Arquivo da seção ‘Crise econômica’

Tucanos aumentam máquina pública em SP

19/10/2009

Informa a Folha:

“Críticos da expansão da máquina do Estado promovida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos também aumentaram, no mesmo período, o quadro de pessoal e os gastos com o funcionalismo em sua principal vitrine administrativa, o governo paulista.

A partir de 2003, de acordo com dados fornecidos à Folha, a estrutura do Executivo estadual ganhou mais 33 mil servidores na ativa ao longo das gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, os dois últimos candidatos do PSDB à Presidência -e, provavelmente, os próximos candidatos do partido ao Bandeirantes e ao Planalto, respectivamente.

Trata-se de um contingente semelhante ao do Ministério da Fazenda, que conta com auditores fiscais distribuídos por todo o país e só perde, no aparato civil federal, para Educação, Saúde e Previdência.

A alta das despesas com os funcionários dos Três poderes, apurada pela Secretaria da Fazenda, foi ainda mais acelerada, graças aos reajustes salariais concedidos às principais carreiras.

Segundo as informações divulgadas por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, a conta anual, incluindo aposentadorias e pensões, subiu 19% acima da inflação e chegou em 2008 a R$ 43,1 bilhões, ou a soma dos ministérios da Defesa e da Fazenda.

Discrepâncias nas metodologias de apuração dos dados dificultam uma comparação precisa entre as políticas de pessoal de petistas, na área federal, e tucanos, em São Paulo.

Os números permitem concluir que os primeiros superam os segundos, de fato, no impulso expansionista da máquina pública. Mas a diferença é de grau -não de orientação.”

Se este blog critica frequentemente a falta de cautela com relação ao aumento da máquina pública federal em tempos de crise e queda acentuada da arrecadação, sugerindo mais critério nos gastos e na escolha dos setores que receberão investimentos, nada mais justo e coerente que repita as mesmas recomendações e reclamações com relação ao aumento da máquina pública paulista sob os governos tucanos, por mais que o grau da expansão seja menor.

Receita governamental encolhe enquanto máquina cresce

19/10/2009

Informa o Globo:

“Mesmo com a queda na arrecadação de R$ 56,7 bilhões até agosto, o ritmo de aprovação de leis criando cargos e funções comissionadas no âmbito dos três Poderes continuou acelerado em 2009.

Só este ano, segundo levantamento do deputado tucano Arnaldo Madeira (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sancionou 25 leis que aumentam despesas com criação de cargos ou funções comissionadas — os projetos foram enviados nos últimos anos.

A política do governo Lula de ampliar a estrutura do funcionalismo resultou no ingresso de 57,1 mil novos servidores no Executivo entre 2003 e 2009. Para o mesmo período, o governo autorizou a criação, por concurso público, de 160.701 vagas.

Os cálculos do tucano apontam que as 25 leis sancionadas este ano têm um impacto financeiro de R$ 7,24 bilhões, já que elas preveem a criação de 26,1 mil vagas, sendo 14,4 mil no Poder Executivo (incluídas no total de 160 mil).”

Informa também o Globo:

“O impacto prolongado da crise econômica mundial — e a consequente demora na recuperação da arrecadação — fez o governo elevar sua previsão de queda na receita este ano.

Pela nova estimativa feita pela equipe econômica, a arrecadação deve encerrar 2009 em R$ 458,4 bilhões, ou seja, uma queda de R$ 64 bilhões em relação aos R$ 522,4 bilhões que foram projetados no início de 2009, na lei orçamentária.

Para a oposição, a perda para os cofres públicos este ano pode chegar a quase R$ 77 bilhões.”

A crise econômica não foi causada pelo governo brasileiro, óbvio, portanto, não se pode creditar parcela de culpa no que tange a queda da arrecadação na conta do governo.

Porém, a má administração da máquina pública, o inchaço da mesma e a falta de cautela no que diz respeito ao aumento do Estado em um momento de crise podem, com certeza, ser questionados junto ao governo.

Está comprovado por a mais b que a arrecadação despencou e que, portanto, é preciso muito critério na hora de autorizar aumentos da máquina pública brasileira. Não podem ideologias governamentais e interesses de aliados do governo serem mais importantes que a austeridade.

É preciso, sim, ficar de olhos bem abertos a respeito do aumento do Estado brasileiro, pois se não houve tsunami, também não temos apenas uma marolinha.

Brasil pode ser 1° país a receber grau de investimento pós-crise

29/08/2009

Informa a BBC Brasil:

“O Brasil reúne as condições necessárias para se tornar, nos próximos dias, o primeiro país, entre os 100 países analisados pela agência de classificação de risco Moody’s, a ser avaliado como ‘grau de investimento’ desde o início da crise econômica. É essa a opinião do analista-chefe para o Brasil da agência, Mauro Leos. A classificação é dada a países cujas economias são consideradas seguras para investidores. A categoria determina se um país oferece ou não risco de pagar seus títulos. Quanto mais elevada a classificação, maior a propensão em atrair títulos.

Em entrevista à BBC Brasil, Leos afirmou que, se a conclusão do comitê de avaliação da agência for a de que o Brasil merece entrar nessa categoria isso se dará porque ‘o País está apto a arcar com choques externos, está se movendo na direção certa e os riscos crediários que enfrenta são mais baixos do que antes’”.

É bom saber que nosso País está sendo visto pelos analistas econômicos como um que se saiu bem no enfrentamento da crise mundial. Obviamente, ele foi afetado, porém, com menos intensidade. Torçamos para que continue assim, afinal, ainda há o risco de recaída, ou seja, de uma crise com indicadores econômicos formando gráficos com forma de “W”.

O Perspectiva critica os erros do governo, mas, se quer poder se dizer equilibrado e coerente como se diz, deve também reconhecer os acertos. Por isso, não poderia deixar de ser feito o registro desta boa notícia.

É claro que nem tudo é influenciado pelo governo, seja prejuízo ou seja retomada do crescimento, porém, há que se reconhecer que a condução da economia é um dos pontos fortes da atual gestão.

Explosão de gastos públicos é herança preocupante para sucessor de Lula

15/07/2009

“Explosão de gastos públicos é herança preocupante para sucessor de Lula”

Informa o jornal O Globo na reportagem citada acima:

“O sucessor do presidente Lula na Presidência da República terá motivos para se preocupar com a expansão dos gastos correntes no segundo mandato do atual governo, combinada com a retração da economia pós-crise global. Segundo economistas, essa combinação deixará como herança para o próximo governo um quadro fiscal muito difícil, com Orçamento engessado por compromissos assumidos pelo governo atual, sem espaço para ampliar os investimentos em infraestrutura e com risco real de desordenamento das contas públicas.”

Este blogueiro já disse o que pensa sobre o aumento considerável do gasto público no governo Lula e repete:

Sem dúvida existem gastos públicos que são necessários. Também é certo que não se pode, por conta da crise mundial, deixar que uma cautela excessiva tome conta e o governo se encontre travado, sem possibilidades de investimento.

Acontece que os exageros também devem ser controlados. Nem oito, nem oitenta, já diria a expressão famosa. O que adianta um governo não se sentir engessado nos gastos e, por isso, engessar o próximo com centenas de compromissos assumidos?

Nem estão certos os oposicionistas que alarmam demais com relação aos gastos públicos, nem os governistas que acreditam que todos os gastos são válidos.

Há sim que haver controle. O momento internacional não é propício. Sem exageros, sem desesperos, mas com cautela.

O governo tem que tomar cuidado para não se enquadrar no velho clichê de gastar o que se tem e o que não se tem perto das eleições.

Em 10 dias, gasto do governo aumenta R$ 9 bilhões

12/07/2009

Informa o Estadão:

“Só nos últimos dez dias, o governo anunciou três decisões que podem elevar o gasto público em R$ 9 bilhões este ano. O reajuste do funcionalismo a ser pago neste mês aumentará a folha em R$ 6 bilhões em 2009, o aumento do Bolsa-Família, ainda em discussão, custará cerca de R$ 2 bilhões e os parlamentares foram contemplados com a liberação de R$ 1 bilhão para pequenos projetos, como pavimentação de ruas em bases eleitorais.”

Sem dúvida existem gastos públicos que são necessários. Também é certo que não se pode, por conta da crise mundial, deixar que uma cautela excessiva tome conta e o governo se encontre travado, sem possibilidades de investimento.

Acontece que os exageros também devem ser controlados. Nem oito, nem oitenta, já diria a expressão famosa.

Nem estão certos os oposicionistas que alarmam demais com relação aos gastos públicos, nem os governistas que acreditam que todos os gastos são válidos.

Há sim que haver controle. O momento internacional não é propício. Sem exageros, sem desesperos, mas com cautela.

E um aumento de 9 bilhões nos gastos, eu disse 9 bilhões, em apenas 10 dias, não combina nada com a cautela necessária.

O governo tem que tomar cuidado para não se enquadrar no velho clichê de gastar o que se tem e o que não se tem perto das eleições.

Isso levando em conta, é claro, o pensamento de que não é do interesse do governo se enquadrar neste clichê.

Quem sabe o entendimento de que o governo não quer isso é equivocado.

Em 2010 país já crescerá a 4%, afirma Delfim Neto

10/06/2009

Disse o ex-Ministro Delfim Neto à Folha:

“De alguma forma, a política monetária terá algum efeito. Os investimentos do governo também estarão maturando. Quando estivermos nos aproximando do segundo semestre de 2010, vamos estar rodando entre 3,5% a 4%.”

Leitores, anotem a declaração de Delfim Neto. Guardem no caderno, na agenda, no bloquinho, nas notas que o celular salva.

Ao mesmo tempo em que temos que torcer para que o Brasil se recupere logo, não nos rendendo à, desculpe o termo, idiotice de torcer contra, não podemos, também, acreditar em qualquer otimismo que surge.

Isso se dá pois ele pode ser vão. Maquiado. Eleitoreiro. Publicitário.

Sendo assim, torçamos para que Delfim esteja certo. Porém, ao mesmo tempo, lembremos dessa sentença dele para que possamos comparar com a realidade futura e vermos se ele acertou.

Se ele errar, cobremos. É assim que se faz. Fatos. Nada de sofisma.

PIB do Brasil recua 0,8% no primeiro trimestre de 2009, e Brasil tem recessão

09/06/2009

“PIB do Brasil recua 0,8% no primeiro trimestre de 2009, e Brasil tem recessão”

Eu sei que vão dizer que este blogueiro gosta de criticar o governo. Mas não é questão de gosto para mim criticar petistas, tucanos, democratas, peemedebistas, etc. É uma questão de merecimento das críticas.

Nessa linha, quem pode me dizer que o governo não merece ser criticado quando fazem parte dele um Presidente que disse que a crise seria uma marolinha e um Ministro da Fazenda que disse que o PIB subiria 4%.

Não é uma questão política minha. É uma questão factual. Qual cidadão aprova uma atitude de um membro da administração pública quando ela é uma previsão totalmente equivocada dos efeitos que uma crise econômica causará no País?

E mais, que cidadão gosta de perceber que todo o efeito negativo era provável e previsível e que as previsões otimistas demais foram feitas, não para manter o País entusiasmado e sem crises de confiança, o que é louvável, mas sim, para proteger a imagem do governo?

É apenas uma questão de racionalidade. O governo fez besteira e merece ser criticado por isso. A crise não foi tsunami, mas não é marolinha. O PIB não está despencando, mas está longe de crescer 4%.

Entre previsão otimista e positiva e previsão majorada para cima com propósitos políticos existe uma linha mais do que tênue.

O que me impressiona é que muitos dirão que o Presidente acertou em dizer que a crise seria uma marola. Esses mesmos falarão que o blogueiro quer motivos para falar mal do governo.

Erros dos governantes que são indubitáveis devem ser criticados. Ponto final. Contra fatos não há argumentos e eu não compreendo onde fica a razão daqueles que, de forma passional, aprovam tudo que vem de quem gostam e desaprovam tudo que vem de quem gostam.

Senso crítico meus caros, por favor. Será que não é possível ver erros e acertos do PT e erros e acertos do PSDB ao mesmo tempo?

Está faltando honestidade intelectual. Estão sobrando sofismas.

Meirelles: “Não dá para ser leniente e ter excesso de otimismo”

19/05/2009

Disse o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a respeito da necessidade do Brasil manter os pés no chão, embora esteja começando a se recuperar da crise:

“Temos que trabalhar duro. Não dá para ser leniente e ter excesso de otimismo”

Parabenizo Meirelles pela declaração, embora entenda que outras proferidas por ele foram equivocadas.

Se o otimismo é necessário para todos e, principalmente, para os que comandam a nação, o excesso dele é, sim, leniência no que tange a fuga da realidade.

Temos que confiar em nosso País, incentivar o investimento, porém, ao mesmo tempo, não podemos nos basear no que queríamos que estivesse acontecendo, e sim, no que está de fato ocorrendo.

É trabalhar com o ser, e não com o dever ser. Por mais que eu queira que o Brasil seja um paraíso onde as crises não chegam, ele não é. Tenho que ter noção disso e não fantasiar a respeito de recuperações excessivamente rápidas.

Cautela e otimismo podem andar juntos. Devem. Se eu sei disso, o governo também deve saber. Meirelles sabe. Que ensine aos outros.

Serra: Selic deveria ter baixado 4 pontos de uma vez

12/05/2009

O Governador paulista José Serra, pré-candidato à presidência pelo PSDB, disse, recentemente, no encerramento de um fórum promovido pela revista Exame, que o BC deveria ter baixado os juros, de uma só vez, em 3 ou 4 pontos percentuais no início da crise econômica mundial.

Tudo bem que o Banco Central realmente agiu de forma lenta e que medidas enérgicas eram e são necessárias. Além disso, Serra é economista e sabe do que fala. Porém, acho que 4 pontos percentuais de uma só vez seria muito brusco, ou não?

Não sou economista mas acho que Serra exagerou um pouco. Da dita redução dos juros lenta e gradual, o BC deve mesmo esquecer o “lenta”, mas seria correto manter até certo ponto o “gradual”.

Governo quer usar gasolina para elevar arrecadação

23/04/2009

“Governo quer usar gasolina para aumentar arrecadação”

Como informa a Folha de São Paulo, a equipe econômica governamental quer aproveitar a queda do petróleo no mercado internacional para aumentar a arrecadação de tributos, em queda com a crise financeira, e elevar as transferências aos governos estaduais.

A ideia, diz a reportagem, é aumentar o imposto cobrado na gasolina, a Cide, sem, no entanto, elevar o preço ao consumidor. Para isso, o valor de venda da Petrobras na refinaria terá que cair, num movimento oposto ao que o governo fez no passado.

Realmente não haverá aumento de preço para o consumidor, porém, não é verdade o que diz o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, quando ele fala que o consumidor não será incomodado.

Será sim incomodado. Se por um lado não haverá aumento, o consumidor não poderá usufruir da queda.

Em resumo, para que o governo arrecade mais, a Petrobras diminuirá os preços, mas o povo continuará pagando a mesma coisa. O saldo da redução será tomado pelo governo.

O refresco que seria dado aos orçamentos familiares não será concedido para que o governo engorde sua arrecadação, que caiu com a crise.