Coluna: A faxina de Dilma é feita na ética

Muito se falou da suposta “faxina” que a presidente Dilma teria efetuado ao “enfrentar” os grupos corruptos que infestam o seu governo. Mas, na verdade, o que houve mesmo foi um enorme acobertamento e uma grande “varrida” para baixo do tapete dos corruptos que estavam em evidência na imprensa.
Esmagada pelas pressões políticas do seu próprio partido (que baseou sua manutenção do poder no loteamento da máquina estatal), notadamente das lideranças ligadas a Lula e a José Dirceu, Dilma não só interrompeu a euforia que tomava conta da sociedade como ainda facilitou a vida de quem deseja roubar os cofres públicos.
Ao vetar dispositivo legal que impedia o repasse de verbas para prefeituras e estados que não submetessem aos órgãos de controle federais o uso das verbas enviadas, Dilma tornou a vida dos corruptos de plantão um verdadeiro mar de rosas.
Se antes eles tinham que (pelo menos) forjar notas e comprovantes e dar um ar de aparente legalidade aos superfaturamentos e desvios que cometiam, como forma de garantir a aprovação do TCU (Tribunal de Contas da União) e da CGU (Controladoria Geral da União), agora eles nem precisam se preocupar com isso.
Mesmo que estejam claramente condenados ou simplesmente acusados de desviarem as verbas recebidas, os corruptos continuarão a receber sua “mesadinha federal” e poderão roubar muito mais até serem apanhados definitivamente (o que equivale a dizer “nunca”).
A consequência imediata já pode ser notada no Ministério da Educação (MEC). O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) continua efetuando seus repasses para municípios que fraudam licitações, não comprovam despesas e aplicam incorretamente dinheiro que deveria financiar a merenda e o transporte escolar, por exemplo.
Mesmo diante de alarmes emitidos pela CGU, apontando as irregularidades, o FNDE sacramenta o envio de verbas e considera “aprovadas” as destinações mais esdrúxulas dadas às verbas por ele enviadas ou desconsidera o “sumiço” completo de valores que jamais terão sua correta aplicação comprovada.
A mesma coisa se espalha por outros ministérios e o veto dado por Dilma (Ela retirou da LDO a exigência de que todos os governos estivessem com as prestações de contas em dia para receberem mais dinheiro do orçamento da União) promete causar grande furor nas hostes corruptas e se tornar o maior sucesso de 2011.
Assim, se hoje já temos na saúde o desvio de 90% de tudo o que é aplicado pelo governo federal e na educação algo em torno de 60%, o futuro que nos aguarda poderá ser bem pior. Resta ao brasileiro acordar e não ficar calado diante do saque aos cofres públicos que se intensifica e do genocídio que cai sobre nós e é somado à promessa de novos impostos (pois, se você acredita mesmo que a CPMF não volta, você é um inocente).
A continuar assim, veremos que a verdadeira faxina que Dilma fez foi dar o golpe final no resto de ética que ainda “respirava com aparelhos” lá por Brasília.
E você, o que pensa disso?
*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política e editor do blog Visão Panorâmica. Também no Twitter em @arthurius_maxim.














