Itamar Franco fala sobre Aécio, a corrida presidencial, a possibilidade de ser Vice e a condução da oposição pelo PSDB paulista

Em 07/01/2010 Comente »

Confiram interessante entrevista, concedida pelo ex-Presidente Itamar Franco – respeitadíssimo por mim -, ao Correio Braziliense, onde fala sobre os rumos Aécio Neves, a corrida presidencial, a possibilidade de ser o Vice de Serra e a condução da oposição pelo PSDB paulista:

Como o senhor avalia a posição do governador Aécio Neves (PSDB), que afirmou que não sairá candidato como vice de Serra (PSDB) e que o destino dele é mesmo concorrer a uma vaga do Senado?

Acho que é uma decisão pessoal do governador. Ele referenda uma posição que já tinha tomado. Não tenho o que comentar, a não ser respeitar a decisão dele. Fui o primeiro, senão um dos primeiros, a defender a candidatura à Presidência da República do governador Aécio Neves. No momento em que ele deu uma entrevista muito forte, não tenho mais nada a comentar.

O presidente de seu partido, Roberto Freire (PPS), defende uma chapa puro-sangue, com Aécio vice.

O Roberto Freire tem uma posição que não é a minha. Vamos discutir isso, possivelmente no dia 25 de janeiro. O desejo do Aécio de não querer ser vice é pessoal. Então, ninguém pode dar mais palpite. Exatamente porque o governador foi enfático. Este é um assunto que cessou. Vou recomendar que o partido não se envolva na pressão para que ele seja vice.

O que o senhor pensa da decisão do governador de desistir do Palácio do Planalto?

Hoje a decisão é definitiva e acho que Minas só tem a lamentar isso, que ocorreu pela condução do PSDB paulista.

Com o senhor avalia a postura do tucanato paulista, que pretende definir o candidato só em março?

Uma candidatura presidencial tem que ser trabalhada. Não pode ser voo solo. Tem que se organizar e somar com outros partidos. Acho que o PSDB está ficando numa situação difícil. A oposição brasileira vai ter muitas dificuldades. A posição paulista vai atrapalhar o processo eleitoral da oposição. Só estranho que o PSDB queira forçar o Aécio a ser vice e não faça o Serra assumir a candidatura. É um jogo estranho.

Esta semana especulou-se que o senhor poderia sair candidato como vice de José Serra. O que o senhor pensa dessa possibilidade?

Primeiro, não estou pleiteando e nem me oferecendo. O candidato a vice não se escolhe. O protagonista é que seleciona. Bobagem dizer que vai ser vice de fulano ou de sicrano. Quem escolhe é o candidato.

O que pensa da postura dos tucanos, anunciada esta semana, de elevar o tom das críticas ao governo Lula?

Vamos aguardar. Por enquanto, não vejo nada. Na verdade, observo um discurso vazio. Vazio porque não tem a peça principal, que é o candidato. Eles perderam o governador Aécio como opção e estão sem candidato, correndo risco de perder por WO. Os tucanos estão numa situação difícil de emplacar qualquer discurso, sem um rosto que represente a fala do partido. Se compreendessem física, veriam que o vazio é bem complicado.

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