Arquivo da seção ‘06. Governo Lula’

A última gota d’água: Lula afirma que “oposição vai perder as eleições”

04/08/2010

Informa a Agência Estado:

“‘A oposição vai perder as eleições presidenciais.’ Sorrindo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou a frase durante a 39ª Cúpula de presidentes do Mercosul, realizada hoje na cidade argentina de San Juan.

[...]

‘Para quem está no governo oito anos não é nada’, disse Lula, em referência a seus dois mandatos presidenciais consecutivos. ‘Mas, com certeza, para a oposição, oito anos é uma eternidade’, ironizou o brasileiro perante os presidentes do Mercosul, vários dos quais riram com o comentário de Lula, que teve cautela em evitar de citar de forma explícita o candidato José Serra, do PSDB.”

Está posta a última gota d’água. Na realidade, transbordou o copo.

Como autor do blog, estou oficialmente desistindo de enxergar seriedade e compostura no Presidente Lula.

Fazer chacota da oposição? Rir dos adversários motivado, provavelmente, pela subida de Dilma Rousseff nas pesquisas?

Ora, mas que falta de respeito. Um absurdo!

Era só o que faltava depois de uma campanha antecipada flagrantemente ilegal e de um aparelhamento da administração pública estratosférico, que gera o uso da máquina na campanha.

Lula joga no lixo a liturgia do cargo. Se comporta como um político qualquer, espertalhão, e não como o Presidente de nossa República.

Haja salto alto! Haja arrogância! Haja prepotência!

Como eleitor, me irritei. Sinceramente.

Embora tenha criticado duramente os erros da gestão do Presidente, tenho elogiado os acertos do governo Lula desde sempre.

E continuarei a fazê-lo, por uma questão de honestidade intelectual.

Mas não dá mais para enxergar em Lula um estadista. Imaginem o que diriam os petistas de Fernando Henrique se ele risse da oposição em 1998.

Essa foi, sim, a gota d’água.

O Perspectiva, por ser democrático, não vota. Mas eu, particularmente, voto Marina Silva e já disse isso aqui.

Contudo, com essa soberba do Presidente começo a ter uma pontinha de vontade de votar em Serra.

A vitória dele provaria ao PT que não se ri antes da hora.

Ainda mais dessa forma desrespeitosa para com o processo democrático brasileiro e, principalmente, para com o eleitor.

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Os bastidores da disputa pela indicação para o STF

25/07/2010

O jornalista Lauro Jardim comenta, em seu blog, sobre os interessantíssimos bastidores da disputa pela indicação presidencial para a vaga no Supremo Tribunal Federal que se abrirá com a aposentadoria de Eros Grau:

“Os lobistas já preparam seus mais sedutores discursos de convencimento para atuar. Nos próximos quinze dias, Lula definirá o nome do sucessor de Eros Grau no STF. Direta ou indiretamente, uma seleta turma de advogados, ex-ministros e ministros fará campanhas mais ou menos discretas por seus candidatos.

Lula faz mistério, como sempre. Na semana passada, por exemplo, recebeu Eros Grau em audiência. O ministro foi despedir-se. Em 45 minutos de conversa, Lula não tocou no tema sucessão. Se lhe fosse perguntado algo, Eros falaria da satisfação de ver o jurista Arnaldo Malheiros como seu sucessor.

Este não é um ritual desconhecido para Lula. Em quase oito anos, será sua nona indicação para o STF. Além das consultas óbvias — o ministro da Justiça, o advogado-geral da União — Lula ouve um grupo de sua confiança que inclui Márcio Thomas Bastos, Sepúlveda Pertence (ele próprio ex-STF) e Sigmaringa Seixas.

Dessas conversas tira o nome que deverá ter entre 35 e 65 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico, como reza a Constituição. O candidato a ministro do STF terá que ter tido também o apoio de pelo menos uma dessas figuras que influenciam Lula. E, finalmente, torcer para que um desses interlocutores de Lula não sopre características pessoais que possam detoná-lo.

A lista dos candidatos não é grande. Resumidamente, eis o que pesa a favor ou contra os três principais postulantes:

*Cesar Asfor Rocha, presidente do STJ, é, aparentemente, o favorito. Mas sofre resistências poderosas, inclusive dentro do STF. Vários ministros do Supremo têm restrições a ele. Lula, obviamente, sabe desse embaraço, que começa no próprio presidente do STF, Cezar Peluso.

*Arnaldo Malheiros, criminalista reputado, advogado de políticos como Franco Montoro, Mario Covas, FHC, Fernando Collor, tem contra si o mensalão. Ou, mais especificamente, o fato de ter sido defensor de um dos mais notórios símbolos do mensalão, Delúbio Soares. Se virar ministro, terá que se declarar impedido de julgar o caso. A seu favor tem o apoio muito discreto do velho amigo Márcio Thomaz Bastos.

*Luís Roberto Barroso, apesar de novo, 52 anos, é velho candidato ao STF. Nas últimas sucessões trabalhou para viabilizar-se — inclusive com o apoio de José Dirceu em seus tempos de Casa Civil. Um dos mais reputados constitucionalistas do Brasil, Barroso tem agora mais chance de êxito. Conta com apoiadores influentes. Há três semanas, Lula reuniu-se com Sigmaringa Seixas e Gilberto Carvalho. Sig, como é tratado por Lula, sugeriu Barroso como o nome ideal para o cargo. Desfiou uma série de razões. Lula, como faz nessas horas, não disse nada. Apenas cofiou a barba.

Uma conversa aqui com o presidente. Outra ali com seus auxiliares diretos, como Gilberto Carvalho. E a coisa vai tomando figura mais concreta. As duas próximas semanas serão decisivas neste jogo.”

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

24/07/2010

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.

Cem milhões de brasileiros vivem com dinheiro público

19/07/2010

Informa o Globo:

“Esforço do governo federal para tirar da pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas nos últimos anos – resultado, principalmente, de políticas de aumentos reais do salário mínimo e do funcionalismo, bem como da ampliação do Bolsa Família – transformou o orçamento federal numa grande folha de pagamento, segundo cálculos do economista especializado em contas públicas Raul Velloso. Tomando como base as despesas não financeiras da União em 2009 (que excluem pagamento de juros da dívida pública ou concessão de empréstimos), 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Segundo reportagem deste domingo de O GLOBO, são grupos que vão de gente beneficiada com o seguro-desemprego ou o Bolsa Família até assalariados do funcionalismo público e aposentados, que contribuíram boa parte da vida em troca da remuneração.

Como, na sua grande maioria, esses pagamentos se configuram em renda familiar, o número de beneficiados é na prática bem maior. Se levado em conta que essa renda ajuda a manter ao menos duas pessoas (núcleo familiar básico) – e, no caso do Bolsa Família, núcleos familiares mais numerosos -, argumenta Velloso, a quantidade de brasileiros que vivem de recursos advindos da arrecadação tributária sobe para cerca de cem milhões de pessoas. Mais da metade da população do país.

No orçamento de 2009, observa o economista, esses gastos representaram R$ 570,5 bilhões, ou 77% de todos os gastos não financeiros – uma enormidade, dado que as despesas com saúde representaram 7,3% dos gastos totais, e os investimentos públicos, 6%. Na comparação com o orçamento de 2005, o número de brasileiros beneficiados diretamente passou de 40 milhões para 48,8 milhões, alta de 22% em cinco anos.

- Quando um governo tem tanta gente dependendo dele em termos de renda, isso dá um poder de influência eleitoral muito grande – diz Velloso. – Especialmente nos últimos anos, quando foi praticada uma política agressiva de aumentos reais do salário do funcionalismo e dos aposentados, sem contar a ampliação maciça do Bolsa Família.

Essa não é bem a lógica de cientista políticos, filósofos e sociólogos especialistas em analisar o impacto de políticas públicas no processo eleitoral, ainda que todos concordem que as políticas de distribuição de renda possuem um componente poderoso de atração de votos. Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da FGV de São Paulo, diz que programas como o Bolsa Família têm o poder de atrair votos por causa da percepção de melhora na vida de famílias que não possuíam renda e passaram a tê-la. Mas ele não acha certo dizer que as políticas de recomposição real de salários e aposentadorias do governo Lula tenham o poder de se transformar automaticamente em votos para a candidata governista, Dilma Rousseff.

- Há uma expectativa de voto de aposentados do interior do Nordeste, por exemplo, que é muito diferente em comparação a aposentados de grandes núcleos urbanos no Sudeste e Sul, gente que provavelmente possui outra base educacional e acesso à informação – diz Abrucio. – E nem todos os funcionários públicos estão satisfeitos com as políticas do governo para o setor. Esse raciocínio tem limites.”

Quando se lê uma manchete como essa e, depois, percebe-se, lendo o corpo da matéria, que ela não é uma lorota, chega-se à conclusão de que algo está errado neste País.

Muito errado.

Digo e repito neste blog: Os programas assistenciais são, hoje, necessários, porém há que se ter uma porta se saída.

Programas como o Bolsa Família devem ser, necessariamente, temporários, paliativos, e não permanentes e interpretados como política pública basilar.

Ele é corretivo. E o erro que se visa corrigir deve ser extinto e não apenas abafado.

Sendo assim, precisamos urgentemente de portas de saída para os programas assistenciais como por exemplo cursos profissionalizantes para os jovens, ensino supletivo para os adultos e educação de base para as crianças, bem como fomento fiscal a empresas que gerem empregos em locais que são bolsões de pobreza.

Fim das contas, não é possível que tenhamos 100 milhões de brasileiros dependendo de Estado e achemos normal.

Não é e não deve ser normal.

Nunca.

Estatais doaram milhões às centrais sindicais

07/07/2010

Informa o Globo :

“As cinco maiores empresas estatais doaram, juntas, R$ 7,4 milhões para as centrais sindicais realizarem as festas do 1 de Maio no estado de São Paulo entre os anos de 2006 e 2010. As maiores beneficiadas pelo patrocínio com o dinheiro público foram a CUT e a Força Sindical, além de UGT e CGT.”

Sem comentários.

Aguardo para ver se há respostas plausíveis vindas dos leitores que dizem que não há cooptação das entidades representativas dos trabalhadores pelo governo Lula.

Análise Geral: MST está com Lula, mas reforma agrária ficou na promessa

05/07/2010

Chegou a público, recentemente, a informação de que Dos 46 milhões de hectares destinados ao programa de reforma agrária no governo Lula, apenas 8,2% (3,8 milhões) foram obtidos pelo critério da desapropriação, considerados improdutivos. Outros 393 mil hectares foram comprados e 42 milhões são terras públicas destinadas ao programa.

Segundo o jornal O Globo, o baixíssimo volume de áreas adquiridas via desapropriação consta na ação que o Ministério Público Federal propôs contra o governo na Justiça Federal. Na ação, os procuradores cobram a revisão dos critérios de produtividades das áreas privadas para ampliar o número de terras destinadas à reforma agrária.

Fica nítido que a reforma agrária de Lula ficou na promessa. Não existiram praticamente desapropriações de terras improdutivas. As terras destinadas aos Sem Terra vieram do próprio governo ou foram compradas. Nada de índice de produtividade rural. Nada de respeito à função social da propriedade consagrada na Constituição.

Mas a realidade é que o que mais espanta não é isso. A surpresa surge, realmente, quando percebemos que a cúpula do MST apóia incondicionalmente o Presidente Lula e seu governo.

Resta claro que a cúpula do MST se preocupa, como afirma este que vos fala há tempos, com seus próprios interesses e não com a defesa daqueles que representam a sua causa maior.

Cooptado, o MST age de acordo com o que deseja o grupo que o lidera, visando a manutenção das benesses das quais estes usufruem dentro do governo.

As bases, a causa e a luta ficam em décimo plano.

O mesmo vale para a UNE e para a CUT.

A situação das bases não é nem de longe a ideal e as demandas não estão sendo atendidas, mas os movimentos sociais calam-se e fingem estar vivendo em um mundo de maravilhas já que as lideranças são aliadas de Lula.

Verdade seja dita: Se a vitória em outubro for de Serra, tudo que anda maravilhoso se tornará péssimo e os protestos surgirão como mera coincidência.

Triste.

PT prioriza a luta pela Presidência e se enfraquece nos estados

02/07/2010

Comenta o jornalista Fernando Rodrigues, a respeito de levantamento feito pelo repórter Fábio Brandt, do Portal UOL:

“O PT terá seu menor número de candidatos próprios a governador neste ano: apenas 10. É a consolidação de uma tendência já verificada nos últimos anos. Os petistas agora priorizam eleger Dilma Rousseff como sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Depois, a ordem é fazer grandes bancadas na Câmara e no Senado.

Por causa dessa estratégia, o PT decidiu abrir mão de ter candidatos próprios em vários Estados, inclusive contrariando muitas seções locais da legenda.

Só como comparação, em 2002, quando elegeu Lula pela primeira vez para o Planalto, o PT teve candidatos próprios em 24 das 27 unidades da Federação. Já em 2006, quando o arco de alianças tinha crescido, só houve petistas disputando cargos de governador em 18 UFs. Agora, serão 10.”

Fica comprovada, como dois e dois são quatro, a situação comentada diversas vezes por este blogueiro:

O PT abre mão do fortalecimento de suas seções regionais, da formação de novos quadros e do surgimento de novos nomes viáveis em prol, única e exclusivamente, da eleição presidencial.

Fica a militância petista nos estados desmotivada, ficam grandes nomes do petismo se sentindo desprestigiados e fica a suposta coerência que o PT diz prezar em suas alianças dizimada. Tudo isso visando a vitória de Dilma Rousseff.

Uns afirmam categoricamente que isso se dá por conta de a direção nacional do PT não querer nem ouvir falar em perder as benesses do poder e os cargos que acomodam as bases, do partido principalmente a sindicalista.

Outros dizem com convicção que a importância exagerada do governo federal no Brasil faz com que seja mais importante manter a Presidência para consolidar e ampliar avanços e, principalmente, continuar o trabalho em torno de uma visão da gestão pública que é, segundo estas pessoas, diferenciada e mais correta.

Obviamente a verdade se encontra em um ponto médio.

Se este ponto está mais próximo do apontado pelos que entendem que o governo Lula não herdou nada de bom do governo FHC ou mais próximo do apontado pelos que entendem que a vitória de Dilma representaria o chavismo no poder brasileiro, só o tempo dirá.

Fato é que a prioridade clara e cristalina do PT é a Presidência e que, caso a perca, o partido terá uma única estrela: Lula.

Em suma, se Dilma vencer, Lula lhe deu a vitória. Se Dilma perder, o PT implorará para que Lula tente o retorno em 2014, afinal, o enfraquecimento nos estados impede o surgimento de um petista com luz própria.

Curioso, não?

Lula afirma que não se pode afrouxar o controle da economia por conta de eleição

01/05/2010

Disse o Presidente Lula:

“Nós atingimos um grau de maturidade em que a gente não pode, por conta de uma eleição, afrouxar o controle da economia e deixar a coisa desandar, senão não controla mais.

Concordo plenamente. E reconheço o acerto do Presidente Lula ao dizer isso.

Contudo, mantém-se em mim – e acredito que em outros – o receio de que a independência do Banco Central seja de alguma forma diminuída visando reduzir o desgaste político do governo e o consequente desgaste eleitoral de Dilma Rousseff que poderia advir de uma alta de juros considerável próxima da eleição.

E a provação das teses existirá:

O COPOM se reúne no final de agosto, quando a campanha estará no auge, e depois entre o primeiro turno e um eventual segundo turno. Decisões impopulares nestas datas podem afetar o resultado de Dilma Rousseff de alguma forma. Em uma disputa acirrada, poderão fazer alguma diferença.

O governo terá a chance de provar que a autonomia do BC é para valer e que o comprometimento com a estabilidade da economia e com o futuro do País é maior – como deve ser – do que o ímpeto de eleger Dilma Rousseff.

Isso se dá pois já é previsível que a medida correta nestas datas será a elevação dos juros.

O governo os elevará pensando no País ou os manterá – ou reduzirá – pensando em Dilma?

Quem viver verá.

Lula é eleito um dos líderes mundiais mais influentes e Serra o parabeniza antes de Dilma

01/05/2010

Informa o Portal Terra:

“Em seu Twitter, o pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, deu os parabéns ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por integrar a lista publicada pela revista “Time” elencando os 25 líderes que mais influenciaram o mundo em 2010.

‘Parabéns ao Presidente Lula, escolhido líder do ano pela revista americana Time. É bom para o Brasil’, disse Serra em seu twitter às 14h17, horário pouco habitual ao ex-governador de São Paulo que é famoso na web por postar de madrugada.

Corrigido por uma internauta de que Lula não encabeçava a lista, Serra reviu seus parabéns: ‘O Presidente Lula é um dos 25 líderes da revista Time. Bom do mesmo jeito para o Brasil’.”

É preciso realmente que se cite e se reconheça o feito do Presidente Lula, eleito pela Time como um dos líderes mundiais mais influentes. Tentar minimizar a importância da citação da revista americana lembrando, por exemplo, que Adolf Hitler também foi premiado no passado é bobagem.

Alguns que se opõem ao Presidente têm feito isso. Não concordo.

Contudo, de qualquer forma, o mais curioso fato não foi a premiação de Lula e nem os artifícios retóricos que alguns oposicionistas começaram a utilizar, e sim José Serra ter parabenizado Lula com certa animação e antes de Dilma Rousseff.

Parece que o tucano está mesmo engajado em se apresentar como candidato que reconhece os avanços de Lula, mas que se vê como mais indicado para manter o ritmo de desenvolvimento do Brasil e até acelerá-lo, fazendo assim um contraponto com Dilma Rousseff baseado mais no currículo e menos no partido a que cada um pertence ou no suposto “legado” que cada um defende.

É o tal pós-Lula.

O Presidente quer porque quer apresentar Dilma como a defensora de seu governo e Serra como Fernando Henrique Cardoso II.

Faltou “combinar com os russos”.

E chamar Serra de “lobo em pele de cordeiro” não resolve.

Só piora.