Análise: A alternativa presidencial – Heloísa contraria PSOL e reitera apoio a Marina

25/01/2010 em 01. Análise Política,02. Corrida 2010,Eleições Estaduais,Marina Silva,Rio de Janeiro | 1 Comentário

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O PSOL cogitou fortemente a possibilidade de se unir a Marina Silva, e consequentemente ao PV, na corrida presidencial deste ano. O partido tomaria esse rumo por conta de entender que a ex-Ministra poderia representar bem as esquerdas  e os ambientalistas e pelo fato de a potencial candidata da legenda, Heloísa Helena, ter se decidido pelo Senado em Alagoas, ao invés da Presidência.

Pois bem. Quando ficou alinhavada a aliança entre o PV do Rio de Janeiro e o PSDB do estado, feita em torno do nome de Fernando Gabeira para o governo do Rio, o PSOL ficou cabreiro. Reacendeu na legenda o receio de que a campanha do PV seja linha auxiliar da aliança PSDB-DEM-PPS, o que faria com que o fato de o PSOL estar ao lado de Marina pudesse, de alguma forma, beneficiar José Serra e os tucanos. E isso é inadmissível para os dissidentes do PT que fundaram o PSOL. É claro que o PV pode, também, acabar apoiando Dilma em um possível segundo turno, mas isso também contraria o PSOL.

Assim o PSOL encerrou as negociações, rompeu a pré-aliança e declarou que não poderia se unir ao PV, pelo fato de a união entre este e o PSDB, no Rio, comprovar que os verdes não querem, como deseja o PSOL, ser uma alternativa independente e diferenciada com relação aos dois grupos de poder dominantes no Brasil, sendo eles, a aliança PSDB-DEM e o governo capitaneado pelo PT.

Dada essa nova conjuntura, nomes começaram a ser cogitados pelo PSOL para a candidatura própria à Presidência, como os dos ex-deputados Plínio de Arruda Sampaio e Babá e o do membro-fundador do PSOL Martiniano Cavalcante. Heloísa Helena continuou firme no propósito de concorrer ao Senado.

O que acontece é que essa mesma Heloísa reiterou, recentemente, o apoio a Marina, contrariando os dizeres dos últimos dias de sua legenda. A ex-Senadora disse que continua a torcer por Marina e que está à disposição para contribuir na elaboração do programa de governo da candidata do PV.

“Quero deixar claro que todo respeito, a admiração e a amizade que tenho por Marina estão preservados. Ela é competente, honesta, sensível e absolutamente preparada. Torço muito para que seja eleita. [...] Onde Marina entender que eu posso ajudar, com minha experiência, na construção do programa, vou contribuir, especialmente em segurança pública, saúde e educação”, disse Heloísa.

Ao mesmo tempo em que oferece forte apoio à amiga Marina, Heloísa reconhece os motivos que causaram o fim das negociações em torno da aliança entre PV e PSOL, desejada por ela, mas não concordando com o rumo escolhido pelo PSOL: “Infelizmente a tática eleitoral do PV no Rio acabou por criar obstáculos à aliança que seria feita. Minha proposta era apoio a Marina independentemente de aliança com o PV e com interferência no programa de governo. Infelizmente o PSOL não entendeu dessa forma”.

A realidade é que Heloísa Helena sabe que Marina Silva tem poucas chances de vencer, assim como o PSOL. Portanto, enxerga corretamente que, para quem quer ver a disseminação do programa de governo alternativo ao status quo de Marina, resta apoiá-la na candidatura ao Planalto, pois assim, mesmo sem vitória, as ideias de Marina, em muitos casos mais próximas das do PSOL do que das do próprio PV, seriam exibidas para todo o País com destaque e com o auxílio da capilarização do PSOL somando-se à do PV. A aliança entre PV e PSDB no Rio nada tem a ver com isso e Heloísa sabe disso.

Contudo, os membros do PSOL que são mais fortemente órfãos do Muro de Berlim se comportam ainda de forma muito maniqueísta, abrindo mão de um apoio interessante a uma Marina que aprovam, simplesmente por conta de o PV estar se aliando a um suposto “capital selvagem, entreguista e desumano” representado pelo PSDB em apenas um estado brasileiro.

A certeza que fica é a de que se Marina não poderá contar com o PSOL, pelo menos contará com Heloísa Helena, o que pode aumentar em alguma medida seus índices de votação, influindo diretamente na existência ou não de segundo turno na eleição presidencial.


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