Arquivo da seção ‘10. América Latina’

Crime sobe no regime chavista

21/08/2010

Informa o Portal Globo. com:

“Um dia depois de um tribunal de Caracas ter revertido parcialmente uma medida preventiva que proibia os jornais do país de publicar fotos que retratassem violência, uma pesquisa encomendada pelo governo venezuelano veio a público, confirmando que a insegurança no país é crescente.

De acordo com os dados apresentados pelo estudo, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística do país, 19.133 pessoas foram assassinadas na Venezuela em 2009, um número alto para um país de 28 milhões de pessoas.

Desses homicídios, cerca de 80% foram cometidos com armas de fogo. Os números indicam também que, no ano passado, um venezuelano foi morto a cada 27 minutos”.

O governo Hugo Chávez é mesmo um sucesso.

Digo e repito: O governo venezuelano é semi-ditatorial, autoritário, personalista, opressor, censurador e ineficiente.

Qualquer avanço social atingido é elogiável mas não justifica nem um pouco os equívocos enormes do regime.

Na realidade a Venezuela precisa de uma alternativa democrática, que olhe pelo social, mas que respeite as liberdades individuais e as regras básicas da política econômica.

Os venezuelanos precisam buscar essa alternativa, criá-la se for preciso e não perdoar Chávez pelas arbitrariedades apenas por terem sido governados por uma oligarquia cleptocrática antes da eleição dele.

 

Análise geral: A tensão entre Colômbia e Venezuela e a política externa brasileira

31/07/2010

Hugo Chávez anunciou o movimento de tropas para a fronteira com a Colômbia, acusando o governo colombiano de ter invadido o espaço aéreo venezuelano.

Chávez admitiu ter revisado ‘planos de guerra’ para um eventual conflito.

Em suma, sobe a tensão na região. Mas nós pouco fazemos.

Onde está o Brasil que não se dispõe a mediar este conflito?

Meter a colher na tensão constante entre Israel e Palestina o Itamaraty quer.

Ou seja: Onde não é chamado, o Brasil hoje se mete, buscando mídia para provar uma suposta nova e maior influência na ordem mundial.

Mas onde o País precisa interferir, utilizando sua real – e não fantasiosa – influência geopolítica, que é na América do Sul, o Brasil se exime.

E por quê?

Porque hoje o Itamaraty é de governo e não de Estado. As posições tomadas levam em conta a ideologia do grupo que hoje domina a nação e não necessariamente os interesses legítimos da pátria, desmoralizando uma diplomacia que sempre foi motivo de orgulho, respeitada internacionalmente.

O mais curioso é que esse posicionamento ideológico é aplicado somente para fora, sob o comando do “inigualável” Marco Aurélio Garcia.

Para o “mercado interno” defende-se o progresso e o desenvolvimento, além do consequente desempenho eleitoral, com posturas pragmáticas.

Ora, mas então qual a razão da defesa do atraso em nível externo?

Exatamente a necessidade de um contraponto ao pragmatismo interno.

As pataquadas da política externa são uma satisfação para a ala mais radical do governismo.

Enquanto o esquerdismo pré-queda do Muro de Berlim destruir o Itamaraty, as políticas internas pragmáticas podem seguir com menos represálias.

Como política externa não dá e não tira votos, está tudo certo.

O Brasil passa a ser pseudo-respeitado no exterior, Lula se torna “o cara” e nós somos os patetas da história.

Venezuela e Colômbia? Não nos metemos, até porque temos lado.

O bom é tentar resolver a guerra milenar entre judeus e muçulmanos com umas camisas da seleção brasileira.

Argentina aprova casamento homossexual

15/07/2010

Informa o Globo a respeito da legalização do casamento homossexual na Argentina:

“A Argentina tornou-se o primeiro país latino-americano a autorizar homossexuais a se casarem e adotarem filhos, desafiando a oposição católica para engrossar as fileiras dos poucos países, em sua maioria europeus, que já contam com leis semelhantes.

O Senado argentino aprovou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo na madrugada da quinta-feira, após mais de 14 horas de debates acirrados, enquanto centenas de manifestantes permaneciam reunidos diante do Congresso sob frio. Os senadores aprovaram a lei por 33 votos contra 27, com três abstenções.

‘Somos agora uma sociedade mais justa e democrática. Isso é algo que todos devemos festejar’, disse a destacada líder dos direitos dos homossexuais Maria Rachid, enquanto os defensores da lei se abraçavam e festejavam o resultado da votação.

 

[...]

País nominalmente católico, a Argentina agora se encontra na vanguarda dos direitos dos gays na região.

Líderes da Igreja Católica tinham feito campanha contra a lei, reunindo dezenas de milhares de manifestantes contrários a ela, desde crianças até freiras idosas, diante do Congresso na terça-feira.

Mas as pesquisas de opinião mostram que a maioria dos argentinos é a favor do casamento gay.

 

[...]

Analistas políticos dizem que a postura adotada pela presidente teve o objetivo de reforçar as credenciais de esquerda de seu partido. A expectativa ampla é que Nestor Kirchner, marido de Cristina e seu predecessor na Presidência, volte a candidatar-se para as eleições de outubro de 2011.”

Hugo Chávez não quer vitória do PSDB no Brasil: Com um amigo desses, Dilma não precisa de inimigos

07/02/2010

Informa a Agência de Notícias EFE:

“O presidente venezuelano, Hugo Chávez, indicou hoje que seria ‘nefasto’ para a América Latina se a direita recuperasse o Governo do Brasil nas próximas eleições presidenciais, em outubro.

‘Neste ano há eleições no Brasil e temos certeza de que o império americano vai apostar tudo na direita brasileira, para ter desde 1º de janeiro do ano que vem um Governo subordinado às ordens americanas. Isso seria nefasto para a união da América do Sul’, disse Chávez em seu programa dominical ‘Alô Presidente’.

‘Não nos intrometemos nos assuntos internos, mas cabe a nós saber o que acontece nos países irmãos da América Latina e do Caribe’, acrescentou o presidente venezuelano.

Em primeiro lugar, é uma hipocrisia danada se meter descaradamente  nos assuntos que envolvem o processo eleitoral brasileiro e depois afirmar que não se intromete em assuntos internos dos países vizinhos. Até parece que resolve assoprar depois de bater.

Em segundo lugar, esse discurso de que uma vitória da oposição seria a vitória dos “ianques” é equivocado e atrasadíssimo. A direita latino-americana já não é mais marionete, pelo menos não nos países mais desenvolvidos, há muito tempo. E o PSDB nem mesmo de direita é, na verdade. Talvez seja possível dizer que é próximo do empresariado, mas isso não é necessariamente ser de direita e muito menos estar subordinado aos EUA. Trata-se de acusação patética. Dizer que o PSDB é entreguista é conversa de uma esquerda órfã do Muro de Berlim. Não convence. Dizer que o governo Lula foi bem melhor no lado social é muito mais interessante.

Por fim, a realidade é que, sinceramente, quando vejo Hugo Chávez dizendo estas baboseiras sobre a oposição e quando lembro que ele já pediu que os brasileiros elejam Dilma Rousseff, ganho pelo menos um motivo para preferir José Serra.

O apoio de Chávez é prejuízo. E ainda bem que é assim. É sensato. Não poderia ser diferente.

Depois de ter apoiado tacitamente um Programa Nacional de Direitos Humanos com certo cunho chavista em diversos pontos, Dilma não pode nem pensar em ser apoiada efusivamente pelo ditador venezuelano. Seria a confirmação de que a esquerda da Ministra não é a de Lula.

E não é mesmo.

Chávez teria financiado, literalmente, atentado contra a democracia na Nicarágua

02/02/2010

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, tem passado guerrilheiro. Hoje, porém, segue, infelizmente, o caminho de muitos ex-guerrilheiros que conseguem chegar ao poder, seja pela via democrática ou não: O caminho do autoritarismo. Sendo assim, não surpreende a aliança existente atualmente entre ele e Hugo Chávez. Foi por conta dela que a Nicarágua passou a fazer parte da ALBA, Aliança Bolivariana das Américas, alternativa chavista à ALCA.

Como não poderia deixar de ser, o neo-bolivariano Ortega – que, diga-se de passagem, preside um país que na verdade é governado nos bastidores por sua esposa, Rosario Murillo – começou a assediar os meios de comunicação que, coincidentemente, dizem verdades que não agradam ao regime.

Agora, a situação chega ao extremo, com a compra por Ortega do Canal 8 nicaraguense, a Telenica. Está claro que o líder da Nicarágua tenta siienciar a oposição.

Mas a pior parte da história não é essa. O pior de tudo vem agora.

Foi Chávez quem deu dinheiro a Ortega para que este pudesse comprar o canal de televisão de seu país que era uma voz de oposição, calando assim as críticas.

Era da Albanisa (ALBA da Nicarágua S.A.), consórcio criado por Chávez para recompensar o apoio político dado pela Nicarágua ao bolivarianismo, o dinheiro utilizado para a compra. O gerente-geral da Albanisa, Rafael Paniagua, confirmou que foram fundos da sociedade que possibilitaram a compra do canal.

Trata-se de Chávez financiando, literalmente, os atentados contra a democracia na América Latina. Foi o dinheiro que a Venezuela transfere para a Nicarágua em troca de apoio político, através de empresas de fachada como a Albanisa, o utilizado para calar a oposição que Ortega enfrenta.

Ao invés de governar melhor, respeitar a democracia e os direitos da oposição e prezar a liberdade, Daniel Ortega preferiu pegar o dinheiro que a Venezuela lhe dá e calar a boca dos opositores. Levando em conta a índole de Chávez, este deve ter aplaudido e repetido a ladainha de que o tal canal de televisão era “representante das oligarquias entreguistas, do capitalismo selvagem e do imperialismo americano”. O fato de ele fazer oposição ao regime deve ser mera coincidência.

Por essas e por outras o ideário bolivariano, o comportamento de Chávez e a política expansionista do chavismo só podem ser encarados como nocivos.

Felizmente, Chávez enfrenta hoje dificuldades políticas internas e externas, que podem levar, no médio prazo, ao ocaso do chavismo.

As dificuldades econômicas do povo venezuelano, que ao contrário das dificuldades políticas de Chávez não podem ser comemoradas por ninguém, também colaboram para este quadro de derrocada.

Perspectiva: Hugo Chávez – Início do fim?

01/02/2010

Os últimos acontecimentos políticos da América Latina podem ter decretado o fim da expansão do bolivarianismo na região. Os recentes fatos políticos venezuelanos, por sua vez, podem representar mais: A derrocada de Hugo Chávez. Externa e internamente o semi-ditador enfrenta graves dificuldades de ordem socio-político-econômica.

No que diz respeito à América Latina, o bolivarianismo recebeu, recentemente, três golpes duros:

A vitória de Sebastián Piñera nas eleições presidenciais chilenas, através de um discurso anti-Chávez e da defesa de um projeto de centro-direita.

A resolução pacífica do impasse hondurenho, com a confirmação de perda do poder e ida para o exílio de Manuel Zelaya, representante da ideologia chavista no País, e subida à presidência de Pepe Lobo, conservador e defensor de um discurso de conciliação que agradou os hondurenhos.

E a atuação humanitária ampla e elogiadíssima dos Estados Unidos no Haiti, recuperando para os americanos um pouco da imagem de benfeitores que já existiu em algumas épocas passadas e enfraquecendo o argumento bolivariano de que os EUA são os vilões e malfeitores da América Latina.

No que concerne o cenário político-econômico interno da Venezuela, a conjuntura também não é nada animadora para os chavistas:

Uma crise cambial séria atinge o país, trazendo inflação, desabastecimento e recessão. Desvalorizações monetárias desastradas, planos econômicos pouco eficientes e fixação de preços têm sido o caminho de combate não muito eficiente escolhido.

Sucessivos cortes de energia elétrica se dão nas cidades venezuelanas. Há racionamento intenso e agressivo. Uma crise energética clara está completamente instalada. Também existe falta d’água em algumas torneiras, além de uma seca que afeta a agricultura já enfraquecida pelos anos de desatenção chavista.

E o regime de Chávez, afetado por isso tudo, está em baixa significativa. O Vice-Presidente renunciou. A Ministra do Ambiente, esposa deste, também. Deixou igualmente o governo o Presidente do Banco da Venezuela. Há definitivamente algo de podre no reino chavista dos bolivarianos.

Diante de toda esta situação político-econômica difícil, Hugo Chávez perdeu de vez o controle. Decidiu, como os piores ditadores, responder aos pedidos de mais liberdade com mais repressão, devolver as críticas com justificativas absurdas e risíveis e ameaçar os opositores internos e externos com bravatas.

Enquanto Chávez afirma ridiculamente que os Estados Unidos causaram um terremoto que atingiu a Venezuela, a criminalidade no país dispara, chegando a níveis recordes.

Ao mesmo tempo em que o líder venezuelano desafia a oposição a afastá-lo e repete o enfadonho, mofado e equivocado discurso de que os protestos populares recentes são obras de conspirações oligarcas e burguesas, sua popularidade despenca entre a população e as mobilizações contrárias ao regime e defensoras de mais liberdade, principalmente de opinião e de imprensa, proliferam.

Ao passo que a influência externa de Hugo Chávez vai minguando, seu poder também se reduz internamente. Seu governo começa a ser questionado com mais atrevimento, fato típico do ocaso das ditaduras e das gestões autoritárias.

- Se Chávez está acabado, bem, me afastem! Com toda a energia gasta nessa loucura, toda tinta e papel, que organizem um grupo, peçam o referendo. Vamos ver se dizem mesmo que estou acabado. Ninguém vai impedi-los — foi o que disse o Presidente venezuelano à sua oposição.

Claramente, esperneira e desafia para se afirmar. Líderes personalistas sempre reagem mal às quedas de popularidade e aos questionamentos de suas qualidades. Comprova-se até psicologicamente que o caudilho está em maus lençóis.

Em resumo, temos hoje um cenário de vantagem da democracia liberal sobre o chavismo na América Latina e uma conjuntura socio-político-econômica completamente prejudicial aos planos condenáveis de Chávez no mundo próprio da Venezuela.

Será o início do fim?

Absurdo: Governo chavista venezuelano quer controlar o Twitter e o Facebook no país

28/01/2010

Informa o Estadão, a respeito da absurda intenção do governo chavista venezuelano de, comprovando seu viés ditatorial, estender seus braços de controle da mídia até o Twitter e o Facebook:

“Ocupar todos os espaços dos meios de comunicação e de todas as maneiras possíveis passou a ser a principal missão dos partidários de Hugo Chávez. Além do império de mídia mantido por eles – 34 emissoras de TV, centenas de estações de rádio, jornais de circulação regional e nacional e uma agência de notícias -, o plano agora é tomar as redes sociais da internet, como Twitter e Facebook.

‘Não podemos deixar que os ‘esquálidos’ [como os chavistas chamam os inimigos do regime] tomem conta da internet’, disse no programa La Hojilla, da VTV, o apresentador Mario Silva.”

É por essas e por outras que já não há mais quem negue o fato de que a Venezuela caminha a passos largos para uma ditadura completa. Os simpatizantes brasileiros de Hugo Chávez sumiram.

Não por terem deixado de apoiá-lo, mas porque o fato de Chávez ter mostrado sua verdadeira cara força agora quem quer defendê-lo a se assumir como apoiador de regimes autoritários, deixando de lado a balela de que na Venezuela existe democracia.

Afinal, quando um governo quer controlar até o Twitter e o Facebook, se não é ditadura, é o quê?

Fotos e comentários: Juventude venezuelana protesta contra o autoritarismo chavista

27/01/2010

A juventude venezuelana cumpre seu papel e protesta contra um regime autoritário, praticamente ditatorial e cada vez mais indefensável. Durante a vida deste Perspectiva, as críticas duras a Hugo Chávez aumentaram com o tempo. Os número de defensores de que há uma democracia na Venezuela tomou o caminho inverso. Chávez não ludibria mais ninguém.

Hoje a Venezuela tem economia fraca, preços indexados e inflação galopante. A liberdade de imprensa sofreu mais um ataque contundente através de novas dificuldade impostas à RCTV.  Membros importantes do governo chavista renunciam a seus cargos.

Como já disse este que vos fala anteriormente, há algo de podre no reino chavista da República bolivariana. Sempre houve. Mas agora apodreceu de vez.

A juventude da Venezuela sabe disso. E quer mudança.

Chávez, em resposta a eles, nomeou um novo Vice-Presidente mais radical do que o anterior.

Era de se esperar algo assim de um homem que hoje entra no caminho da busca de conhecimento e de sonhos de seus jovens, caminha na contramão da história e é caricatura de si mesmo, piorando o que já não era nada bom.

Após renúncia de Vice-Presidente e de Ministra do Ambiente, Presidente do Banco da Venezuela também deixa o governo

27/01/2010

Informa o Globo:

“Logo após o anúncio dos pedidos de demissão do vice-presidente e ministro da Defesa da Venezuela, Ramón Carrizález, e de sua mulher, Yuvirí Ortega, o presidente do Banco da Venezuela, Eugenio Vázquez Orellana, anunciou nesta terça-feira que vai deixar a instituição por motivos de saúde. Fontes do Banco Central da Venezuela – que pertencia ao grupo Santander e fora estatizado em julho passado – afirmam, no entanto, que divergências entre o novo ministro da Economia, Finanças e Planificação, Jorge Giordani seriam o real motivo, segundo o jornal ‘El Universal’.”

Somam-se às baixas os sérios problemas econômicos e financeiros que a Venezuela está sofrendo.

Há algo de podre no reino chavista da República bolivariana.

Era de se esperar…

Honduras acerta: Pedida a prisão de cúpula militar que deportou Zelaya

08/01/2010

Informa o Estadão:

“O procurador-chefe de Honduras, Luis Alberto Rubi, pediu ontem à Suprema Corte que emita mandados de prisão contra comandantes militares do país por abuso de poder. A infração ocorreu, segundo Rubi, quando a cúpula militar retirou o então presidente Manuel Zelaya do poder e o expulsou do país, em 28 de junho. A corte terá três dias para decidir se aceita ou não o pedido do procurador.

[...]

Se a Suprema Corte indiciar as lideranças militares, o caso deve ser ouvido por um dos 16 magistrados desse tribunal. Entre os listados pelo procurador estão o chefe das Forças Armadas, general Romeo Vásquez, e cinco outros oficiais, incluindo o chefe da Aeronáutica, general Javier Prince, e o comandante da Marinha, general Juan Pablo Rodriguez. Caso condenados, eles podem pegar entre três a quatro anos de prisão.”

A Suprema Corte hondurenha não pode tomar outra decisão que não seja iniciar os processos visando a prisão daqueles que deportaram Zelaya. Seria um exemplo para o mundo, além de uma interessante e devida complicação para a retórica dos que insistem em dizer que houve um terrível golpe em Honduras.

Este que vos fala afirmou à época do rebuliço hondurenho e afirma novamente, sem medo de causar polêmica: Em Honduras houve um abuso por parte dos militares que expulsaram Zelaya do país, já que essa não era a punição prevista legalmente para o crime cometido por ele ao tentar modificar à força a Constituição hondurenha, desafiando ordem expressa da justiça daquele país, porém, golpe não houve.

Não houve golpe por dois motivos simples:

Primeiramente porque Zelaya deixou de ser o Presidente ao tentar aprovar, por via de plebiscito proibido, a sua tentativa de reeleição, afinal, a punição prevista para quem se porta desta forma é, segundo a carta magna hondurenha, a perda imediata do mandato.

Em segundo lugar, porque foi empossado no lugar de Zelaya o sucessor constitucional, o Presidente do Congresso, e não um militar.

Tanto é assim que a população hondurenha não apoiou maciçamente  a tentativa de Zelaya de tentar retomar o poder e compareceu fortemente às urnas para eleger um novo Presidente legítimo, tendo vencido as eleições Porfírio Lobo. As eleições e um novo Presidente com legitimidade são a melhor saída para o impasse hondurenho e o povo do país, sábio, sabe disso.

Contudo, nada disso quer dizer que o abuso dos militares não deve ser punido. É claro que deve. É óbvio que deve. Zelaya deveria ter sido deposto legalmente, com aval do Parlamento hondurenho, e ponto final. Tendo cometido arroubos desnecessários e completamente condenáveis, os que ordenaram e os que empreenderam a deportação do ex-Presidente no meio da madrugada precisam, como Zelaya, sofrer as consequências legais de seus atos.

Defendo isso desde o início e, neste momento, aproveito para reproduzir trechos escritos por mim em 29 de junho de 2009:

Estando configurada a tentativa de Zelaya de ir contra todo o ordenamento jurídico hondurenho e de deixar que um líder estrangeiro influenciasse uma questão de soberania nacional, o equivalente ao STF determinou a prisão dele. Com isso, Zelaya apresentou sua renúncia à presidência.

Pela manhã, o Congresso aceitou a renúncia e nomeou Presidente o presidente do Congresso, Roberto Micheletti. Zelaya foi detido pelo exército e transferido para a Costa Rica. Nesse momento, curiosamente, Zelaya negou a renúncia.

[...]

As Forças Armadas hondurenhas, juntamente com a oposição ao governo, cometeram certos abusos inegáveis e que são condenados por este blogueiro. Manuel Zelaya não deveria ter sido retirado do poder sob armas e levado para fora do país.

Porém, os abusos são compreensíveis. Afinal, havia o receio totalmente correto de que Zelaya fizesse Honduras ser mais um país a trilhar o caminho do bolivarianismo. O que ele tentava empreender era exatamente isso.

Em suma, Zelaya realmente não deveria ter sido deposto pelo exército,  e sim, por pressão do Congresso, eleito pelo povo e legítimo, que aceitou sua renúncia.

[...]

O que o exército hondurenho fez foi muito errado no modo, mas não, na essência. Não deveria ter sido o exército a retirar Zelaya do poder, porém, aceita a renúncia deste pelo Congresso e nomeado o novo Presidente, Manuel Zelaya deveria sim, no fim das contas, deixar o governo. Melhor que tivesse sido voluntariamente.

A mesmíssima posição firme da época continua valendo. Zelaya errou feio e os militares que o deportaram também. Mas Zelaya errou no modo e na essência. Os militares só erraram no modo. O que eles fizeram é compreensível, entende-se o que os motivou, mas não justifica-se.

Deposto do poder Zelaya deveria ter sido realmente, afinal, não era mais Presidente. Deportado, não!

Espero com ansiedade a decisão da Corte Suprema hondurenha.

Se a denúncia for aceita e os militares indiciados, será um caso raro de um país que puniu os que mereciam em ambos os lados da contenda em questão. Será uma demonstração de justiça, de sensatez, de coerência. Valores muito caros ao Perspectiva e a este que vos fala e por isso defendidos neste espaço diariamente.

Corre o boato de que o pedido de prisão poderia ser só fachada. Torço para que não.

Se não for, Honduras irá ter acertado. E muito.