Arquivo de ‘Yashá Gallazzi’ Category

Coluna do dia: Plebiscito sobre o desarmamento – Se é bom para Sarney, é ruim para o Brasil

19/04/2011 em Yashá Gallazzi | (6) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

José Sarney quer uma nova consulta pública sobre a proibição do comércio legal de armas de fogo no Brasil. O maranhense que precisou ser candidato pelo Amapá para ser eleito deu a entender que é a favor do desarmamento civil. Se Sarney é a favor, eu sou contra. Não importa o assunto: se é bom para o autor de “Brejal dos Guajás”, é ruim para o Brasil. A história está aí para demonstrar isso.

Sarney, quando Presidente, foi a favor de um plano econômico que provocou uma das maiores escaladas inflacionárias da história. À época, suponho que a idéia tenha parecido boa aos olhos dele, mas os fatos mostraram que ela era muito ruim para o país. Como dito, não importa qual seja o tema: se Sarney é a favor, cumpre ao resto de nós ser contra. Se o imortal senador é contra, que todos sejamos a favor.

Sarney acha que “a população foi induzida em erro” no referendo de 2005, quando decidiu rejeitar a proibição total do comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Eu acho que a população é induzida em erro sempre que vota em Sarney. Defendo que seja feito um plebiscito imediato, para que a sociedade diga se quer que o mandato de Sarney continue, ou se prefere que seja imediatamente interrompido.

O presidente do Senado deve acreditar na patacoada de que “armas matam”. Bobagem! Armas não matam ninguém. Os que matam são os indivíduos, e apenas eles. Proibir o comércio legal de armas de fogo sem acabar de uma vez por todas com o tráfico é uma medida tão inócua quanto ridícula. Vai evitar, na melhor das hipóteses, algumas dezenas de lamentáveis acidentes domésticos, que ocorrem todos os anos quando uma criança encontra a arma do pai irresponsável, mas ficará longe de resolver o problema da violência urbana, que parece motivar os “pacifistas do fato consumado”, como Sarney.

“Ah, mas salvar dezenas de crianças da morte não é um motivo louvável?”, poderão indagar alguns. Ô, se é! Mas se a lógica for evitar mortes acidentais de crianças dentro de suas casas, é mais urgente proibir as piscinas, onde cerca de mil crianças morrem afogadas a cada ano. E aí, Sarney? Cadê o plebiscito sobre esse dramático assunto?

Que nada! Ninguém se preocupa em acabar com as piscinas, estas cruéis ceifadoras de vidas infantis. O que os “especialistas a posteriori” querem é acabar com as armas de fogo mesmo, para evitar que o Brasil se torne um país tão violento quanto a América. Nessa hora não resisto e lanço luz sobre o debate turvo lembrando que o nosso é um dos países do mundo onde comprar legalmente uma arma de fogo é mais difícil. Vou além: é praticamente impossível! Ainda assim, ocorrem 25 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, onde pode-se comprar uma pistola automática no supermercado da esquina, são apenas seis. De repente parece que virar um país como os EUA não seria lá tão ruim, quanto querem fazer crer os ongueiros…

Sim, eu sei que um civil armado por levar a pior no confronto com um bandido. Sei até mesmo que o meliante pode acabar roubando a arma legal do civil e usando-a para cometer outros delitos. Mas essas armas legais que passam à criminalidade seriam assim tão significativas? Dando ouvidos a José Eduardo Cardozo e José Sarney, ficamos com a impressão de que todos os crimes do país são praticados com armas que um dia estiveram na legalidade. Eis aí outra trapaça intelectual gigantesca!

Acompanhem meu raciocínio – ele é bastante objetivo e linear: segundo o IBGE, há 52.183.528 de residências no Brasil e em 3,5% delas há armas de fogo (dados de uma edição de Veja de outubro de 2005). Isso quer dizer que existem 1.826.423 de residências com armas de fogo, ou seja, uma a cada 29 casas. Isso quer dizer que para conseguir mil armas, os bandidos precisariam assaltar 29 mil residências! Não preciso dizer o quanto isso é improdutivo, não é mesmo? Fica evidente que a bandidagem brasileira se arma, em regra, por meio do tráfico, isto é, do comércio ilegal. Proibir o legal torna-se, pois, absolutamente inútil. Por favor, não acreditem em mim! Acreditem na boa e velha matemática…

Parece bastante claro que acabar com o comércio legal de armas de fogo não influenciaria praticamente nada na redução da criminalidade. Poder-se-á sempre lembrar que sem armas em casa, menos crianças morreriam vítimas de acidentes domésticos, é fato. Mas aí voltamos pro que chamo de “paradoxo da piscina”: onde está a “Viva Rio”, a “Sou da paz” e o José Sarney, que não se mobilizam para colocar um fim nelas?

Não tenho certeza, mas aposto um dedo da mão esquerda que Sarney tem piscina em uma de suas tantas casa. Eu não tenho uma na minha. Se é bom para Sarney, é ruim para mim.

*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em uma terça, é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do Dia: Qual sua parcela de culpa na tragédia de Realengo? Nenhuma!

09/04/2011 em Yashá Gallazzi | (8) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Um sociopata chamado Wellington invadiu armado uma escola municipal do Rio de Janeiro e disparou contra quem estivesse à sua frente, matando doze crianças. Vou repetir, para que não pairem dúvidas: um sociopata armado matou doze crianças. A responsabilidade pelo horror de ontem é dele – do indivíduo -, não de abstrações sociológicas como “a sociedade”, “a coletividade”, ou “a família”.

Ainda ontem, quando nem bem sabíamos todos os particulares daquela tragédia (nem agora sabemos o suficiente), já havia uma infinidade daquilo que chamo de “especialistas do fato consumado” desfilando nas televisões suas certezas definitivas. Todos, sem exceção, convidavam os telespectadores a refletir sobre “as responsabilidades de cada um de nós” naquela loucura. Bem, um sociólogo da PUC pode gastar o resto da vida chafurdando em digressões psicanalíticas a fim de descobrir que parcela de culpa ele tem nos atos tresloucados de Wellington. Eu, não! Minha parcela de culpa naquilo é nenhuma.

Sim, leitor amigo. Eu, você e qualquer outra pessoa somos inocentes. O único culpado pelo assassinato covarde de doze crianças é Wellington. Pouco importa se ele era vítima de zombaria coletiva quando estudante, ou se levava umas traulitadas diárias de suas professoras. Nenhum tipo de violência (física ou psicológica) que tenha sido infligida a Wellington pode justificar o horror de ontem. A “sociedade”, entendida como sujeito ativo, não existe. Não tem endereço, CPF ou dinheiro para comprar armas. Não foi ela que colocou armas na mão do assassino. E, mais importante, não mandou que ele puxasse o gatilho.

Reputo que um dos maiores desastres da civilização contemporânea é a inversão dos valores morais, que termina, em última instância, por subtrair o indivíduo às suas responsabilidades. Se um jovem decide assassinar crianças, rapidamente aparece quem esteja interessado em investigar as “causas sociais da violência”. Ora, pros diabos com isso! A única causa daquela violência foi a ação do assassino; do indivíduo.

Milênios de evolução do pensamento filosófico ocidental permitiram concluir que o ser humano não é perfeito. Todos somos atormentados por algum demônio particular, que insiste em nos assombrar e não permitir que vivamos uma vida plenamente perfeita. A vida em sociedade, porém, não nos autoriza a sair por aí assassinando crianças, a fim de exorcizar nossos fantasmas pessoais.

Aceitar que “o meio social” tenha sido responsável por levar Wellington a cometer aquela barbárie, é condescender com o horror em seu estado puro. O corolário de algo assim seria relativizar todo e qualquer ato bárbaro, minimizando as responsabilidades dos indivíduos envolvidos e buscando explicações sociológicas.

A sociedade civilizada não precisa se martirizar hoje, mergulhando em análises profundas em busca dos supostos erros coletivos que deram à luz um sujeito como Wellington. O que precisamos é de conforto, porque nossa paz social foi uma das vítimas indiretas da monstruosidade que aquele jovem, em razão de sua ação individual, perpetrou.

Não somos causa indireta do assassinato de crianças, nem devemos aceitar que nos empurrem tamanho fardo. Somos, antes, vítimas da barbarização social promovida por pessoas como Wellington, o bandido que não soube enfrentar seus próprios demônios.

Lembrem disso que escrevi e, quando algum “estudioso do fato consumado” aparecer indagando sobre “quais são as nossas responsabilidades na tragédia”, não tenham medo de erguer o rosto e responder: “Nenhuma!”

*Yashá Gallazzi, escrevendo para este blog excepcionalmente em um sábado,  é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: É preciso defender a democracia de tudo. Até do “clamor das ruas”!

25/03/2011 em Yashá Gallazzi | (7) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

E eis que a Lei da Ficha Limpa, de fato, afronta a Constituição Federal. Foi o que decidiu na última quarta-feira o Supremo Tribunal Federal, em sessão do seu pleno.

Nenhuma surpresa. Qualquer um com algum conhecimento jurídico que tenha lido a tal lei percebe que há não apenas uma, mas várias inconstitucionalidades flagrantes no texto final. A mais – como direi? – urgente é, evidentemente, aquela ligada ao momento da aplicação da norma. Mas é possível encontrar outras aberrações no badalado texto legal, como a possibilidade de excluir da disputa quem tiver sido condenado por um órgão de classe. Isso, na prática, equivale a autorizar a criação de tribunais de exceção no país, coisa evidentemente vedada pela Carta Magna.

Pessoalmente, nem acho que o mérito da Lei da Ficha Limpa afronte a Constituição. Em outras palavras, não acho que ela vá de encontro ao princípio da presunção de inocência, ferindo-o. Isso porque, juridicamente, me aproximo mais da corrente que vê a presunção absoluta de inocência como algo próprio apenas do direito penal, não extensivo às outras áreas. Sendo assim, não acho que a lei como um todo deva ser questionada – ou derrubada -, mas não tenho a menor dúvida de que ela precisa ser analisada novamente, para que outros pontos controvertidos sejam esclarecidos.

Dito isso, vou ao ponto que sempre causa espanto de todos os meu interlocutores: sou contra a Lei da Ficha Limpa. Para deixar mais claro, sou deontologicamente contra aquela norma legal, que, a meu ver, coloca os indivíduos, uma vez mais, em posição de subserviência diante do Estado.

Por favor, não cometam erros de interpretação. É evidente que desejo uma política mais ética e moralmente correta, a exemplo de todos os entusiastas da lei. A diferença é que eu enxergo os seres humanos como seres autônomos, que devem aprender a decidir as coisas por si mesmos, sem a necessidade de uma Super Nanny oficial financiada por impostos altíssimos. Em outras palavras, acredito que Malufs, Barbalhos e Genoinos devem ficar fora da vida política por decisão livre e consciente dos eleitores, não por imposição do Estado.

A democracia, meus caros, não é perfeita. Nunca foi nem nunca será, pouco importa o que sonhem os ministros Joaquim Barbosa e Ayres Britto, para os quais parece ser possível controlar o processo democrático de modo a conduzí-lo à perfeição. Não! Não é possível. A democracia é só o menos pior dos regimes, como bem lembrou Churchill. Ela tem e terá sempre inúmeras falhas dentre as quais a possibilidade nada pequena de os eleitores escolherem mal. Isso faz parte do jogo, por mais que não gostemos.

Assim como é dado aos eleitores escolher um Tiririca, também é dado escolher Maluf, Barbalho ou qualquer outro desse tipo. Isso é próprio da natureza de toda democracia, afinal, trata-se de um regime assentado, em grande parte, na ideia da tentativa e erro.

Como já mencionei antes, eu acredito verdadeiramente que a intenção por trás da Lei da Ficha Limpa seja boa. O que não aceito é que o Estado, em nome de entes abstratos (o povo, a comunidade, a sociedade, a coletividade, o clamor público, etc.), decida quem pode jogar o jogo político. Hoje, em nome da moralidade, tira-se da disputa os “fichas suja”. O que impede que amanhã, em nome dessa mesma moralidade, exclua-se do jogo a “elite branca”? Os “reacionários”? Os “conservadores”? Ou “os negros”? Pois é… Uma vez aberta uma fresta na porta do inferno, ninguém pode evitar que ela seja escancarada completamente algum dia.

Eu sempre fico desconfiado quando alguém fala em nome de abstrações coletivas. Coisas como “o povo” e “a sociedade” simplesmente não existem, meus caros. Ou alguém aí sabe o endereço desse tal “povo”? Ou o CPF? Ou, ainda, a filiação dele? Só os indivíduos existem no mundo, e só os direitos deles importam. Sempre que a humanidade subjugou liberdades individuais em nome de “clamores populares”, o resultado foi morte, miséria e terror, como nos lembram bem o fascismo, o nazismo e o comunismo.

“Sociedade civil”? Não me representa! “Povo”? Não diz respeito a mim! Minha categoria é o indivíduo e minha pátria é meu núcleo familiar. Sempre que a “voz rouca das ruas” se levantar contra o direito que cada indivíduo tem de escolher – inclusive de escolher mal! -, vou me posicionar contra, afinal, a ameaça às liberdades de um é a ameaça às liberdades de todos.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: Pelo fim do preconceito contra a direita!

18/03/2011 em Yashá Gallazzi | (73) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

O partido Democratas, numa convenção interna que mais parecia um velório, elegeu o senador José Agripino Maia como seu novo presidente. Agripino veio para ocupar o lugar que foi de Rodrigo Maia.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente do DEM, Agripino rejeitou enfaticamente a “pecha de direita”. Coitada da direita… Nada sofre mais preconceito no Brasil do que ela. Negros, índios, mulheres, homossexuais, corintianos e anões canhotos: todos possuem uma ONG para chamar de sua. Todos contam com alguém interessado em lhes representar os interesses. Já a direita, tadinha, está abandonada.

A fala de Agripino vem confirmar algo que sempre falei: não existe uma direita politicamente organizada e eleitoralmente viável no Brasil. Isso acaba por revelar uma das maiores mentiras da história política nacional: PSDB e DEM (ou PFL, como queiram) nunca foram neoliberais. Aliás, nunca foram sequer liberais, quanto mais “neo”… Isso nunca passou de retórica torta, criada pelas esquerdas para aproveitar o – voilá! – preconceito que existe contra a direita no país.

Por alguma razão que me é difícil de compreender, o Brasil acreditou na lenda de que o regime militar foi de direita. Por conseguinte, a direita é sempre associada ao mal, à tortura e à repressão, carregando um ônus que definitivamente não é dela.

Eu desafio qualquer um a demonstrar – com base em argumento lógicos! – que a ditadura militar foi de direita. O problema, é que faço um desafio natimorto, afinal, é impossível traçar semelhante relação. Os militares foram todo o oposto daquilo que é o pensamento da direita. Aumentaram o tamanho do Estado, imprimiram dinheiro, multiplicaram a inflação e organizaram um intervencionismo sem precedentes. Sabem, meus caros, quem foi o maior criador de estatais da história do mundo? O Sr. Ernesto Geisel.

Diante disso, me apontem um traço de Adam Smith, de Von Mises, de Bastiat, ou de Ayn Rand no que vai acima. Onde está a liberalização da economia e o Estado mínimo? Onde estão, enfim, os traços concretos e verdadeiros de que o regime militar teria sido de direita? Pois é, não os há.

Mas é aquela velha história: “uma mentira contada mil vezes, se torna verdade”, como bem lembrou Goebbels, um dos maiores ideólogos do nazismo. Ah, sim! Tem ainda o nazismo… O establishment tupiniquim insiste em tratar o regime comandado por Hitler como algo de direita, apesar das enormes evidências em contrário. De novo: a economia na Alemanha nazista era liberal? Não! Foram conduzidas privatizações? Não! O tamanho do Estado foi reduzido? Não!

Isso pra não mencionar que nazismo é o – como direi? – “apelido carinhoso” de nacional-SOCIALISMO. Ou seja, Hitler é ideologicamente mais próximo a Marx, que à Escola Austríaca. Por favor, não acreditem em mim! Acreditem nele, Hitler: segundo o genocida, Lênin era um herói; um modelo; uma inspiração…

“Ah, mas o nazismo, assim como o regime militar brasileiro, foi violento. E se tem violência, é de direita!” Pois é… Eis a síntese do – vá lá… – raciocínio de boa parte da academia brasileira. Basta ter a coluna ereta e conhecer um punhado de livros clássicos, para saber que semelhante construção não guarda qualquer relação com a realidade. Mas, ainda que se aceitasse fazer o que chamo de “disputa de cadáveres”, convenhamos: a pilha de mortos construída pelas esquerdas ao longo da história humana é infinitamente superior. Stalin, Mao e Pol-Pot, só para citar alguns, fazem Hitler parecer apenas um vegetariano travesso… Isso pra não mencionar Cuba, aquele paraíso na terra, fruto do socialismo, de onde os cidadãos tentam fugir até mesmo improvisando balsas feitas com portas de geladeiras velhas!

E apesar de prometer um “outro mundo possível” do alto de mais de 100 milhões de mortos, a esquerda segue sendo a mais desejada pelos políticos brasileiros. O Brasil, aliás, conseguiu inovar até nisso: nunca antes na história do mundo houve um país democrático que contasse apenas com partidos progressistas. Só aqui! A direita, essa pobre coitada, continua sendo tratada com preconceito. Ninguém quer se reconhecer nela…

Colocando as coisas em perspectiva e analisando o conjunto dos eventos históricos, fica fácil compreender: num país historicamente formado a partir de clientelismo rasteiro e interesses pessoais atrelados ao Estado, não poderia mesmo haver espaço para um discurso liberal, que advogasse o individualismo, a meritocracia e as liberdades. Em outras palavras, podemos dizer que os deputados não querem reduzir o tamanho do parlamento, porque estão preocupados apenas com os próprios bolsos. Ou, ainda, pode-se dizer que a empregada doméstica não quer trabalhar todo dia limpando a casa da patroa, pois pode ficar em casa recebendo bolsa-qualquer-coisa.

Não pretendo convencer ninguém de que a existência de uma direita política forte seria a solução para os problemas do Brasil, simplesmente porque os problemas do Brasil só serão resolvidos com a mudanças dos valores morais da sociedade. Isso tem menos a ver com partidos, do que com cultura, para nosso azar.

Uma coisa, porém, é inegável: não há na história da humanidade registro de nenhuma democracia vigorosa, em país desenvolvido, que não tenha contado com partidos de direita. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Suécia, na Finlândia, na Espanha, na França, na Alemanha, no Japão e em mais uma miríade de nações, a defesa das bandeiras liberais sempre estiveram presentes – ora no governo, ora na oposição.

Não será o Brasil o primeiro país da história a conseguir alcançar um grau respeitável de amadurecimento democrático, assentando sua vida política na defesa de apenas um dos lados do espectro político. Pelo menos não é o que se tem visto até agora…

É preciso derrotar o preconceito contra a direita. Depois disso a gente pensa no preconceito contra os negros, as mulheres, os homossexuais, et caterva.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: Abaixo as ditaduras! Todas elas!

04/02/2011 em Yashá Gallazzi | (11) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Passados trinta anos de regime tirânico, os egípcios, aparentemente menos pacientes que os brasileiros, resolveram colocar o ditador Hosni Mubarak na rua. Aqui neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, Sarney acaba de ganhar seu quarto mandato na presidência do Senado. Os egípcios são melhores que nós. E melhores em tudo!

Defendo que Mubarak seja escorraçado. Defendo que o povo do Egito tenha a chance de viver num sistema de liberdades democráticas. Defendo que o tirano seja processado e condenado pelos abusos praticados ao longo de três décadas de opressão. Mas, principalmente, defendo que a “Irmandade Muçulmana” não se torne a dona do poder na terra dos faraós. Trocar a ditadura de Mubarak pelo que seria um governo chefiado por grupos ligados ao Hamas e à Al Qaeda seria não apenas uma regressão, como também uma tremenda besteira. O Egito se tornaria a pátria do terrorismo mundial, e lançaria o Oriente Médio num abismo político ainda mais profundo que o atual.

E já que estamos falando sobre o fim de tiranias, eu defendo também a queda de Ahmadinejad, de Kim-Jong Il, de Kadafi e, last but not least, dos irmãos Castro. Comigo é assim: não tenho bandidos ou ditadores de estimação. O progressismo antiamericano do mundo quer a cabeça de Mubarak? Ótimo! Por mim ela lhes seria entregue numa bandeja de prata. Mas e eles? Estão dispostos a entregar as cabeças de Fidel e Raul?

Curiosa a mente de certa intelectualidade… Defendem o fim da tirania no Egito não porque ela seja hodienta e Mubarak seja um canalha. Que nada! Eles só se opõem a ela porque derrubar o governo do Egito seria um “golpe contra a política imperialista americana”. Não querem democracia, mas apenas peitar “uziânque”.

Por isso fazem um contorcionismo retórico capaz de defender o fim da tirania egípcia, ao mesmo tempo em que defendem – com entusiasmo! – a ditadura cubana, a mais longeva e sangrenta da América Latina. A defesa da liberdade não tem nada a ver com isso. Nem o amor à democracia representativa. O único denominador comum entre as duas linhas de pensamento é o antiamericanismo barato.

Lembro-me de estar na universidade e ver uma turma de esquerda organizando uma manifestação contra o domínio britânico sobre as Falklands – que essa turma chama de Malvinas. Na época, me surpreendi, e indaguei: “Vocês preferiam que a guerra tivesse sido vencida pela ditadura militar argentina?” A resposta foi algo assim: “Não importa! O objetivo estratégico será sempre derrotar o imperialismo anglo-saxão!” Percebi que precisava sair daquele ambiente inóspito às pressas e retirei-me entoando, provocativamente, “God save the queen”.

Eu não condescendo com ditaduras, quaisquer que sejam elas. Por isso me linho ao Exército da Coroa, contra os brutamontes argentinos; por isso defendo que Mubarak deixe o poder e termine seus dias numa prisão do Cairo; por isso quero que os Castro parem de explorar o povo cubano, e respondam pelos seus crimes. Tudo muito claro e linear, sem dar margem para interpretações dúbias, nem empregar retórica torta.

Os progressistas, humanistas e antiamericanos em geral querem marchar pela liberdade do Egito e colocar um fim naquela tirania de décadas? Estaremos juntos. Mas e na marcha pela liberdade de Cuba? Vamos também? Ora, claro que não. Para eles, há os ditadores de estimação, que não podem ser tocados.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: O grande irmão zela por ti

31/01/2011 em Yashá Gallazzi | (10) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Li outro dia no jornal que o governo federal, na tentativa de buscar novas fontes de renda para financiar suas paquidérmicas necessidades, estuda aumentar em até 35% as tarifas de importação sobre produtos considerados “supérfluos”, tais como bebidas, tabaco e perfumaria.

Ah, o Estado e sua sanha totalitária… É da natureza dos governos – quais quer que sejam elas – concorrer para aumentar seu próprio tamanho. Por isso toda sociedade civilizada pressupõe a existência de uma população autônoma e com o ideal de liberdade fortemente arraigado, a fim de conseguir conter o avanço da máquina administrativa. No Brasil, onde a maioria da população é ideologicamente próxima ao fascismo (moralmente conservadora e favorável a um Estado grande), as liberdades individuais não gozam do prestígio efetivamente merecido. Há, pois, terreno fértil para o Leviatã.

Pouco importa se o governo é movido por “boas intenções”. Não interessa que estejam prejudicando apenas os que se embebedam no álcool importado, ou os que contaminam os próprios alvéolos pulmonares com o tabaco estrangeiro. O ponto central é que um ente abstrato – o Estado – decide se substituir ao meu direito individual de escolha, estabelecendo normas sobre aquilo que seria considerado “supérfluo”. Hoje são os cigarros e os vinhos. Amanhã, quiçá, a carne…

Eu, particularmente, nem me surpreendo quando percebo que o governo pretende legislar sobre questões tão flagrantemente individuais. Isso, afinal, é próprio de todo e qualquer Estado, como já dito alhures. No caso de um governo de esquerda, a coisa é ainda mais trágica, pois “O Partido” acredita firmemente que deve se substituir à sociedade. Eles são a “vanguarda da transformação”; os “donos da história”. Natural que ajam com aquela aura típica de quem afeta um saber coletivo que não pode ser confrontado.

Especialmente não me surpreende a vontade de sobretaxar produtos de perfumaria. A implicância das esquerdas com os materiais de higiene básica é histórica; é quase um clichê do esquerdista padrão, basta lembrar daquele amigo radical da faculdade, sempre com a barra da calça arrastando pelo chão, e com os cabelos desgrenhados. Essa turma, sabemos, está muito ocupada “levando a contradição às massas”. Ela não tem tempo de se ocupar dessa coisa pequeno-burguesa conhecida como asseio… Basta lembrar de Cuba, aquela ilha onde Fidel Castro chegou ao poder prometendo a redenção do homem e o paraíso na Terra, mas que hoje, passado mais de meio século, não consegue sequer garantir que seus cidadão encontrem papel higiênico nos mercados.

O problema não é o que o Estado pretende sobretaxar. O problema é que ele decide sobretaxar uma coisa porque a considera “supérflua” para… mim! É isso que me assusta. Quem sabe o que é indispensável – ou não – para mim, sou apenas eu, mais ninguém. Para alguns, fundamental é ter feijão preto em casa, o que torna um pacote de pasta di grano duro algo supérfluo. Para mim, não ter o macarrão importado equivale a ouvir a primeira trombeta do apocalipse. Da mesma forma, entendo que para muitos aquele líquido amarelado produzido pela indústria nacional e obscenamente chamado de “cerveja” aqui no Brasil seja satisfatório. Acho ótimo! É menos gente correndo atrás de uma boa garrafa de Czechvar, na gôndola das bebidas importadas.

Não! Eu não questiono a idéia do governo porque seria prejudicado pelo aumentos dos impostos sobre os produtos “supérfluos”. Eu a critico porque o Estado não pode ter o direito de legislar sobre esse tipo de assunto. Hoje, os voluntariosos do PT decidem que tabaco e álcool são dispensáveis. O que os impedirá de decidir, amanhã, que podemos perfeitamente viver sem os tênis perfeitos feitos pela Adidas? Ou sem os chocolates da Nestlé? Ou ainda sem os livros escritos por Jane Austen, ou Salinger? Ou então sem o iPhone? Meu Deus, eles podem nos tirar os iPhones!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: Fé

21/01/2011 em Yashá Gallazzi | (13) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Wellington poderia ser mais um cadáver empilhado na Serra do Rio de Janeiro. Poderia ser mais uma poça de sangue a manchar as mãos de políticos incompetentes e irresponsáveis, que concorreram diretamente para o assassinato em massa que chocou o país. Poderia, mas não! Wellington desafiou todas as probabilidades, toda a racionalidade. Ele lutou pela vida! Não a dele. Pela vida do filho, Nicolas, de apenas sete meses.

Quando a enxurrada de lama abalroou a casa em que Wellington dormia, junto com a esposa, a sogra e o filho pequeno, não houve, imagino, tempo para pensar em nada. As duas mulheres, consta, morreram instantaneamente, sob o peso do impacto implacável daquela montanha de lama. Wellington ficara viúvo numa fração de segundo, mas não teve tempo para qualquer luto. Ele ouvia, no silêncio mórbido, o choro do filho.

Toda a lógica, todas as leis da natureza foram, então, desafiadas por aquele pai, que começou a cavar na direção daquele choro. Soterrado, ainda com o peso da falecida esposa sobre seu corpo, no escuro, no frio… Tudo militava contra Wellington, mas o instinto do pai de tentar salvar o filho não permitia que ele parasse. Wellington cavou com as mãos em meio à avalanche escura, rezando e cantando hinos de louvor ao Deus de sua fé. E conseguiu! O pai chegou até o filho bebê, abraçando-o da maneira que era possível naquele diminuto espaço.

O que era apenas uma cova, transmutou-se em abrigo para pai e filho. O bebê foi hidratado pela saliva do pai e aquecido pelo corpo dele. O conforto daquele encontro permitiu que aquele pequenino relaxasse a ponto de dormir, entregando-se à proteção mais plena que ele jamais conheceu: os braços do pai. Mesmo enlameados, foram a maior e mais inexpugnável das fortalezas. E Wellington também encontrou o conforto. Abraçando o filho com as mãos dilaceradas pelo esforço de cavar a terra, sentiu-se aliviado. Sentindo-se abraçado pelo seu Deus, sentiu-se forte. E assim pai e filho sobreviveram até a chegada dos bombeiros, que escutaram os apelos de Wellington.

Eu tomo conhecimento de histórias como a que vai acima e não entendo como tanta gente ainda luta contra a fé do ser humano em um Deus. Para ser sincero, outro pensamento sempre me ocorre diante de situações assim: o que fazem os ateus declarados (ou os céticos, de um modo geral) diante de provações como a experimentada por Wellington e seu bebê? Pedem forças para Darwin? Para Dawkins?

Por favor, não tomem o parágrafo acima como uma provocação. Trata-se de uma curiosidade legítima: quer seja diante de uma simples turbulência de avião, quer sob toneladas de terra, como reagem aqueles que dizem não ter nenhuma fé? Mais ainda: como reagem aqueles que travam verdadeira batalha contra as religiões, diante de histórias como a de Wellington? Onde fica o discurso de que “ter fé é para os fracos”? Aquele pai foi fraco?!

Lembro-me de Chesterton: “quando o homem não acredita em Deus, ele acredita em qualquer coisa.” Perfeito! E é isso que me assusta… Muito mais que o tal obscurantismo imputado à Igreja Católica, por exemplo.

Ao se refugiar na fé, Wellington não o fez para ser passivo. Ele o fez para encontrar forças! Não se encolheu na terra e disse um “seja feita a Vossa vontade”, esperando pela morte. Em vez disso cravou as mãos na avalanche tenebrosa e decidiu defender a vida – dele e do filho pequeno. Defendeu a vida que ganhou de Deus, como aprendeu na sua fé. Então, que “seja feita a Vossa vontade”! E cavou…

Nenhum leitor precisa me dizer que não foi Deus, mas o pai quem manteve o bebê vivo. Ou que foram os bombeiros que tiraram ambos da lama. Todos sabemos disso. Meu ponto aqui é outro: como negar o papel fundamental que a fé de Wellington teve em todo o episódio? Que argumento científico seria capaz de explicar a irracionalidade envolvida em todo o episódio? As mãos nuas e dilaceradas cavando a terra; a tentativa desesperada de chegar perto do filho, guiado apenas pelo choro; o desorientamento provocado pela enxurrada e pela total falta de luz. As chances de Wellington e do bebê, convenhamos, eram estatisticamente muito pequenas. Mas ele não pensava em estatística, apenas cavava em busca do filho e rezava.

Não terá sido a fé a grande responsável pela lucidez, pela racionalidade daquele pai? Ao simplesmente se entregar nos braços do Deus de sua crença, Wellington pode ter conseguido se libertar das “amarras científicas”. Não pensou a que profundidade estava. Se teria água. Se teria comida. Se era dia. Se era noite… Nada! Só a fé e a busca pelo filho, alimentada por essa fé. Ele não queria saber de probabilidades ou estatísticas, pois ele lembrava que não devia temer. “Mil cairão ao teu lado. Dez mil à tua direita. Mas tu não serás atingido” (Salmo 91).

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: Adeus, Lula

01/01/2011 em Yashá Gallazzi | (8) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Como no filme de Wolfgang Becker, onde Christiane Kerner acabou se vendo forçada a dar adeus ao facínora Lênin, as viúvas de Lula terão que dar adeus ao apedeuta logo mais.

Lula não fará nenhuma falta ao mundo civilizado. Os inegáveis acertos do governo petista, todos decorrentes da adoção de políticas antes rejeitadas pelo próprio PT, se tornam pequenos diante do rebaixamento institucional e da deturpação de valores morais que marcaram os anos de Lula no Planalto.

Os defensores da “era Lula” tentarão sempre sacar a numeralha das pessoas que saíram da pobreza, das famílias incluídas nos programas sociais e coisas do tipo. Mas sempre serão esmagados pela lembrança de um governo que emprestou apoio moral a todas as piores ditaduras do mundo. Lula acertou em muitas coisas? Sim! Principalmente quando decidiu manter o que já existia. Mas como ficam os valores? De que adianta crescer a 4, 10, 20% ao ano, se tal “sucesso” é usado para defender, de forma oblíqua, o apedrejamento de mulheres?

Lula não me representa. Nunca representou. A marca mais indelével do governo dele? A mesquinharia. Sim, isso mesmo! Esqueçam mensalão, dossiês, Dirceu, Palocci ou qualquer coisa do tipo. Nada sintetiza melhor o governo de Lula do que a baixeza de sua conduta pessoal, a maneira pedestre com que ele sempre se portou.

Como quando afirmou, outro dia, que é bom terminar o mandato e “ver os EUA em crise”. Bom por quê? Para quem? Onde está o fundamento lógico que embasa tal afirmação? Quem, senão um sujeito claramente sociopata, poderia se expressar de forma tão desassombrada, tão evidentemente equivocada?

As falas improvisadas de Lula são o espelho da alma dele. É quando se livra dos estribos impostos pelos assessores e marqueteiros que o sujeito revela o que está guardado no seu íntimo. O Lula de verdade é aquele que compara o assassinato de opositores do regime iraniano a um Flamengo versus Corinthians, ou o que se recusa a condenar uma tirania que apedreja mulheres em praça pública porque, bem… cada país é “autônomo”.

Não sentirei saudade alguma do sujeito que chamou Kadafi de “companheiro”, ou que disse “se inspirar” no ditador do Sudão. Não fará falta alguma ao meu mundo um homem capaz de declarar, ainda no início de sua carreira política, que admirava Hitler, e que – permitam-me ser sutil… – “flertava” com animais… Adeus, Lula!

Se Lula não existisse, não precisaria ser inventado. É daquelas personagens que, num futuro não tão distante, servirão para que a sociedade atual seja motivo de chacota por parte de historiadores. Dirão: “Aquele povo medíocre, que elegeu no mesmo período Tiririca, Sarney e Lula…” Imaginem as gargalhadas zombeteiras diante de excrescências como a tal plataforma de petróleo batizada com o nome do petista.

Lula representou o triunfo da ignorância. A exaltação do apedeuta. Durante os últimos anos, virou chique desdenhar de uma boa leitura e de uma formação acadêmica de qualidade. Outro símbolo dessa era triste que se encerra é a famosa tirada de Lula, dizendo que depois de terminado o mandato não iria dar aula na França e nos EUA, mas ficaria em São Bernardo mesmo. Ora, ele não vai mesmo! Mas não porque não queira. Que nada! Ele não vai porque não pode! Porque para dar aula em certos lugares é preciso saber concordar o sujeito com seu verbo, se é que me entendem…

O ano de 2010 termina e leva embora o último bafo de Lula como mandatário maior do país. Nada poderia ser mais auspicioso! Pelo menos, ao que tudo indica, teremos um ano novo em que o Brasil não servirá de arrimo político e moral para gente que acha “normal” atirar pedras nos olhos de mulheres. Já é uma melhora muito grande, não tenham dúvida!

Feliz 2011! Adeus, Lula!

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: O açougueiro do Rio

21/12/2010 em Yashá Gallazzi | 1 Comentário

Palavras-chave: , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

“Quem aqui nunca teve uma namoradinha que já fez aborto?”, perguntou Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro.

Eu! Eu nunca tive uma namoradinha que fez aborto. Muito prazer, senhor açougueiro carioca.

Fico cá me perguntando: por que nenhuma autoridade acionou esse sujeito na justiça? Por que ele ainda não foi chamado a responder pelo que falou? Notem bem: na melhor das hipóteses – melhor pra ele, diga-se… -, Cabral confessou que teve conhecimento da prática de um crime. E o acobertou! Na pior… bem… na pior ele concorreu para que um crime fosse cometido.

E pro diabo com o discurso relativista dos progressistas, que defendem esse estranho “humanismo da curetagem”. Hoje, praticar aborto é crime no Brasil. E ponto final! Querem ter o direito de assassinar bebês impunemente? Pois primeiro tentem mudar a lei. Antes disso, sinto desapontar alguns, a prática continuará sendo crime.

Pois bem, quando fez aquela pergunta obscena, Cabral deu a entender – e basta saber ler para concluir isso – que ele teve uma “namoradinha que já fez aborto”. Perfeitamente. Quem foi? Quando? Quem a assistiu? Aliás, outra dúvida: onde estão as feministas – outra “facção” do progressismo moderno -, que não se interessam em cobrar de Cabral explicações sobre a declaração?

Para quem acha que tudo não passou de uma gafe, de um ato-falho, lembro que há alguns anos o governador do Rio defendeu a legalização do aborto – atenção agora! - como política pública para a redução da violência! Afirmou que as favelas brasileiras são “fábricas de marginais”. É… Na “lógica” desse açougueiro do humanismo, nascendo “menas” gente, haverá “menas” pessoas ingressando na criminalidade. Fosse – sei lá… – do DEM, Cabral seria facilmente chamado de “fascista” pelas esquerdas brasileiras. Mas como é do campo lulista, é um visionário!

Que triste ser progressista… Começa-se prometendo amanhãs gloriosos, de igualdade, fraternidade e liberdade, e termina-se justificando, por vias nada oblíquas, o assassinato de bebês. Não consigo entender como essa gente consegue dormir à noite.

A idéia do governador do Rio é tão abjeta quanto assustadora. Segundo ele, é mais simples condescender com a matança de bebês, do que colocar o aparelho de segurança do Estado para funcionar. Combater o crime? Ah, isso é para conservadores reacionários. Um legítimo progressista, como Cabral, prefere exterminar crianças – especialmente as que poderiam nascer em favelas -, para evitar que venham a se tornar bandidos. Hitler babaria de admiração. Stálin arrancaria o bigode, indagando-se como não pensou nisso antes.

Alguns amigos me perguntam quando exatamente descobri que sou um conservador. Não sei… Mas provavelmente foi quando entendi que, no meu mundo ideal, o Estado não se ocupa de defender o assassinato em massa de bebês. Em vez disso, cuidam de identificar, processar e prender criminosos. No meu mundo ideal, Sério Cabral já foi devidamente identificado. Falta ser processado e, se condenado, preso.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi


Coluna do dia: Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros

10/12/2010 em Yashá Gallazzi | (4) Comentários

Palavras-chave: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Por Yashá Gallazzi*

Há um ser humano sendo vítima de uma caçada implacável comandada por um governo. Essa pessoa, que insiste em revelar ao mundo segredos obscuros capazes de fazer tremer uma inteira nação, está sendo cruelmente perseguida e difamada.

Ninguém que persegue este indivíduo tem coragem de desmentir as coisas que ele revela ao mundo. Em vez disso, apontam o dedo para ele e o acusam de “fazer o jogo dos inimigos”; de “atentar contra o interesse e a segurança nacionais”. Falam em liberdade, igualdade e num mundo mais justo, mas trancariam esse sujeito e atirariam a chave fora, se pudessem.

Não! Eu não estou falando de Julian Assange, o cyber-hippie que se tornou, de inopinado, a menina-dos-olhos do antiamericanismo mundial. Estou falando é de Yoani Sánchez, a cubana que, a despeito de ameaças e violências praticadas contra ela pela ditadura castrista, continua denunciando ao mundo os horrores de Cuba.

Por que ninguém defende Yoani? Por que o progressismo mundial – e brasileiro… -, que foi tomado de amores pelo “valente” Assange, não abre a boca para defender as liberdades da jovem cubana? Por que Lula, que discursou em nome da liberdade do riponga internético, que não está sendo torturado por governo nenhum, se cala diante da perseguição promovida pelo “companheiro” Castro em face de Yoani?

Falemos francamente: alguém aí ficou surpreso com as “revelações” da tal Wikileaks? “Cristina Kirchner é louca!” Ué, e quem não sabia disso?! “Sarkozy é um megalomaníaco.” Bem, a mulher que ele escolheu diz tudo… “Berlusconi é um devasso.” Aff… Até as pedras do Coliseu já sabem. Surpreendente mesmo só a hipocondria de Kadafi…

Não posso crer que alguém com dois neurônios acredite realmente que esse tipo de coisa pode ameaçar o maior império da atualidade. Se você, amigo progressista, está apostando em uma revolução cibernética a partir da Wikileaks, que culminará com o colapso do Leviatã americano, só digo isso: you’re doing it wrong!

Qualquer texto escrito por Yoani sobre o terror promovido pelo regime cubano causa mais indignação do que as fofocas de comadres reveladas por Assange. Não é sem motivo que a cubana já foi espancada várias vezes pelas “forças revolucionárias” de Cuba. O riponga, pelo que se sabe, só teve que enfrentar o enorme inconveniente de ver seus servidores caírem…

Eu defendo a liberdade. Toda ela! De forma plena! Não existe “meia liberdade”, entendem? Se Assange é um herói porque revela o bullying que Hillary Clinton faz com Cristina Kirchner, Yoani Sánchez, que revela o coração pútrido de uma das ditaduras mais cruentas e sanguinárias do mundo, é o quê? Uma santa, suponho.

Não é o que pensa o progressismo… Para eles, os Estados Unidos não são melhores do que ninguém, e não podem tentar calar Assange, cujas liberdades precisam ser garantidas e defendidas. Já Yoani… bem… não passa de uma “traidora do povo e da revolução”. “Todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”, como bem lembrou Orwell no seu grandioso “A revolução dos bichos”.

É divertido, confesso, ver os contorcionismos morais que certa gente precisa fazer a fim de defender Assange e criticar os EUA, ao mesmo tempo em que busca palavras para justificar Cuba e o Irã – e sua particular “tradição” de matar mulheres por apedrejamento. É a moral elástica dessa gente: liberdade para o hacker das fofocas, mas respeite-se a autodeterminação do Irã, que tem o direito de lapidar suas mulheres. Fascinante!

No fundo, tudo se resume ao antiamericanismo mais barato e rasteiro. Toda e qualquer coisa que desagrade ou ameace os Estados Unidos, é imediatamente endossada pelo moderno progressismo, ávido por “marcar sua posição”. Não importa se a bola da vez é enaltecer uma espécie de Revista Caras da diplomacia mundial, ou emprestar arrimo a um regime assassino como o cubano. “Hay interesse americano? Soy contra!”, gritam.

Eu, que estou sempre preso aos mesmos princípios e valores morais, aborrecidamente imutáveis, defendo a liberdade plena. Isso significa, por exemplo, saber que o mundo não se tornou um lugar melhor porque o tal Assange resolveu ser colunista social de diplomatas e chefes-de-Estado. Mas seria sem dúvida muito melhor se gente como Castro e Ahmadinejad, ambos protegidos e justificados pelo PT, por Lula e pelo progressismo em geral, não estivessem no mundo para esmagar as liberdades de ninguém.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas, editor do blog Construindo o Pensamento e escreve no Twitter em @yashagallazzi