O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou com um dos colunistas de sábado, Rafael Oliveira, a respeito de suas opiniões políticas e pessoais, confiram:
1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?
Escrever sobre política já é um aprendizado por si só, pois exige do colunista uma pesquisa e qualificação no processo de escrita, o que difere de outras composições. Ter exercido a função de colunista no Perspectiva tem feito com que eu busque uma melhora na minha capacidade de interpretação da política em geral, assim como tem me proporcionado uma gana por conhecimento, ampliando meu leque de domínio das questões que envolvem a política do nosso País. Tenho muito a crescer e perceber além das qualidades, os principais defeitos de minha escrita (através das críticas dos leitores e do autor), possibilita com que eu reflita em prol de uma maior capacitação neste âmbito, o que é essencial para alguém que deseja ser um bom jornalista.
2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?
Descrevo-me como sendo observador, determinado no que me disponho a fazer, um tanto quanto sonhador e inseguro em muitas situações em que gostaria de ser mais confiante. Tento ser um bom filho, um bom amigo, um bom namorado e um bom estudante. Claro que nem sempre consigo alcançar tal condição, mas tentativas representam sempre o princípio de todo acerto.
3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?
Considero-me como integrante da centro-esquerda. Não acho que alguém consiga ser sempre liberal, conservador, regressista, ou progressista na trajetória de vida. Acho hipócrita aquele que se diz completamente radical, ou completamente direitista, pois, em muitas situações, devemos equilibrar a condução dos fatos, seja na política, ou em outros setores da sociedade. (O que bem ou mal, fazia Vargas, se alternando o tempo todo de acordo com o que o contexto tornava mais adequado a ser seguido). Ao mesmo tempo em que acredito que o Brasil deveria “jogar como time grande”, assumindo de fato a liderança da América do Sul, compreendo que a calma e a paciência, em outros momentos, ajudam na solução de problemas e na construção de um País melhor. Portanto, depende da circunstância. Mas, em geral, julgo-me como centro-esquerda.
4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?
Indico aos leitores do Perspectiva o livro “O vampiro que descobriu o Brasil”. A obra narra a história dos 500 anos do nosso País, utilizando-se de um personagem fictício de forma bem inteligente. Um vampiro encontra-se presente nos mais diversos acontecimentos culturais e políticos da nossa história, narrando-a com uma linguagem atraente, que prende o leitor do início ao fim. Foi um dos meus primeiros contatos com a literatura.
5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?
Infelizmente, tenho escrito frequentemente que é decepcionante o brasileiro só “se rebelar” quando mexem em seu bolso. Ao longo da nossa história, temos greves e mais greves dos que lutam por salários maiores, mas, quando o tema vai além do dinheiro, o brasileiro costuma ser omisso. O impeachment que foi nossa última grande manifestação. Poderia ter sido dada uma sequência a manifestos mais frequente, mas, por seus motivos centrais serem econômicos e não políticos, acredito não ter sido viável essa mudança na forma de pensar, politicamente falando, do brasileiro.
O que precisamos, de fato, vai além da velha “ampliação da nossa consciência”. Precisamos, sim, é de um líder político que se utilize do aspecto inteligente do “totalitarismo” para unirmos a população em busca de um ideal em comum. Como pregavam os totalitaristas, um objetivo a nível nacional só é alcançado pelo conjunto, e não, por interesses individuais. É preciso uma organização, para, aí sim, desorganizarmos. Com uma figura que sirva como exemplo de liderança formaremos um conceito de questionamento e consciência para, finalmente, pressionarmos autoridades e políticos, tendo voz para competir com os poucos que dominam os muito setores das sociedade.
Resumindo, a nível nacional, considero quase nula a mobilização da população brasileira no que diz respeito à política. Quase nula, o que indica que ainda resta potencial para um avanço.
6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?
Personagem da política? Bom, em primeiro lugar, considero a capacidade de comunicação, uma das maiores qualidades do ser humano. Pela habilidade de agregar condições que favoreçam o cumprimento de seus objetivos e por ter a inteligência de manipular tudo e todos ao seu redor, confesso que admiro o estrategista Fernando Collor de Melo. Mas, antes de tudo, peço que interpretem com cuidado minha declaração. Não admiro seus valores, tampouco a forma com que consegue o que quer. Assusto-me, é com sua capacidade de alcançar o sucesso, sempre, independentemente de, para isso, ter que brigar com Rede Globo, com a população, com senadores, deputados, enfim. “Amigo da Globo”, se tornou Presidente. “Inimigo da Globo”, foi derrubado.
Anos depois, consegue se reerguer mesmo tendo a imagem de vilão perante a população de seu País, sendo indicado, inclusive, para ocupar lideranças em comissões, ou, até mesmo, para governar seu estado de origem. Só alguém muito bem articulado para costurar todos os nós necessários na construção do sucesso. E hipocrisia seria, com certeza, negar que uma articulação desse porte não seja admirável. Mas enfatizo novamente, não sou a favor da tese de Maquiavel, que dizia “os fins justificam os meios”. Reprovo as atitudes e os atalhos pelos quais Collor transita, admiro apenas o fato de ele conseguir tudo o que quer, mesmo sendo um das maiores carrascos da história política do Brasil.
7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?
Ser colunista, buscando informar e entreter os leitores quanto à política, no meu modo de ver, já pode ser considerado um passo inicial para a melhora da política nacional. Mas já pensei em construir carreira política iniciando-me como vereador, traçando planos e propostas para construir uma cidade melhor e, posteriormente, crescer em cada nível em que eu possa ser construtivo. Pode ser que um dia esse desejo ganhe força e se torne um objetivo de vida.
8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?
“Tempo Perdido” – Legião Urbana
9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?
Não vejo chance alguma da candidata do Presidente, Dilma Rousseff, sagrar-se vencedora na disputa presidencial. É impossível determinar o que de fato ocorrerá, mas, na minha opinião, a falta de carisma e de boa comunicação/expressão inibem a possível transferência de votos, que, se formos analisar friamente, também não aconteceu nas últimas eleições, por exemplo, na relação “Lula – Marta Suplicy”.
Caso, em um possível segundo turno, Ciro seja apoiado pela base do Presidente Lula, aí sim a guerra seria inevitável. O duelo Serra versus Ciro garantiria capítulos intensos, mas o favoritismo do tucano é inegável.
Apesar de querer que a candidatura da Senadora Marina Silva fosse, de fato, construtiva, creio que servirá apenas como divisão dos votos femininos. A decisão está nas mãos do PSDB e, apesar de estar dando um palpite corajoso, creio que da decisão do partido entre seus pré-candidatos, sai o vitorioso.
Aécio, com sua capacidade de articulação e condução política, seria extremamente competente como Presidente, mesmo com seus defeitos centralizadores. Apesar de ser pouco conhecido, com uma campanha competente Aécio poderia conquistar os jovens e boa parte da população esperançosa de um futuro melhor. E Serra já é figura tradicional. Considero-o uma opção de vitória praticamente garantida, porém, menos arrojada e cativante do que a escolha por Aécio.
10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?
“Obstáculo é tudo aquilo que você vê quando tira os olhos de sua meta” – Justin Herald