Arquivo da seção ‘13. Economia’

China torna-se segunda maior economia global

17/08/2010

Informa o portal Globo.com sobre a evolução da economia chinesa:

“Depois de três décadas de crescimento espetacular, a China passou o Japão, tornando-se a segunda maior economia do mundo, atrás dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira.

O marco já era esperado há algum tempo. Tóquio anunciou que a economia japonesa teve expansão de 0,4% no segundo trimestre, ficando em US$ 1,28 trilhão, pouco abaixo do US$ 1,33 trilhão registrado pela China no mesmo período.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos ficou em torno de US$ 14 trilhões em 2009. O crescimento do Japão ficou abaixo do estimado pelo mercado.

Segundo especialistas, o fato de desbancar o Japão — depois de ter passado Alemanha, França e Reino Unido — reforça o poder do crescimento chinês e as previsões de que a China ultrapasse os EUA, tornando-se a maior economia do mundo em 2030.”

Cem milhões de brasileiros vivem com dinheiro público

19/07/2010

Informa o Globo:

“Esforço do governo federal para tirar da pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas nos últimos anos – resultado, principalmente, de políticas de aumentos reais do salário mínimo e do funcionalismo, bem como da ampliação do Bolsa Família – transformou o orçamento federal numa grande folha de pagamento, segundo cálculos do economista especializado em contas públicas Raul Velloso. Tomando como base as despesas não financeiras da União em 2009 (que excluem pagamento de juros da dívida pública ou concessão de empréstimos), 48,8 milhões de brasileiros dependem diretamente do dinheiro advindo da arrecadação de impostos. Segundo reportagem deste domingo de O GLOBO, são grupos que vão de gente beneficiada com o seguro-desemprego ou o Bolsa Família até assalariados do funcionalismo público e aposentados, que contribuíram boa parte da vida em troca da remuneração.

Como, na sua grande maioria, esses pagamentos se configuram em renda familiar, o número de beneficiados é na prática bem maior. Se levado em conta que essa renda ajuda a manter ao menos duas pessoas (núcleo familiar básico) – e, no caso do Bolsa Família, núcleos familiares mais numerosos -, argumenta Velloso, a quantidade de brasileiros que vivem de recursos advindos da arrecadação tributária sobe para cerca de cem milhões de pessoas. Mais da metade da população do país.

No orçamento de 2009, observa o economista, esses gastos representaram R$ 570,5 bilhões, ou 77% de todos os gastos não financeiros – uma enormidade, dado que as despesas com saúde representaram 7,3% dos gastos totais, e os investimentos públicos, 6%. Na comparação com o orçamento de 2005, o número de brasileiros beneficiados diretamente passou de 40 milhões para 48,8 milhões, alta de 22% em cinco anos.

- Quando um governo tem tanta gente dependendo dele em termos de renda, isso dá um poder de influência eleitoral muito grande – diz Velloso. – Especialmente nos últimos anos, quando foi praticada uma política agressiva de aumentos reais do salário do funcionalismo e dos aposentados, sem contar a ampliação maciça do Bolsa Família.

Essa não é bem a lógica de cientista políticos, filósofos e sociólogos especialistas em analisar o impacto de políticas públicas no processo eleitoral, ainda que todos concordem que as políticas de distribuição de renda possuem um componente poderoso de atração de votos. Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da FGV de São Paulo, diz que programas como o Bolsa Família têm o poder de atrair votos por causa da percepção de melhora na vida de famílias que não possuíam renda e passaram a tê-la. Mas ele não acha certo dizer que as políticas de recomposição real de salários e aposentadorias do governo Lula tenham o poder de se transformar automaticamente em votos para a candidata governista, Dilma Rousseff.

- Há uma expectativa de voto de aposentados do interior do Nordeste, por exemplo, que é muito diferente em comparação a aposentados de grandes núcleos urbanos no Sudeste e Sul, gente que provavelmente possui outra base educacional e acesso à informação – diz Abrucio. – E nem todos os funcionários públicos estão satisfeitos com as políticas do governo para o setor. Esse raciocínio tem limites.”

Quando se lê uma manchete como essa e, depois, percebe-se, lendo o corpo da matéria, que ela não é uma lorota, chega-se à conclusão de que algo está errado neste País.

Muito errado.

Digo e repito neste blog: Os programas assistenciais são, hoje, necessários, porém há que se ter uma porta se saída.

Programas como o Bolsa Família devem ser, necessariamente, temporários, paliativos, e não permanentes e interpretados como política pública basilar.

Ele é corretivo. E o erro que se visa corrigir deve ser extinto e não apenas abafado.

Sendo assim, precisamos urgentemente de portas de saída para os programas assistenciais como por exemplo cursos profissionalizantes para os jovens, ensino supletivo para os adultos e educação de base para as crianças, bem como fomento fiscal a empresas que gerem empregos em locais que são bolsões de pobreza.

Fim das contas, não é possível que tenhamos 100 milhões de brasileiros dependendo de Estado e achemos normal.

Não é e não deve ser normal.

Nunca.

Lula afirma que não se pode afrouxar o controle da economia por conta de eleição

01/05/2010

Disse o Presidente Lula:

“Nós atingimos um grau de maturidade em que a gente não pode, por conta de uma eleição, afrouxar o controle da economia e deixar a coisa desandar, senão não controla mais.

Concordo plenamente. E reconheço o acerto do Presidente Lula ao dizer isso.

Contudo, mantém-se em mim – e acredito que em outros – o receio de que a independência do Banco Central seja de alguma forma diminuída visando reduzir o desgaste político do governo e o consequente desgaste eleitoral de Dilma Rousseff que poderia advir de uma alta de juros considerável próxima da eleição.

E a provação das teses existirá:

O COPOM se reúne no final de agosto, quando a campanha estará no auge, e depois entre o primeiro turno e um eventual segundo turno. Decisões impopulares nestas datas podem afetar o resultado de Dilma Rousseff de alguma forma. Em uma disputa acirrada, poderão fazer alguma diferença.

O governo terá a chance de provar que a autonomia do BC é para valer e que o comprometimento com a estabilidade da economia e com o futuro do País é maior – como deve ser – do que o ímpeto de eleger Dilma Rousseff.

Isso se dá pois já é previsível que a medida correta nestas datas será a elevação dos juros.

O governo os elevará pensando no País ou os manterá – ou reduzirá – pensando em Dilma?

Quem viver verá.

Guiné Equatorial prova que há subdesenvolvimentos e subdesenvolvimentos

07/03/2010

Informa o Globo, provando que nem todo subdesenvolvimento se dá por falta de oportunidade, por ação do imperialismo americano ou por opressão histórica colonial, além de dar ao Perspectiva a oportunidade de trazer para o debate um tema que vai dar o que falar nos comentários:

“Avenida Vieira Souto, 206. Este será o endereço da família Obiang no Rio, se concretizada a compra de um apartamento triplex em prédio de cinco andares projetado por Oscar Niemeyer há meio século: são dois mil metros quadrados de área útil, com rampa entre a sala de 720 metros e o pátio da cobertura, em ângulo com o magnético mar de Ipanema.

Os Obiang costumam se destacar nas listas das famílias mais ricas do planeta, como as da revista ‘Forbes’. Há três décadas detêm a hegemonia do poder e dos negócios na Guiné Equatorial, país do tamanho de Alagoas, onde 520 mil pessoas vivem em cima de um oceano de petróleo espraiado pelo Golfo da Guiné — o braço do Atlântico que invade a África, na região conhecida como coração geográfico da Terra, porque ali se cruzam as linhas do Equador (0º de latitude) e do meridiano de Greenwich (0º de longitude).

O negócio imobiliário no Rio, estimado em US$ 10 milhões, é apenas reflexo das prósperas relações do clã Obiang com o governo, a Petrobras e empreiteiras brasileiras, como mostra a reportagem de José Casado na edição do O GLOBO deste domingo.

A Petrobras tem 50% de um campo petrolífero em exploração. Já a Andrade Gutierrez – dona do apartamento em Ipanema – soma US$ 500 milhões em contratos. Outra construtora mineira, a ARG, obtém naquele país 40% da sua receita anual (US$ 155 milhões em 2008).

O comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial aumentou cem vezes nos últimos seis anos: saltou de US$ 3 milhões em 2003 para US$ 300 milhões em 2009. Nos últimos seis meses, dois ministros brasileiros (o chanceler Celso Amorim e Miguel Jorge, da Indústria e Comércio) viajaram à capital, Malabo, para negociar uma dezena de novos acordos.

A Guiné Equatorial é um fenômeno africano. Por causa do bilhão de barris de petróleo extraído anualmente, exibe uma das maiores rendas per capita do mundo (US$ 28 mil por habitante) – quase quatro vezes maior que a do Brasil, superior à de Israel e Coreia do Sul, informa o Banco Mundial.

Essa riqueza contrasta com o real padrão de vida da população: quase oito de cada dez habitantes sobrevivem com renda pouco acima de US$ 1 por dia, apenas 44% da população têm acesso à água potável, e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos.

Há quatro semanas, o Senado dos EUA encerrou uma investigação sobre o destino da riqueza da Guiné Equatorial. No relatório final, com 330 páginas, o clã Obiang emerge como uma vigorosa cleptocracia, elevada à categoria de ‘caso de estudo’ sobre práticas de corrupção governamental.”

Impossível não recordar da tese de que alguns subdesenvolvimentos são estados de espírito.

Boa notícia: Classe C brasileira volta a crescer

08/02/2010

Informa Lauro Jardim, na Veja:

“A classe C, a nova classe média brasileira, voltou a crescer e aparecer. Entre 2003 e setembro de 2008, 31 milhões de brasileiros ascenderam à classe C. Com a marolinha, 0,5% deles retornaram a um patamar abaixo. Agora, a boa-nova que será anunciada nos próximos dias pelo pesquisador Marcelo Néri, da FGV/RJ: entre setembro e dezembro de 2009, mais 2,6 milhões de brasileiros ascenderam à classe média.”

É claro que a melhor notícia seria a de que houve aumento da classe B, quiçá da A.

Mas a informação de que a classe C aumentou, com diminuição das classes D e E já é motivo de comemoração.

Boa notícia.

Brasil pode construir bons indicadores sociais até 2016

12/01/2010

Informa a BBC Brasil:

“O Brasil pode chegar ao ano de 2016 com indicadores de pobreza e desigualdade próximos aos de países ricos, diz um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta terça-feira.

De acordo com a pesquisa, se o país conseguir manter o ritmo de avanços dos últimos cinco anos, até 2016 poderá eliminar completamente a pobreza extrema – situação em que as pessoas vivem com até 25% do salário mínimo. Em 2008, esse grupo representava 10,5% da população brasileira.

No mesmo cenário, a chamada pobreza absoluta (renda de até meio salário mínimo) pode cair de 28,8% para 4% da população nos próximos seis anos.

Já o índice de Gini, que mede a concentração de renda em um país, cairia para 0,488 (o indicador varia de 0 a 1, sendo maior a desigualdade quanto mais próximo de 1). Em 2008, o índice dos Estados Unidos foi de 0,466.”

Ótima notícia. Torçamos para que todo esse cenário positivo se concretize e fiscalizemos para que os governos, independentemente da conexão com o partido x ou y, ajam de maneira a realmente empreender as medidas necessárias para que isso seja atingido.

Afinal, o Brasil é o País do futuro há muito tempo. Muitos governos já mitigaram, com ações erradas, as chances de desenvolvimento da nação que também eram previstas.

Temos que ter governos que tornem o Brasil um ótimo País em um presente próximo. Chega de futuro distante e prometido.

Análise: O aumento do salário mínimo e a vida daqueles que o recebem

23/12/2009

Informa o Portal G1:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na manhã desta quarta-feira (23) as medidas provisórias que aumentam o salário mínimo para R$ 510,00 e dão um reajuste de 6,14% para aposentados que ganham mais que o mínimo. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 465,00.

Os novos valores entram em vigor a partir de janeiro. Com isso, quem recebe pelo mínimo terá o valor reajustado no salário pago em fevereiro, referente ao primeiro mês do ano.”

Os reajustes do salário mínimo que ajustam seu valor com taxas acima daquela da inflação, aumentando realmente o poder de compra do cidadão mais humilde, são sempre grandes notícias.

Acredito que uma das grandes atuações do governo Lula, que precisa ser reconhecida por todos, diz respeito ao salário mínimo e ao aumento do poder de compra.

É claro que esses reajustes trazem consequências para o tesouro nacional, afinal, aumentam também o gasto estatal. Porém, creio que, dentre diversos gastos, aquele que melhora a vida do cidadão e que lhe garante uma remuneração mais digna não é um dos criticáveis. Até porque o salário mínimo, ainda hoje, detém um déficit com relação à realidade e ao custo de vida.

Aquele que recebe o mínimo, por exemplo, ainda não pode ir ao cinema, ao teatro ou a um show; ainda não pode comprar livros, jornais e revistas; ainda não pode pagar cursos de idiomas para seus filhos; ainda não pode comemorar seu aniversário; ainda não pode comprar roupas novas; ainda não pode fazer um churrasco; sem prejudicar o sustento da família.

Falta agora, principalmente, uma redução de impostos, para que o trabalhador possa usufruir de uma parcela maior de seu próprio salário, ao invés de entregá-la ao leão que, por sua vez, não concede serviços públicos de qualidade em troca.

Em resumo, louve-se o aumento do salário mínimo e do poder de compra. Contudo, lembre-se que uma política de desoneração é altamente necessária. Nesta segunda ponta do problema, o governo Lula não tem sido tão competente.

De qualquer forma, coloquemos nossas posições e discutamos estes temas. É o debate da sociedade que incita as ações governamentais.

Governo poderá gastar ainda mais

27/11/2009

Informa o Globo:

“O governo conseguiu ontem duas vitórias para administrar recursos dos orçamentos da União de 2009 e de 2010, ano eleitoral. De um lado, aprovou na Comissão Mista de Orçamento alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias (a LDO) de 2010, ampliando de R$ 22,5 bilhões para R$ 29,8 bilhões o valor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que poderá ser abatido do superávit primário de 2010.

A manobra, dada como certa pelo governo nas previsões orçamentárias, foi incluir o programa Minha Casa, Minha Vida, no valor de R$ 7,3 bilhões, no PAC.

Com essa inclusão, o governo pode reduzir o rigor fiscal e liberar igual montante para investimentos, ou para gastar. Na prática, essa manobra libera mais recursos para gastar. Além disso, o Congresso aprovou ontem, em sessão no plenário, créditos adicionais ao Orçamento de 2009 no valor de R$ 1,3 bilhão.

O relator de receitas do Orçamento da União, senador Romero Jucá (PMDB-RR), já havia considerado em seu relatório a ampliação do montante do PAC. Já contando com a folga, o relator-geral do Orçamento, deputado Geraldo Magela (PT-DF), usou parte dos recursos para elevar para R$ 12,5 milhões as emendas individuais de parlamentares ao Orçamento de 2010.”

Os especialistas têm alertado o governo e a sociedade civil brasileira a respeito do aumento demasiado do gasto público nacional. Os riscos do descontrole orçamentário são descritos e a herança de déficit é vislumbrada.

Nada disso parece comover o governo, embora muitos membros do seu próprio staff sejam contra a gastança.

Um misto de ideologia de Estado inchado com uma necessidade de investir em época de eleição parecem mover o moinho dos arroubos alimentados com nossos impostos.

O Perspectiva tem alertado. A imprensa, muito mais relevante, tem alertado. Os entendidos do assunto, de fora e de dentro do governo, mais relevantes ainda, têm alertado.

Talvez quando os alertas forem ouvidos seja tarde demais.

PC do B estará com Dilma em 2010

05/11/2009

Informa o Globo:

“Aliado histórico do PT, o PCdoB vai apoiar a candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas pedirá mudanças na política econômica. Dilma e o presidente Lula devem participar do ato político do 12 Congresso Nacional do PCdoB, amanhã à noite. Para 2010, além da reforma política, o partido quer garantir mudanças no atual tripé da política econômica:

— O tripé atual é formado pelo controle rígido da inflação, juros altos e câmbio flutuante. É preciso um novo tripé: um câmbio administrado que seja competitivo, orçamento equilibrado com o pleno emprego e juros baixos com investimentos. Se essa proposta for referendada no Congresso, a apresentaremos à candidata — disse o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

Quanto aos apoios do PCdoB para 2010, o partido deve seguir a sinalização de Lula:

— Nossa posição é de apoiar o candidato do nosso campo que for apoiado por Lula. Não referendaremos o apoio a Dilma agora porque nem a candidatura está oficializada. Nossa questão agora é o que será o projeto após os mandatos de Lula.

O Congresso do PCdoB começa hoje e segue até domingo, no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo.”

O que o PC do B quer pode ser explicado de forma muito simples: O partido deseja que o governo passe a errar em um dos campos em que acerta. Simples assim. A legenda deseja trocar a rendição à realidade, muito mais sensata, pela rendição à ideologia.

Repudio totalmente estes aconselhamentos. Contudo, resta saber o que Dilma Rousseff, oriunda da esquerda revolucionária, pensa deles. Tomara que ela tenha a maturidade que a cúpula do governo demonstrou ter, deixando de lado radicalismos equivocados e ideias ultrapassadas. Se for assim, as propostas para a economia do lado governista serão mais consideráveis em 2010.

Em tempo: Se o PC do B está com Dilma Rousseff, é menos um partido que Ciro Gomes pode almejar ter ao seu lado. A candidatura de Ciro parece, simultaneamente, tão viável pelos números das pesquisas e tão inviável pelas movimentações políticas desenhadas por Lula e seus assessores do PT.

Governo lança programa para o Bolsa Família que já existe

28/10/2009

Informa o Globo:

“O governo lançou nesta quarta-feira um programa de inclusão bancária para beneficiários do Bolsa Família que já existe desde julho do ano passado. Em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o programa quer que pessoas que recebem o Bolsa Família possam abrir uma conta corrente na CEF e passem a receber os pagamentos pelo banco, assim como adquirir pequenos empréstimos e ter acesso a poupança.

Instituído como projeto-piloto em março do ano passado, em Belo Horizonte, na época o projeto atendeu 4 mil famílias. Depois disso, até agora, já há 1,9 milhão de famílias do Bolsa Família que já possuem conta simplificada na CEF, a chamada ‘conta-fácil’, criada em 2003 pelo governo Lula e que tem 9,5 milhões de correntistas. O objetivo do governo é atender 4 milhões de pessoas até o fim do ano que vem. “

Facilitar o acesso do povo brasileiro ao crédito é importante, com certeza. Não tenho dúvidas de que isso auxilia a roda da economia e possibilita a mais e mais brasileiros a oportunidade de adquirir certos bens de consumo.

Acontece que, normalmente, a expansão do crédito traz, na verdade, o aumento do endividamento da população. Sem grande aumento da distribuição de renda e sem queda do spread bancário, a expansão fica capenga, afinal, realiza o oposto do que se propôs, ou seja, dificulta, ao invés de facilitar, a vida do cidadão.

É essencial que a expansão do crédito seja acompanhada de medidas que inibam o possível aumento demasiado do endividamento do brasileiro.

Dito isso, vale ressaltar que este benefício trazido, ao mesmo tempo que é interessante se dadas as circunstâncias propícias para que atue de tal forma, também representa, como informa a notícia reproduzida acima, algo repetido. A inclusão bancária de beneficiários do Bolsa Família já ocorreu de certa forma.

Se o governo chega a ser acusado de tomar atitudes eleitoreiras quando concede benefícios, imaginem o que será dito do lançamento de um programa que, já sendo pintado como benesse que, se não acompanhada, pode se tornar problema, ainda é repetido.