É notório que a oposição está buscando um fato novo na campanha eleitoral. A esperança é a de que este fato possa mudar as tendências de ascensão de Dilma e de queda de Serra, invertendo as curvas e levando a campanha para o segundo turno.
Eis que surge o escândalo da quebra do sigilo fiscal de diversas pessoas, entre elas tucanos de relevo e – mais importante – a filha de José Serra.
Os governistas dirão: “Está posta aí a relação! Os oposicionistas queriam um fato novo para tentar se salvar e o fato surgiu! Manipulação! Mídia golpista!”
É, pode ser. Quem sabe o momento da divulgação dos atos ilícitos tem relação estreita com a situação político-eleitoral?
Contudo, o que isso muda?
O que quero dizer é o seguinte: É condenável que se manipule o momento do estouro de um escândalo, mas muito pior é empreendê-lo.
Se os governistas realmente quebraram o sigilo fiscal de tucanos ilustres e da filha de Serra visando prejudicar a campanha do PSDB caso se mostrasse necessário, nada podem reclamar sobre o momento da divulgação dos fatos.
Desde quando o assassino pode, por exemplo, reclamar que as pessoas ficaram sabendo de seu crime justamente quando estava no auge de sua carreira profissional?
Poderia o goleiro Bruno, por exemplo, reclamar que o caso Eliza Samudio foi explicitado no momento em que ele estava sendo negociado com times europeus?
Claro que não!
Não é nada correto escolher um momento rentável politicamente para estourar um escândalo, mas se o PT não criasse o fato não haveria o que estourar.
Pior do que divulgar o erro quando se deseja é errar. Muito pior.
Deixassem Verônica Serra em paz e a oposição não teria fato novo.











