justo e independente, sensato e coerente
In: Tiago Franz
8 Feb 2010
Por Tiago Franz*
Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?
Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?
Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.
Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.
A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.
Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.
Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.
Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.
Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.
Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.
Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.
Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.
*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz
15 Responses to Coluna do dia: Marina Silva – o bom senso em pessoa
Marco Reis
February 8th, 2010 at 12:41
Será mesmo?
Marina disse ao seguinte quando saiu do PT: “Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o PT. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito”.
1. Mesmo diante do mensalão, da associação descarada com os criminosos do MST e tantos outros escândalos, eu fico pasmo de saber que essa decisão exigiu muito dela. E mais: que ela precisou de coragem para isso.
2. Ela saiu ainda tendo imenso respeito pelo PT. Se apesar de tudo ela ainda respeita o PT, então ela ainda merece respeito como qualquer ser humano, mas definitivamente não merece uma homenagem por isso.
Vou colar trechos de ideias de Marina disponíveis no site do senado:
“A manifesta intenção de reduzir significativamente a emissão de gases estufa e a criação de empregos “verdes”, ou seja, decorrentes de investimentos em energias limpas, são pontos fortes da inovação comprometida com o longo prazo e acompanham a tendência mundial para reagir à crise ambiental. (Obama Chegou)
>>>Comentário: A) Não é combatendo o CO2 que vamos salvar o planeta. Aquecimento global é uma farsa. Basta pesquisar um pouco e não dar ouvidos apenas às agências (fraudulentas???vide caso IPCC) da ONU. B) Mas o que seriam empregos verdes? Esses empregos seriam criados pelo governo? Para servir de cabide a alarmistas ambientalistas?
“A democracia pressupõe a mais ampla e inequívoca separação entre Estado e sociedade civil e o irrestrito exercício das liberdades públicas. O quadro democrático se engrandece pela universalização dos espaços de participação não obrigatórios. A ação do Estado não cria a democracia: esta nasce da consciência que dela tenha os indivíduos em suas relações fundadas em seu fazer diário. A liberdade e a autonomia não se coadunam com nenhuma contribuição compulsória, nem com a unicidade forçada, nem com o enquadramento vindo do alto. Assim o fim da contribuição sindical obrigatória é um primeiro passo. A formação de uma consciência que leve ao reconhecimento da necessidade das estruturas sindicais deve emergir do movimento operário, em seu cotidiano. É no reconhecimento de seu papel social, de sua posição na produção e no desfrute da riqueza social que se funde essa consciência do trabalhador. Isto não pode ser imposto sob pena de os sindicatos serem transformados em mecanismos de garantia do statuo quo, quando devem ser de transformação social.
(Sobre o fim da contribuição sindical)
>>Comentário: Aqui a Marina começa bem, mas depois estraga tudo. De fato, uma contribuição é algo voluntário. Forçar alguém a colaborar com o Estado não se coaduna com fraternidade ou liberdade. Mas por que então Marina não escreve um artigo defendendo essa mesma ideia para o FIM de outras contribuições e tributos, e não só a contribuição sindical? Depois ela relembra descaradamente seu passado e presente marxistas e fala em movimento do operário. Ora, marina, nem o Marx falaria em movimento operário atualmente. Será que Marina quer que os operários liderem a revolução? Afinal de contas, o Lula não é o maior representante dos operários? Ahhh mas o Lula e suas práticas fizeram com que Marina deixasse o PT, não? Será que Marina consegue se entender no meio dessa confusão conceitual?
“Para buscar uma ética na economia teríamos dois caminhos. Um, corretivo, com ênfase em políticas compensatórias, no fundo procuraria não interferir na lógica essencial da “máquina de produzir pobreza” inerente ao funcionamento do sistema. Outro, integrativo, embora não desprezando ações emergenciais, necessariamente enfrentaria a questão que para muitos parece ingênua, da necessidade de dar à economia visão de equidade social.
Pois então sejamos radicalmente “ingênuos”. Por que não é possível ser diferente?”
>>>Eu explico. É fácil. Se você quer ética, comece pelo básico: não espoliar os outros. Essa busca frenética por igualdade social é uma espoliação. Você confisca dinheito (sob o título soft de contribuição-tributo/contribuinte) de quem tem e dá a quem não tem. É simples assim. Eu gostaria de saber se Marina acha isso ético.
Em segundo lugar, Marina não deve compreender bem o que significa “escassez”. Os recursos são escassos. Qualquer tributação que pretenda gerar uma equidade máxima terá como efeito o desestímulo à produção (já que ninguém conseguirá auferir lucros) seja por razões técnicas (é preciso capital para investir) ou por razões psicológicas: se vc é emp´resário e o governo lhe toma boa parte do q vc produz, por que raios vc vai se esforçar?
A pobreza é algo provocado pelo próprio governo com suas políticas assistencialistas. Lembrem-se, quando existia o livre mercado nos USA (1760-1914) sua população enriqueceu de modo impressionante, a taxação não ultrapassava 3% do PIB nacional e os USA tornaram-se a primeira potência mundial.
Em síntese: Marina parece uma mulher sincera. Isso, sem dúvidas. Ela realmente deve acreditar que o socialismo é a salvação do mundo. Mas suas ideias são toscas. Frequentemente ela não sabe do que está falando, sobretudo em economia.
Antes que pensem o contrário, eu não sou contra o ambientalismo. Sou a favor do fim do desmatamento (esse sim, real, não o aquecimento global antropogênico). Só penso que isso deve acontecer através da cooperação VOLUNTÁRIA dos indivíduos. Até porque o estado não produz riquez. Ele apenas a retira de outros. O fim do desmatamento não precisa do estado como guia, mas sim as próprias pessoas.
tiagofranz
February 8th, 2010 at 16:17
Marco,
obrigado pelo comentário.
Quando Marina disse que sua decisão de deixar o PT exigiu coragem e que o partido foi até então a sua casa política e tem o seu respeito, ela foi extremamente feliz. Foi uma declaração sincera, e também inteligente do ponto de vista político. É claro que é preciso coragem para tomar uma decisão dessas. É um sinal de que não foi uma atitude meramente fisiológica. Não se pode mudar o nosso sistema político de uma vez. É preciso ter o bom senso de Marina para sobreviver no meio sem cometer as barbaridades que outros fazem.
Também gostei da resposta que ela deu à Daniela Pinheiro, sobre o tal ‘cabide de empregos’ no Ministério do Meio Ambiente: “O meu erro foi colocar gente que entende do assunto no Ministério? Alguém já criticou um ministro da Fazenda por botar economistas na equipe dele? Quanto aos grupos religiosos, havia de tudo: católicos, protestantes, evangélicos, budistas, como em toda sociedade há.”
>>>
Ninguém precisa saber o que é o princípio econômico da escassez mais do que um liberal. O liberalismo econômico parece usar esse princípio apenas para medir a potencialidade de mercados. E não é preciso ser marxista para compreender que a escassez dos recursos naturais requer novas alternativas econômicas.
Quanto ao passado marxista de Marina, não vejo nenhum problema. A ideologia é negativa dependendo de como é encampada. Marina é pacifista e pluralista. Isso quer dizer que ela saberá como lidar com o MST (que independente de como atua tem uma causa legítima), por exemplo.
Mais uma vez, obrigado.
Bruno Kazuhiro
February 8th, 2010 at 17:18
Marco e Franz,
Obrigado pelos comentários.
Muito do que Marco diz tem lógica. Realmente Marina deveria, se preza tudo o que diz prezar, ter saído do PT na época do mensalão. Quando o PSOL foi fundado, naquele momento, Marina deveria ter ido para o PV se essa era sua intenção.
Por outro lado, provavelmente ficou por estar no Ministério. Acreditava que poderia fazer a diferença. O mensalão não seria resolvido ou deixaria de existir se ela saísse. Por outro lado, o meio ambiente poderia melhorar.
Acontece que surgiu uma Dilma. Quanto maior o prestígio dela, menor o de Marina. O desenvolvimentismo venceu a briga interna e uma briga pessoal real surgiu. Marina não saiu só para concorrer à Presidência. Quer enfrentar Dilma.
Talvez Dilma seja a chave para entendermos porque Marina saiu no momento que saiu. Isso coaduna um pouco com as dúvidas que Marco tem, mas não destrói os valores que Marina tem e que são citados por Franz.
Por acreditar que eles são reais, votarei nela e o Perspectiva indicará esse voto.
Volte sempre!
Marco Reis
February 8th, 2010 at 18:56
Caro Tiago,
1. O Cabide:
o cabide de empregos a que me referia não era bem esse do Ministério. Mas vale como exemplo também. Os especialistas da ONU também pareciam conhecer do que estavam fazendo. Afinal de contas, deturparam dados e ameaçaram opositores para sustentar a farsa do aquecimento global, que lhes rende muita grana em verba. (Verba que os contribuintes otários pagam sem seu consentimento).
2. O MST:
O MST é uma corja de bandidos. Ponto final. Vamos supor que o objetivo deles é legítimo. Onde fica o imperativo categórico kantiano que , grosso modo, diz que não podemos tratar o outro somente como meio, mas sempre como fim em si mesmo? Ou estamos a partir da premissa de Machiavelli de que os fins justificam os meios???O problema agrário no Brasil é um só: o governo tem que parar de subvencionar esses usineiros e latifundiários. Simples assim. É só a livre concorrência imperar e os produtores competentes vão produzir em suas terras. Não adianta fazer reforma agrária e distribuir um cotoco de terra pra cada família. Isso vai empobrecê-los ainda mais.
Ademais, a Marina tem um passado muito relevante com o MST para saber tratá-los com um mínimo de imparcialidade. Ela põe o boné do MST como faz Lula.
Eu sei o q vc vai me dizer: essas pessoas foram espoliadas durante séculos. Sim. Muitas das terras do Brasil devem ser fruto de espoliação histórica. Seja a espoliação ilegal (uso de viol~encia) ou a legal (através da redistribuição do governo). E o que vc sugere para mudar isso? Continuar a espoliação em favor do outro lado para “compensar”? Ou pararmos com qq espoliação??
3. Marxismo e Marina.
Bem, se vc acha que não tem problema nenhum em confiscar bens alheios e distribuí-los conforme o “bom senso” dos nossos burocratas, a nossa discussão acaba por aqui. Se vc acha que isso é ético, então realmente não dá mais para discutir.
Vamos pegar, p.ex, uma genérica de Marina (ou seria a matriz). Heloisa helena. Uma medida pregada por esta senhora do PSOL é a redução dos juros por decreto, algo tão estapafúrdio que dá calafrios mesmo em quem não é economista. Seria algo análogo a um médico defender que se quebre o termômetro para acabar com a febre alta do paciente. Nossos elevados juros são conseqüência, não causa, dos verdadeiros males que assolam o país. E uma das principais causas dessas taxas absurdas é justamente o explosivo gasto público. Curiosamente, Heloísa Helena defende mais Estado, o que inevitavelmente faria tais gastos aumentarem. Ou seja: enquanto ela acusa como culpado um indicador exógeno que aponta o problema, pede mais do veneno que causa o problema
4. A Escassez, o marxismo e a pobreza.
Marx não sabia o que era escassez. Ele até mencionou isso em algumas linhas de sua obra principal. Mas no fim das contas era só decorativo, pois todas as suas conclusões convergiam para o fato de que ele não sabia o que era escassez. A teoria de valor de Marx chega ao ridículo de tão falha. Marx definitivamente não entendia muito de economia.
Eu aconselharia você a perguntar para algum alemão proveniente da área oriental ou algum eslavo ou russo que tenha vivido sob o império do socialismo (fruto das ideias marxistas) se eles acham que o marxismo é negativo ou não.
A Marina pode ser sincera, honesta com seus ideais, ter uma carinha de santa e tudo o mais. Mas nada disso é suficiente para tomar decisões que interferem na nossa vida (hoje em dia mais do que nunca).
tiagofranz
February 9th, 2010 at 01:59
Caro Marco,
Quero deixar claro a você que não sou marxista e nem liberal (reconheço fortes e fracos em ambos os lados). Na economia, defendo uma intervenção do Estado bem medida, apenas para conter os efeitos negativos do livre mercado.
Não sou de acordo com tudo que o MST faz, porém. Pela postura que a Marina tem demonstrado recentemente, acredito que ela saberá lidar com o movimento. A solução que vc sugere para o problema agrário no Brasil é interessante, mas a meu ver é insuficiente.
Mas enfim, as propostas de governo da chapa de Marina ainda estão sendo trabalhadas por uma equipe, e essa equipe não veste boné do MST e nem camisa com estampa do Chê. Ninguém governa sozinho. Esperemos pra ver as propostas. Eu continuo achando que a Marina é muito rotulada e que seus valores são maiores que os rótulos.
A ordem vem antes do progresso, e eu vejo em Marina a ordem de que o Brasil precisa. Mesmo que meu otimismo seja comparado à expectativa criada em torno de Obama, digo: é esse o perfil de quem eu gostaria que tomasse as decisões que interferem em minha vida.
Obrigado pelo comentário.
Marco Reis
February 9th, 2010 at 13:44
Caro Tiago,
desculpe-me se meus comentários provocaram a impressão de que eu discutia, pretensiosamente, sua posição política. Eu discutia apenas o marxismo, o socialismo e as intervenções estabanadasdo governo.
Mas porque seria insuficiente? Vc conhece o caso da China?
Em 1958, o sistema agrícola comunal foi imposto pelo governo de Mao Tsé-Tung (ou Máo Zédong). Para os agricultores e suas famílias, tal arranjo era o equivalente a pouco mais do que escravidão, só que sob outro nome. Foi um desastre.
Durante os 20 anos seguintes, os chineses trabalharam penosamente e sofreram sob esse sistema impraticável. Até que em 1978, dois anos após Deng Xiaoping ter assumido a liderança, algo extraordinário aconteceu.
Uma comunidade agrícola extremamente pobre em uma pequena aldeia chamada Xiaogang, na província de Anhui, uma das mais pobres da China. Em finais de 1978, não se sabe ao certo a data, 18 agricultores empobrecidos se reuniram. Eles concordaram em fragmentar a terra, ficando cada família com um determinado pedaço, o qual elas iriam cultivar individualmente. Esses agricultores concordaram em não pedir grãos e nem dinheiro para o governo. Eles iriam cumprir as exigências de quotas determinadas pelo governo, porém iriam audaciosamente ficar com as possíveis sobras para então vendê-las. Isso era contra a lei.
Temerosos com o que poderia acontecer às suas famílias, esses agricultores selaram um acordo entre si: se qualquer um deles fosse apanhado e aprisionado pelo governo, todos os outros da aldeia iriam cuidar de seus filhos até que eles fizessem 18 anos de idade. O acordo foi firmado com assinaturas e impressões digitais.
E foi assim, de acordo com a história, que tudo começou.
No ano seguinte, a colheita de grãos foi 6 vezes maior do que havia sido em 1978. Eles conseguiram facilmente cumprir suas quotas, vendendo em seguida todo o excedente – a maioria à beira de estradas. A renda per capita aumentou em um fator de 20. O Secretário do Partido Comunista, Wan Li, que era o responsável pela Província de Anhui à época, ficou sabendo da ocorrência e acabou aprovando o “experimento”.
Bastou haver respeito à propriedade privada (nem que pelos cidadãos chineses e mesmo que não por parte do Estado) e trabalho sério para tudo se desenvolver. E o melhor de tudo: o governo não moveu uma palha (e agora eu escuto o sofrível Lula, de que o Estado vai aumentar).
Yashá Gallazzi
February 9th, 2010 at 18:06
“Ela é discreta e cuidadosa. (…)”
“Ela tem a ficha limpa. (…)”
“Até mesmo a revista Veja (…) apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.”
É por tudo isso que Marina não é minha candidata à Presidência. ELA É MINHA CANDIDATA A SANTA!
No mais, endosso uma parte essencial das críticas feitas pelo Marco: ela parece ter se cansado do PT “só” agora, em razão das questões ambientais. E o mensalão? E a coragem de romper com o partido for algo tão importante, acho que Heloísa Helena tem mais pontos que Marina, afinal rompeu de cara. Sem nem fazer parte deste governo corrupto…
P.S.: Acho que Marina tem uma qualidade que a coloca muito acima de Lula: ela não se vangloria da falta de estudo. Pelo contrário: se vangloria de ter buscado instrução. Isso, creiam, é algo muito bom.
tiagofranz
February 10th, 2010 at 00:31
A coluna repercutiu como eu esperava. Propus-me a defender Marina como a melhor candidata, mas é claro que sempre haverá pontos fracos a se considerar. As respostas às críticas – críticas que com certeza viriam – devem ficar por conta da própria Marina e do PV.
Muitas coisas só devem ser respondidas no decorrer do ano eleitoral. Outras talvez fiquem sem resposta ou respondidas insuficientemente. Para algumas questões já há respostas. Por exemplo:
O presidente do PV, José Luiz Penna, já disse que uma das maiores dificuldades será negociar com o PSOL o tratamento dado ao MST. O partido de Heloísa Helena (que tem importância para a candidatura de Marina por causa do tempo de propaganda gratuita na televisão) exige que a coligação fique ao lado dos Sem Terra, mas os verdes sabem o quanto isso os compromete negativamente. Este é um exemplo de que a candidatura de Marina não corresponde a muitas das críticas recebidas. Trata-se de um impasse muito mais claro do que os presentes nas negociações entre o PT e o PMDB, por exemplo, que também envolve a necessidade de se coligar para ganhar tempo de televisão e força política.
Marco, eu não conhecia a experiência chinesa que você comentou. No final você destaca o respeito à propriedade privada como fundamental ao desenvolvimento agrário do Brasil. Não percebi até agora nas intenções de Marina e do PV ameaça alguma à propriedade privada. O que ela diz a respeito disso é algo com que você deve concordar, imagino: “Não vamos ignorar quem fez direito, quem certificou o seu etanol, a sua madeira, quem respeita a área de preservação legal. Essa pessoa, que hoje vê o governo perdoando quem faz errado, se sente uma tola.” Em outras palavras, ela defende maior rigor no cumprimento da lei e a valorização dos proprietários que estiverem regulares. Em outra fala, Marina disse: “As pessoas que falam ou temem que eu faça alguma coisa anti-democrática não me conhecem.” Estou certo de que ela inclui nesse “alguma coisa anti-democrática” o desrespeito à propriedade privada. Não esqueçamos que o vice da chapa, Guilherme Leal, é um bilionário, e que Marina diferencia elite de oligarquia. Alguém aí acha que Marina Silva não sabe ou contraria os preceitos básicos da democracia, tão bem expressos na nossa Constituição? Eu acho que não. Aliás, ela resgata outros preceitos basilares da democracia há muito tempo manchados no Brasil.
Essas são algumas das respostas que para mim já estão dadas por Marina e pelo PV, e sinceramente acredito nelas. Posso estar errado, mas isso só saberemos mais tarde, ou, pelas poucas chances de eleição que ela tem, quem sabe nunca saberemos.
Gallazzi, entendi a ironia, mas porque um presidente não pode ter as qualidades de um santo?
Agradeço a vocês pela oportunidade do debate e pelas questões pertinentes.
Abraços
tiagofranz
February 10th, 2010 at 00:50
… e é sempre bom lembrar que o PV tem impasses internos a resolver, como as incoerências de apoio e coligação com partidos opositores em diferentes locais do país. Como já disse o Ministro Juca Ferreira, da Cultura, “o PV não está preparado para receber a Marina”. Concordo, e estou aguardando as definições do partido para esclarecer algumas coisas. Mas perto dos impasses dos “grandes” partidos, não deve ser nada muito difícil. Difícil mesmo é encontrar no nosso sistema partidário uma sigla que seja representativa e não tenha problemas internos.
Mais uma questão a ser respondida.
Yashá Gallazzi
February 10th, 2010 at 01:49
Tiago, nada impede que um Presidente – ou um político qualquer – tenha as virtudes de um santo. Mas eu, um ser humano fraco, rendo-me ao ceticismo e prefiro encarar o seguinte: se ele tivesse as caracerísticas de um santo, seria um… santo!
Além disso, não há precedente na história de algo assim, não? São, em última instância, searas diferentes da vida.
Mas, enfim. Esperemos que Marina, caso eleita, me surpreenda. Esperemos que seja uma grande Presidente – me recuso a adotar o kirchnerismo “Presidenta”! -, inclusive com características de santa. Seria, sem dúvida, bom para o país.
Marco Reis
February 10th, 2010 at 12:22
Tiago,
1. Os preceitos constitucionais não respeitam a propriedade.
2. O perigo é exatamente os critérios para diferenciar quem está regular e quem não está.
3. Ela se aliou com um bilionário da natura? Não entendi o ponto positivo disso. Se dependessede mim político nenhum seria subvencionado por ninguém.
Ademais, o q quer dizer o fato de q ele é da natura? Que no governo de Marina seus produtos “verdes” venderão mais???Com subvenções ou isenções do governo???
4. Parafraseando Thomas Jefferson, “o melhor governo é o que menos governa”. Para ser uma ótima presidenta Marina deve ser a presidenta mais discreta que esse país já teve e não interferir nas relações privadas.
5 Vc não respondeu se concorda com a espoliação legal exercida pelo governo através de tributação.
O déficit interno do Brasil já bate a casa dos 1.3 trilhões. É muito dinheiro, né? Muito dinheiro que o sujeito maliciosamente chamado de contribuinte vai pagar. Por que será que Marina alega que o fim da contribuição sindical seria melhor, mas não defende o fim de todas as outras também?
6. Bem…eu duvido muito que a Marina, caso eleita, consiga segurar as expectativas marxistas seculares de “tomada doa terra dos ricos ” na marra que assola o MST.
É sempre bom discutir sem medo.
Já o PT não acha isso, caso contrário não desejaria a todo custo calar a oca da imprensa, como fizeram seus pares na Argentina e Venezuela.
tiagofranz
February 10th, 2010 at 22:41
Caro Marco,
1. O art 5º da Constituição, inciso XXII, diz: “é garantido o direito de propriedade”. Mas isso você já sabia né.
2. Os critérios para diferenciar quem está regular e quem não está podem ser encontrados nos códigos de leis, que são os mesmos para a Marina e para a Xuxa.
3. O fato de Marina se aliar com um bilionário da Natura não é positivo e nem negativo. Apenas responde à ideia irreal e terrorista de que ela fará uma luta de classes.
Quanto às subvenções e isenções, elas serão para todos os que se adaptarem às políticas verdes, e não só para aliados políticos. Ainda existem órgãos de fiscalização no Brasil, Justiça e toda a série de aparelhos que servem à democracia para se garantir isso. Eles só precisam funcionar.
4 e 5. Você disse: ‘Parafraseando Thomas Jefferson, “o melhor governo é o que menos governa”. Para ser uma ótima presidenta Marina deve ser a presidenta mais discreta que esse país já teve e não interferir nas relações privadas’. E depois disse: ‘Vc não respondeu se concorda com a espoliação legal exercida pelo governo através de tributação.’
Pois bem. Você é um liberal. Liberais pensam assim. Eu sou social-liberal e acho que deve haver uma intervenção comedida do Estado, como eu já disse, para conter os efeitos negativos do livre mercado. Não acho que todos os setores da economia, todos os recursos do planeta e atividades humanas devam estar sujeitos ao ‘privado’. Concordo que a tributação no Brasil é muito alta, e acho que a solução é melhorar a gestão do dinheiro público, aplicando corretamente, parando com o desperdício e tapando os furos que nos envergonham. Não se pode simplesmente acabar com as contribuições. Cabe sim uma reforma.
6. Você disse ainda: ‘Bem…eu duvido muito que a Marina, caso eleita, consiga segurar as expectativas marxistas seculares de “tomada da terra dos ricos ” na marra que assola o MST.’
Pois eu não duvido. O porquê eu já disse.
Agora eu é que pergunto: Qual é a pré-candidatura já conhecida que melhor atende aos teus anseios? Ela atende integralmente a eles?
Abraço!
Marco Reis
February 11th, 2010 at 13:01
Caro Tiago,
1. Sim, eu já sabia. Mas você é que parece não saber que essa mesma Constituição diz que a propriedade tem de a) POSSUIR UMA FUNÇÃO SOCIAL (que autoriza desapropriações – necessidade e utilidade pública e interesse social – e impostos progressivos) e b) que o livre mercado será exercido ao lado da intervenção estatal no domínio econômico.
Não é necessário muita massa encefálica para perceber que, nesses moldes, não se protege absolutamente o direito de propriedade. Querer a livre concorrência e ao mesmo tempo a intervenção na economia é incompatível! Não existe livre concorrência nesses moldes.
2. Ahhh bom… Achei que a Xuxa tb fazia licitação em prol de seus amiguinhos “verdes”.
3. Eu, se fosse você, não adotaria o título de social-liberal. Você é um intervencionista. Seja honesto quanto às terminologias. Você fugiu da pergunta. Eu não perguntei se vc é liberal ou não. Perguntei se vc consegue achar um fundamento moral para a cobrança de impostos. Um fundamento que não no sentido da máxima maquiavélica de que os fins justificam os meios.
4. Já que vc não crê no livre mercado, eu gostaria que vc me apontasse as chamadas falhas de mercado que justificariam uma intervenção governamental. Espero ansiosamente sua opinião.
5. Nenhuma dessas candidaturas apresentadas até agora chegam perto do liberalismo. São todos intervencionistas. Alguns mais autoritários do que outros; outros inocentes úteis a serviço de ideais marxistas….
Mas nas próximas eleições o Partdo Libertário estará concorrendo…e aí, quem sabe, um fio de luz liberal ou libertária possa iluminar esse mar de intervencionismo.
Amplexos.
Bruno Kazuhiro
February 11th, 2010 at 18:27
Yashá,
Obrigado pelo comentário.
É claro que algo impede que um político tenha as virtudes de um santo: O fato de ele ser humano. Todos são humanos e nenhum humano é um santo completo.
Volte sempre!
tiagofranz
February 14th, 2010 at 22:15
Notei que meu último comentário não foi postado devido a algum problema. Peço desculpas pela demora. Vamos lá, novamente.
Marco,
eu sei que a Constituição prevê função social à propriedade, e concordo com isso. Não é questão de tamanho da “massa encefálica”, como você disse, e sim de posicionamento político, de valores. A questão da liberdade, ao meu ver, envolve indivíduo e coletividade. O direito à propriedade deve ser pensado juntamente com outros direitos, coletivos. Por isso a sociedade precisa discutir a função social da propriedade. Isso, feito democraticamente, não fere o direito à propriedade.
Acho que você deveria me explicar o que entende por ’social-liberal’. Então eu sou um intervencionista? Ou se é liberal ou se é… intervencionista? Por que você diz que eu não sou social-liberal?
Se você me responder isso eu posso tentar respondê-lo.
Caro Marco, você é um bom debatedor e é sem dúvida bastante instruído. Mas é precipitado nas interpretações, o que te faz distorcer e levar ao extremo algumas coisas.
Amplexos!