Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais

22/06/2010 em 19. Outros | (8) Comentários

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O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, comenta as articulações políticas em torno dos governos estaduais, a relação estreita destas com a corrida presidencial e o modo como estas se afetam mutuamente.

Vale a leitura, principalmente por tratar de uma boa quantidade de estados, apresentando um panorama geral.

Fatores Regionais

Merval Pereira*

Os dez últimos dias para a montagem das coligações regionais serão de muita tensão nos bastidores, onde se desenrolam as últimas negociações. O governo está saindo delas menor do que entrou, mas ainda assim maior do que a oposição, com uma campanha presidencial bastante organizada e fortes palanques estaduais.

O maior perigo nesse período para o PSDB, com o crescimento da candidatura de Dilma Rousseff, era ser abandonado por parceiros políticos que abandonaram a base governista por questões regionais.

No entanto, André Puccinelli do PMDB do Mato Grosso do Sul aderiu; Osmar Dias do PDT do Paraná aderiu. E o PP nacional pode ficar neutro, o que ajuda.

O governo usa seus últimos cartuchos para pressionar os parlamentares do PP dilmistas a convocarem uma convenção até o fim do mês, mas a parte que prefere apoiar a candidatura tucana tem força para impedir a convocação, criando uma situação de fato que levará à neutralidade.

O fato é que o país dividiu-se geograficamente, e grupos políticos que normalmente estariam com Lula ficaram na oposição, especialmente os que representam o agronegócio.

Estados produtores com o câmbio baixo, dificuldades de exportação, estradas intransitáveis, portos sem capacidade de escoamento e ainda por cima a ameaça de o MST ganhar mais força em um eventual governo Dilma levaram o Sul a fechar com o candidato do PSDB.

No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.

Beto Richa é o candidato favorito ao governo, ainda mais depois que o senador Osmar Dias decidiu se candidatar à reeleição.

Em Santa Catarina, há três forças políticas que apoiam Serra indiscutivelmente: o ex-governador Luiz Henrique do PMDB, que é o favorito para o Senado; Raimundo Colombo, ligado aos Bornhausen, que deve ser o candidato a governador, e o Leonel Pavan que está no governo com o PSDB. A senadora Ideli Salvatti é a candidata ao governo pelo PT.

A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.

No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.

Em São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin é o favorito para ganhar no primeiro turno, e o PSDB espera que Serra vença com uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos.

Há quem tema, porém, que Alckmin não se esforce tanto quanto seria necessário, ainda uma sequela da disputa pela prefeitura em que Serra apoiou Kassab.

Em Minas Gerais, o PSDB também depende do empenho do ex-governador Aécio Neves.

A disputa pela Presidência está empatada, mas o crescimento da candidatura de Antonio Anastasia pode ajudar Serra num estado em que Lula ganhou as duas últimas eleições com diferença entre 1 e 1,5 milhão de votos.

No Espírito Santo, o candidato do PSB Renato Casagrande é o grande favorito, e o PSDB tem Luiz Paulo Vellozo Lucas, ex-prefeito de Vitória, como candidato, com o apoio do PTB e DEM, e Rita Camata como candidata ao Senado. Serra está na frente no estado.

No Nordeste, o PSDB só pode tentar “reduzir os danos”. Na Bahia, Paulo Souto é candidato ao governo com PSDB e DEM, com Geddel Vieira Lima pelo PMDB e Jacques Wagner pelo PT.

Em Sergipe, João Alves é muito competitivo contra o Marcelo Déda do PT, e José Serra é mais forte do que Dilma.

Em Alagoas, o governador tucano Teotônio Vilela concorre à reeleição e foi lá o único estado em que Serra ganhou em 2002. Mas os favoritos são o senador Fernando Collor, da base do governo, e o ex-governador Ronaldo Lessa do PDT.

Em Pernambuco, Jarbas Vasconcellos reuniu forças consistentes no estado: Marco Maciel e Sérgio Guerra. Mas o governador Eduardo Campos é o franco favorito.

Na Paraíba, José Maranhão do PMDB é o favorito, e a maior força do PSDB era o Cássio Cunha Lima, que está às voltas com a Lei da Ficha Limpa.

No Maranhão, o ex-governador Jackson Lago também está teoricamente atingido pela nova lei, mas em situação mais favorável, porque já cumpriu a pena, mas a única perspectiva da oposição é tentar perder de menos.

No Piauí, há a candidatura tucana de Silvio Mendes, que é muito competitivo, contra dois candidatos governistas: Wilson Martins e João Vicente Claudino.

No Rio Grande do Norte, a candidata do DEM Rosalba Ciarlini é favoritíssima. No Ceará, o senador Tasso Jereissatti está fazendo uma pesquisa para tomar a decisão se deve ser candidato a senador ou a governador.

Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.

No Norte, onde o governo também tem vantagem, há Tocantins, onde o Siqueira Campos do PSDB é favorito, principalmente agora que o Marcelo Miranda se tornou inelegível.

No Pará deve ter segundo turno com Simão Jatene do PSDB disputando com José Prianti do PMDB e a governadora petista Ana Júlia.

O deputado Jader Barbalho tem um problema igual ao do Joaquim Roriz do PSC de Brasília: ambos renunciaram para não perder o mandato e estão inelegíveis pela Lei da Ficha Limpa.

Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.

O pior problema dos tucanos é o Amazonas, onde o senador Arthur Virgílio não conseguiu montar um palanque local, a não ser o dele, sem chapa de governador. O maior problema do governo é o Paraná.

*Merval Pereira é jornalista, colunista de O Globo e comentarista da Rádio CBN e da Rede GloboNews


8 Comentários em “Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais”

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  1. Comment by Tweets that mention Artigo: Merval Pereira – Fatores regionais | Perspectiva Política -- Topsy.com22/06/2010 at 16:15   Reply

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  2. Comment by Carlos Caldas22/06/2010 at 22:28   Reply

    Bruno, se v. puder ajudar a divulgar….PE e AL estão com várias cidades devastadas pela chuvas dos últimos dias. Quem puder ajudar as milhares de famílias desabrigadas: Contas oficiais:
    Corpo de Bombeiros de Alagoas: Banco do Brasil Agência 3557-2 Conta corrente 5241-8 ou * Caixa Econômica FederalAgência 2735Operação 006Conta 955/6

    Posto da Polícia Rodoviária Federal de Barreiros PE- Banco do BrasilAgência 0710-2Conta corrente 6070-4

    Prefeitura Municipal de Barreiros – AG: 0710-2 ; C/C: 6070-4; Banco do Brasil

  3. Comment by Bob Jegg — 22/06/2010 at 23:31   Reply

    Por vezes fico intrigado. Será que o Merval Pereira é o Professor Hariovaldo Almeida Prado? – http://hariprado.wordpress.com/

    “A definição do Sudeste, onde Serra vence nas pesquisas, terá o peso fundamental de São Paulo e Minas, onde os tucanos esperam tirar uma vantagem expressiva.”
    – Merval torce tanto por Serra e se esquece que Dilma está a frente de Serra em MG. 37 x 32%.

    “No Rio Grande do Sul, o PSDB tem a governadora Yeda Crusius, apesar de todos os problemas que enfrentou, um grande pedaço do PMDB, e uma aliança DEM-PTB, além do PP e do PPS. Contra o PT e o PDT com o ex-ministro Tarso Genro.” – Merval esqueceu de dizer que Tarso Genro lidera as pesquisas.

    “Em Goiás, o franco favorito é o senador Marconi Perillo, apesar da intenção do presidente Lula de derrotá-lo.” – Merval surta de vez. O Lula é candidato ao governo de Goiás??

    “Foi uma absoluta surpresa o comportamento dos Gomes, pressionados pelo enviado especial José Dirceu, que lhes avisou que teriam sérios problemas se não apoiassem o ex-ministro José Pimentel para o Senado.” – Mais um surto psicótico digno de internação.

    “No Rio de Janeiro, o palanque é com o PV do candidato Fernando Gabeira. A soma de Marina Silva com José Serra supera Dilma Rousseff, que ganha individualmente no Estado, com o apoio do governador Sérgio Cabral, favorito na disputa para governador.”
    - Merval poderia nos explicar o que tem a ver que a soma de Marina com Serra supera Dilma.
    Professor HariPrado deve estar retorcendo de inveja desse texto do Merval.
    :D :D :D

    • Comment by Bruno Kazuhiro23/06/2010 at 19:16   Reply

      Bob,

      Obrigado pelo comentário.

      Alguns pontos dos quais discordo:

      1- Lula não é candidato ao governo de Goiás, claro. Mas expressou desejo de colocar sua influência a serviço da derrota de Perillo.

      2- O comportamento dos Gomes foi de certa forma, sim, surpreendente. Não poderão manter a aliança branca com Tasso Jereissati. E Tasso e Ciro são amigos e aliados há décadas.

      3- A soma de Marina com Serra deveria se traduzir em uma subida de das intenções de voto de Gabeira. Isso que Merval quis dizer. E concordo com ele. É estranho que o candidato de Marina e Serra esteja longe das intenções de voto que os candidatos a Presidente que o apóiam têm somados.

      Volte sempre!

  4. Comment by Andrea S — 23/06/2010 at 14:11   Reply

    Bob jegg
    Por textos como este é que a imprensa fica desacreditada.Uma tentativa inútil de uma torcida por um candidato passar por análise objetiva dos fatos.O Merval tenta enganar a quem se todos sabem a sua predileção.Aliais direito dele, não fosse o Globo um jornal que se diz imparcial.

    • Comment by Bruno Kazuhiro23/06/2010 at 19:20   Reply

      Andrea,

      Obrigado pelo comentário.

      É isso! Se o Globo se declarar como tendo um lado x, não haverá problema em seus jornalistas defenderem o candidato x. O problema é declarar-se isento ou imparcial e não ser. A democracia na imprensa sempre se dará no sistema e não em um meio só.

      Volte sempre!

  5. Comment by Marcos Antônio — 24/06/2010 at 16:41   Reply

    O Merval Pereira tentou puchar a brasa pro assado dele (e dos tucanos)aqui e ali mas não adiantou. Devia ter dito assim: Serra perde pra Dilma para Presidente; Já nos estados o PSDB tem que ficar contente se conseguir manter São Paulo e talvez eleger mais uns 3 governadores. O problema que tem jornalista que se baseia por esses dados e depois não consegue entender (ou não quer) por que a Dilma está com 40% e não para de crescer.

  6. Comment by Marcos Antônio — 24/06/2010 at 16:43   Reply

    O Merval Pereira tentou puchar a brasa pro assado dele (e dos tucanos)aqui e ali mas não adiantou. Devia ter dito assim: Serra perde pra Dilma para Presidente; Já nos estados o PSDB tem que ficar contente se conseguir manter São Paulo e talvez eleger mais uns 3 governadores. O problema que tem jornalista que se baseia nesses dados e depois não consegue entender (ou não quer entender) por que a Dilma está com 40% e não pára de crescer.

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