Arquivo da seção ‘José Serra’

Grande parte do eleitorado de Marina admite mudar o voto

04/07/2010

Informa a Folha:

“O eleitor de Dilma Rousseff (PT) está mais decidido que o de José Serra (PSDB) e o de Marina Silva (PV).

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 78% dos eleitores da petista afirmam que estão totalmente decididos com relação ao seu voto no primeiro turno, contra 20% que declaram poder mudar de ideia.

Entre os eleitores de Serra, os decididos são 70%, e os que dizem poder mudar de voto representam 28%.

Os eleitores de Marina são os menos convictos: 39% dizem que podem mudar de voto, contra 58% que afirmam estar totalmente decididos.”

O eleitor de Dilma Rousseff está mais decidido do que o de José Serra, contudo, os índices são muito próximos, fazendo com que, no meu entendimento, a informação mais relevante que se pode extrair deste levantamento do Datafolha seja o fato de grande parte do eleitorado de Marina admitir mudar o voto.

Essa informação comprova de forma cabal o que este que vos escreve tem dito e repetido: Quando as últimas semanas da eleição presidencial aportarem, os votos de Marina podem minguar, por conta do voto útil, causando a resolução da corrida no primeiro turno.

Explico: Quem quer votar em Marina, mas simpatiza com Serra, votará no tucano, por perceber que a eleição está acirrada e que, portanto, não votar em Serra pode auxiliar fortemente Dilma. O mesmo vale para quem quer votar em Marina mas simpatiza com Dilma. Votarão na petista por rejeitar Serra e entender que existem chances de vitória deste por conta da disputa estar acirrada.

Resultado: Este que vos fala acredita que os votos de Marina vão, infelizmente, minguar na reta final, já que o voto útil será aplicado em prol de Serra ou de Dilma.

Com todo esse cenário, a hipótese de a eleição se resolver no primeiro turno ganha força, embora isso não seja garantido mesmo que Marina perca votos.

Acompanhemos para ver se o cálculo desse humilde blogueiro procede.

Serra assume compromisso com o social no estilo da ‘Carta ao povo brasileiro’ do PT

03/07/2010

Informa o jornal O GLOBO :

Como um de seus primeiros eventos públicos no início oficial da campanha, o candidato do PSDB a presidente, José Serra, assinará, na próxima segunda-feira, em Curitiba, uma espécie de versão social da “Carta ao Povo Brasileiro”, divulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2002 — em que o petista se comprometeu com metas econômicas e a honrar contratos, num momento de crise nos mercados.

O documento, elaborado por gestores da área de assistência social de prefeituras do PSDB e do DEM e endossado pela equipe tucana, trará, em resumo, duas ideias: reafirmação da paternidade do PSDB e de conquistas tucanas na área social durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e o compromisso da continuidade e aprofundamento dos avanços obtidos pela atual gestão.

O ato cai sob medida na campanha de Serra. Os tucanos veem nele uma oportunidade de reforçar seu discurso e minar especulações como a de que, se eleito, Serra acabaria com o Bolsa Família, vitrine social do governo Lula e bandeira de campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff. O PSDB acusa os adversários de explorarem o discurso do medo com o eleitorado mais carente.”

É preciso que os brasileiros saibam exatamente com quem estão lidando, tendo noção correta a respeito daquilo que aqueles que se propõem a liderar o País pretendem implementar.

Sendo assim, creio que Serra faz bem.

Se há um discurso um tanto quanto terrorista de que o tucano, eleito, acabaria com o Bolsa Família e se ele não pretende fazer isso, nada mais justo do que ele assumir um compromisso público e encerrar as especulações de uma vez por todas, da mesma forma que fez Lula em 2002, com a Carta ao Povo Brasileiro, no que tange a manutenção da estabilidade econômica.

O brasileiro não deve escolher seu Presidente baseado em especulações.

Que Serra assuma seus compromissos e que Dilma assuma também os seus. Isso se chama discutir propostas, ao invés de platitudes e conveniências. E esse é o ideal, o correto.

Portanto, que venha o compromisso de Serra com o social, pondo fim aos supostos terrorismos.

Se houver terrorismo por parte do PSDB, como houve em 2002, Dilma deve assumir seus compromissos também.

Assim se batalha no bom combate.

Datafolha: Serra sobe e empate com Dilma retorna

02/07/2010

Segundo o Datafolha houve crescimento nos últimos dias da candidatura de José Serra. A nova pesquisa do instituto demonstra que retornamos ao cenário de empate técnico entre ele e Dilma Rousseff.

Vamos aos resultados, ressaltando que a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais:

José Serra (PSDB) / Índio da Costa (Dem) – 39%

Dilma Rousseff (PT) / Michel Temer (PMDB) -38%

Marina Silva (PV) / Guilherme Leal (PV) -10%

Brancos / Nulos – 5%

Não sabem / Não opinaram – 9%

A justificativa apresentada pelos especialistas para o crescimento de José Serra é a de que os recentes comerciais televisivos teriam aumentado o nível de exposição do candidato, fazendo com que mais pessoas saibam de sua candidatura, embora a maioria dos brasileiros já o conhecesse, por conta dele ter concorrido à Presidência em 2002.

A subida de Serra na pesquisa espontânea (de 14% para 19%, contra 22% de Dilma) prova que esta explicação pode ser a correta.

De qualquer forma, retornarmos ao cenário de empate técnico, após duas semanas de prevalência do cenário de liderança de Dilma.

Aguardemos as pesquisas de outros institutos para sabermos se realmente há o retorno do empate, tendo a vantagem de Dilma recente sido um ponto fora da curva, ou se Dilma volta abrir, sendo esta pesquisa Datafolha, ela sim, a distorção.

Lula colocou a vaga de Vice no colo do Democratas

01/07/2010

Informa o colunista Ilimar Franco:

“O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) está perplexo com a atitude de seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT-PR). O ex-vice de José Serra foi pego de surpresa, na noite de anteontem, com a candidatura do irmão ao governo do Paraná.

Aos mais próximos, Álvaro se queixou: se Osmar o tivesse avisado, ele poderia salvar as aparências retirando sua candidatura em favor de um entendimento com o DEM.

Mas Osmar acabou puxando o tapete dos pés do irmão, dando argumento para que o DEM o descartasse da vice, como era o desejo dos demistas desde que seu nome foi anunciado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson.”

No fim das contas, percebe-se o seguinte:

O Democratas provavelmente estaria esperneando até agora se Osmar Dias não tivesse lançado candidatura ao governo do Paraná, dizimando o argumento em prol da candidatura de seu irmão a Vice de Serra.

Curiosamente, o que fez Osmar fechar questão em torno da candidatura ao governo paranaense foi uma ligação telefônica do Presidente Lula.

Em suma, Lula colocou, paradoxalmente, a vaga de Vice da oposição de volta ao colo do Democratas.

Se fez propositalmente não se sabe.

Acredito que Lula imagine, na realidade, que passado o alvoroço da escolha do Vice, o nome perderá importância.

O palanque dilmista no Paraná não.

Índio da Costa (Dem-RJ) será o Vice de José Serra

30/06/2010

Informa o Portal G1:

“O DEM anunciou nesta quarta-feira (30) que o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) será o vice na chapa de José Serra (PSDB) à presidência da República.

Antes de ser anunciado como vice, ele tentava acalmar a crise entre o PSDB e o DEM, desencadeada com o anúncio do tucano Álvaro Dias como vice de Serra, nome que não havia sido aprovado pelo DEM: ‘Conveção Nacional do DEM hoje garantirá apoio ao Serra’, afirmava em sua página no twitter pela manhã.

[...]

Foi três vezes vereador do Rio de Janeiro antes de se eleger deputado federal em 2006. Índio da Costa foi o relator do grupo de trabalho que analisou o projeto ficha limpa, que impede as candidaturas de políticos com condenações judiciais em órgãos colegiados.

Em 1993, primeiro mandato de Cesar Maia na prefeitura do Rio, foi assessor do Gabinete do Prefeito. Foi Secretário Municipal de Administração nos outros dois mandatos de Maia, em 2001 e 2005. Ele saiu da função ao se eleger deputado.

Índio da Costa se filiou ao antigo PFL, atual DEM, em 1995, seguindo os passos de Cesar Maia, que havia deixado o PMDB. Os dois saíram do PFL em 1999, e filiaram-se ao PTB. Em 2001, voltaram ao PFL. Cesar Maia é pai do deputado Rodrigo Maia (RJ), atual presidente do DEM. O anúncio do nome de Índio da Costa foi feito por Rodrigo após uma reunião com Serra, em São Paulo.”

Este blog afirmou categoricamente desde o ano passado que o candidato tucano seria José Serra e que o Vice seria do Democratas.

Quando Álvaro Dias foi anunciado como Vice, alguns leitores me enviaram e-mails comentando a suposta falha de minha previsão. Uns o fizeram de forma educada, outros nem tanto.

Pois bem. Parece que agora tudo está em seu devido lugar.

A previsão era simples: O PSDB paulista nunca apoiaria Aécio em detrimento de Serra e a seção paulista controla o tucanato. No caso do Democratas, se o PSDB tentasse preterir o partido na chapa, como tentou, a legenda ameaçaria deixar o barco, como ameaçou, e o PSDB perceberia que estava correndo risco de perder o tempo de televisão democrata, como percebeu.

No fim das contas, a crise apenas serviu para atrapalhar mais ainda a vida de Serra, que já tem um desafio enorme pela frente: Vencer a candidata biônica do Presidente mais popular da história.

PSDB anuncia Alvaro Dias como Vice de Serra, mas o Senador recua após recusa do Democratas

26/06/2010

Depois de uma longa novela, o PSDB enfim fez sua escolha e indicou um Vice para ser o companheiro de chapa de José Serra.

O nome é o do Senador paranaense Alvaro Dias, que afirmou ser a proposta “irrecusável”.

Mas parece que este ainda não foi o último capítulo da trama.

Como a confirmação do nome de Dias selaria a chapa “puro-sangue” tucana, o Democratas, aliado preferencial do tucanato na luta pelo Planalto, chiou.

O Presidente nacional dos Democratas, Rodrigo Maia (RJ), diz com todas as letras que seu partido só abre mão da vaga em favor de um tucano: Aécio Neves.

E ponto final.

Sendo assim, instalou-se o mal-estar, com a coesão da aliança sofrendo consideráveis abalos. Até porque os democratas, como já seria de se esperar, passaram a questionar a densidade eleitoral de Alvaro Dias e a compará-la com as de alguns nomes fortes da legenda.

Observando a contenda e sentindo o cheiro de queimado, Alvaro Dias recuou. Disse o Senador: “Se o DEM tiver que sair, saio eu”.

Um posicionamento inteligente e conciliador, mas quem em nada indica que Alvaro abre mão da indicação sem mágoa.

Provavelmente a situação atual é uma em que o PSDB defende, nas negociações de bastidores com o Democratas, o nome de Alvaro Dias, argumentando que ele ajudaria a consolidar a liderança de Serra no Sul, mas pensando, na realidade, no desgaste que o Democratas sofreu recentemente com o escândalo local envolvendo o ex-Governador José Roberto Arruda.

O Democratas, por sua vez, deve estar defendendo, nas conversas reservadas, que Serra precisa se recuperar no Sudeste e diminuir a margem de Dilma no Norte/Nordeste, tendo para isso um Vice dessa região vindo do DEM, mas salientando, nas entrelinhas, que o partido detém quase metade do tempo de televisão e dos parlamentares da aliança e que, portanto, entende como mais do que justo que o Vice seja egresso de seus quadros.

É este o cenário que temos, com certeza, neste momento. Os telefonemas e e-mails devem estar a todo vapor.

Nós, meros cidadãos interessados nos rumos da política nacional, podemos apenas acompanhar dentro das nossas limitações.

O Perspectiva estará de olho, enquanto a aliança oposicionista mostra um racha às vésperas do início da campanha que só auxilia uma pessoa e faz sorrir outra:

Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

O folhetim segue…

Ibope: Confirma-se tendência de liderança de Dilma – 40% a 35% sobre Serra

23/06/2010

Informa o Portal G1:

“Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta (23) em Brasília mostra a candidata do PT, Dilma Rousseff, com 40% e o candidato do PSDB, José Serra, com 35% na corrida eleitoral pela Presidência da República.

Marina Silva (PV) tem 9% das intenções de voto, segundo o levantamento, encomendado ao instituto pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O cenário da pesquisa que apresentou esses resultados é o que inclui somente Dilma, Serra e Marina. No cenário que reúne12 candidatos, Dilma aparece com 38,2%, Serra, 32,3% e Marina, 7%.

É a primeira vez que Dilma aparece à frente de Serra numa pesquisa de intenção de voto para presidente.

Na pesquisa Ibope anterior, divulgada no último dia 5 e feita por encomenda da TV Globo e do jornal ‘O Estado de S.Paulo’, Dilma e Serra apareciam empatados com 37% das intenções de voto. Marina Silva acumulava 9%.

A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos (portanto, Dilma pode ter entre 38% e 42%; Serra, entre 33% e 37%; e Marina, entre 7% e 11%).

A pesquisa é a primeira realizada após a oficialização das candidaturas de Dilma, Serra e Marina pelas convenções partidárias. O Ibope entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 19 e 21em 140 cidades.

Disseram que votarão em branco ou nulo 6% dos entrevistados. Os que responderam que ainda não sabem em quem votar são 10%, segundo o Ibope.

[...]

Na simulação de segundo turno, Dilma teria 45% e Serra, 38%, segundo o Ibope. Na hipótese de segundo turno entre Dilma e Marina, a petista venceria por 53% a 19%. Serra ganharia de Marina por 49% a 22%.

[...]

Dentre os entrevistados, 23% disseram que não votariam em hipótese nenhuma em Dilma Rousseff. Os que rejeitam Serra são 30% e os que nunca votariam em Marina somam 29%.

Está confirmada a tendência de liderança de Dilma Rousseff.

Há tempos existe tendência de subida da petista, mas não exatamente de liderança. As últimas pesquisas mostravam Dilma se aproximando e as mais recentes já apontavam um empate.

Agora, parece se consolidar uma liderança de Dilma, mesmo que por margem percentual pequena.

Resta agora saber se a diferença se manterá na casa dos 5% ou se aumentará.

Se Dilma entrar em agosto com uma vantagem de aproximadamente 10%, será favorita indiscutivelmente.

Em suma, a campanha tem tudo para – como tenho dito – ser acirrada.

Contudo, hoje está mais para Dilma do que para Serra, embora o cenário ainda esteja aberto e muitas mudanças possam ocorrer.

Acompanhemos.

Saiba como foram construídas as candidaturas de Serra e Dilma ao Planalto

16/06/2010

As jornalistas Christiane Samarco e Vera Rosa, do Estadão, investigaram, respectivamente, a construção das candidaturas a Presidente atuais de José Serra e Dilma Rousseff.

Pode-se dizer que tratam-se de dois trabalhos jornalísticos espetaculares. Ambos trazem detalhes a respeito de como as peças foram sendo unidas e montando as duas mais importantes candidaturas que hoje se apresentam ao brasileiro.

Muitos destes detalhes não são de conhecimento de grande público e alguns poucos não eram sabidos, até mesmo, por aqueles que acompanham a política de perto.

Por essas e por outras o Perspectiva não poderia deixar de reproduzir.

Seguem abaixo, portanto, respectivamente, as reportagens “Você não está vendo que é minha última oportunidade?” de Christiane Samarco sobre a candidatura de Serra e “Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!” de Vera Rosa sobre a candidatura de Dilma.

Você não está vendo que é minha última oportunidade?

Christiane Samarco – O Estado de São Paulo

Ele sonha com a Presidência da República desde menino e trabalha metódica e obstinadamente para chegar lá há exatos 12 anos, 2 meses e 12 dias, desde que assumiu o comando do Ministério da Saúde, em 1998. Mas quando tudo parecia resolvido, com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, já fora do páreo, no final de janeiro deste ano José Serra vacilou.

A indecisão assombrou os cinco políticos mais próximos do candidato, a quem ele mais ouve. Foi o mais ilustre membro deste quinteto – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – quem deu o ultimato e acabou com a indefinição: “Serra, agora é tarde. Você não pode mais desistir”.

O comando tucano estabelecera prazo até o Carnaval para que Serra desse uma demonstração pública que não deixasse dúvidas quanto à decisão de enfrentar o mito Lula e a máquina petista do governo. Serra ainda silenciou por quase uma semana. Voltou à cena, pedindo ao presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), e ao amigo deputado Jutahy Júnior (BA), que organizassem uma programação para ele participar dos carnavais de rua do Recife e de Salvador, na semana seguinte.

A pressão pela definição era tão grande, que até a reportagem de uma revista semanal britânica repercutiu no Brasil. A respeitada The Economist que circulou na primeira semana de fevereiro trazia um artigo afirmando que o governador José Serra esperava, “com paciência demais” pela Presidência. Disse ainda: “Serra precisa subir no banquinho e começar a cantar seus elogios agora. Do contrário será lembrado como o melhor presidente que o Brasil nunca teve.”

Bem no clima do dito popular sobre o calendário do Brasil, no qual o ano só começa depois do carnaval, Serra assumiu mesmo os compromissos pré-eleitorais no embalo do Momo. “As dúvidas do Serra nunca foram hamletianas. Sempre foram objetivas”, diz o governador Alberto Goldman.

Em conversas reservadas, Serra já havia reclamado da “falta de estrutura” do partido. Boa parte da dúvida vinha da falta de sustentação partidária. Diferentemente do PT, o PSDB não é um partido de base e de organização, com estrutura para dar o suporte que uma disputa acirrada pela Presidência da República requer. Para o amigo Jutahy, os momentos de indefinição decorreram do fato de que Serra “nunca jogou com uma alternativa única”. Da mesma forma, acrescenta, ele jamais seria candidato só para marcar posição. “O Serra acredita na possibilidade de vitória”.

O convite explícito ao ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para que aceitasse a vice na chapa puro-sangue do PSDB, demorou mais 30 dias – veio na primeira hora da terça-feira 3 de março, no Hotel Meliá em Brasília. Na conversa reservada, sem testemunhas, que avançou pela madrugada, Serra não hesitou em usar seus 68 anos de idade como argumento, para convencê-lo a aceitar a dobradinha café com leite.

“Você não está vendo que esta é minha última oportunidade?”, ponderou, para salientar que Aécio é jovem e que um dia, “fatalmente”, o neto de Tancredo Neves chegará a Presidência da República. Em resposta, o mineiro repetiu a tese de que a melhor forma de ajudá-lo seria dedicando-se à campanha de Minas, disputando o Senado – e o governador Antônio Anastasia, a reeleição.

No voo de volta a Belo Horizonte, no dia 10 de abril, depois do Encontro dos Partidos Aliados – quando Serra apresentou a candidatura e Aécio foi recebido por 3 mil militantes aos gritos de “vice, vice, vice” – o governador de Minas confidenciou a um interlocutor o temor de que o anúncio da dobradinha com Serra fosse um “fato político efêmero”.

Admitiu que sua presença na chapa poderia até dar um “upgrade” à candidatura tucana, mas também avaliou que o entusiasmo seria rapidamente consumido. “Muita gente fala que é importante eu ser vice, mas um anúncio desses só alimentaria o noticiário por 15 dias”. Ainda assim, ele não fechou de todo a porta à chapa café com leite.

Serra já estava avisado de que, com Aécio, não adiantaria pressão. O recado velado veio embutido no discurso de homenagem ao centenário de nascimento de seu avô Tancredo, realizada uma semana depois. Da tribuna do Senado, em sessão solene para lembrar Tancredo Neves, Aécio fez questão de citar a frase com a qual o avô respondera à pressão do então deputado João Amazonas (PC do B) em 1985, para que assumisse posições radicais: “Não adianta empurrar. Empurrado eu não vou.”

Não foi por pressão ou por temor do confronto que Aécio decidiu sair do páreo. Na lógica de um dirigente tucano que o acompanha, ele não quis “ir para o pau” porque não poderia construir uma candidatura a presidente rompido com o candidato a governador de São Paulo. Além disso, ao final do ano passado as pesquisas eleitorais mostravam que ele não havia empolgado o País. Ficou claro que insistir na disputa interna seria um desgaste político.

Boa parte dos movimentos de Aécio rumo ao Planalto foi feita no embalo da resistência de companheiros a mais uma candidatura de São Paulo. Desde 2002, o tucanato das várias regiões amarga um incômodo e um certo cansaço em relação à hegemonia paulista. A queixa geral é de que ser um candidato a presidente “fora do establishment” é muito difícil em qualquer circunstância. Praticamente impossível, se houver um concorrente de São Paulo.

Esse sentimento tomou conta das regionais do partido depois da morte de Mário Covas. O câncer que tirou Covas do governo de São Paulo levou junto o candidato natural do PSDB a presidente da República e também a possibilidade da construção pacífica de uma candidatura de consenso.

Já bastante doente, Covas recebeu, em 2000, a visita de Tasso no Palácio dos Bandeirantes. Em meio à conversa sobre cenário político nacional e a sucessão presidencial, o anfitrião abriu o jogo. “Não vou ter saúde para ser candidato. Essa disputa vai ficar entre você e o Serra. E meu candidato é você”, avisou. Em seguida, fez questão de telefonar para o presidente Fernando Henrique, comunicando sua preferência.

Tasso lançou-se na disputa presidencial em 2001, ao final do seu terceiro mandato de governador do Ceará. Além do incentivo de Covas, morto em março daquele ano, arrebanhou apoios públicos no PFL do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Mas acabou desistindo, com queixas de que havia “uma espécie de conspiração paulista em favor de Serra, desequilibrando a disputa interna”.

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você… o Serra… Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

Diante da desistência pública do cearense e das indagações da imprensa sobre o racha no PSDB e sobre o que Serra poderia fazer para unir o partido, Arthur Virgílio disse diante das câmeras de televisão que falar com Tasso era fácil. “Basta discar o DDD 085 e o número do telefone”, sugeriu.

“Mas o que é isso? Você me ensinando a falar com Tasso pela TV?”, cobrou Serra. “Não fiz para te sacanear. Só respondi à pergunta de como vocês iriam se falar. Você é o meu candidato a presidente”, amenizou Virgílio. O telefonema não aconteceu e Tasso acabou optando pela candidatura presidencial do amigo e conterrâneo Ciro Gomes, que lhe pedia apoio e ajuda e com quem nunca se atritou.

Também foi nos braços de Ciro que os aliados do PFL se jogaram na eleição de 2002. Serra estava rompido com os pefelistas, hoje rebatizados de DEM, desde o desmonte da candidatura presidencial de Roseana Sarney, a partir de uma operação da Polícia Federal que investigou fraudes na Sudam. Em 1º de março de 2001, a PF encontrou R$ 1,34 milhão em cédulas de R$ 50 no cofre da empresa Lunus Participações e Serviços Ltda, de propriedade de Roseana e seu marido Jorge Murad. O casal não esclareceu a origem do dinheiro. O episódio deixou sequelas.

O PFL demorou a se aproximar de Serra. O cacique Antonio Carlos Magalhães dizia que Serra fazia aquilo que era a especialidade do baiano: atropelava todos de quem não gostava. Contava que ele próprio fora atropelado por conta da amizade do paulista com Jutahy.

Nos últimos meses de Serra à frente do Ministério da Saúde, em 2002, quando agilizava os convênios com prefeituras de todo o Brasil para deixar a pasta, o ministro recebeu um telefonema de ACM com um recado direto: “Eu quero que Jutahy perca esta eleição. Quem ajudá-lo não é meu amigo”. O pedido ali embutido era para que o ministério não assinasse convênios com prefeituras ligadas ao deputado baiano. Serra ponderou que não tinha como ajudar Jutahy. “O senhor é o presidente do Senado e ele está sem mandato”, argumentou.

Mas, em vez de vetar o acesso dos prefeitos da base de Jutahy aos programas da Saúde, Serra o alertou: “Trate desta eleição como se estivesse tratando da sua vida”. Abertas as urnas, ACM acusou o golpe com outro telefonema: “Quero te informar que seu amigo se elegeu”. Serra ganhou ali um adversário de peso na Bahia.

Aloysio lembra que, antes mesmo da derrota de 2002, Serra já amargava uma campanha sofrida, mal organizada e sem estrutura, da qual saíra muito abatido. “Até o coordenador se mandou no meio da campanha”, recorda bem humorado, referindo-se à saída de Pimenta da Veiga. “Mas, naquele momento, foi muito sofrido. Ele se levantou porque não é homem de ficar chorando pelos cantos”.

Talvez por isto, correligionários e aliados já identificassem em 2004 um Serra bem diferente, e hoje enxerguem nele um “candidato humanizado” pelas derrotas. Afinal, depois de ser o presidenciável do partido que forçara Lula a disputar dois turnos para chegar ao Palácio do Planalto, ele teve que pedir voto aos próprios companheiros.

Sem mandato, só lhe restava a opção de presidir o partido. “Ele conheceu bem o outro lado. Com 33 milhões de votos, teve que lutar para ser presidente do PSDB”, conta Virgílio, que lhe emprestou o gabinete da liderança do governo no Congresso para a campanha interna, sem adversário.

Do comando partidário, Serra ainda foi forçado a assumir a contragosto a candidatura para prefeito de São Paulo. “Você é o único capaz de vencer a Marta Suplicy” diziam todos os tucanos de São Paulo e do Brasil, referindo-se à prefeita petista, que disputava a reeleição. O apelo mais forte veio do ex-presidente Fernando Henrique.

Ele sabia que a Prefeitura complicaria seu projeto mais importante: a Presidência da República. Queria continuar presidente do partido e estava certo de que era o caminho para chegar como candidato mais forte ao Planalto em 2006. Mas não teve como resistir à pressão de dirigentes nacionais e paulistas, por conta da convicção geral de que, se Marta fosse reeleita, a hegemonia do PT se tornaria irreversível.

Mas foi assim que também se tornou tributário de uma dívida de apoio para a pretensão de 2010. A parceria com o DEM nas eleições municipais de 2008 foi iniciativa de Serra, já mirando o Palácio do Planalto mais adiante. Foi ele quem, na condição de presidente nacional do PSDB, procurou o presidente do PFL para propor a dobradinha. Àquela altura, o PFL tinha um candidato – José Pinotti – que aparecia com cerca de 15% da preferência do eleitorado nos levantamentos do partido.

Bornhausen sugeriu Kassab para vice e o tucano resistiu. Argumentou que Kassab fora secretário do Planejamento na gestão de Celso Pitta, uma ligação com potencial de desastre eleitoral. Queria Lars Grael, o velejador campeão mundial que tivera uma perna mutilada em um acidente e fora secretário nacional de Esportes no governo FHC. Mas Grael era cristão novo e Bornhausen bateu o pé. Praticamente impôs Kassab.

Habilidoso, Kassab nunca agiu como o nome imposto nem se ressentiu do veto. Dizia que a postura de Serra sempre foi muito transparente e que suas ponderações eram de caráter político eleitoral, e não pessoais. E se apresentou ao parceiro de forma objetiva: “Serei uma pessoa leal à chapa. Pode contar comigo”.

Na construção da disputa municipal de 2008, Serra teve de administrar duas candidaturas do mesmo campo político, uma delas de seu próprio PSDB. Kassab sabia que era o preferido por para continuar o trabalho em parceria com tucanos do primeiro time.

Três ex-ministros de Fernando Henrique – Aloysio, Andrea Matarazzo e Clóvis Carvalho – participaram da Prefeitura. Ao final, no entanto, acabou tendo que engolir o apoio público de Serra a Alckmin.

Goldman ainda articulou e coordenou uma reunião com Serra e Aloysio no Palácio dos Bandeirantes, em que propuseram a Alckmin desistir da Prefeitura em troca do apoio garantido do trio para a volta ao governo, dois anos mais tarde. “Governador eu já fui. Quero muito ser prefeito.”

A construção da unidade interna só foi possível depois de Kassab se reeleger prefeito. Derrotado, Alckmin sabia que o único caminho para voltar ao governo de São Paulo seria dentro do próprio governo. Mas, no tucanato, ninguém acreditava que Serra o convidasse e, tampouco, que o outro aceitasse.

Não foi tão difícil. Se o acerto era o passaporte de Alckmin para uma nova candidatura, também era fundamental ao projeto Serra criar um ambiente de unidade interna a partir de São Paulo. Serra investiu na operação certo de que ela teria serventia dupla, além do fato de trazer votos. Mais do que resolver a sucessão paulista, a ofensiva serviria ao projeto mais arrojado de mudança de imagem no plano nacional.

Como Aécio construía a candidatura presidencial vendendo o modelo de político agregador, capaz de aglutinar mais apoios fora do PSDB do que Serra, chegara o momento de o paulista desfazer este entendimento. E nada melhor, para se livrar da pecha de desagregador, do que uma demonstração nacional de que ele seria poderia, sim, encarnar o figurino de político competente também para agregar apoios e unir o partido.

O presidente nacional do partido, Sérgio Guerra, e o presidente da regional paulista, José Henrique Lobo, foram encarregados de fazer a sondagem para poupar o governador de uma eventual recusa. Além deles, apenas Serra, Goldman e Aloysio sabiam do encontro e não deixaram vazar o convite para não subtrair impacto do fato político.

Na tarde de 23 de dezembro, antevéspera do Natal, Alckmin foi tomar um café com Serra a pretexto de lhe desejar boas festas, e deu o OK. O convite aceito foi o fator de aglutinação que faltava para dar seguimento à estratégia de chegar ao Planalto.

Mas nem por isto a pendenga com Aécio estava resolvida. Embora Serra ocupasse o primeiro lugar da fila de presidenciáveis tucanos, o ex-governador de Minas também estava convencido de que sua melhor hora para entrar na corrida sucessória era aquela. Depois de oito anos de administração bem sucedida no governo de Minas, ele avaliava que este seria o melhor momento para apresentar sua candidatura.

Foi aí que Sérgio Guerra teve seu papel mais relevante na construção da candidatura tucana. Foi ele quem administrou a dupla de presidenciáveis e convenceu Serra a acatar a ideia das prévias que Aécio exigia. O governador paulista chegou a se irritar com a pressão de Aécio, que se sentia liberado para correr o País em busca de apoios, depois de sete anos de administração bem sucedida em Minas.

Serra, ao contrário, avaliava que não podia se afastar um milímetro do governo estadual para tratar de eleição, sob pena de perder o voto dos paulistas – que já haviam amargado sua saída da Prefeitura de São Paulo no meio do mandato. Com muita habilidade e alguma paciência, impediu um atrito entre os dois assegurando ao paulista que as prévias acabariam não acontecendo. E assim foi.

Dilma, prepare-se. A candidata vai ser você!

Vera Rosa – O Estado de São Paulo

Ávida por descobrir o que o futuro lhe reserva, Dilma Rousseff quer encomendar um mapa astral e tenta de todo jeito saber a hora exata de seu nascimento, ausente da certidão. Depois de infrutíferas entrevistas na família, a candidata do PT à Presidência mandou buscar a informação no arquivo do hospital São Lucas, de Belo Horizonte. Não encontrou a resposta até agora, mas a persistência em busca do horário perdido revela o quanto rejeita o veredicto “impossível”.

“Também isso foi há 62 anos, não é?”, justifica ela, não muito resignada. “Minha mãe diz que eu nasci antes da meia noite e minha tia, que foi um pouco depois. Como é que eu vou saber? O que sei é que sou sagitariana.”

Nascida em 14 de dezembro de 1947, a mineira Dilma tem mais essa “semelhança” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pernambucano, dois anos mais velho do que ela. Lula nunca soube a hora de seu nascimento. Nem mesmo o dia. A mãe contava que era 27 de outubro, mas o menino foi registrado pelo pai como sendo do dia 6. Para o presidente, a conjunção dos astros conspirou a seu favor por “pura sorte”.

Seis e 27 de outubro foram as datas dos dois turnos da eleição de 2002, quando Lula chegou pela primeira vez ao Palácio do Planalto, derrotando José Serra (PSDB), hoje adversário de Dilma. Quatro anos depois, reeleito após atravessar uma sucessão de crises e quase ser apeado do poder com o escândalo do mensalão, em 2005, ele encasquetou com Dilma, a ministra da Casa Civil.

Começou ali, na transição do primeiro para o segundo mandato, o planejamento do que parecia impossível: a construção da candidatura de Dilma, uma cristã nova no PT. Com os herdeiros naturais abatidos por escândalos e a cúpula do PT dizimada, Lula tomou uma decisão solitária sobre o seu espólio. Apenas o círculo mais íntimo de auxiliares percebia os sinais emitidos por ele.

No fim de 2006, o Palácio do Planalto abrigou várias reuniões reservadas para a discussão dos rumos do novo governo. “Eu sempre tive medo de que o segundo mandato caísse na mesmice”, revelou Lula ao Estado.

Gerente da equipe, Dilma teve papel destacado nesses debates, com ênfase em desenvolvimento, distribuição de renda e educação. Nos encontros, com a participação de um seleto grupo de ministros, foram gestados o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançados em 2007.

“Antes de deixar o governo, em março daquele ano, eu avisei: “Dilma, se prepare que a candidata em 2010 vai ser você!”", conta o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. “Ela respondeu: “Imagine, não posso! O meu trabalho é muito absorvente.”"

Com recursos de R$ 503,9 bilhões em sua primeira edição, o PAC logo se transformaria no carro-chefe da campanha petista. Lula, porém, estava longe de falar com a titular da Casa Civil sobre o assunto.

“Um dia, caminhando com ele até a sua sala, ouvi a seguinte frase: “Estou pensando cada vez mais sério em fazer a Dilminha candidata”", descreve Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência. “Levei um susto.”

O publicitário João Santana, responsável pelo marketing político de Lula na campanha de 2006, foi escalado para dar consultoria à ministra da Casa Civil no ano seguinte. “Se a gente trabalhar direito, elege a Dilma”, dizia o presidente.

Conhecida por seus métodos pouco ortodoxos de treinamento, que incluem até arte marcial japonesa, a jornalista Olga Curado também foi recrutada para preparar Dilma antes de entrevistas, palestras e debates.

Na primeira pesquisa feita pelo PT, em 2007, ela apareceu com 3% das intenções de voto. A lista dos ministros mais conhecidos do governo era encabeçada pelo cantor Gilberto Gil, da Cultura. Dilma estava lá embaixo. Desânimo geral.

Foi duro o trabalho para transformar a técnica sisuda na candidata sorridente que terá o nome homologado hoje, em convenção do PT. Filha de pai búlgaro e mãe mineira, com sobrenome de difícil pronúncia, Dilma começou a ser chamada de “Vilma do Chefe” em 2008, quando Lula passou a levá-la a tiracolo nos palanques. A simbiose foi comemorada pelo comando da campanha.

Pesquisas encomendadas por Santana mostraram que a imagem de Dilma tinha de ser cada vez mais associada à de Lula, um presidente popular, e aos programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Luz para Todos. Assim foi feito. “A força inicial do lançamento é determinante para saber a altura do voo”, argumentava o marqueteiro. Pilar dessa estratégia, o programa Minha Casa, Minha Vida, de 2009, foi planejado sob medida para a eleição.

“Essa história de dizer que Dilma é técnica embute uma tentativa de desqualificá-la”, afirma o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu ex-marido e companheiro em organizações de extrema esquerda, como a Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares (VAR-Palmares), no fim dos anos 60 e início dos 70. “Então uma pessoa que é presa aos 22 anos, torturada, sai da prisão e ajuda a organizar um partido, o PDT, é técnica? Ela sempre foi política.”

O PT prepara antídotos para combater o ataque à participação de Dilma em grupos que pregavam a luta armada. Além da vinculação de sua biografia à do líder sul-africano Nelson Mandela, pacifista, a ideia é apresentá-la como uma espécie de heroína do movimento contra a ditadura, uma mulher que sempre defendeu a democracia. “Dilma nunca deu um tiro”, reforça Araújo, pai de sua única filha, Paula (33 anos), a quem ela chama, até hoje, de “meu bebê”.

O tiro de Lula, porém, deixou muita gente boquiaberta. Na noite de 30 de outubro de 2007, ao voltar de Zurique, ele fez um diagnóstico sobre a própria sucessão. “São Paulo não vai eleger o próximo presidente nem que a vaca tussa”, previu, em conversa no avião com o ministro Orlando Silva (Esporte) e Marta Suplicy, então titular do Turismo. Era uma terça-feira e a comitiva retornava da viagem de apresentação da candidatura do Brasil à sede da Copa de 2014.

O argumento de Lula, que àquela altura já vislumbrava a candidatura de Serra, era um só: São Paulo se portava como locomotiva “divorciada” do Brasil. Na sua avaliação, um candidato paulista não agregaria tanto apoio quanto a desconhecida Dilma.

Ela entrou no governo em 2003 pelas mãos de Antônio Palocci, hoje um dos principais coordenadores de sua campanha. Ex-secretária de Energia do governo Olívio Dutra (PT), foi convidada por Palocci a integrar a equipe de transição. Egressa do PDT de Leonel Brizola, tinha menos de um ano de filiação ao PT.

Sem papas na língua, ela logo comprou briga com Luiz Pinguelli Rosa e Ildo Sauer, os dois pesos-pesados que preparavam o programa do PT para um novo modelo energético, mas encantou Lula. Foi assim que virou ministra de Minas e Energia, desbancando o PMDB.

José Dirceu, então presidente do PT, negociava a entrada do PMDB no governo, mas foi logo avisado de que aquela vaga seria de Dilma. “Essa moça conseguiu conter a crise de energia no Rio Grande do Sul. O ministério está reservado para ela, não vai para indicação política”, esbravejou Lula.

A poucos dias de assumir a Casa Civil, Dirceu foi obrigado a desfazer um acordo fechado com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), hoje candidato a vice na chapa de Dilma. “Eu só fui conhecê-la muito tempo depois”, diz Temer.

Dirceu e Palocci disputavam os rumos do governo. O ministro da Casa Civil caiu com o escândalo do mensalão, em 2005. Cinco meses depois, em novembro, teve o mandato de deputado cassado pela Câmara. “Quando sobreveio a crise e a queda do Zé, o presidente logo falou: “Eu tenho um nome”", lembra Carvalho. “Era a Dilma.”

Sob intenso cerco político, o governo precisava mostrar resultados rápidos para reagir ao terremoto. Com fama de durona, Dilma se encaixou no figurino idealizado por Lula. Não tinha litígios políticos nem almejava o poder.

Nas palavras do presidente, “era de uma dedicação a toda prova”. Ficava até altas horas no Planalto e de manhã integrava o grupo que batia ponto às 8 horas para monitorar as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

No auge da crise, auxiliares mais próximos de Lula chegaram a sugerir a ele, em reunião no Palácio da Alvorada, que não concorresse à reeleição. Era a saída para acalmar os adversários do PSDB e do DEM, que, assim, dariam uma trégua ao governo. Dilma foi contra a ideia.

Lula chegou a convidar Palocci, em julho, para ser o candidato do PT em 2006, sob o argumento de que não queria um segundo mandato. “Não existe essa hipótese. Você vai ser candidato”, devolveu o ministro da Fazenda. Mesmo antes da queda de Dirceu, o nome preferido do presidente para a sua sucessão sempre foi o de Palocci.

Furioso ao saber que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia pregado sua renúncia à disputa como forma de restaurar a ética no País, Lula não se conteve. Entre um e outro palavrão, disse que não apenas entraria de novo no páreo como venceria a peleja. “Essa gente não conhece minha ligação com o povo”, reagiu.

Implacável nas cobranças, Dilma ganhou a confiança do chefe. Os gritos da ministra, famosos no Planalto, não assustavam Lula. Não eram raros aqueles que deixavam a sala dela, no quarto andar, para reclamar no gabinete dele, no terceiro. Palocci figurou nessa lista.

Em novembro de 2005, o ministro da Fazenda se queixou porque Dilma – chamada por ele de “a tia” – classificou o ajuste fiscal de longo prazo como “rudimentar”, numa entrevista ao Estado. Para Dilma, o efeito do corte de gastos, com os juros altos, era o mesmo que “enxugar gelo”.

Reconduzido ao poder, Lula ainda acalentava o sonho de fazer Palocci o sucessor, agora em 2010. Foi obrigado a desistir do plano em março de 2006. Envolvido em acusações de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, reveladas pelo Estado, o homem forte da Fazenda caiu.

Sem os dois generais do primeiro mandato, Lula se antecipou em três anos às previsíveis cotoveladas entre as correntes do PT para a indicação de seu herdeiro no inventário e passou a testar Dilma. Soltava o nome vez por outra, como balão de ensaio. Não foi só Gilberto Carvalho quem tomou susto.

O PMDB torcia o nariz para a ministra. “Achávamos que ela era muito técnica, muito dura”, resume o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). As divergências aumentavam na temporada de negociação dos cargos cobiçados pelo PMDB.

Eram 17 horas de uma segunda-feira, em janeiro de 2008, quando um bambolê cor de rosa aterrissou no Planalto. Comprado por R$ 1,99, o “presente” foi despachado por Alves para o gabinete de Dilma. “Foi a forma que encontramos de dizer que ela precisava ter mais jogo de cintura”, admite Alves.

Nas fileiras do PT e do PSB, os muxoxos sobre a preferência de Lula também se fizeram ouvir. “Ela não tem militância nem vínculo partidário”, bradou Tarso Genro, à época ministro da Justiça, com a autoridade de quem conhecia Dilma desde o Rio Grande do Sul. “É um grave erro político o lançamento de um único candidato da base aliada”, protestou o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Sem contar Tarso e Ciro, que não escondiam a intenção de concorrer à cadeira de Lula, várias alas do PT também já se assanhavam.

Dirigentes da tendência Construindo um Novo Brasil – como foi rebatizado o antigo Campo Majoritário, grupo de Lula – punham na roda o nome do ministro do Desenvolvimento Social, o mineiro Patrus Ananias. Discípulos de Marta achavam que, se ela saísse vitoriosa da eleição para a Prefeitura, em 2008, poderia assumir a tarefa. Não emplacou.

Patrus comandava o Bolsa-Família, a grande aposta do governo, mas, na opinião do presidente, tinha “personalidade tímida”, característica vista como problema para uma campanha plebiscitária contra o PSDB. Além de não ser da corrente de Lula, Tarso causava receio por seu estilo polêmico.

Ainda em 2007, na manhã de 8 de novembro, outro sinal dado por Lula não deixou dúvidas de que Dilma era a favorita. A bordo do avião que conduzia a comitiva de ministros ao Rio, o presidente só ali contou aos passageiros o motivo da viagem: a Petrobrás havia descoberto um “bilhete premiado”, a camada de pré-sal.

E quem faria o anúncio da boa nova? Dilma Rousseff, a candidata.

“A descoberta do pré-sal não podia vazar, por causa das ações da Petrobrás”, atesta o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Além de Dilma e Bernardo, formavam a comitiva os ministros Guido Mantega (Fazenda), Nelson Hübner (Minas e Energia), Franklin Martins (Comunicação Social), Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia).

Dias depois, ao cruzar com Dilma nos corredores do Planalto, Clara Ant abriu um sorriso. “Dilma, você é o nosso pré-sal!”, exclamou a assessora de Lula.

A transformação de Dilma, no entanto, começou a aparecer apenas em meados de 2008, ano de eleições municipais. Com miopia de oito graus, ela trocou os pesados óculos por lentes de contato, contratou um “ghost writer” para pôr uma pitada social em seus discursos cheios de números e subiu em palanques de candidatos às prefeituras.

Perto do Natal de 2008, Dilma fez uma plástica no rosto que suavizou as olheiras e a fisionomia. Retomou as atividades após as festas de fim de ano com novo visual. Sua exposição no balanço do PAC foi mais objetiva, com tempo cronometrado, resultado do treinamento com João Santana.

A falta do convite oficial de Lula, porém, virou piada nas reuniões semanais da coordenação de governo. “A essa altura, ele já falava com todo mundo sobre a candidatura, menos com ela”, recorda Carvalho.

O baque veio em abril do ano passado, quando Dilma descobriu que estava com câncer no sistema linfático. A notícia da doença vazou 24 horas depois de Lula ser informado por ela e Franklin Martins sobre o assunto. O presidente, ministros e dirigentes do PT conversaram com médicos. Todos garantiram que a chance de cura era alta, já que o tumor fora detectado em estágio inicial. “Vá lá e dê uma entrevista. Esclareça tudo, se não vão pensar que estamos escondendo as coisas”, recomendou Lula.

Sentada ao redor de uma mesa no restaurante italiano Magari, no Itaim Bibi, Dilma almoçou com Thomaz Bastos e Martins, após a entrevista no Hospital Sírio Libanês. Pediu salada e nhoque com cordeiro. O tema da conversa era a campanha.

“Falamos sobre a importância de organizar um grupo de confiança, para discutir política com ela”, relata Thomaz Bastos, hoje consultor jurídico do comitê petista. “Em nenhum momento a doença foi posta como fator impeditivo.” Amigo de Dilma, o ex-ministro passou a integrar esse núcleo, ao lado de Martins, Carvalho, Palocci, do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e do então presidente do PT, Ricardo Berzoini. As reuniões, sempre às terças-feiras, fazem parte da rotina até hoje, com novos integrantes.

Lula abortou as especulações sobre um Plano B para substituir Dilma. Em São Bernardo do Campo (SP), porém, dirigentes do PT chegaram a se reunir duas vezes para examinar alternativas, caso ela não pudesse levar adiante a candidatura. Nos encontros foi sugerido o nome do recém-eleito prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). O presidente desautorizou a articulação.

Foi somente depois que Dilma terminou o tratamento de quimioterapia para combater o câncer, em julho, que Lula teve uma conversa séria com ela sobre a montagem do comando de campanha. “Chegou a hora de trabalhar mais profissionalmente”, avisou. “Você chama o Pimentel que eu chamo o Palocci.”

Em 16 de setembro, o presidente organizou um jantar para ela, no Palácio da Alvorada. Convidou Pimentel, Palocci, Carvalho, Martins, Berzoini e Santana. “Bom, Dilma, agora é oficial. Eu vou falar na frente deles o que me cobraram todos esses anos. Você está sendo escolhida a nossa candidata”, disse Lula, provocando gargalhadas.

Um segundo jantar no Alvorada, já com o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, eleito em novembro, sacramentou a estratégia. A portas fechadas, a cúpula do partido avaliava que era necessário correr riscos, mesmo levando multas por campanha eleitoral antecipada, para tornar Dilma conhecida.

Até agora, Lula já tomou cinco multas, aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que somam R$ 37,5 mil. A punição foi calculada, mas ninguém imaginava um novo dossiê no meio do caminho.

Depois da trapalhada produzida por um “bando de aloprados”, como Lula definiu o grupo de petistas que tentou comprar um dossiê contra tucanos, em 2006, outra rede de intrigas envolve a campanha do PT.

Suspeitas de espionagem contra Serra, fogo amigo e disputas de poder rondam o comitê de Dilma. Com a alegação de que é vítima de “armadilha”, o PT desafiou o rival para a briga na Justiça.

Disposta a afastar o mau olhado, a candidata exibe, no pulso esquerdo, uma pulseira de ouro com olho grego, presente da primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça. Reza a lenda que se trata de poderoso talismã para combater a inveja e dar proteção.

Enquanto não faz o mapa astral, Dilma recorre à superstição “na medida certa”, como diz. Ela não crê em bruxas, “pero que las hay, las hay”.

Ibope: Serra e Dilma iguais nos dois turnos – Confirmada tendência de empate

06/06/2010

O jornal O Estado de São Paulo e a TV Globo encomendaram ao Ibope pesquisa sobre a corrida presidencial. Ela foi realizada entre os dias 31/05 e 03/06 e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Vamos aos resultados:

1° Turno

José Serra (PSDB) – 37% (tinha 40% em abril)

Dilma Rousseff (PT) – 37% (tinha 32% em abril)

Marina Silva (PV) – 9% (tinha 9% em abril)

2° Turno

José Serra (PSDB) – 42% (tinha 46% em abril)

Dilma Rousseff (PT) – 42% (tinha 37% em abril)

Confirma-se com estes resultados a tendência de empate que é trazida pela subida de Dilma Rousseff. A candidata do PT mostra ter recuperado fôlego, embora ainda não tenha conseguido ultrapassar José Serra.

No fim das contas, à luz de uma média das novas pesquisas dos diversos institutos, percebe-se que se consolida o cenário de igualdade entre os candidatos, estando Serra na descendente e Dilma na ascendente.

Os novos acontecimentos e fatos políticos poderão inverter ou não uma dessas curvas ou as duas. É provável que, neste momento, a queda de um represente a subida de outro, já que a estagnação de Marina Silva demonstra que Serra e Dilma trocam votos entre si atualmente.

O escândalo do dossiê encomendado pela cúpula da equipe de campanha de Dilma contra Serra poderá ter efeitos negativos para a petista. Da mesma forma, os comerciais de televisão oficiais do PPS e do PSDB, que propagandearão Serra, podem influir.

Sendo assim, é plausível a teoria de que Serra ganhe algum fôlego para abrir pequena vantagem ou pelo menos manter o empate nas próximas pesquisas.

Por outro lado, também é factível a tese de que, iniciada a campanha, Dilma tem tudo para retomar a curva ascendente, mesmo que inicie o processo atrás ou empatada com Serra.

Conclui-se que a dinâmica da campanha decidirá a eleição, que está acirrada, com leve vantagem para Dilma, embora a petista com seus escorregões e sua equipe com suas trapalhadas estejam tentando perder para si mesmos e facilitar a vida de Serra.

Além disso, pode-se dizer que Serra tem chances de, entrando na campanha na frente e impondo um debate sobre a falta de preparo de Dilma, vencer no primeiro turno, caso Marina Silva perca eleitores por conta do voto útil.

No segundo turno, ao contrário, sem a turbulência causada pelas eleições proporcionais, o jogo estará nas mãos de Lula e, consequentemente, de Dilma.

Serra provavelmente vai para o primeiro turno no espírito do tudo ou nada em uma campanha que já está com ânimos incitados.

A militância tucana e democrata terá que tentar fazer frente à histórica mobilização petista.

A ver.

Campanha de Dilma evitará confronto de currículo com Serra

06/06/2010

Informa Paulo Celso Pereira, na Veja:

“Apesar de Dilma Rousseff vir insistindo em focar seus discursos na exaltação dos feitos do governo Lula, o comando de sua campanha não vê como passar toda a eleição fugindo do debate de currículo proposto por José Serra. A questão já foi discutida em reuniões da coordenação.

A conclusão foi a seguinte: como a derrota na comparação dos currículos é inevitável, devido à maior experiência executiva de José Serra, o importante é ter gordura para queimar.

Portanto, a ordem é continuar empurrando com a barriga esse debate para garantir que, quando ele se tornar inadiável, Dilma já esteja segura na liderança.”

A estratégia é correta eleitoralmente.

Ser elogiável moralmente e até politicamente já são outros quinhentos.

O brasileiro merece conhecer totalmente a trajetória e a experiência daqueles que almejam presidir a nação.

Evitar esse debate pode ser apropriado para vencer a disputa, mas não é o mais ético.

Por um lado, todos têm que saber que José Serra foi líder estudantil, exilado político, Senador, Ministro de Fernando Henrique Cardoso, Prefeito e Governador de São Paulo.

Por outro lado, todos têm que saber que Dilma Rousseff foi guerrilheira, Secretária no Rio Grande do Sul e Ministra de Lula.

Se um currículo é maior que o outro, paciência. Compense-se em outro campo. Não esconda-se essa discussão.

Simples assim.

Este que vos fala, particularmente, crê que Dilma Rousseff não tem trajetória suficiente para ser Presidente. Não concordo com candidaturas biônicas.

Contudo, eu respeitaria mais Dilma se ela admitisse que nunca concorreu a nada na vida, mas dissesse que tem conhecimento técnico suficiente para fazer um bom governo.

Seria mais franco. Como deve ser.

Da mesma forma, Serra não deve esconder FHC. Não é honesto intelectualmente.

A realidade é que todos sabem o que é o certo a se fazer.

Não se faz por conveniência eleitoral.

Serra quer um debate de currículo contra currículo pois tem muito mais experiência e serviços prestados do que Dilma.

Dilma quer um debate de governo contra governo porque participou de um governo muito mais bem avaliado do que aquele que teve Serra.

É tão difícil abrir esse jogo?

Não.

Não se abre por culpa do eleitor. Sim, do eleitor.

Aprendeu-se com o tempo que o candidato que só diz a verdade perde a eleição.

Uma pena.