Arquivo da seção ‘Jessica Riegg’

Coluna do dia: A importância da propaganda na vida de um político

28/03/2010

Por Jessica Riegg*

Todos nós sabemos que um político reza para aparecer na mídia. Afinal, qualquer aparição benéfica sua favorecerá na hora das eleições. Um político que tem uma boa imagem frente ao público tem muito mais chances de conseguir o cargo pretendido. E isso não acontece somente antes das eleições: Depois delas a vontade de aparecer parece só crescer….

A primeira coisa que um candidato pensa é no “santinho”, aqueles famosos pedaços de papel que ficam espalhados sujando toda a cidade, inclusive os locais de votação. Afinal, ele sabe que se sua imagem for conhecida terá mais chances de se eleger.

Mas para isso ele precisa de uma foto!

Ele procura um sobrinho que faz ótimas fotos e seu material de campanha está pronto. Isso, claro, nas disputas pelos cargos menores.

Políticos com mais anos de politicagem sabem que os santinhos ajudam, é claro, mas que não são responsáveis pela escolha dos eleitores. Eles contratam toda uma comissão, uma assessoria de imprensa, para fazer o nome aparecer na mídia. Eles sabem exatamente o poder que a propaganda tem nas eleições.

A propaganda geralmente começa muito antes, com ações benéficas promovidas por esses candidatos que permitem que o nome apareça na mídia e de graça. O candidato fica conhecido e a população acha que encontrou o seu candidato.

Depois começa a propaganda paga nas ruas, no rádio, na televisão. O candidato que explora bem essa propaganda é eleito.

E aí a vontade de aparecer e mostrar o que anda fazendo de bom aumenta. Para tudo ele manda  um “release” (resumo sobre os fatos) e tenta mostrar ações solidárias e esconder erros. Seu nome fica ainda mais conhecido na região.

Bons políticos, repito, sabem o quão importante é a propaganda e o quanto a mídia pode favorecer uma eleição, e acabam explorando isso a seu favor.

Um grande exemplo disso foi o candidato à Presidência, e atual Presidente dos EUA, Barack Obama, eleito (em grande parte) por conta da grande ajuda de seu marqueteiro.

Pois agora eu pergunto a vocês:

O que Dilma faz é usar bem o poder que a propaganda favorece? O que o Pânico na TV faz com o novo quadro “Dança Dilma” é uma forma de ajudar na imagem da pré-candidata? A multa de Lula por propaganda extemporânea foi justa? A absolvição de Dilma foi justa?

Dilma está se aproveitando do poder da mídia e da propaganda gratuita que todos os meios de comunicação estão fazendo.

Esperta nossa Ministra, não?!

*Jessica Riegg escreve todos os domingos no Perspectiva e diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: “Ahá, uhú, os royaltie é nosso!”

24/03/2010

Por Jessica Riegg*

Na semana que passou, manifestantes de todo o estado do Rio de Janeiro participaram de uma passeata que objetivava impedir a mudança na distribuição dos royalties do petróleo. A proposta é dividir esses recursos de acordo com o fundo de participação estadual e municipal.

Esses fundos repartem os recursos da União entre todos os estados brasileiros de acordo com uma série de regras que pretendem redistribuir a renda do Brasil, em que geralmente os estados mais pobres recebem mais.

Se a proposta for aceita, o Rio de Janeiro, que recebia R$ 7,5 bilhões anuais, passaria a receber R$ 400 milhões, o que diminuiria drasticamente os recursos disponíveis na esfera pública para o estado e alguns municípios.

No município de São João da Barra, por exemplo, mais de 80% da receita corrente líquida municipal provêm desses recursos. Portanto, essa queda na arrecadação poderia ser fatal para várias prefeituras como esta.

Por esse motivo, o Governador organizou a manifestação no centro do Rio de Janeiro e várias prefeituras decretaram ponto facultativo para os servidores públicos, além de fretar ônibus para o transporte destes, visando a participação na passeata.

Cerca de 80.000 pessoas, sendo 15.000 pessoas de outros municípios, participaram do manifesto. Entre elas várias pessoas que não sabiam nem o significado da palavra royalties gritavam pelas ruas: “Ahá, Uhú, os royaltie é nosso!”.

Importante ressaltar que esses royalties têm que ser usados em investimentos úteis dentro do próprio município. Porém, algumas vezes essas cidades não têm a capacidade de aplicar bem esse dinheiro, como por exemplo, Quissamã, que investiu em calçadões de porcelanato, um material caro e pouco resistente.

Além de prejudicar o próprio estado, essa nova divisão de recursos supostamente prejudicaria a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 a serem disputadas no Brasil, já que os recursos não seriam suficientes, obrigando talvez a União a arcar com a dívida.

O que poderia ser viável é uma melhor distribuição entre os estados brasileiros dos royalties do pré-sal (com mais recursos para os estados produtores), já que esse dinheiro ainda não entrou no orçamento das prefeituras e os estados produtores têm um custo ambiental e operacional para a produção do petróleo.

*Jessica Riegg, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Saúde Pública – Faca de dois gumes

14/03/2010

Por Jessica Riegg*

Reproduzo para vocês um fato que aconteceu esta semana na minha cidade (Divinópolis –MG). Ele pode traduzir o que acontece em muitos outros locais.

Para entender:

Divinópolis é uma cidade que fica na região Centro-Oeste do estado e é referência na questão de saúde. Todos os municípios da microrregião enviam pacientes para serem tratados aqui, tanto de enfermidades casuais quanto de doenças sérias.

O Pronto Socorro Regional, por esse motivo, fica sempre lotado obrigando os enfermos a aguardarem durante horas por um atendimento. A cidade possui apenas um hospital que atende pelo SUS, com apenas 120 leitos, para uma população de mais de 120.000 de habitantes, apenas de Divinópolis, sendo que, como citado, esse hospital atende a toda a macrorregião.

O fato:

Na última quinta-feira (11) o ainda Governador mineiro, Aécio Neves, visitou a cidade e assinou o contrato liberando R$ 8.900.000,00 para a construção do Hospital Regional, que vai atender toda a macrorregião. É, sem dúvida, uma grande conquista, mas que é insignificante diante o tamanho dos problemas na cidade.

Nas mesmas edições dos jornais, que glorificavam o Governador pela liberação da verba, haviam diferentes matérias falando a respeito do descaso com a saúde.

Uma criança que não foi atendida, uma grande confusão no PSR por falta de atendimento, diversas denúncias sobre descaso com o lixo hospitalar e o mais grave: o Secretário-Adjunto de saúde alegando que algumas irregularidades encontradas no PSR foram plantadas pelos próprios médicos, que temem por seus empregos – concursados por sinal -, por causa da vinda da Faculdade Federal de São João Del Rei de Medicina para a cidade.

O que eu percebo é que, apesar de um esforço (pequeno) do Governador em auxiliar a saúde, ela ainda é muito precária.

A Secretária de Saúde disse que a vinda do HR vai desafogar um pouco e apressar os atendimentos de quem precisa de internação, mas que ainda vai faltar muito para que o problema seja resolvido. O Secretário-Adjunto ainda disse que o Pronto Socorro Regional não sofrerá nenhuma mudança após o término das obras do novo hospital já que a saúde primária (cuidados para que as doenças não apareçam) não é bem cuidada.

Em relação a isso, o Governador também autorizou verbas para a construção de dois PSF (Programa de Saúde da Família) para tentar diminuir as enfermidades. Mas a saúde é precária e a população cresce mais a cada dia. Quando essas três obras estiverem prontas, a população vai ter crescido e o problema continuará o mesmo.

O que fazer então? Torcer para ter dinheiro e contratar um plano de saúde particular e decente? Não! Está na constituição federal, temos direito a saúde!

O que precisamos é escolher bons governantes esse ano para garantir que os investimentos na saúde sejam maiores e que sejam principalmente na saúde primária e na remuneração dos médicos para que nos atendam com dignidade, já que alguns nem deixam os pacientes se sentarem para o atendimento.

Vote consciente!

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Jovens menos participativos e a necessidade de mudança

07/03/2010

Por Jessica Riegg*

A apenas 8 meses das eleições, milhares de pessoas ainda têm que transferir o título de eleitor ou, até mesmo, tirá-lo para ter direito ao voto.

Isso tem que ser feito até 5 de maio, que é o prazo final, levando-se o RG e um comprovante de residência até a autoridade competente.

Podem tirar o título de eleitor os adolescentes que completam 16 anos antes ou no exato dia das eleições, mas eles só são obrigados a votar ao completarem os 18 anos.

Mas o que percebo é que cada vez menos os adolescentes têm vontade de votar. O Tribunal Superior Eleitoral está inclusive fazendo uma campanha para incentivar os jovens a exercer a cidadania por meio dos votos, já que este ano a procura está sendo 30% menor do que em outros anos.

De acordo com sociólogos, os motivos são as denúncias de corrupção na política. Especialistas afirmaram, por exemplo, em uma entrevista ao EPTV.com que essas denúncias desestimulam os jovens a votar. Eles ainda disseram que uma alternativa para esse problema é mostrar ao jovem a influência que ele pode exercer nesse cenário.

É uma ótima ideia ensinar política para os jovens e mostrar como ela está inserida no dia-a-dia de cada pessoa, e como as decisões tomadas pelos seus representantes podem mudar a realidade de qualquer cidadão. O importante agora é começar! Estudantes tendem a reclamar e fazer várias exigências sem saber antes dos seus direitos e deveres.

Cabe a eles e a nós, jovens, entender o que podemos e o que não podemos fazer, além de escolher bons governantes para nos representar.

As eleições estão chegando. Pense com consciência e não vote apenas por votar!

Acompanhe todas as notícias e críticas feitas pelo nosso blogueiro Bruno Kazuhiro e pelos nossos colunistas para ajudar na sua escolha.

Estamos aqui para ajudar a construir uma sociedade mais crítica e sábia.

*Jessica Riegg escreve no Perspectiva todos os domingos e diariamente no Twitter em @jessicariegg

2ª Coluna do dia: A fúria da natureza – Negligências e consequências

28/02/2010

Por Jessica Riegg*

Um tema recorrente nos jornais e nas conversas em rodas de amigos atualmente vem sendo a fúria com que a natureza está agindo. Vemos a todo momento terremotos como o do Haiti que matou milhares de pessoas em fevereiro, chuvas em vários locais que acabam com plantações e deixam centenas de pessoas desabrigadas.

Os  últimos episódios dessa “fúria” foram o alerta de tsunami no Japão ontem (28), as chuvas que atingiram a Europa e o terremoto no Chile que pôde ser sentido até no Brasil.

É louvável ver que a tecnologia nos permite prever tsunamis, terremotos e grandes quantidades de chuva, mas o que me entristece é ver que as autoridades, mesmo sabendo desses desastres, fazem pouco para evitá-los.

É praticamente óbvio, e a maioria dos especialistas afirmam, que a natureza está “revoltada” e, talvez por isso, mais catátrofes atingem hoje a Humanidade e o nosso planeta Terra. Tantas atitudes poderiam ser tomadas como promover a reciclagem, evitar a poluição e priorizar energias limpas, mas o que as autoridades querem é o crescimento dos países, sem se incomodarem muito com os efeitos disso.

Há quem diga que o problema está nos países desenvolvidos (é claro que eles são os que mais poluem), mas se os países subdesenvolvidos fizessem a sua parte poderiam cobrar mais destas nações que se acham superiores.

Aliás, quem somos nós para exigirmos algo, já que usamos petróleo diariamente, raramente fazemos reciclagem e usamos usinas hidrelétricas para abastecer nossos computadores e televisões com energia. Precisamos dar o exemplo e começarmos a cobrar mais dos nossos governantes para garantir um futuro para nossos filhos e netos ou até – em casos mais graves – para que tenhamos onde morar e o que comer.

Comece agora!

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Amélias no poder

14/02/2010

Por Jessica Riegg*

Com 71,1% dos votos apurados, Laura Chinchilla obteve 46,8% dos votos e foi eleita como a primeira Presidente da Costa Rica. Ela promete melhorar a qualidade da saúde, da educação e da segurança. Em seu discurso, Laura agradeceu às pioneiras que abriram o caminho da participação política da mulher na Costa Rica.

É uma grande vitória uma mulher se consagrar como presidente de um país, coisa impossível de acontecer há poucas décadas atrás, já que eram proibidas até mesmo de votar. Elas, que sempre viviam nas costas dos maridos, muitas vezes compulsoriamente, agora podem impor a sua voz e mostrar o verdadeiro poder da mulher atual.

Elas agora também trabalham, mas ainda cuidam da casa e dos filhos, mostrando que têm capacidade para todos os serviços que os homens também executam. Cada dia vemos mais mulheres se tornando pedreiras, engenheiras e empresárias, concorrendo no mercado essencialmente masculino e lutando para ter o direito de um salário igual.

Apesar do crescimento da independência, o Brasil votou e colocou no poder em 2008 apenas 506 mulheres para liderar as cidades, cerca de 9,1% de todas as prefeituras do País. A cidade do divino também possui a sua representante feminina, é a delegada regional Aparecida Dutra, que lidera entre tantos homens que a cercam.

Michelle Bachelet, eleita no Chile, foi a primeira mulher a liderar um país na América do Sul. Seus passos foram seguidos por Cristina Kirchner, atual presidente da Argentina. Agora Dilma Rousseff e Marina Silva tentam a Presidência do Brasil neste ano, País que nunca foi liderado por uma mulher.

O preconceito é grande, mas a cada dia as mulheres provam que é possível vencer mais esse desafio e deixar de serem “Amélias” para se tornarem donas do próprio nariz e do próprio destino, surpreendendo os homens.

Nota do Editor: Michelle Bachelet é exemplo forte e elogiável da luta de uma mulher para chegar ao posto mais alto da nação. Merece palmas. Contudo, Cristina Kirchner não o é. Só governa a Argentina por conta de ser esposa de Néstor Kirchner. É algo como uma Evita Perón. Não deixa de ser símbolo de uma mulher no poder, mas não da luta das mulheres em si.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: A educação infantil e as explicações dos desvios de conduta

07/02/2010

Por Jessica Riegg*

A todo momento vemos matérias envolvendo violência e jovens, além de várias mortes provocadas por esses “pirralhos” que mal sabem o que estão fazendo. Vemos na nossa frente a juventude se tornar completamente diferente do que fomos…

Muitas vezes os pais culpam os professores por não educarem bem os filhos, mas ao mesmo tempo reclamam quando uma atitude incorreta é punida. Reclamam de tudo, mas não se lembram do mais importante: quem deve educar não são os professores e nem as babás, e sim os pais!

Alguns desses “irresponsáveis” deixam os filhos soltos nas ruas à noite, até a hora que desejarem. Vemos cada dia mais crianças de 12, 13 anos que ficam na rua até meia noite, ou mais, e nunca fazendo coisas produtivas. O que os pais alegam é que não tem mais jeito. Fico inconformada de ver que esses pais realmente acham que não há mais solução e que os adolescentes sabem o que é melhor para vida deles… Com 12 anos de experiência…

Bom, o que acontece depois é que com a falta de punição severa dos pais, esses garotos vão para a marginalidade e são punidos pela Justiça. E quando são presos e seus responsáveis são chamados, ninguém sabe como isso tudo aconteceu, o que a causou os desvios de conduta…

Depois culpam o governo, afirmando que suas políticas são fracas e ineficazes. Alegam que as escolas deveriam ser integrais para que eles trabalhem o dia inteiro, e a escola crie essas crianças… Realmente faltam mais ações do governo na educação, mas nem tudo pode ser culpa dele!

Pais, fiquem em alerta! Cuidem dos seus filhos desde que eles nascerem, eduquem-nos e nunca desistam de tentar ensiná-los alguma coisa! Nenhum filho está totalmente perdido, desde que seja bem orientado pelos pais.

As chances de ter um filho perdido para o crime são bem menores quando ele é bem educado e monitorado. Mas essa educação vem dos pais, e nunca da Justiça ou dos professores.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Enquanto o Haiti passa fome, os EUA temem “invasão” em seu território

24/01/2010

Por Jessica Riegg*

No dia 12 de janeiro, o Haiti sofreu com um terremoto de magnitude 7. O país recebeu várias doações e tenta se reeguer após o pesadelo. O Brasil mantém 1300 militares no país. Já os EUA aportaram em Porto Príncipe com 16 mil soldados que controlam o porto e o aeroporto da capital.

Os EUA temem a invasão de seu território pelos haitianos por causa da situação em que o país se encontra. Escolas, hospitais, casas, supermercados e todo o resto essencial para a vida em sociedade foi praticamente destruído.

Milhares de crianças estão abandonadas sem ter com quem ficar e estão sendo encaminhadas para a adoção em outros países, onde terão condições de sobreviver dignamente. A situação é triste: Cerca de 111.499 mortos e, para cada mil mortos, 1 sobrevivente resgatado. Agora o governo do país encerrou a busca por sobreviventes, diminuindo a esperança daqueles que ainda sonhavam em encontrar parentes perdidos.

Enquanto várias autoridades  se preocupam em enviar dinhero e alimentos para os habitantes do Haiti, o governo americano teme a invasão de seu território. Não são enviados mais soldados apenas para ajudar na reestruturação do país. Eles se preocupam também  em impedir que os haitianos imigrem para o território americano.

A invasão de território é, de certa forma, comum nos EUA por proporcionar melhores condições a quem chega lá, mas esses haitianos, que passaram dias sem comer, jamais chegariam com vida ao norte. No fundo, eles querem apenas viver em paz. E para isso precisam de uma estrutura no seu país, quase totalmente destruída pelo terremoto.

Se os Estados Unidos enviassem mais tropas para garantir a organização da distribuição de alimentos (completamente bagunçada e permitindo que apenas pessoas fortes consigam adquirir as doações), os haitianos provavelmente pensariam duas vezes mais em ficar no seu país.

É necessária a ajuda internacional urgentemente. É extremamente preciso que a ONU envie tropas de paz para ajudar nas construções e no cuidado com os feridos. É preciso ajudar o país a se reerguer.

Fico muito triste ao ver notícias como esta que cita que os EUA pensam mais na sua qualidade de vida, sem se lembrar que outros estão em uma situação caótica, e que eles podem resolver, ou pelo menos ajudar muito a solucionar, o caos. Aguardemos os novos fatos enquanto os haitianos unidos, com a ajuda de tropas brasileiras que estão sendo enviadas, reconstroem seu país e sua dignidade.

Em meio ao luto, há sinais de que o país caribenho, o mais pobre das Américas, começa a voltar à vida. Os bancos devem reabrir no sábado e as agências de transferência de dinheiro voltam a operar.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: IPI – A redução ajuda mesmo os brasileiros?

17/01/2010

Por Jessica Riegg*

As taxas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) referentes a móveis, eletrodomésticos da linha branca e carros flex, principalmente, foram bastante reduzidas ultimamente. De acordo com o governo, a medida objetiva fomentar o giro da economia, além de reduzir os efeitos da Crise Mundial.

Isso acontece porque, com preços mais baixos ,as pessoas provavelmente comprarão mais e irão movimentar mais dinheiro. Dessa forma, objetos que estavam estocados aguardando clientes sairão das lojas e o lucro voltará para o mercado, levando a produzir mais produtos.

A medida atingiu seu objetivo e o governo decidiu beneficiar mais setores com a redução do IPI. Com esta, os brasileiros poderão comprar mais, percebendo que o poder de compra aumentou.

A produção desses produtos selecionados no Brasil é grande, e por isso o governo os escolheu. A indústria possui capacidade ociosa, podendo fabricar bem mais do que atualmente.

Com essa redução, e agora com o aumento do salário mínimo, os brasileiros com toda a certeza comprarão mais e movimentarão mais ainda a economia do País.

A questão é que isto pode acarretar o aumento da inflação, monstro atualmente domado, já que haverá mais dinheiro movimentando a economia e a produção pode não acompanhar esse ritmo de aumento, levando ao aumento dos preços por uma simples relação entre oferta e procura.

Essa medida pode ser vista pela oposição como eleitoreira. É possível que ela alegue que as iniciativas visam apenas obter a aprovação dos eleitores quanto ao governo e garantir a continuidade do PT no poder, sendo, na realidade equivocadas economicamente.

Contudo, quando houver a verificação disso as eleições já vão ter passado. Assim os brasileiros já terão aprovado o governo do presidente Lula, acreditando que ele serviu para aumentar muito o nível de vida da população.

Pode ser que isso ocorra merecidamente, mas há risco de erros na política econômica ficarem camuflados.

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Reforma penitenciária já!

10/01/2010

Por Jessica Riegg*

Nesta semana, presidiários dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas, Rondônia, Espírito Santo, Amapá, Distrito Federal e Minas Gerais puderam fazer a prova do Enem.

Doze mil presos em trezentas e trinta unidades prisionais realizaram a prova que teve suas questões modificadas, mas que manteve o nível de dificuldade. Antigamente os presos já podiam fazer o Enem, mas tinham que ser deslocados para os locais de prova definidos pelo MEC. Além de poderem prestar vestibular, os detentos podem fazer faculdade desde que a justiça assim o permita.

Enfim, até os detentos notaram que a educação pode modificar um país e a realidade deles. Eles desejam um futuro melhor a ser iniciado assim que cumprirem a sua pena. Muitos deles desejam voltar a ter uma completa cidadania, com direito a saúde, lazer, alimentação, educação e liberdade.

Esses presos mostram que com a persistência, podem alcançar o que almejam, mudar as suas histórias.

Atualmente, o governo incentiva o poder privado a aceitar esses ex-detentos, dando uma segunda chance para essas pessoas que já cumpriram a sua pena. O que é muito justo, pensando no fato de que se a justiça acredita que aquele tempo é necessário, e o mesmo já foi cumprido, o indivíduo já fez a sua parte e pagou por seus atos.

O governo pede, mas não faz quase nada concreto para que tudo isso aconteça. Afinal, permitir que o detento possa sair da prisão, não garante que ele terá oportunidades suficientes de terminar o curso universitário. O que deveria ser feito, e há muito tempo já é necessário, é uma reforma penitenciária. É necessário que o País modifique o modo com que trata esses presos, aumente a quantidade de presídios para que eles tenham uma vida ao menos digna nesses locais e aumente o policiamento.

Mas esses três aspectos implicam em muitas outras coisas. A primeira de todas é que este ano é ano de eleição e por isso o Presidente não pode começar nenhum projeto novo. Outro aspecto relevante é que seriam necessários ser gastos bilhões com novos presídios, coisa que o governo não deseja atualmente. E aumentar o policiamento implica em aumentar o gasto com esse setor, primeiramente pelo contingente e em segundo lugar porque seria necessário treinar esse efetivo e, principalmente, aumentar os salários destes vigilantes.

O pagamento destinado a esses policiais é muito baixo, o que os desanima a exercer função tão perigosa. Além disso, o número de policiais corruptos é tão alto porque é mais fácil ganhar dinheiro sendo desonesto e fechando os olhos para as irregularidades do que arriscando suas vidas enfrentando bandidos perigosos.

Obrigar os presidiários a exercerem uma profissão dentro dos presídios ao invés de pensar em fugas ajudaria-os a crescer, e ainda renderia um bom dinheiro para esses locais. Manteria-os ocupados! Produzir roupas, ou artigos em madeira por exemplo, são soluções já adotadas em outros países que resolveriam alguns desses problemas.

Mas essa reforma teria que ser feita em conjunto, e já, para evitar que episódios como o do Carandiru se repitam diariamente na nossa frente, e nos obriguem a colocar grades em nossas janelas…

*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg