu povo, um representante popular, chegando a um ponto onde só a prisão é solução. Por outro lado, não se pode lamentar que Arruda esteja na cadeia. Ao contrário, é motivo de comemoração, pelo menos, o fato de a impunidade não ter reinado mais uma vez.

Em resumo, é triste que Arruda tenha se comportado da forma com que se comportou, traindo a confiança popular e mitigando a credibilidade das instituições, porém, uma vez tendo Arruda procedido dessa forma, é corretíssimo que seja preso e enfrente todos os rigores da lei. Nesse momento, como em todos os outros, ele é, ao contrário do que diz o Presidente Lula, “uma pessoa comum”. E assim deve enxergá-lo a Justiça.

Aliás, falando em Lula, a declaração do Presidente de que é ruim para a política nacional que Arruda seja preso foi vista com um misto de incompreensão e indignação. Se Lula quis dizer que trata-se de uma mancha na história política nacional que era desnecessária, acerta. Porém, se visou afirmar que Arruda não deveria ter sido preso, passando a mão na cabeça dos corruptos mais uma vez, incentivando a impunidade e sendo conivente e leniente, erra. Erra feio. Pois empreende mais um esforço péssimo para a banalização da corrupção, fato constante em seu governo.

Além disso tudo, como era de se esperar, o Vice-Governador Paulo Octávio, que assumiu o cargo, enfrentará também pedidos de impeachment feitos por instituições muito relevantes. Já é certo que a OAB-DF e o PSB-DF se dirigirão neste sentido.

Enquanto isso, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, recomenda a intervenção da União no Distrito Federal, prevista em lei para casos extremos como esse.

Sendo assim, ao mesmo tempo em que é cogitado o impeachment de Paulo Octávio e Arruda continua na cadeia como Lula disse não desejar, é o próprio Presidente que pode acabar nomeando o novo Governador do Distrito Federal, um interventor da União.

Por fim, vale ressaltar que Lula pode não estar gostando da prisão de Arruda por ela dar muita margem a um comentário que está circulando fortemente:

Arruda foi preso, ótimo, mas por que não foram igualmente presos José Dirceu, Paulo Okamotto e Luiz Gushiken, por exemplo, por conta do mensalão?

É verdade que Arruda fez a única coisa que não poderia fazer – obstruiu claramente as investigações – dando um tiro no pé. Não fosse isso, não teria sido preso, assim como os mensaleiros não foram. Mas não justifica.

Se a Justiça vale para alguns influentes, deveria valer para outros mais influentes ainda.

Talvez para não ouvir isso, Lula queira Arruda solto. Não sei. Pode ser.

De qualquer forma, o Governador do Distrito Federal deve passar mais alguns dias encarcerado. Uma mancha para a política nacional e um exemplo para a Justiça ao mesmo tempo.

Acompanhemos o desenrolar dos fatos.

Battisti: STF vota pela extradição, mas Lula decidirá

18/11/2009

Como já era esperado, o Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, desempatou o julgamento a respeito da extradição do italiano Cesare Battisti votando contra a permanência do mesmo no Brasil. Com o voto de Mendes foi atingido o resultado final: 5 a 4 a favor da extradição.

Acontece que isso não quer dizer que já é dada como certa a extradição de Battisti. Ela foi respaldada pelo STF mas o mesmo Tribunal decidiu, logo depois, que a palavra final a respeito do tema não é da Corte Suprema nacional, e sim do Presidente Lula.

Agora, cabe a Lula, pessoalmente, decidir o destino do ex-ativista italiano, que é apontado por uns como terrorista e por outros como um injustiçado. Contudo, não se pode dizer que o Presidente não pende para um dos lados. É notório que a esquerda e a centro-esquerda e, consequentemente, o PT e a cúpula do governo são simpáticos à causa de Battisti.

Parlamentares do PSOL, por exemplo, são frequentes visitantes de Battisti na prisão, o que comprova de que lado está a esquerda nacional. A defesa que nomes como Eduardo Suplicy fazem do italiano demonstra que grande parte do PT também está com o ex-ativista.

Sendo assim, é de se supor que, intimamente, Lula deseja que o italiano fique no Brasil, fugindo assim da pena de prisão perpétua que foi expedida contra ele na Itália. Battisti diz que as mortes que causou foram consequências de um crime político, o que justificaria o asilo no Brasil. O governo italiano as entende como simples assassinatos.

Se por um lado o Presidente parece estar do lado de Battisti, por outro, a decisão do STF não deixa de ter seu peso. Além disso, diversos grupos de pressão, defensores de ambos os lados, tentarão chegar aos ouvidos do Presidente.

Aguardemos para ver o que Lula decide. Creio que ele irá optar, baseado em questões ideológicas, por permitir que Battisti resida e trabalhe em nosso País, porém, o Presidente já foi bastante pragmático em outros momentos. Supondo-se que ele pode o ser novamente, fica uma pequena dúvida.

A ver.

Julgamento de Battisti é retomado: Toffoli não votará

12/11/2009

Disse este blogueiro que vos fala recentemente:

Disse este blogueiro que vos fala, dois meses atrás, por ocasião das discussões a respeito da indicação de José Antonio Dias Toffoli para o STF pelo Presidente Lula:

[...] vale ressaltar que, se empossado a tempo, Toffoli poderá votar no caso da extradição do ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti. Será apenas uma questão de vontade do novo Ministro, já que, como não atuou formalmente no processo, não estaria impedido de votar.

O curioso é que a extradição já dada como certa poderia não ocorrer com o advento da entrada de Toffoli no Tribunal.

O que acontece é que o julgamento encontra-se com o placar de 4 a 3 a favor da extradição, sendo que o voto do Ministro Marco Aurélio, que pediu vista do processo e interrompeu o julgamento, deve ser contrário à extradição, enquanto o do Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, deve ser favorável a ela.

Sendo assim, a extradição seria confirmada com um placar de 5 a 4. Porém, com a possibilidade do voto de Toffoli, sendo esperado que ele, caso vote, se coloque contra a extradição, o julgamento poderia terminar empatado em 5 a 5.

Ocorrendo tal fato, poderiam prevalecer dois entendimentos diversos: O empate é interpretado como favorável ao réu ou o Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, dá o voto de Minerva.

Caso o primeiro entendimento seja o utilizado, Battisti poderia ficar no País graças a Toffoli.

Isso faria com que aqueles que condenam, como eu, sua indicação, ficassem ainda mais inconformados caso também sejam defensores da extradição de Battisti.

Aguardemos.

Pois bem. Confiram o que informou recentemente o Globo:

“Um grupo de parlamentares, a maioria do PT e contrária à extradição de Cesare Battisti, reuniu-se ontem com o ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e pediu a ele que participe da continuidade do julgamento do italiano, previsto para o dia 12.”

Dito isso, confiram o que informa a Folha, a respeito do julgamento de Cesar Battisti, que foi retomado há pouco, no que tange a participação do novo Ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli:

“Novato no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Dias Toffoli anunciou formalmente que não deve participar hoje do julgamento do pedido de extradição do ex-militante Cesare Battisti feito pelo governo italiano.

Em ofício encaminhado ao presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, Dias Toffoli alegou foro íntimo para não votar. ‘Comunico Vossa Excelência que exarei decisões declarando minha suspeição, por motivo de foro íntimo, para atuar na Extradição nº 1.085 e no Mandado de Segurança nº 27.875/DF’, disse.

A decisão de Dias Toffoli já era esperada porque ele comandava a AGU (Advocacia Geral da União) em janeiro, quando o órgão deu respaldo ao entendimento do ministro Tarso Genro (Justiça) de conceder refugio político a Battisti.

Sem o voto do novo ministro, a expectativa é de que o STF determine a extradição do italiano.”

Boa decisão do Ministro Dias Toffoli. Há que se reconhecer. Seria lamentável que ele, motivado claramente por motivos ideológicos e pela pressão de aliados, participasse do julgamento na tentativa de fazer valer o entendimento da maioria dos membros do governo, principalmente o do Ministro da Justiça, Tarso Genro, embora fosse suspeito no que se refere a participar da decisão quanto ao destino de Cesare Battisti.

Tomou o rumo correto Toffoli neste caso. Sempre digo que o Perspectiva critica o que tem que ser criticado e elogia o que deve ser elogiado.

Não poderia deixar de ser feito o registro.

Uma pena que fique a suspeita de que Toffoli abdicou de se pronunciar sobre o caso Battisti não por reconhecer que a discussão do tema é anterior à entrada de sua pessoa no tribunal e que é suspeito para se posicionar sobre o caso, e sim por perceber que pode se desgastar mais ainda com a sociedade civil e com o mundo jurídico que já desconfia de seu mérito, embora tenha, na realidade, vontade de proteger o terrorista italiano.

Pelo menos, no fim das contas, o caminho correto prevaleceu.

O caso do valerioduto mineiro

09/11/2009

Está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal o caso do suposto “valerioduto mineiro”. Para os que ainda não sabem, trata-se, nada mais nada menos, do que um esquema que teria, teoricamente, precedido o mensalão, e que seria operado, também, pelo publicitário Marcos Valério.

A diferença fica por conta dos envolvidos. No caso do valerioduto federal, os políticos apontados como participantes do esquema são do PT, do PTB, do PP e do PR, em sua maioria. Em suma, da base aliada do governo Lula. No caso do valerioduto mineiro, os políticos ditos como cúmplices da falcatrua são do PSDB, ou seja, da atual oposição.

No STF, o Ministro Joaquim Barbosa aceitou a denúncia contra o atual Senador tucano e ex-Governador mineiro Eduardo Azeredo, principal citado no esquema do valerioduto de Minas.

Um dos indícios citados por Barbosa para justificar o acolhimento da denúncia são cartas e o depoimento de uma prima do tesoureiro da campanha do tucano em 1998, Cláudio Mourão.

Segundo a Folha, Barbosa leu trechos da carta enviada ao Ministério Público e à CPI de Minas Gerais por Vera Lúcia Mourão de Carvalho Veloso, que disse ter trabalhado nas campanhas de Azeredo de 1994 e 1998. Ela afirma que Azeredo participava pessoalmente das decisões sobre o fluxo financeiro da campanha.

Em entrevista à Folha, divulgada ontem, Azeredo afirmou que nunca se reuniu com Vera.

A estratégia de defesa de Azeredo tem sido atribuir a Mourão toda a responsabilidade pela parte financeira do comitê. O defensor do tucano, José Gerardo Grossi, disse, no plenário do STF que seu cliente foi traído por Mourão: “Lamentavelmente, faltou-lhe com a lealdade”.

Em seu relatório, o ministro Barbosa citou outros seis indícios do envolvimento de Azeredo com o valerioduto, como “a presença constante” de Valério no comitê eleitoral.

O julgamento no STF foi paralisado, na última quinta-feira, após o pedido de vista dos autos formulado pelo ministro José Antonio Dias Toffoli. Se Toffoli retardar demais o retorno do processo à pauta, o caso pode prescrever.

Os indícios parecem consistentes e Azeredo pode estar a caminho de maus bocados. Se for comprovada a participação dele em tamanho esquema, merecerá todo o rigor da lei e todas as punições que a própria oposição defende para os mensaleiros.

Afinal, estará provado que não difere deles. Nesse caso, Cláudio Mourão será nada mais do que o “Delúbio”da vez.

Governistas pressionam para Toffoli votar no caso Battisti

06/11/2009

Disse este blogueiro que vos fala, dois meses atrás, por ocasião das discussões a respeito da indicação de José Antonio Dias Toffoli para o STF pelo Presidente Lula:

[...] vale ressaltar que, se empossado a tempo, Toffoli poderá votar no caso da extradição do ex-militante de extrema esquerda Cesare Battisti. Será apenas uma questão de vontade do novo Ministro, já que, como não atuou formalmente no processo, não estaria impedido de votar.

O curioso é que a extradição já dada como certa poderia não ocorrer com o advento da entrada de Toffoli no Tribunal.

O que acontece é que o julgamento encontra-se com o placar de 4 a 3 a favor da extradição, sendo que o voto do Ministro Marco Aurélio, que pediu vista do processo e interrompeu o julgamento, deve ser contrário à extradição, enquanto o do Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, deve ser favorável a ela.

Sendo assim, a extradição seria confirmada com um placar de 5 a 4. Porém, com a possibilidade do voto de Toffoli, sendo esperado que ele, caso vote, se coloque contra a extradição, o julgamento poderia terminar empatado em 5 a 5.

Ocorrendo tal fato, poderiam prevalecer dois entendimentos diversos: O empate é interpretado como favorável ao réu ou o Presidente do Supremo, Gilmar Mendes, dá o voto de Minerva.

Caso o primeiro entendimento seja o utilizado, Battisti poderia ficar no País graças a Toffoli.

Isso faria com que aqueles que condenam, como eu, sua indicação, ficassem ainda mais inconformados caso também sejam defensores da extradição de Battisti.

Aguardemos.

Pois bem. Confiram o que informou recentemente o Globo:

“Um grupo de parlamentares, a maioria do PT e contrária à extradição de Cesare Battisti, reuniu-se ontem com o ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e pediu a ele que participe da continuidade do julgamento do italiano, previsto para o dia 12.

Toffoli, que era o advogado-geral da União quando o governo deu ao ativista a condição de refugiado, ainda avalia se votará no caso.

No encontro, Toffoli afirmou que está conversando com seus colegas de STF para decidir quanto à sua participação.

— Consideramos que a história dele (Toffoli) como cidadão abre sensibilidade para nossa argumentação — disse Chico Alencar (PSOL-RJ).

Toffoli disse ao grupo que receberia também para audiência qualquer autoridade do governo italiano a favor da extradição.”

Os governistas querem empreender um absurdo completo. Tanto é assim que Toffoli, que sabe que se queimará e que na hora da necessidade os aliados não surgirão para o resgate, hesita.

Faz muito bem. Pena que pelos motivos errados. Deveria abdicar de se pronunciar sobre o caso Battisti por reconhecer que a discussão do tema é anterior à entrada de sua pessoa no tribunal, e não por perceber que pode se desgastar mais ainda com a sociedade civil e com o mundo jurídico, embora tenha, na realidade, vontade de proteger o terrorista italiano.

Mais uma vez, esperemos. O Perspectiva previu o desenrolar novamente.