Informa a Folha:
“Numa demonstração de que o ano eleitoral já começou, o PSDB partiu para ofensiva para tentar deter o crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) registrado no último Datafolha. Antes acomodados numa confortável liderança, tucanos mudaram de estratégia e até entraram com duas representações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a exibição do programa do PT em maio.
Nelas, o PSDB acusa o PT de ‘terrorismo eleitoral’, propaganda antecipada e promoção pessoal de Dilma no programa partidário veiculado em dezembro. A propaganda eleitoral só é permitida a partir de julho. Numa das representações, o PT é também acusado de incitar o preconceito de classe, ao afirmar que tucanos ’separavam o que consideravam coisa de pobre e coisa de rico’.”
A elevação do tom do PSDB no que diz respeito às críticas ao governo e ao comportamento pré-eleitoral do PT pode demonstrar o início de uma mudança de rota. Antes acuado e até mesmo acomodado naquela posição, o PSDB pode ter decidido se apresentar de fato como oposição.
Contudo, será essa a estratégia correta para os tucanos? Será este o plano que mais auxiliará a obtenção de uma vitória neste ano que devolveria o Planalto ao PSDB? São estas dúvidas que pairam vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, nas mentes do grão-tucanato.
Uns dirão que sim, que o PSDB precisa se colocar o quanto antes como opositor do governo, fazendo um necessário contraponto. Estes são os mesmos que desdenham da estratégia pós-Lula defendida pelo Governador Aécio Neves. Querem – e afirmam que a população quer também – uma espécie de anti-Lula, que traga promessa de manutenção do que é fortemente respaldado pela população, mas, também, duras críticas ao que anda errado. O PSDB diria “não mudaremos o que vocês aprovam, mas faremos diferente”.
Outros dirão que não, que o PSDB precisa respeitar a popularidade alta de Lula e do governo, apostando em um discurso parecido com o do PT e diferente em apenas algumas nuances, confiando em uma vitória que viria da comparação da biografia de Dilma Rousseff com a de José Serra. Em suma, seria algo como “faremos o mesmo, mas temos um candidato que fará melhor”.
Há ainda alguns que defendem posições minoritárias que mesclam pontos destas duas principais ( “faremos algumas coisas diferentes e outras não, mas temos o candidato mais preparado”) e também aqueles que se situam nos dois extremos: A radicalização do debate e da divergência (“nós somos a mudança”) e a inexistência deles (“o governo do PT é uma continuidade do governo do PSDB e nós seremos continuidade do governo do PT”).
Parece uma decisão difícil? Pois ela se complica ainda mais. O PSDB também discorda internamente não só a respeito do quê, mas também a respeito do quando.
Combina-se com cada estratégia de discurso uma opinião a respeito de quando iniciá-lo, arrombando de vez os portões da temporada eleitoral antecipada, que já foram entreabertos por Lula.
Uns entendem que o PSDB deve exibir seu candidato e sua plataforma o quanto antes, terminando com o reinado de Dilma Rousseff no cenário eleitoral e mitigando seu crescimento. É o “é para ontem”.
Outros, entre eles o próprio candidato José Serra, creem que Dilma crescerá de qualquer forma devido ao apoio do Presidente Lula até uns 30% e que, portanto, mais vale fugir do confronto com Lula ainda governando de fato, opondo-se apenas quando a disputa for de vez uma de Serra contra Dilma, do que agir por impulso por conta de um susto com o crescimento da Ministra. Trata-se do “devagar com o andor”.
Quando se combinam as diferentes variáveis, diversos planos de voo são obtidos. Apenas multiplicando as cinco vertentes principais do quê pelas duas vertentes principais do quando, chegamos a dez estratégias possíveis.
Uma salada mista. Uma indecisão só. Um cenário tipicamente tucano, daqueles que fazem voar plumagens e diminuir chances de vitória.
Mas afinal, qual a melhor estratégia para o 2010 do PSDB?
Deixo a resposta para os comentários dos leitores.











A estratégia para José Serra é dar exemplo para a nação fazendo o dever de casa. Os desastres decorrentes das chuvas são uma oportunidade para o governador lançar projetos de recuperação e implantar políticas de infra-estrutura. Ainda q adversário, tem de aprender com quem tá ganhando.
Esses desastres com enchentes e deslizamentos, por si só, não prejudicam José Serra. O q ainda pode custar caro é o governador colocar prefeitos (inclusive aliados) contra a parede no meio do caos. Muitos estão sofrendo pressão e o governador não ampara o suficiente. Uma postura q parece ser diferente em Aécio e até em Alckmin. Serra tem de mostrar q é político e tirar vantagem do caos, pq senão perde votos em casa.
Do contrário, a melhor estratégia é descartar elegantemente José Serra e partir pra outro.
Ganha quem faz gol, não quem só fica tocando a bola.
Juca,
Obrigado pelo comentário.
A questão é que alguns acham que apenas fazer o dever de casa e se manter recolhido não é marcar gol. Daí a polêmica interna tucana.
Volte sempre!
Afastar o máximo possível dilma de lula!
Thulio,
Obrigado pelo comentário.
Concordo que isso será importante para Serra.
Volte sempre!