Arquivo da seção ‘16. Entrevistas’

Entrevista: Fernanda Dreier conversa com Bruno Kazuhiro

19/10/2009

Este blogueiro que vos fala concedeu, à bacharelanda em jornalismo Fernanda Dreier, uma entrevista que trata de seus posicionamentos políticos, de seu entendimento a respeito das colocações dos diferentes pontos do espectro político a respeito de variados temas e, também, da noção da população brasileira no que tange as ideologias políticas.

Para o conhecimento dos leitores do Perspectiva Política, que diversas vezes demonstraram curiosidade acerca dos entendimentos deste blogueiro que, surpreendentemente, tem suas palavras aguardadas por eles, segue a entrevista:

FERNANDA DREIER: Que participação político-social você procura exercer na sua comunidade, ou mesmo em nível nacional ou internacional?

BRUNO KAZUHIRO: Participo politicamente através de diversas maneiras. Exercer meu civismo e minha cidadania, procurando sempre incentivar os outros a fazer o mesmo já é uma forma, subestimada diga-se de passagem, de fazer política. Além disso, sou administrador, editor e autor do blog Perspectiva Política, que já adquiriu o seu destaque na blogosfera política nacional, ultrapassando o milhar de visitantes por dia. Coordeno ainda o GECAP, Grupo de Estudos sobre Cidadania e Aprendizado Político, um coletivo que se reúne para debater a política do Rio de Janeiro, onde moro, formado por jovens e que pretende realizar, em breve, palestras de cunho conscientizador no que diz respeito à política focando o público jovem.

FD: Como você distingue Esquerda e Direita no que diz respeito aos temas:

BK: A princípio, eu gostaria de dizer que não creio mais na distinção estereotipada entre esquerda e direita. Responderei aos tópicos abaixo aproximando os princípios de ambos os lados à realidade que encontramos. Porém, creio que o debate entre esquerda e direita se dá, hoje, dentro do capitalismo, sendo a esquerda, na realidade, a centro-esquerda, e a direita, a centro-direita. Os extremos são, atualmente, caricatos.

a) saúde;

A saúde pública universal é defendida da esquerda até a centro-direita, embora alguns pontos do espectro político aceitem melhor a convivência com o setor privado. A direita mais extremada chega a defender a saúde privada como mais indicada, com desoneração de impostos.

b) educação;

Mesmíssima situação da saúde. Na política, saúde e educação estão sempre próximas no que tange a análise do papel do Estado por cada ideologia.

c) impostos;

A esquerda defende impostos mais altos para que diversos âmbitos sejam controlados pelo Estado. A direita pede desoneração de impostos para que o dinheiro fique com o contribuinte e este o utilize na contratação de serviços privados.

d) reforma agrária;

A esquerda extrema é totalmente a favor e a direita extrema é totalmente contra. Os centristas atuais elencam casos onde é possível e onde não é possível. A centro-esquerda elenca mais casos, por ser defensora da função social da propriedade, enquanto a centro-direita elenca menos casos, por defender mais a propriedade privada.

e) meio ambiente;

A esquerda é mais alarmista quanto ao meio-ambiente. Muitos direitistas mais extremos chegam a dizer que o ambientalismo é o novo marxismo. A direita mais moderada é cética, tendo muitos membros questionando até que ponto o aquecimento global não é um fenômeno natural.

f) economia;

Aqui a distinção é mais fácil: Ideais próximos à intervenção versus ideais próximos ao liberalismo.

g) e liberdades individuais?

A direita, por defender a propriedade privada e o mercado, as defende com mais afinco. A esquerda aceita as colocar em segundo plano se confrontarem o interesse público e o bem comum.

h) (se houver outros temas que lhe interessem, fique à vontade)

Destaco temas como aborto, fetos anencéfalos e liberação das drogas. A esquerda tende a ser mais liberal enquanto a direita tende a ser mais conservadora, o que é curioso se compararmos com as posições econômicas e com o nível de defesa da liberdade individual.

FD: Na sua opinião, qual é a melhor distinção entre Esquerda e Direita encontrada na teoria política?

BK: A melhor distinção, a que melhor explica as diferenças de pensamento, diz respeito à intervenção do Estado na economia. Na minha opinião, o embate entre público e privado explica bem a dicotomia.

FD: Como você relaciona os conceitos Conservadorismo, Progressismo, Radicalismo, Reacionarismo, Esquerda e Direita? As associações mais comuns entre estes conceitos são aceitáveis ou há relativismo?

BK: Há relativismo, com certeza. Principalmente após a queda do muro de Berlin. Como eu já afirmei, o debate sério entre esquerda e direita se dá, hoje, dentro do capitalismo. O radicalismo é caricato e tende a ser rechaçado nas democracias a não ser que as circunstâncias sejam sui generis. O reacionarismo me parece um paradoxo. Ele existe, mas não em todos os sentidos descritos pelo termo. O progressismo e o conservadorismo nunca foram termos caros para mim. O progressismo supõe progresso, o que nem sempre advém dos regimes esquerdistas, e o conservadorismo nos leva a entender que o perfil de um direitista é sempre conservador, o que não é verdade. Por fim, lembro que estas associações feitas podem se equivocar. A classe média brasileira é um caso claro de um grupo que pode muito bem ter membros de esquerda reacionários contra os mais pobres. Além disso, o conservadorismo econômico advém muitas vezes do indivíduo progressista.

FD: Você se declara de centro, um democrata social-liberal, certo? Como este posicionamento reflete na escolha dos seus candidatos?

BK: Infelizmente, a questão ideológica não pode ser a primeira analisada por mim na escolha dos candidatos. Como a prática política nacional está contaminada por fatores como o clientelismo, o assistencialismo, o loteamento de cargos, etc, primeiramente separo os políticos que são entendidos por mim como praticantes da boa política. Apenas após essa separação é que passo a distinguir ideologicamente. Se por acaso não existirem nomes alinhados com meu pensamento social-liberal honestos, preferirei sempre alguém bem intencionado de outra esfera.

FD: Como você avalia a noção dos cidadãos brasileiros quanto às diferenças entre Esquerda e Direita na política?

BK: Os cidadãos brasileiros, em sua grande maioria, não distinguem. A única coisa que é foco de atenção é o tratamento dos pobres. Quem “gosta” dos pobres e quem “não gosta” deles e trabalha para os “ricos” e os “poderosos”. Diz-se que a direita é menos assistencialista. Por conta disso pode haver uma distinção indireta, mas não ideológica. Curioso é perceber que muitos políticos populistas que advém da religião, portanto com valores conservadores, praticam o assistencialismo e são entendidos, muitas vezes, como mais amantes das “classes baixas” do que os marxistas. Além disso, o PT, atualmente no poder, tem uma história de esquerda, um governo de direita na economia e uma atuação social de centro, o que mostra o quão relativa é a prática, o que confunde ainda mais a noção do brasileiro médio. Talvez em estados com níveis educacionais mais elevados a distinção seja mais bem feita, mas nada de muito embasado.

Atendendo a pedidos: Bruno Kazuhiro responde a si mesmo

27/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou, gerando uma série de entrevistas, com os colunistas deste blog a respeito de suas opiniões políticas e pessoais.

Pois bem. As entrevistas foram um sucesso, trazendo interação, comentários, conhecimento dos colunistas pelo público e debates interessantíssimos.

Acontece que, em alguns comentários e em alguns e-mails enviados a este blogueiro que vos fala, diversos leitores do Perspectiva apontaram uma ausência: As respostas vindas justamente daquele que formulou as perguntas, este que vos escreve, Bruno Kazuhiro.

Não poderia eu deixar de atender ao pedido de meus caríssimos leitores. Por isso, seguem as minhas próprias respostas às perguntas que fiz para os colunistas, expressando, desta vez, as minhas opiniões políticas e pessoais:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

No caso, não sou apenas um colunista. Sou fundador, autor e editor do Perspectiva Política, sendo o responsável pela escrita de todos os textos que não são dos colunistas e pela editoração destes últimos.

Com certeza a experiência pessoal mais afetada pela existência do Perspectiva é a minha, afinal, sou o criador, mantenedor e escritor deste espaço.

Posso dizer, sem sombra de dúvida, que o advento do Perspectiva em minha vida potencializou minha capacidade literária, aumentou minha tolerância, exercitou minha produção intelectual, despertou uma veia jornalística e ensinou muito através das responsabilidades grandes que assumo.

Afirmo, sem pensar duas vezes, que me orgulho muito da tarefa que executo, ressaltando especialmente os momentos em que o serviço de utilidade pública do Perspectiva faz com que eu possa auxiliar as pessoas através deste humilde blog.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Esta pergunta foi das mais difíceis para os colunistas e o mesmo vale para mim. Eloquente para comentar os mais diversos temas, me retraio quando o tópico em destaque é a minha pessoa. Mas enfim, tentemos.

Me entendo como um bom sujeito. Não tenho inimigos, não cultivo inimizades, sou conciliador. Soma-se a isso o fato de eu não apreciar nem um pouco espertezas e malandragens, sendo pessoa franca e honesta.

Defendo veementemente certos princípios morais e éticos, sendo acusado, até mesmo, de exagerar no que tange os valores. Sou daqueles que aconselha os amigos, ao invés de ser aconselhado.

Por fim, vale dizer que sou modesto. Me sinto desconfortável quando amigos ou familiares citam minhas conquistas acadêmicas ou pessoais, entre elas, o sucesso deste blog.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Como já comentado neste blog, sou um centrista social-liberal. Acredito que o Estado seja necessário, porém, sem exageros. Tento, dentro do caráter sensato de minha personalidade, pinçar o que há de melhor nos conceitos liberal e intervencionista, assim como nos ideais capitalista e marxista. Repudio radicalismos.

Na minha opinião, o Estado deve garantir prestações públicas universais e de alta qualidade nos campos da saúde, da educação, do saneamento básico, da segurança, entre outros. Garantidos estes benefícios totalmente, os cidadãos poderão competir com um mínimo de igualdade de condições, prevalecendo neste caso um mérito justo.

Para os que, por acaso, não puderem prover a si mesmos uma vida digna, o Estado deve dispor de uma rede de proteção social moderadamente dispendiosa que disponha de boas portas de saída.

No que tange a dicotomia entre regimes libertários e autoritários, acredito na liberdade positiva, defendendo que apenas o cidadão que dispõe dos serviços acima citados, providos pelo Estado, pode exercer sua liberdade com consciência, plenitude e critério.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Utilizando-me de precedente aberto por meus caros colunistas, indicarei mais de um livro: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, pela descrição sensacional do patriotismo saudável incompreendido, Senhor das Moscas, de William Golding, pelo entendimento da natureza humana, A Revolução dos Bichos, de George Orwell, pela metáfora perfeita dos malefícios do autoritarismo em sistemas ditos igualitários, O Mito das Nações, de Patrick Geary, pela comprovação da idiotice da xenofobia e O Processo, de Franz Kafka, por despertar a indignação para com a injustiça.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Na minha opinião, há avanço lento. A apatia, o conformismo e a incredulidade na mudança existem em grande escala, porém, reconheço redução gradual. Creio que a internet possa interpretar importante papel nesta redução e enxergo que a sociedade brasileira não pode ser de todo criticada pelos seus maus hábitos políticos, afinal, o regime militar, de certa forma, incentivou a falta de questionamento. Precisamos ainda nos livrar desta herança maldita de aceitar o que nos é dado sem ressalvas.

No que tange a “malandragem” histórica do brasileiro, aquela cultura colonial de sempre buscar levar algum tipo de vantagem, a repudio totalmente. Coloco em sua conta grande parte do subdesenvolvimento brasileiro e condeno a hipocrisia dos que reclamam dos corruptos apenas por não ter o seu quinhão, e não, por realmente acreditar no malefício da prática.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Ruy Barbosa, sem dúvida alguma o maior brasileiro de todos os tempos. Na descrição que escrevi para me apresentar aos leitores deste blog utilizo frase de Ruy que, com certeza, expressa as minhas intenções no que diz respeito ao Perspectiva Política. Repito a citação:

“Se o Brasil for condenado, pelos meus representantes, a continuar a ser, diante do mundo, a fábula dos países miseráveis, risíveis e desprezíveis, não será porque eu não tenha exercido as minhas forças em bradar à nossa pátria.”

Ruy me comove pelo patriotismo saudável e pelo inconformismo necessário, além do altruísmo. Não chega a ser um teórico de grande relevo, mas é um ótimo exemplo comportamental.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Não só pretendo como entendo que já o faço através do Perspectiva Política e de meus ditos sermões nas conversas com amigos. A conscientização que busco fomentar me parece um modo de fazer a minha parte e auxiliar a melhora da prática política nacional.

Já fui incentivado a buscar a vida pública, mas não tenho pensamento formado sobre isso. Infelizmente, a política hoje não incentiva os bem intencionados e os vocacionados, e sim, os populares.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

If I Can Dream, interpretada pelo rei Elvis Presley. Cito passagem da música que justifica minha escolha: “And while I can think, while I can talk. While I can stand, while I can walk. While I can dream, please let my dream. Come true, right now”.

No âmbito nacional, aprecio a obra de Raul Seixas. Um questionador nato. A passagem: “Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz? Se é documento eu tenho aqui… Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí. Eu quero é saber o que você estava pensando. Eu avalio o preço me baseando no nível mental. Que você anda por aí usando”, de Metrô Linha 743, é sensacional.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Estou cético quanto às chances de Dilma Rousseff. Acredito que a Ministra possa ir para o segundo turno, porém, a artificialidade de seu nome pesará em algum momento, com Lula ou sem Lula.

Enxergo que Ciro Gomes pode, talvez, ultrapassar Dilma e disputar o segundo turno. Se, nesse caso, Ciro receber o apoio de Lula, pode ser competitivo de verdade.

Na minha opinião, Marina Silva é uma ótima e inquestionável novidade no cenário que, dadas as circunstâncias, não passará para o segundo turno.

Creio ainda que José Serra já é o candidato tucano, além de ser o favorito das eleições. Aposto nisso há algum tempo neste blog. Se enfrentar um Ciro Gomes fortalecido por Lula no segundo turno, Serra pode ter problemas, mas apenas nesse caso. Imagino que um debate no segundo turno entre Serra e Dilma facilite a vitória do primeiro, enquanto um entre Serra e Ciro possa ser uma guerra campal.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

Cito meu filósofo favorito, o francês Montaigne, em tradução livre do francês de sua época:

“O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o acontecido”.

Com certeza eu gostaria que meus filhos soubessem disso. Uma filosofia de vida que prime por um olhar sobre a existência que siga esta frase me parece saudável.

Precisamos saber nos resignar quando necessário, rir de nós mesmos quando preciso e nos inconformarmos quando apropriado.

E é o interno intepretando de maneira sadia o externo que nos proporcionará isso, nunca o contrário.

2ª Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Matheus Passos

26/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou, encerrando a série de entrevistas, com um dos colunistas de sábado, Matheus Passos, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

O maior ponto positivo ao escrever no Perspectiva Política diz respeito à possibilidade de realizar algo que considero fundamental para o desenvolvimento da política brasileira: a conscientização da população. Não a conscientização que manipula, que faz o indivíduo seguir este ou aquele político, mas sim a conscientização que faz com que o indivíduo pare, pense, raciocine e, a partir daquilo que lhe é oferecido no “mercado político”, escolha o que acha que é melhor para si e para sua comunidade.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Sem dúvida esta é a pergunta mais difícil da entrevista, posto que falar de nós mesmos é algo sempre complicado. Tenho 32 anos e acredito estar na melhor fase da vida porque posso colocar em prática e compartilhar com meus alunos – sou professor de instituições de ensino superior – aquilo que pude aprender e apreender durante meus estudos e minha vida profissional anterior. Nesse sentido, considero-me uma pessoa exigente, porque acho que o ser humano não deve se acomodar com o que já tem, devendo sempre buscar melhorar. Além disso, posso colocar essa exigência em prática quando estou em sala de aula – e não apenas ali, mas em todos os aspectos da minha vida.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Sempre me defino como de “centro-esquerda”. É uma definição complicada, especialmente para aqueles que têm um pensamento dicotômico e que acreditam que exista apenas “uma” esquerda e “uma” direita. Definição difícil também para aqueles que acreditam que não existe “centro”, e que acham que “centrista” é aquele que concorda com tudo e, consequentemente, não concorda com nada.

Entretanto, discordo desse pensamento simplista e acho perfeitamente possível a existência do pensamento de centro-esquerda. Tal pensamento, mais conhecido como “social-democrata”, é um pensamento que pressupõe a existência da ação social do Estado com o objetivo de minimizar o sofrimento daqueles que são desfavorecidos econômica e socialmente, ao mesmo tempo em que busca garantir a liberdade do indivíduo frente a esse mesmo Estado. Obviamente, falo aqui em seu sentido teórico, e nosso País, definitivamente, não corresponde exatamente ao modelo teórico ao qual me refiro. Contudo, creio que este seja o posicionamento político mais adequado à situação em que vivemos porque o socialismo extremo pode até garantir a satisfação das necessidades sociais dos indivíduos, mas o faz ceifando a liberdade; por outro lado, o pensamento liberal enfatiza as demandas de liberdade individual, mas menospreza o fato de que não são todos que podem usufruir de sua liberdade com o objetivo de satisfazer suas demandas sociais. Assim, seguindo a linha de Aristóteles, Buda e Confúcio, acho que o “caminho do meio” é o melhor.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Mais uma vez meu colega Bruno me aperta, pois indicar apenas um livro seria complicado. Tomo a liberdade de sugerir três livros, em três áreas distintas. O primeiro deles se chama “Teoria geral da política”, de Norberto Bobbio. Considero este um livro fundamental para todos aqueles que tenham interesse em ter boa fundamentação a respeito da política, tanto em aspectos históricos, quando em aspectos analíticos. Outro livro que sugiro é o “Aprender a viver”, de Luc Ferry. Apesar do título ser semelhante ao de livros de auto-ajuda, este é um livro de filosofia no qual o autor, ex-Ministro da educação na França, mostra de que forma é possível utilizar o conhecimento filosófico no dia a dia, desmistificando a ideia de que “filosofia” é falar, falar e não dizer nada. Por fim, gostaria de indicar o livro “Os irmãos Karamazov”, do russo Fiodor Dostoievski, considerada uma das maiores obras-primas da literatura mundial.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

O avanço é contínuo, e quanto a isso não tenho dúvidas. Basta compararmos as alterações na estrutura do Estado brasileiro nos últimos 30 anos, e veremos que, claramente, de maneira geral, há avanços. O problema se situa no fato de que, em minha opinião, tais avanços são extremamente lentos e, muitas vezes, um passo adiante é seguido de dois passos para trás. E quando saio de uma visão mais geral, mais ampla, de Estado e sociedade, e passo a analisar as ações políticas do cidadão em seu dia a dia, a sensação que tenho é de desânimo. Acredito que o maior contribuinte para tal desânimo seja a apatia do povo brasileiro, que faz com que sejamos, por um lado, acomodados – porque estamos satisfeitos com aquilo que temos –, e, por outro, incrédulos – por acharmos que não adianta nada participar politicamente porque “todos são iguais”, “todos roubam”, e, por isso, “não compensa debater política”. Enquanto a sociedade brasileira pensar desta forma, deixará de ocupar um espaço que é seu por natureza e, obviamente, tal espaço será ocupado por alguém – que nem sempre considerará tal espaço como público e, por isso mesmo, nem sempre representará efetivamente a população.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Esta é mais uma pergunta complicada, especialmente para um professor de ciência política e de filosofia política. Tenho alguns preferenciais: Platão, devido ao seu racionalismo e por ter dado o pontapé inicial à ciência política; Maquiavel e Hobbes, devido ao seu realismo em relação ao que deve ser feito para a manutenção da ordem; Kant, devido ao seu imperativo categórico que, por mais simples que seja no enunciado, é complicado de ser posto em prática; Marx, porque foi um dos primeiros a realmente buscar mudar a realidade em que vivia; e Weber, devido à importância de seus escritos para a análise das sociedades contemporâneas.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Como professor, acredito desempenhar o papel de dar o embasamento necessário aos meus alunos – e não são poucos, mais ou menos 600 por semestre – para que os mesmos possam se conscientizar do fato de que política não é a mesma coisa de politicagem. E sou adepto da ideia de pequenas ações: se cada um fizer sua parte, no somatório final muito será feito. E, ao contrário, nada será feito enquanto ficarmos de braços cruzados esperando que o estado atue “em nosso benefício”.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Seria “Adágio em Sol Menor”, de Tomaso Giovanni Albinoni, compositor italiano barroco que viveu entre 1671 e 1751.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Se nada de muito drástico ocorrer neste próximo ano, acredito que se concretizará a previsão de todos: Serra e Dilma concorrerão ao Planalto no segundo turno. Acredito que Serra tem certa vantagem frente à Dilma porque o brasileiro é muito personalista, o que significa dizer que não será fácil transferir a aprovação popular de Lula à candidata do PT. Isto não significa dizer, contudo, que Serra está com a eleição ganha, e caso ganhe será muito mais por uma falta de um “novo Lula” do que por méritos próprios – em outras palavras, será por falta de opção. Não consigo enxergar Ciro e Marina – e quiçá Heloísa Helena – sendo capazes de “tirar o caneco” das mãos de uma das duas figuras políticas anteriores.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

“As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo? Onde está o motivo para as brigas?”, de Gandhi – e aproveitaria para expandir o raciocínio das religiões para toda e qualquer área do relacionamento humano.

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Rafael Oliveira

26/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com um dos colunistas de sábado, Rafael Oliveira, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

Escrever sobre política já é um aprendizado por si só, pois exige do colunista uma pesquisa e qualificação no processo de escrita, o que difere de outras composições. Ter exercido a função de colunista no Perspectiva tem feito com que eu busque uma melhora na minha capacidade de interpretação da política em geral, assim como tem me proporcionado uma gana por conhecimento, ampliando meu leque de domínio das questões que envolvem a política do nosso País. Tenho muito a crescer e perceber além das qualidades, os principais defeitos de minha escrita (através das críticas dos leitores e do autor), possibilita com que eu reflita em prol de uma maior capacitação neste âmbito, o que é essencial para alguém que deseja ser um bom jornalista.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Descrevo-me como sendo observador, determinado no que me disponho a fazer, um tanto quanto sonhador e inseguro em muitas situações em que gostaria de ser mais confiante. Tento ser um bom filho, um bom amigo, um bom namorado e um bom estudante. Claro que nem sempre consigo alcançar tal condição, mas tentativas representam sempre o princípio de todo acerto.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Considero-me como integrante da centro-esquerda. Não acho que alguém consiga ser sempre liberal, conservador, regressista, ou progressista na trajetória de vida. Acho hipócrita aquele que se diz completamente radical, ou completamente direitista, pois, em muitas situações, devemos equilibrar a condução dos fatos, seja na política, ou em outros setores da sociedade. (O que bem ou mal, fazia Vargas, se alternando o tempo todo de acordo com o que o contexto tornava mais adequado a ser seguido). Ao mesmo tempo em que acredito que o Brasil deveria “jogar como time grande”, assumindo de fato a liderança da América do Sul, compreendo que a calma e a paciência, em outros momentos, ajudam na solução de problemas e na construção de um País melhor. Portanto, depende da circunstância. Mas, em geral, julgo-me como centro-esquerda.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Indico aos leitores do Perspectiva o livro “O vampiro que descobriu o Brasil”. A obra narra a história dos 500 anos do nosso País, utilizando-se de um personagem fictício de forma bem inteligente. Um vampiro encontra-se presente nos mais diversos acontecimentos culturais e políticos da nossa história, narrando-a com uma linguagem atraente, que prende o leitor do início ao fim. Foi um dos meus primeiros contatos com a literatura.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Infelizmente, tenho escrito frequentemente que é decepcionante o brasileiro só “se rebelar” quando mexem em seu bolso. Ao longo da nossa história, temos greves e mais greves dos que lutam por salários maiores, mas, quando o tema vai além do dinheiro, o brasileiro costuma ser omisso. O impeachment que foi nossa última grande manifestação. Poderia ter sido dada uma sequência a manifestos mais frequente, mas, por seus motivos centrais serem econômicos e não políticos, acredito não ter sido viável essa mudança na forma de pensar, politicamente falando, do brasileiro.

O que precisamos, de fato, vai além da velha “ampliação da nossa consciência”. Precisamos, sim, é de um líder político que se utilize do aspecto inteligente do “totalitarismo” para unirmos a população em busca de um ideal em comum. Como pregavam os totalitaristas, um objetivo a nível nacional só é alcançado pelo conjunto, e não, por interesses individuais. É preciso uma organização, para, aí sim, desorganizarmos. Com uma figura que sirva como exemplo de liderança formaremos um conceito de questionamento e consciência para, finalmente, pressionarmos autoridades e políticos, tendo voz para competir com os poucos que dominam os muito setores das sociedade.

Resumindo, a nível nacional, considero quase nula a mobilização da população brasileira no que diz respeito à política. Quase nula, o que indica que ainda resta potencial para um avanço.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Personagem da política? Bom, em primeiro lugar, considero a capacidade de comunicação, uma das maiores qualidades do ser humano. Pela habilidade de agregar condições que favoreçam o cumprimento de seus objetivos e por ter a inteligência de manipular tudo e todos ao seu redor, confesso que admiro o estrategista Fernando Collor de Melo. Mas, antes de tudo, peço que interpretem com cuidado minha declaração. Não admiro seus valores, tampouco a forma com que consegue o que quer. Assusto-me, é com sua capacidade de alcançar o sucesso, sempre, independentemente de, para isso, ter que brigar com Rede Globo, com a população, com senadores, deputados, enfim. “Amigo da Globo”, se tornou Presidente. “Inimigo da Globo”, foi derrubado.

Anos depois, consegue se reerguer mesmo tendo a imagem de vilão perante a população de seu País, sendo indicado, inclusive, para ocupar lideranças em comissões, ou, até mesmo, para governar seu estado de origem. Só alguém muito bem articulado para costurar todos os nós necessários na construção do sucesso. E hipocrisia seria, com certeza, negar que uma articulação desse porte não seja admirável. Mas enfatizo novamente, não sou a favor da tese de Maquiavel, que dizia “os fins justificam os meios”. Reprovo as atitudes e os atalhos pelos quais Collor transita, admiro apenas o fato de ele conseguir tudo o que quer, mesmo sendo um das maiores carrascos da história política do Brasil.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Ser colunista, buscando informar e entreter os leitores quanto à política, no meu modo de ver, já pode ser considerado um passo inicial para a melhora da política nacional. Mas já pensei em construir carreira política iniciando-me como vereador, traçando planos e propostas para construir uma cidade melhor e, posteriormente, crescer em cada nível em que eu possa ser construtivo. Pode ser que um dia esse desejo ganhe força e se torne um objetivo de vida.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

“Tempo Perdido” – Legião Urbana

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Não vejo chance alguma da candidata do Presidente, Dilma Rousseff, sagrar-se vencedora na disputa presidencial. É impossível determinar o que de fato ocorrerá, mas, na minha opinião, a falta de carisma e de boa comunicação/expressão inibem a possível transferência de votos, que, se formos analisar friamente, também não aconteceu nas últimas eleições, por exemplo, na relação “Lula – Marta Suplicy”.

Caso, em um possível segundo turno, Ciro seja apoiado pela base do Presidente Lula, aí sim a guerra seria inevitável. O duelo Serra versus Ciro garantiria capítulos intensos, mas o favoritismo do tucano é inegável.

Apesar de querer que a candidatura da Senadora Marina Silva fosse, de fato, construtiva, creio que servirá apenas como divisão dos votos femininos. A decisão está nas mãos do PSDB e, apesar de estar dando um palpite corajoso, creio que da decisão do partido entre seus pré-candidatos, sai o vitorioso.

Aécio, com sua capacidade de articulação e condução política, seria extremamente competente como Presidente, mesmo com seus defeitos centralizadores. Apesar de ser pouco conhecido, com uma campanha competente Aécio poderia conquistar os jovens e boa parte da população esperançosa de um futuro melhor. E Serra já é figura tradicional. Considero-o uma opção de vitória praticamente garantida, porém, menos arrojada e cativante do que a escolha por Aécio.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

“Obstáculo é tudo aquilo que você vê quando tira os olhos de sua meta” – Justin Herald

2ª Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Eduardo Schneider

25/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com um dos colunistas de quinta, Eduardo Schneider, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

A oportunidade de escrever para o Perspectiva Política é, não só gratificante, como um enorme prazer para mim. Passar horas pesquisando sobre os mais diversos temas da política doméstica e internacional, que antes era um hobby, passou a ser uma obrigação, no melhor sentido aplicável a esta palavra.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Sou nascido na cidade de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, porém, como todo filho de militar, não tenho sotaque de lugar algum. Vivi em diversas cidades brasileiras e em Assunção, no Paraguai. Além de filho, sou sobrinho e neto de militares, o que explica ter parentes por todos os cantos de nosso País. Tive, graças a isto, a oportunidade de conhecer várias pessoas, dos mais diferentes escopos políticos e culturais, isso ajudou a construir minhas ideias sobre o mundo.

No que tange o lazer, jogo futebol americano pelo Botafogo Mamutes.

3- Qual a sua posição politico-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Se tivesse que delimitar meu pensamento político de alguma forma, afirmaria que sou adepto da “direita liberal”, ou seja, conservador em respeito ao que penso do mundo e aos valores individuais que carrego e, no que tange à economia, acredito que o mercado deve ser o mais livre possível, pois acredito que os interesses da sociedade são atingidos quando os participantes podem perseguir seus próprios interesses.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

É hercúlea a tarefa de escolher tão somente um livro para indicar, mas, como essa é a regra do jogo, indicaria “O Príncipe”, de Niccolò Machiavelli.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Depois de movimentos com grande cunho participativo da população (e aqui me refiro às “Diretas Já”, em 1983/84 e aos “caras pintadas”, em 1992), houve uma completa estagnação, ao menos ao meu ver, na amplitude da vontade e da consciência política do cidadão brasileiro em geral. Na verdade, não houve apenas estagnação, vejo mais um retrocesso. O comodismo vem imperando na cabeça das grandes massas, que descobriram na tecnologia uma forma de manifestação política que, apesar de, sendo usada de forma correta, ser muito eficaz, não funciona aqui. Falta ainda a vontade do povo para quebrar a inércia deste comodismo infeliz e mostrar-se mais interessado em matéria tão elementar para qualquer sociedade dita desenvolvida: a política.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Ruy Barbosa. Fui bolsista de iniciação científica na Fundação Casa de Rui Barbosa, o que me possibilitou uma aproximação mais pormenorizada de seu pensamento. O Águia de Haia foi, e é, o maior pensador brasileiro de todos os tempos.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Acredito que o espaço no Perspectiva Política já é uma forma de ajudar na melhora da prática política brasileira. Não pretendo, no entanto, me candidatar a nenhum cargo político.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Brucia La Terra, de Nino Rota.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Serra é o favorito, não há dúvidas quanto a isso. Ele, se nada de muito absurdo acontecer, será um dos candidatos que irá ao segundo turno. A briga pela outra vaga é que é interessante. Temos Dilma, que depende da transferência dos votos do Presidente Lula para emplacar sua candidatura, Ciro Gomes, que é sempre um forte candidato, mas que, porém, não acredito que vá para o segundo turno, apesar de seu apelo popular no Nordeste, e a ex-petista Marina Silva, que surge como uma agradável surpresa nestas eleições e que tomará votos de todos os candidatos, principalmente entre os jovens.

Se tivesse que fazer uma aposta, seria na vitória do candidato do PSDB.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

“Em política, os remédios brandos agravam frequentes vezes os males e os tornam incuráveis.” (Marquês de Maricá , pseudônimo de Mariano da Fonseca )

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Yashá Gallazzi

25/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com o colunista de sexta, Yashá Gallazzi, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

Para começar, queria agradecer a oportunidade da entrevista. Além disso, queria parabenizar, publicamente, o Perspectiva Política pelo seu primeiro aniversário, louvando sua pluralidade e sua democracia.

Bem, ser colunista do blog é, antes de tudo, uma honraria tremenda. Qualquer um que se aventure na chamada “blogosfera”, como fiz no Construindo o Pensamento, se sentiria imensamente realizado ao receber semelhante convite. Por isso não pensei duas vezes na hora de aceitar o desafio, que, quero crer, venho cumprindo a contento. Neste período como integrante da equipe de colunistas do blog, pude enriquecer os conhecimentos pessoais e amadurecer algumas posições, principalmente por meio do debate travado com os leitores. É algo impagável!

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Nunca é fácil falar de nós mesmos. Ainda mais em poucas palavras. Mas tento: considero-me, antes de qualquer outra coisa, alguém extremamente feliz. Aos 26 anos, posso dizer que tenho um trabalho que me agrada, uma esposa linda, companheira e apaixonante, além de um filho maravilhoso, hoje com oito meses. Minha família é a coisa mais importante que tenho, a ponto de dizer, sem sombra de dúvida, que deixaria de lado qualquer ambição outra a fim de estar com ela. Em relação àquilo que podemos chamar de “mundo exterior”, me considero um cético. Com isso, quero dizer que não acredito nessas utopias coletivistas do tipo “outro mundo possível”, ou “salvação da mãe terra”, ou “louvação a Pachamama”. De igual sorte, não me seduzem os modernos catastrofismos, que pretendem nos convencer da destruição iminente do mundo. Aquela que chamo de “igreja do aquecimento global dos últimos dias”, por exemplo, não pode ser levada a sério. Finalmente, gosto de me apoiar na lógica cartesiana, aquela que nos conduz paulatinamente pelos meandros dos questionamentos, até as respostas.

3- Qual a sua posição politico-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Assim, de bate-pronto, diria que me agrada a ideia traçada por Anthony Giddens e batizada de “Terceira via”. A meu ver, a teoria do britânico aproxima, da forma mais clara e inteligente jamais imaginada, a moderna social-democracia e o social-liberalismo, apontando para um Estado socialmente necessário e regulador, que se ocupa fundamentalmente de saúde, educação, segurança pública e defesa externa. Mais que isso, entendo, é intervencionismo exagerado e prejudicial. Mas isso, admito, ainda é um tanto vago. Posso complementar dizendo que sou radical em alguns aspectos inegociáveis: radical contra o comunismo, o fascismo e afins; radical pela democracia representativa; e radical pelo sistema de liberdades individuais. No mais, alguns movimentos um tanto modernistas acabaram por confundir tanto o espectro político-ideológico, que fica difícil adotar um alinhamento – como direi? – “puro”. Eu, por exemplo, sou contra a descriminalização do aborto e das drogas, o que me empurraria para o lado dito “conservador”. Ao mesmo tempo, sou contra a pena de morte e as modernas restrições à imigração, coisa que me jogaria para mais perto do “progressismo”. Em resumo, prefiro dizer que minha ideologia é a democracia e as liberdades individuais. O resto é secundário.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Essa é a pergunta mais difícil de todas! São tantos os livros que me agradam… Uma aposta certeira seria a “Carta de São Paulo aos Romanos”, uma espécie de “quinto evangelho”. Trata-se de uma obra fascinante, não apenas do ponto de vista teológico, mas social, político, ético e moral. Costumo dizer que todas as respostas que o ser humano precisa na vida estão nas cartas de São Paulo. Eu as recomendo vivamente!

Mas noto que você me pede apenas para “indicar” um livro, ou seja, não preciso necessariamente apontar qual é o meu preferido – mesmo porque é impossível ter só “um” preferido. Pois bem, aconselharia os leitores a se debruçarem sobre “A democracia na América”, de Tocqueville. Apesar de ser um clássico, não está entre os mais conhecidos aqui no Brasil, o que é uma pena. Trata-se de uma obra fascinante, que nos permite compreender o funcionamento daquilo que reputo a melhor, mais sólida e mais séria democracia que o mundo já conheceu.

Porém, ao ler a entrevista do também colunista Felipe Liberal, lembrei de outro grande clássico da literatura mundial: “1984″, de Orwell. Trata-se de outro livro fascinante, que também recomendo aos leitores, pedindo vênia para unir-me, assim, à indicação feita pelo Felipe. Só divirjo quanto ao cerne do livro: a meu aviso, ele retrata com perfeição a realidade dos países onde o socialismo deu certo até demais. E quando aquilo dá certo o resultado é sempre morte, miséria e terror.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Não há avanço nenhum! As eleições de 2006 já mostraram isso. Se, mesmo depois de acompanhar o mensalão e o dossiê, os brasileiros reelegeram Lula, não se pode ter muita esperança. Aqui o voto ainda é decidido muito com base nos interesses estritamente egoístas. O pobre quer sua bolsa-esmola no fim do mês, o sujeito da classe média quer emprego para o irmão, enquanto o rico quer os juros altos das aplicações financeiras. Não vejo na sociedade brasileira a presença de imperativos morais categóricos, tão próprios do mundo civilizado. Por exemplo: critica-se Sarney com facilidade, mas a maioria admite que empregaria parentes e favoreceria amigos… Mais ainda: não se acha estranho que Sarneys, Renans, Collors e Lulas se agarrem ao poder mesmo depois de flagrados diante da bandalheira alucinada que temos acompanhado. No dito primeiro mundo, basta um escândalo pequeno para que a pressão pública leve o sujeito a renunciar. Por quê? Porque eles se guiam por imperativos éticos e morais que nós não temos. Até Obama, comprado pelo mundo como uma espécie de novo messias, já é abertamente questionado nos Estados Unidos. Isso não ocorre porque eles são preconceituosos, mas porque são esclarecidos. Sabem que há pressupostos básicos, corolários fundamentais, que precisam ser atendidos sempre. Possuem aquilo que chamo de “filtro moral”, que não aceita a bandalheira institucionalizada, como aceitamos aqui. Qual foi a defesa do PT diante do mensalão? “Todos são iguais”. E o povo comprou isso! Não se escandalizou, mas reelegeu os petistas envolvidos! Concluo que, mesmo passados mais de 500 anos, ainda não aprendemos a cobrir nossas vergonhas…

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Ah, são muitos. Lincoln, Churchill, Thatcher, Reagan e Persson, para citar alguns que atuaram como executivos. Há também os “hors concours”, como Aristóteles, Platão, Virgílio e Voltaire. Para lembrar de alguns que – como direi? – “pensaram a sociedade”, não poderia deixar de fora Giddens, Luther King, Mises e Rand. E, passando pelo Brasil, posso lembrar de Ruy Barbosa, Ulysses Guimarães e Mário Covas, este último uma das maiores perdas que a sociedade brasileira jamais experimentou. Não tivesse morrido, provavelmente seria o candidato do PSDB em 2002 e, creio, teria vencido. Que fatalidade…

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Ora, claro que pretendo! Todos pretendemos, não? Ninguém em sã consciência pode se abster de contribuir para a melhora da política no Brasil e no mundo. O “como” faz parte de uma busca perene… Penso que todos devem se tornar, antes de qualquer coisa, pessoas melhores. Em seguida, concorrer para elevar e melhorar seus próprios núcleos familiares.

Meu ponto é: ninguém transforma o mundo em um lugar melhor, caso não consiga se transformar em algo melhor. Lembro-me de Ghandi: “A única revolução possível é aquela dentro de nós”. Trata-de, aliás, da condenação mais veemente a qualquer pensamento filomarxista. Lembro-me também de Ortega y Gasset: “Não haveria autoritarismo, não fosse pelas massas e suas rebeliões”. Perfeito! O ser humano precisa, assim, melhorar a si mesmo. A melhora do mundo vem como consequência disso.

Um sujeito viciado não pode dar à luz uma realidade plural boa. Por isso escarneço de Rousseau e seu mundo idílico, afinal, o homem abandonou os próprios filhos! Por isso não posso levar alguém como Marx a sério, já que se fazia sustentar por um amigo e cuidou de trair a esposa na primeira oportunidade que teve. Para que o mundo melhore, devemos deixar de lado essa megalomania “pogreçista” de “mudar tudo isso que tá aí” ou de construir o tal “outro mundo possível”. Devemos dar ouvidos a Ghandi, e cuidar de mudar a nós mesmos.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Um música só durante dias? Que chato… Posso pelo menos mudar para uma “obra”? Se puder, vou de “As quatro estações”, de Vivaldi.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Em resumo: o lulismo será varrido do mapa eleitoral. Ou, para dizer isso em termos que deixam os petistas ouriçados, “vamos nos livrar deles por uns vinte anos”. Mas que se note: digo que o lulismo perderá apenas eleitoralmente… Para que o o Brasil se limpe do estrago feito pelo PT, desaparelhando completamente o Estado, vamos ter que esperar gerações… E contar com muita sorte também!

Sendo um pouco mais específico, posso dizer que Serra é o grande favorito. Isso é questão de fato, não de gosto: o Governador de São Paulo vence em todas as faixas etárias e de renda, além de estar em primeiro no norte e no nordeste, dois redutos lulistas. Só um desastre tirará a vitória dele. E é aí que entra a aborrecida imprevisibilidade eleitoral brasileira… Lembro de uma frase dita por Bill Clinton, em 1992: “Nunca subestimem a capacidade que o meu partido tem de perder uma eleição”. Ela pode ser aplicada também ao PSDB, que já deveria ter vencido em 2006, mas preferiu jogar a oportunidade fora. Andou ensaiando algo parecido com essa guerrinha estúpida entre Serra e Aécio, mas, parece, se aprumou.

Dilma acabou! Se o país achou Alckmin antipático, o que não pensará diante da ex-terrorista e ex-sequestradora, que mente até mesmo sobre sua formação profissional? Anotem aí: a mulher já era! Não tem Lula no mundo capaz de levá-la à vitória final.

Ciro não me convence… Até o recente crescimento dele tem ares de déjà vu. Depois a campanha começa, o “marido da Flora” se estressa e cuida de minar as próprias chances, falando uma de suas grosserias típicas. Vejo Ciro como uma espécie de Collor dos anos 2000. É o “oligarquinha da mamãe”, falando em mudança, transformação, ruptura, ao mesmo tempo em que se senta em cima de uma herança coronelista. Patético!

Quanto a Marina… Ah, dá uma preguiça… A “Rainha dos povos da floresta” não vai levar. Querem fazer dela uma espécie de “Obama de chale”, mas o próprio Obama já acabou! A retórica salvacionista de Marina vai, sim, seduzir uma parcela dos tais “petistas históricos”, descontentes com Lula e Dilma. Vai também arregimentar parte dessa classe média engajada, que acredita na “Igreja do aquecimento global dos últimos dias”. E… só! Acho que ela nem chega no segundo turno – sempre que haja um.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

Já abusei tando da sua paciência – e da dos leitores – com minhas respostas longas, que peço para citar duas… Posso? Então vamos: “Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8,28); e: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem” (Romanos 12, 21).

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Felipe Liberal

24/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com um dos colunistas de quinta, Felipe Liberal, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1-Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

Conviver com tantos pensamentos diferentes e participar disso ativamente aqui no Perspectiva é algo instigante e engrandecedor . Não canso de dizer isso: é o único site de política que eu conheço onde existe essa variedade intelectual. Só posso me sentir bem.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Sou um ser em formação, como todos nós, é difícil se auto-definir. Gosto de respeitar a discordância de opiniões, mas sou intolerante com pseudo-opiniões, que muitas vezes beiram o absurdo e não ajudam em nada o debate, fazendo a nossa sociedade regredir. Penso que a História e a humanidade têm que evoluir em um nível social e intelectual, portanto tento fazer parte disso de forma coerente.

3- Qual a sua posição politico-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Sou de esquerda, pois teria vergonha de ser algo diferente disso. Mas lembro que ser de esquerda implica em muitos caminhos e vertentes. Se formos estudar as variações ideológicas (poucos fazem isso) vamos encontrar pelo menos cinco ou seis vertentes esquerdistas no Brasil. Sou a favor da intervenção do Estado na economia, mas não na liberdade individual. Acredito que não exista liberdade individual e nem de imprensa aqui no Brasil e nem em outro país capitalista desenvolvido. Lembro do jornalista Jorge Kajuru contando um episódio de quando trabalhava na Bandeirantes: “estava fazendo uma reportagem ao vivo na porta do estádio do Mineirão, onde os convidados do Aécio Neves estavam trancando (pela lotação) a porta de deficientes, e fui mostrar isso. Então o Aécio ligou para o João Saad (dono da emissora) e eu fui cortado do ar. Alguns dias depois fui demitido”. Talvez a internet mude um pouco esse quadro terrível e ilusório.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

O livro “1984” de George Orwell pra mim é o grande livro do século XX, pois serve como metáfora para as atrocidades ocorridas nos países que tentaram o socialismo e fracassaram, e também, para o capitalismo de hoje, nojento e assassino.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Isso tudo que você me pergunta não existe aqui no Brasil. Discordo das pessoas que dizem que na época da ditadura os jovens eram mais engajados com a discussão política. A estagnação e passividade sempre existiram e continuam existindo. Em todo o século XX, sempre a minoria das pessoas “pensavam” e falavam sobre o assunto.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Admiro muitos. Acho estranho uma pessoa se negar a dizer que admira alguém. Admirar uma pessoa não é ter personalismo ou culto a personalidade. Mas como a pergunta é por apenas uma pessoa, cito um grande homem: Leonardo Boff. É incrível o equilíbrio e coerência dele. Um dos poucos seres humanos que conheço, que leva os princípios cristãos em sua verdadeira essência para ajudar essa população pobre que é crucificada todos os dias no planeta.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Acho que todos nós pretendemos. É uma tarefa muito difícil competir com a televisão brasileira e a internet enlatada. As pessoas como instinto são muito egoístas e querem sempre estar acima de tudo e todo mundo. Mas também são muito carinhosas e não suportam ver alguém sofrendo ou passando dificuldades. Acho que temos que buscar esse equilíbrio de instintos dos seres humanos.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

“Al otro lado del rio” de Jorge Drexler.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Fico extremamente irritado com análises frias e inconseqüentes do futuro. Como alguém pode prever com toda certeza que Dilma perderá? Ou que Serra perderá? Tem gente dizendo que Marina tem chance de vencer e Dilma não tem nenhuma, é coerente? Uma coisa é o desejo e outra é a realidade. A análise política é muito falha nesse sentido, tem gente que não sabe diferenciar as coisas.

Acredito que Serra será o favorito. Mas seria muita irresponsabilidade dizer que Lula não conseguirá transferir boa parte dos seus eleitores para Dilma. Todas as pesquisas em véspera de ano eleitoral mudam radicalmente com o passar da campanha. Marina Silva corre por fora, sendo apenas uma 3ª via de apoio no 2º turno.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

“Pai, pinta o mundo no meu corpo”. Foi dita por uma criancinha numa aldeia de índios na Dakota do Sul. Reflete essa sede de nós humanos em ter conhecimento, poder, alegria, tristeza e a vida em nossas mãos.

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Renato Alves

23/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com o colunista de quarta, Renato Alves, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

Primeiramente, gostaria de aproveitar este espaço para agradecer ao Bruno Kazuhiro pela oportunidade de fazer parte desta brilhante equipe de colunistas. Gostaria de agradecer, também, aos leitores que me honram com a leitura e comentários.

Escrever para o Perspectiva Política é gratificante. Em termos de experiência pessoal, a função de colunista me enobrece. Passei a ver a política de uma forma mais crítica, principalmente a participação da sociedade diante dos fatos do dia a dia.

A tarefa de escrever requer um amplo estudo sobre o assunto e isso me proporciona conhecimento e, consequentemente, uma melhor troca de ideias com os leitores.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Sou um mineiro típico: simples, humilde e modesto. Casado, futuro pai de um menino (nascimento previsto para o início de novembro). Apaixonado por política, raízes interioranas e por futebol, torcedor do glorioso das Minas Gerais, o Galo, eterno campeão. Amigo, solidário e católico. Amante da comida mineira e de uma boa cachaça (uma dose aos sábados, durante o almoço, não faz mal a ninguém). Também sou perfeccionista e incansável lutador pela liberdade e justiça.

Gosto de praticar esportes, porém, pela vida corrida que tenho levado ultimamente, pratico apenas um futebolzinho de vez em quando, e olhe lá… (risos)

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Sou social-democrata. Prezo pela democracia representativa. Norteio-me pelos princípios da liberdade, igualdade e justiça social, visando sempre a construção de um estado de bem-estar social. Não sou filiado a nenhum partido político.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Conversas sobre Política, de Rubem Alves. Um livro que à primeira vista parece história infantil, mas logo se percebe que a linguagem simples e as metáforas explícitas querem dizer algo mais.

O autor Rubem Alves, mineiro de Boa Esperança, com sua capacidade de expressar em palavras aquilo que pressentimos, nos leva, neste livro, a reivindicar o cumprimento do verdadeiro papel e missão da política: a de “sonhar os sonhos do povo e se dedicar a transformá-los em realidade”. Faz-nos repensar com mais perspicácia o nosso ser político e o nosso ser na política.

Enfim, é um livro de fácil leitura, agradável, inteligente e reflexivo.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Este é um dos temas dos quais mais gosto de tratar em minhas colunas. Como já escrevi anteriormente, a imagem que os brasileiros têm dos políticos não é das melhores, principalmente pelos recorrentes escândalos e pela avalanche de denúncias diárias reproduzidas pelos meios de comunicação. Por isso, é comum que a maioria da população opte pela apatia e a minoria pela organização com o intuito de tentar mudar o que está errado.

É necessário que as pessoas participem mais da gestão do seu município, realizem ações coletivas no bairro e ensinem a outras pessoas que temos responsabilidades pelo que acontece na esfera pública.

Embora tenhamos mais fontes de informação atualmente, acredito que não houve avanço.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Gosto de Platão, Aristóteles e Maquiavel como pensadores políticos. Platão pela sua busca por uma integração entre a contemplação do verdadeiro e do bem e sua aplicação real. Aristóteles por sua capacidade de observação, cuidadosa experiência e sistemática formulação dos resultados. Maquiavel por sua cruel e real forma de encarar o poder.

Quanto à personagem político não posso dizer que sou fã de algum, porém, destaco Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. Juscelino pela sua visão arrojada, realizações e o respeito às instituições democráticas. Tancredo pela condução dos temas políticos, transição da ditadura para a democracia e a forma como fazia as articulações políticas.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Sim. Acredito que este espaço no Perspectiva Política é uma forma de auxiliar. Criar um grupo de discussão política em minha cidade é outra forma. Tenho projetos para escrever livros e/ou cartilhas sobre temas que auxiliem na melhora da prática da política nacional.

Já recebi convites para me candidatar a alguns cargos eletivos, porém, recusei todos. No dia em que me sentir preparado para exercer algum, talvez me candidate. E para isso, evidentemente, tenho que estar convicto de que minha candidatura, e possível eleição, facilitará a busca constante por uma política mais justa, ética e solidária.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Tocando em Frente, composição de Almir Sater e Renato Teixeira.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Inicialmente, acreditava que seria uma eleição plebiscitária como queria o Presidente Lula. Porém, o cenário mudou. Como dizia o ex-Governador mineiro Magalhães Pinto: “Política é igual à nuvem, você olha está de um jeito, olha de novo já está de um jeito diferente”.

Hoje, pelo que tenho visto, teremos segundo turno nas eleições de 2010. O Governador paulista José Serra é o favorito para vencer. Porém, dentro do seu próprio partido tem outro nome forte, o do Governador mineiro Aécio Neves, embora a maioria dos analistas não acredite nessa possibilidade.

No PT a candidatura de Dilma Rousseff é fato consumado. Resta saber se o Presidente Lula conseguirá transformar sua alta popularidade em votos para sua candidata.

Pelo lado do PSB existe a expectativa da candidatura ou não do Deputado Federal Ciro Gomes. Com boa votação no Nordeste, ajudará muito o candidato que ele apoiar no segundo turno.

A novidade da corrida eleitoral fica por conta da filiação da senadora Marina Silva no PV. A ex-petista, com certeza, será quem decidirá a eleição, isto é, poderá tirar votos tanto do PSDB quanto do PT, e, inclusive, chegar ao segundo turno no lugar da candidata do PT.

Portanto, neste cenário, acredito que a tendência é o candidato do PSDB (José Serra ou Aécio Neves) ser o próximo Presidente da República. Obviamente, com as maiores chances para o Governador paulista. Porém, surpresas podem acontecer. E, numa dessas, Marina Silva pode surpreender.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

Poderia citar minha frase política preferida “Não são os homens, mas as ideias que brigam”. Porém, para meus filhos escolheria a frase: “O trabalho enobrece o homem”.

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Raphael Machado Silva

22/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com o colunista de terça, Raphael Machado Silva, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

Ter o privilégio de ser colunista do Perspectiva Política tem aperfeiçoado em muito minhas habilidades na escrita, além de necessariamente ter me “obrigado” a ler bem mais do que me era de costume sobre os temas pertinentes ao blog.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Minha vida pessoal é, felizmente, muito tediosa. Se eu tivesse que sair de minhas rotinas constantemente para fazer coisas fora da minha casa, viver seria um fardo insuportável. Meu tempo se divide entre a faculdade de Direito, o curso de alemão e meu lazer, o mínimo possível do qual, se dá fora de casa. Quanto a minha pessoa, eu sou absolutamente indiferente em relação à maioria das coisas, principalmente com relação às que possuem o “fedor” do que é “útil” ou “prático”. Sou, porém, extremamente obcecado por tudo que possua alto valor estético ou intelectual.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Vou tentar explicitar ao máximo o que eu penso: sou monarquista, porque penso que só um símbolo vivo, personificado na figura de um líder, criado e preparado por décadas para ocupar essa posição pode liderar e criar um grande destino para uma Nação. Sou social e culturalmente conservador, porque só a tradição pode preservar a saúde coletiva do povo e porque vejo todos esses supostos “progressos” como fatores que estão corroendo e desintegrando as estruturas das sociedades. Quanto à economia, ela deve estar absolutamente subserviente aos objetivos culturais de um povo e sob vigília total do Estado.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Eu indicaria “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu, por este ser um livro imortal de estratégia, cujos preceitos podem muito facilmente ser aplicados à política.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Não vejo qualquer mudança. O cidadão brasileiro permanece completamente estagnado. Os objetos de sua atenção, e o tipo de atenção que ele os dá, são absolutamente pré-determinados pelas grandes redes de mídia. E, em geral, suas “manifestações políticas” assumem caráter meramente simbólico, que tem mais como objetivo dar ao participante a ilusão de civismo, para que ele se sinta confortável por parecer estar fazendo algo, do que qualquer outra coisa.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Considero que o maior pensador político da história foi Platão, que em sua obra “República” definiu e descreveu a cidade mais perfeita possível. Quanto a personagens da política, tenho grande admiração por Bismarck pela maneira como ele realizou a unificação da Alemanha e a transformou, de um punhado de Estados feudais, na Nação mais poderosa da Europa continental.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Bem, nenhum dos partidos políticos atuais me desperta interessa. Os maiores parecem todos cópias uns dos outros. Me parece que o que os brasileiros precisam é de doses cavalares do realismo mais brutal e impiedoso possível e isso é algo que pode ser oferecido hoje por meio da internet, através de blogs e propaganda.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Acho que seria “A Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Por enquanto está tudo imprevisível demais. Nada está bem definido. Eu diria que haverá um número maior de candidatos à Presidência do que na última eleição. Considerando a Dilma como candidata, duvido que ela vença. Não tem carisma nenhum e Lula não me parece capaz de lhe transmitir tantos votos. A Marina é “pop”, então me parece que ela é a única capaz de disputar seriamente com Serra, que na minha opinião é quem vencerá. Eu votarei nulo, sem dúvida.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

”Se a liberdade possui qualquer sentido, é exatamente o de poder dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.”

Entrevista do dia: Bruno Kazuhiro conversa com Arthurius Maximus

21/09/2009

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com o colunista de segunda, Arthurius Maximus, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

É uma troca de ideias com uma nova gama de leitores e com um novo grupo de mentes voltadas para o mesmo objetivo: ampliar o desejo de cidadania de nossos conterrâneos.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Sou carioca, casado e tenho três filhos. Sou inquieto e inconformado com o que julgo ser um certo descaso com que nosso povo trata questões importantes para que nosso País se torne uma verdadeira potência mundial e um lugar mais justo para se viver.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Sou socialista. Mas sem radicalismos. Acredito na propriedade privada e também no poder social do capital.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Uma Gota de Sangue: História do Pensamento Racial.

Um livro sobre o oportunismo de espertalhões que desejam reimplantar o conceito de raça (cor da pele) entre nós.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Houve avanços. Mas ainda é muito tênue o entendimento de nosso povo em relação a importância da política na vida do cidadão.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Sim, de vários: Gandhi, Churchill, Alexandre, o Grande e outros.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Sim. Já faço isso atualmente através do incentivo à participação de meus leitores em atos e manifestações de cidadania e de valorização da mobilização popular. Recentemente, me uni ao movimento contra a corrupção eleitoral no recolhimento de assinaturas para a apresentação do projeto de lei complementar que regulamentará o parágrafo 9º do artigo 14 da Constituição Federal que prevê a ficha limpa para candidatos.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

Hell’s Bells, AC-DC.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Acho que Dilma e Serra não levarão nada. Marina crescerá muito e poderá fazer frente a ambos ou que possa surgir um outro candidato com mais chances. Creio que ainda há muito tempo até as eleições e muita água vai rolar por baixo dessa ponte (rs), mas tenho plena convicção que dificilmente Dilma chegará lá.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

“Quem não gosta de política será governado pelos que gostam”.