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Coluna: A faxina de Dilma é feita na ética

12/10/2011 em Arthurius Maximus | (7) Comentários

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Muito se falou da suposta “faxina” que a presidente Dilma teria efetuado ao “enfrentar” os grupos corruptos que infestam o seu governo. Mas, na verdade, o que houve mesmo foi um enorme acobertamento e uma grande “varrida” para baixo do tapete dos corruptos que estavam em evidência na imprensa.

Esmagada pelas pressões políticas do seu próprio partido (que baseou sua manutenção do poder no loteamento da máquina estatal), notadamente das lideranças ligadas a Lula e a José Dirceu, Dilma não só interrompeu a euforia que tomava conta da sociedade como ainda facilitou a vida de quem deseja roubar os cofres públicos.

Ao vetar dispositivo legal que impedia o repasse de verbas para prefeituras e estados que não submetessem aos órgãos de controle federais o uso das verbas enviadas, Dilma tornou a vida dos corruptos de plantão um verdadeiro mar de rosas.

Se antes eles tinham que (pelo menos) forjar notas e comprovantes e dar um ar de aparente legalidade aos superfaturamentos e desvios que cometiam, como forma de garantir a aprovação do TCU (Tribunal de Contas da União) e da CGU (Controladoria Geral da União), agora eles nem precisam se preocupar com isso.

Mesmo que estejam claramente condenados ou simplesmente acusados de desviarem as verbas recebidas, os corruptos continuarão a receber sua “mesadinha federal” e poderão roubar muito mais até serem apanhados definitivamente (o que equivale a dizer “nunca”).

A consequência imediata já pode ser notada no Ministério da Educação (MEC). O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) continua efetuando seus repasses para municípios que fraudam licitações, não comprovam despesas e aplicam incorretamente dinheiro que deveria financiar a merenda e o transporte escolar, por exemplo.

Mesmo diante de alarmes emitidos pela CGU, apontando as irregularidades, o FNDE sacramenta o envio de verbas e considera “aprovadas” as destinações mais esdrúxulas dadas às verbas por ele enviadas ou desconsidera o “sumiço” completo de valores que jamais terão sua correta aplicação comprovada.

A mesma coisa se espalha por outros ministérios e o veto dado por Dilma (Ela retirou da LDO a exigência de que todos os governos estivessem com as prestações de contas em dia para receberem mais dinheiro do orçamento da União) promete causar grande furor nas hostes corruptas e se tornar o maior sucesso de 2011.

Assim, se hoje já temos na saúde o desvio de 90% de tudo o que é aplicado pelo governo federal e na educação algo em torno de 60%, o futuro que nos aguarda poderá ser bem pior. Resta ao brasileiro acordar e não ficar calado diante do saque aos cofres públicos que se intensifica e do genocídio que cai sobre nós e é somado à promessa de novos impostos (pois, se você acredita mesmo que a CPMF não volta, você é um inocente).

A continuar assim, veremos que a verdadeira faxina que Dilma fez foi dar o golpe final no resto de ética que ainda “respirava com aparelhos” lá por Brasília.

E você, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.


Coluna do dia: Delegados da Polícia Federal rebatem críticas do STF na prisão de corruptos

27/09/2011 em Arthurius Maximus | 1 Comentário

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Durante a “pseudofaxina” feita pela Presidente Dilma nos corruptos que assolam o governo, nos deparamos com o quadro surreal dos ministros do STF criticando o uso de algemas nos presos durante as operações da Polícia Federal.

O que nos falta entender, como nação republicana, é que não há constrangimento no uso de algemas por presos em operações policiais, há a necessidade de proteger o agente de polícia do indivíduo que delínque ou é preso (mesmo inocente).

Por quê? Muito simples: sendo culpado ou inocente o preso pode tentar escapar ou ferir o policial e, nesse ato, acabar se ferindo. As algemas são um fator de imobilização e de inibição do preso e são usadas no mundo todo como premissa básica em qualquer prisão.

O fato de causarem “constrangimento” aqui em nosso país vem da ideia errônea de que alguns indivíduos devem ser tratados de forma “reverente” por sua posição social ou política. O que é um erro.

Como a constituição diz: “todos são iguais perante a lei”. Mesmo que em mera teoria, é preciso entender que se o “João da Silva” que rouba uma galinha no “Aviário do Seu Zé” deve ser algemado, o senador, o ministro ou quem quer que seja que cometa um crime também deve ser.

Culpa ou inocência devem ser definidos nos tribunais onde, aliás, residem seus cânones.

Leia a nota da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal:

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Nota de Esclarecimento: atuação da Polícia Federal no Brasil

12/08/2011 – 18:31

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal vem a público esclarecer que, após ser preso, qualquer criminoso tem como primeira providência tentar desqualificar o trabalho policial. Quando ele não pode fazê-lo pessoalmente, seus amigos ou padrinhos assumem a tarefa em seu lugar. A entidade lamenta que no Brasil, a corrupção tenha atingido níveis inimagináveis; altos executivos do governo, quando não são presos por ordem judicial, são demitidos por envolvimento em falcatruas.

Milhões de reais – dinheiro pertencente ao povo são desviados diariamente por aproveitadores travestidos de autoridades. E quando esses indivíduos são presos, por ordem judicial, os padrinhos vêm a publico e se dizem “estarrecidos com a violência da operação da Polícia Federal”. Isto é apenas o início de uma estratégia usada por essas pessoas com o objetivo de desqualificar a correta atuação da polícia. Quando se prende um político ou alguém por ele protegido, é como mexer num vespeiro. A providência logo adotada visa desviar o foco das investigações e investir contra o trabalho policial. Em tempos recentes, esse método deu tão certo que todo um trabalho investigatório foi anulado. Agora, a tática volta ao cenário. Há de chegar o dia em que a história será contada em seus precisos tempos.

De repente, o uso de algemas em criminosos passa a ser um delito muito maior que o desvio de milhões de reais dos cofres públicos. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal colocará todo o seu empenho para esclarecer o povo brasileiro o que realmente se pretende com tais acusações ao trabalho policial e o que está por trás de toda essa tentativa de desqualificação da atuação da Polícia Federal.

A decisão sobre se um preso deve ser conduzido algemado ou não é tomada pelo policial que o prende e não por quem desfruta do conforto e das mordomias dos gabinetes climatizados de Brasília.

É uma pena que aqueles que se dizem “estarrecidos” com a “violência pelo uso de algemas” não tenham o mesmo sentimento diante dos escândalos que acontecem diariamente no país, que fazem evaporar bilhões de reais dos cofres da nação, deixando milhares de pessoas na miséria, inclusive condenando-as a morte.

No Ministério dos Transportes, toda a cúpula foi afastada. Logo em seguida, estourou o escândalo na Conab e no próprio Ministério da Agricultura. Em decorrência das investigações no Ministério do Turismo, a Justiça Federal determinou a prisão de 38 pessoas de uma só tacada. Mas a preocupação oficial é com o uso de algemas. Em todos os países do mundo, a doutrina policial ensina que todo preso deve ser conduzido algemado, porque a algema é um instrumento de proteção ao preso e ao policial que o prende.

Quanto às provas da culpabilidade dos envolvidos, cabe esclarecer que serão apresentadas no momento oportuno ao Juiz encarregado do feito, e somente a ele e a mais ninguém. Não cabe à Polícia exibir provas pela imprensa.

A ADPF aproveita para reproduzir o que disse o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos: “a Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos”.

Brasília, 12 de agosto de 2011

Bolivar Steinmetz (Vice-presidente, no exercício da presidência)

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.


Coluna do dia: Todos contra a corrupção – O Rio mostra a sua cara

23/09/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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No último dia 20 de setembro, o Rio de Janeiro viu cerca de 3.000 pessoas se manifestarem contra a corrupção que emporcalha a política nacional, rouba nosso dinheiro e causa a morte de milhões de brasileiros por doenças, falta de tratamento médico, falta de empregos e toda sorte de benefícios que o governo estaria apto a oferecer, se não fosse a sanha dos canalhas.

Muitos alardearam a manifestação como um fracasso. Segundo eles, três mil pessoas não “representam nada” no universo populacional do Rio. Mas, tenha plena certeza, caro leitor, dentro desse universo de pessoas que consideraram “um fracasso” a manifestação estão contidos muitos dos alvos daquele movimento popular.

A manifestação foi puramente do povo pelo povo. Não teve influência e organização de partidos políticos, entidades de classe ou qualquer outra fonte de organização que não tenha sido o indivíduo.

Assim, três mil pessoas (dentre as quais me incluo) foram às ruas para gritar que basta de roubalheira e de canalhice. Fomos às ruas para clamar ao vento que seja você de qual partido for, a sua obrigação é ter probidade e senso cívico ao exercer um mandato eletivo ou um cargo público.

Devemos entender essa manifestação como um começo. Um início de mobilização que deve ser estimulado e se espalhar como um vírus pela mente e pelos corações de todos os brasileiros. Chega de dizer que não adianta fazer nada. Chega de ficar reclamando no boteco e se conformando com o assalto diário ao fruto de nosso trabalho sem qualquer reciprocidade. Chega de aceitar de cabeça baixa que políticos e partidos inescrupulosos desviem verbas que acabarão matando brasileiros inocentes nas verdadeiras máquinas de genocídio em que se transformaram os hospitais públicos.

A manifestação foi uma enorme vitória do indivíduo. Vencemos a letargia e o comodismo crônicos que imobilizam muitos de nós e tornam a vida dessa corja que nos suga uma beleza.

Portanto, ao tomar conhecimento de que haverá uma próxima passeata, compareça. É com a sua força que acabaremos influenciando as mudanças necessárias em nosso país. O que acontece nos países árabes e na Europa é a maior prova de que a mobilização popular é poderosa e pode ser decisiva se realmente quiser mudar os rumos de um país.

Faça a sua parte e compareça.

Você só tem a ganhar.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.

 


Coluna do dia: PT quer calar imprensa e internet

21/09/2011 em Arthurius Maximus | 1 Comentário

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Mais uma vez temos o PT com seus tentáculos e garras afiadas se voltando contra a liberdade de imprensa. As causas são os recentes escândalos mostrados na mídia e a manobra de desconstrução feita pela cúpula petista, junto ao governo Dilma, visando esconder a obviedade da herança maldita deixada por Lula e seu jeito de governar somente na base do fisiologismo e do “toma lá dá cá”.

A verdade é que tanto a cúpula petista (nas pessoas de José Dirceu e do ex-presidente Lula) como a cúpula do PMDB montaram uma verdadeira operação bate-estaca visando abafar qualquer ação positiva proposta por Dilma que pudesse provocar a perda dos feudos arrecadadores em que se transformaram os ministérios desde a aliança PT/PMDB/aliados.

O mesmo se deve em relação à atuação funesta de José Dirceu que, mesmo não tendo qualquer cargo eletivo ou administrativo no governo, despacha com ministros e presidentes de estatais (que o procuram) como se presidente de fato fosse. Algo humilhante e vergonhoso para a presidente Dilma, se bem que tal atitude já era esperada em um governo “fabricado” e sem qualquer apelo popular.

Ao invés de lutarem por uma valorização da atividade política e pelo afastamento dos corruptos, é muito mais fácil (e lucrativo) combater os denunciantes e tentar calar os meios disponíveis para o cidadão se manifestar (como a internet e as redes sociais).

O controle da mídia é sim censura e representa um golpe definitivo contra aquilo que o cidadão tem de mais precioso em um regime democrático: a livre manifestação de seu pensamento e a total liberdade de formar e emitir sua opinião sem interferência do estado.

Sob o falso pretexto de impedir abusos, plenamente puníveis pela legislação que já existe, o que se deseja é implantar formas de impedir que publicações não desejadas venham à tona e proibir que as mamatas, maracutaias e negociatas propostas pelo partido e por seus aliados jamais venham ao conhecimento do cidadão.

Assim, poderão continuar vendendo a ilusão de que há um “complô” contra eles e que, ao invés de corruptos sem qualquer escrúpulo, são vítimas inocentes da verdade.

Tenham dó.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.

 


Coluna do dia: Procurador afirma que não há perigo de prescrição para o mensalão

13/09/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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Você acredita na declaração citada no título desta coluna?

Eu não.

Afinal de contas, o crime de formação de quadrilha, que tem pena de até três anos (ridícula), já prescreverá – segundo alguns entendimentos – no final deste mês. Com isso, as penalidades a que podem ser submetidos os envolvidos no maior escândalo de corrupção dos últimos anos correm o risco de serem reduzidas ou transformadas em mais uma frustração para o combalido eleitor brasileiro e para os cidadãos que desejam uma política mais ética e mais limpa.

Essa lentidão injustificável – mais de quatro anos para julgar um crime em que as provas são evidentes, públicas e notórias (além de haver testemunha ocular e denunciante) – não tem outra razão senão a de artifício criado justamente para inviabilizar a punição de medalhões e criar, sob medida, uma forma de a sociedade “ganhar e não levar” com a condenação dos acusados por crimes prescritos. O que, na prática, pode inviabilizar o julgamento ou mesmo invalidar a sentença, fazendo-a se converter numa piada.

Tudo dependerá da capacidade do Ministro Joaquim Barbosa julgar o processo ainda no primeiro semestre do ano que vem (2012). Mas, ao que parece, tudo vai se encaminhando para um “acerto” que livre a cara dos acusados e transforme o Mensalão numa grande e gordurosa pizza a ser comida “a seco” pela sociedade brasileira.

Fica difícil acreditar que todo o poderio mostrado pelos principais acusados, em especial pelo ex-ministro José Dirceu (apontado como “chefe da quadrilha” pelo próprio ministro do STF), não trabalhe para levar esse processo para o “vinagre”. Afinal de contas, é de se estranhar o fato de que alguém (teoricamente destituído de poder político) faça com que ministros, dirigentes de estatais e até deputados e senadores eleitos corram ao seu “bunker clandestino” para “pedir a benção”.

Resta aos brasileiros rezar para que o Ministro Joaquim Barbosa coloque esse pessoal em seu devido lugar e que o procurador tenha mesmo razão ao achar que os crimes do Mensalão não prescreverão. Pois, se esse pessoal sair impune de toda essa imundície, terá sido a coisa mais terrível já acontecida para a democracia brasileira e para o senso ético do cidadão.

Quem viver… Verá.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em@arthurius_maxim.

 


Coluna do dia: Surge a Frente Parlamentar em Defesa das Vítimas da Violência

31/08/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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Após reunir os movimentos sociais, ONGs, entidades civis, parlamentares, cidadãos e as famílias vitimadas, na Praça da Sé, em São Paulo, no último dia 19, para o pré-lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Vítimas de Violência, a Deputada Federal Keiko Ota agora se prepara para lançar oficialmente a Frente, em Brasília.

A cerimônia foi realizada na última quarta (24/08) no Auditório Freitas Nobre, Anexo IV, Câmara dos Deputados, em Brasília/DF. Entre os convidados, a Subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima) da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF, Valéria Velasco; a autora de telenovelas Glória Perez, mãe da atriz Daniella Perez (assassinada em 1992); e a educadora Cristina Del’Isola, mãe da estudante Maria Cláudia (assassinada em 2004).

O objetivo da Frente é criar e aprimorar as leis que assistam essas famílias. Atualmente, quem acaba tendo mais benefícios é o criminoso por receber uma atenção maior das leis, enquanto os parentes das vítimas sentem-se desamparados diante da inexistência de uma legislação específica de apoio, ou mesmo ações práticas, como por exemplo, atendimento psicológico e social.

A parlamentar lembra que alguns temas terão uma atenção especial como oferecer às famílias vítimas acompanhamento psiquiátrico e psicológico, lutar contra a progressão penal, criar novos critérios para a concessão do benefício de saídas temporárias aos detentos, acompanhar e criar medidas para diminuir o crescimento da prática de crimes hediondos no Brasil e trabalhar em mecanismos que retirem o Brasil do grupo de países que ocupa o topo do ranking mundial de homicídios.

Os cerca de 280 parlamentares (262 deputados e 12 senadores) envolvidos na criação desta Frente também vão propor, nas assembléias estaduais, a criação de secretarias de apoio às vítimas de violência e de frentes semelhantes, por todo o Brasil.

A Frente tem por objetivo apoiar ações legislativas que visem a proteção e os direitos das vítimas da violência e o acompanhamento de casos de violência em que o Estado é o réu.

Uma boa iniciativa que, se for realmente levada a sério, representará um avanço no trabalho de superação do verdadeiro caos em que nossa segurança pública se transformou.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.


Coluna do dia: Brasil e Líbia – Escolhas erradas e consequências certas

23/08/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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Sempre comentei que as escolhas feitas pela diplomacia brasileira na “Era Lula” eram, no mínimo, idiotas. A contaminação ideológica do Itamaraty deixou o Brasil vulnerável eticamente no exterior e enfraqueceu muito a nossa reputação.

Depois de apoiar ditadores e genocidas mundo afora, o governo Lula (e agora o de Dilma) foi surpreendido pelas movimentações populares que causaram a queda de diversas dessas ditaduras apoiadas por eles.

A “bola da vez” é a Líbia. Com a derrota iminente do regime de Kadafi e a tomada da capital pelos rebeldes, a situação dos interesses brasileiros no país se tornou insustentável.

Firmados pelo governo Lula, inúmeros contratos de construção civil estão sendo cumpridos por empresas brasileiras na Líbia e, com os combates e a consequente derrota das forças do ditador, deverão sofrer uma revisão por parte do governo que vier a substituir Kadafi.

Por quê? Muito simples: as novas lideranças não viram com bons olhos a covardia de nossa diplomacia que apoiou (através da abstenção) os massacres cometidos pela ditadura de Kadafi contra o seu próprio povo.

A visão burra e a opção ideológica usada pelo Itamaraty (sob orientação do PT) lançaram nos braços de potências estrangeiras (como a França e a Inglaterra) esses contratos que estão sendo executados por lá e a revisão de todos os acordos assinados pela Líbia com o Brasil. Junto às lideranças rebeldes, “Brasil” é palavra mal vista e símbolo de uma nação que apoiou o regime genocida de Kadafi.

Assim, começa a dar “resultados” o alinhamento ideológico aplicado à nossa diplomacia e os prejuízos ao país começam a se materializar de forma veemente e vexatória. Ao nosso governo e às empresas que prestam serviço na Líbia restarão apenas a humilhação de “pedir penico” aos novos governantes locais ou a opção de ver seus contratos e divisas descerem pelo ralo e irem engordar os cofres das empresas francesas e inglesas.

Ave Lula!

*Arthurius Maximus, escrevendo excepecionalmente em uma terça, é colunista do Perspectiva Política às segundas e quintas e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em@arthurius_maxim.


Coluna do dia: Uma juíza, vinte e um tiros e a morte como meta

18/08/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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A morte da juíza Patrícia Lourival Acioli fomentou o debate a respeito da insegurança a que estão submetidos os juízes e promotores que ousam desafiar os interesses de grupos criminosos. Muito se falou também que a morte da juíza é um atentado contra a própria sociedade. Palavras que, mesmo verdadeiras, expressam apenas o discurso hipócrita de autoridades omissas e ausentes diante do claro descumprimento de suas obrigações mais básicas.

Por um lado o próprio poder Judiciário com a sua estrutura arcaica, viciada em privilégios e com a ideia de que seus membros são seres inatingíveis pelas desgraças que assolam os reles mortais que os rodeiam. Por outro lado, governantes e legisladores incapazes de oferecer uma ação eficaz e leis mais duras e de parar de olhar os criminosos como membros de uma sociedade, passando a vê-los como, na verdade, eles são: algozes dela.

A falta de proatividade dos responsáveis pelo Judiciário é um mal crônico e, ao mesmo tempo, perverso num poder tão fundamental para a sociedade como este. Pensar que uma juíza ameaçada por grupos de altíssima periculosidade ainda teria que solicitar escolta armada é algo impensável em qualquer país minimamente preocupado em combater o crime organizado.

Enquanto os presidentes de tribunais gozam de escolta armada, carro blindado e toda a sorte de regalias sem julgarem ninguém,os juízes de “linha de frente” ficam expostos à própria sorte e são entregues em sacrifício para as balas dos grupos que combatem.

Enquanto países mais evoluídos já mostraram que não se pode apaziguar e nem conviver de forma civilizada com grupos criminosos e que a única forma possível de combatê-los é retirar seus integrantes do convívio social para o resto da vida – verdadeiramente os enterrando em presídios para cumprirem penas altíssimas ou até perpétuas – os legisladores brasileiros e até algumas correntes do Judiciário acham que todo criminoso é recuperável e trabalham para que leis cada vez mais brandas sejam aprovadas ou aplicam as leis existentes de forma paternalista, garantindo livre saída da cadeia para presos de altíssima periculosidade.

O assassinato da juíza Patrícia Acioli é o ato intimidatório supremo e o expediente mais comum usado por esses grupos para impor o terror e manter a sociedade de joelhos diante de suas ameaças e de sua própria existência.

Acabar com o espetáculo da tolerância e do paternalismo que vemos dia após dia, compreender que as leis devem ser duras e punir severamente para que a cultura da impunidade não fomente a mente criminosa e nem crie guetos geridos por grupos criminosos poderosos é são as meta sque nosso país deve perseguir.

Contudo, enquanto o Judiciário e o Legislativo continuarem ruminando apenas a obtenção de privilégios e regalos, deixando de lado suas funções primordiais, mais juízes e mais cidadãos honestos se verão sob a mira do crime, da desesperança e do terror.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus, é colunista do Perspectiva Política às segundas e quintas e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em@arthurius_maxim.


Coluna do dia: O fantasma do ônibus 174

15/08/2011 em Arthurius Maximus | Comente!

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O episódio do sequestro do ônibus ocorrido na última semana aqui no Rio de Janeiro trouxe a lembrança do vergonhoso desfecho de um outro sequestro a ônibus, que se tornou um caso estudado por polícias no mundo todo, livro e até filme.

Graças à sorte – puramente a ela – não houve mortes neste lamentável fato como ocorreram no primeiro. No entanto, o caso mostrou que, mesmo anos depois, nossa polícia ainda é despreparada, mal treinada e carente de equipamentos.

Por que cargas d’água as viaturas policiais ainda não dispõem daquela grade retrátil, usada pelas polícias de vários países do mundo, que é aberta na hora, facilmente, no percurso do veículo que se deseja parar, furando os pneus dele?

É um equipamento relativamente barato, simples de usar e extremamente efetivo. Sua aplicação bastaria para acabar com inúmeras mortes provocadas pelo costume hediondo de nossos policiais de pararem veículos à bala.

É incompreensível como, em pleno século XXI, as polícias brasileiras fazem barreiras de verificação (as famosas blitzen) e alinham-se de maneira a metralhar quem não pare ao ser convocado. Não se leva em consideração uma distração do motorista, o fato de que ele pode estar com som alto e janelas fechadas, ou mesmo que se trate de um carro com reféns que devam ser protegidos. Passou pela blitz e não parou… fogo nele.

O mais triste disso tudo é que, após o episódio do ônibus 174, a polícia carioca executou diversos aperfeiçoamentos em seu treinamento, estudou detalhadamente as falhas ocorridas na época e, pelo menos no discurso, afirmava ter corrigido o procedimento.

Mas bastou a realidade para acabar com a fantasia e a repetição de um sequestro para mostrar como o despreparo e a sede de apertar o gatilho ainda fazem parte da cultura policial brasileira. Sem equipamentos adequados, sem treinamento correto e afundado na irresponsabilidade e na sensação de “potência” ao ter um fuzil nas mãos, o policial carioca faz uso de uma arma de guerra na hora do “rush” numa das artérias de tráfego mais congestionadas do país.

O absurdo fica ainda mais evidente ao analisarmos o resultado da perícia, feita no local, que constatou o “pequeno detalhe” de que os bandidos não dispararam um único tiro. Absolutamente todos os tiros que vitimaram os reféns e tornaram o ônibus um “autêntico queijo suíço” vieram dos policiais.

Fazer a polícia brasileira entender que o uso da arma de fogo, em especial de fuzis de assalto, deve ser o último recurso do policial e não sua primeira opção é o desafio a ser vencido pelas autoridades de segurança pública do país.

Infelizmente, não há seriedade suficiente e muito menos compromisso dos políticos para tornar as polícias um organismo repressor eficiente, bem organizado e dotado de equipamentos corretos que lhe permitam atuar adequadamente em todas as ocasiões em que se fizer necessária.

A pergunta que devemos fazer é: De quem é a culpa?

E a resposta é uma só: ela é nossa.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus, é colunista do Perspectiva Política às segundas e quintas e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em@arthurius_maxim.


Coluna do dia: Os reféns, os sequestradores e a blindagem da vergonha na cara

08/08/2011 em Arthurius Maximus | 1 Comentário

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Quem vem acompanhando o noticiário político das últimas semanas sabe que o governo federal anda às voltas com um dos maiores escândalos de corrupção desde o episódio do Mensalão. Tudo começou no Ministério dos Transportes e foi seguindo para o Ministério do Turismo, a Agência Nacional do Petróleo, o Ministério da Agricultura e falam de esquemas em todos os ministérios e em todas as empresas estatais.

Denúncias gravíssimas; provas “a dar com pau”; testemunhas das mais diversas classes sociais, cargos e patentes; laranjas das mais variadas safras e um enorme esquema de propinas e superfaturamento exposto pelo Tribunal de Contas da União, pela Controladoria Geral e pela imprensa.

O governo corre o mais rápido que pode para barrar todas as tentativas de investigar e expor os esquemas de forma mais veemente e demonstra – com as atitudes desesperadas e com os sapos que vem engolindo – sua plena condição de refém dos partidos políticos que formam a tal “Base Aliada”. Até porque demite os envolvidos, como forma de tirá-los do noticiário, e não pune ninguém “de verdade”.

Já mostrei em outros artigos, publicados anteriormente, como a fraqueza do governo Dilma e a ingerência criminosa de Lula – em favor dos corruptos apanhados com a boca na botija – estão contribuindo para que uma corja de ladrões roube sistematicamente todo o suado dinheiro que enviamos para Brasília e que deveria custear o bem-estar e a segurança da nação.

Agora, como se não bastasse a cara-de-pau dos corruptos em desdizerem Dilma, desautorizarem suas ordens de demissão e praticamente a humilharem no episódio do Dnit, os caciques do PMDB obrigam o governo – na pessoa de Dilma – a emitir uma nota de apoio ao ministro da Agricultura.

Sendo “a bola da vez” e repetindo-se a mesma interminável ladainha de testemunhas, fotos e declarações de diversas vítimas da rapinagem que vem acontecendo no Ministério da Agricultura, esse escândalo faz com que Dilma se veja obrigada a engolir outro sapo do PMDB e aceitar calada toda a sorte de mamatas e maracutaias. Caso ouse fazer algo se verá em maus lençóis com a bancada peemedebista e com seus caciques vorazes.

Duvida? Então te dou mais uma informação valiosa. Em uma mansão de Brasília supostamente reúne-se, às segundas-feiras à noite, a cúpula do PMDB para fumar um charuto e beber um “scotch”. Até aí, tudo bem. O detalhe é: diante do problema causado pela pressão da mídia e pelas provas irrefutáveis da corrupção no Ministério dos Transportes, um pedido de CPI estava “correndo” no Senado para investigar o caso.

Como velhas aves de rapina, resolveram fazer uso “proveitoso” disso. A “cúpula do charuto” decidiu que mandaria um recado claro a Dilma: ou ela liberaria mais verbas para “a base” e garantiria apoio irrestrito ao Ministro da Agricultura, o peemedebista Wagner Rossi, ou eles apoiariam a realização da CPI (cujo pedido tramitava) e a direcionariam para investigar apenas o PR e elementos ligados ao PT, como o ex-chefe do Ministério do Planejamento, apontado pelo ex-diretor do Dnit como a pessoa responsável pelas autorizações de mudanças nos contratos. Assim, essa seria a única forma de evitar a avalanche de lama e o clarão dos holofotes sobre os negócios nada éticos do PT no governo.

Coincidência ou não, no “apagar das luzes” vários políticos retiraram suas assinaturas da CPI (curiosamente até um da oposição que é amigo de um investigado), milhões de reais em verbas retidas foram liberadas para parlamentares do PMDB e, neste final de semana, Dilma solta nota de apoio “irrestrito” ao ministro da Agricultura.

Nessa história sórdida, se você ainda duvida quem é o refém e quem são os sequestradores é problema seu. Contudo, uma coisa você não pode negar:

Quem anda precisando de blindagem mesmo no governo Dilma é a vergonha na cara.

*Arthurius Maximus, é colunista do Perspectiva Política às segundas e quintas e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em@arthurius_maxim.