José Roberto Arruda: Fora do Democratas

Em 10/12/2009 Comente »

Depois de aproximadamente dez dias de impasse, a situação de instabilidade da filiação de José Roberto Arruda ao Democratas finalmente se resolveu. Arruda está fora do DEM e, consequentemente, das eleições de 2010.

Como o Perspectiva Política e outros meios adiantaram, a expulsão de Arruda dos quadros do Democratas era iminente. Devido a esse fato, o Governador do Distrito Federal preferiu reduzir o desgaste e tomar a iniciativa de se desfiliar, contrariando, felizmente, o seu intuito anterior de lutar para ficar no partido e barrar sua expulsão da legenda na Justiça.

Digo felizmente pois não seria interessante para ninguém que Arruda empreendesse uma batalha jurídica contra o Democratas para continuar dentro dos quadros do partido. É verdade que a desfiliação deve ser fruto, provavelmente, da informação de que o recurso de Arruda junto ao TSE seria negado, porém, de qualquer forma, é preciso que se crie no País a cultura de que os corruptos devem envergonhar-se, assumir seus erros e retirar-se da vida pública, sem tentativas maliciosas de postergar as consequências de seus atos através de medidas jurídicas. Se Arruda se colocasse em litígio com o Democratas, o incentivo seria o contrário do ideal.

Políticos notoriamente culpados no que diz respeito às denúncias e acusações de corrupção não devem insultar a inteligência do grande público e se utilizarem de caríssimos advogados para deter o andamento dos processos que visam os punir, jurando uma inocência que não tem nenhuma credibilidade.

É por essas e por outras que a atitude de Arruda deve ser comemorada. Não por ele. Mas pela noção de que a pressão de seus companheiros de partido e da sociedade como um todo foi suficientemente grande para obrigá-lo a tomar a atitude que tomou.

Deveria ser sempre assim.

Agora, fora do Democratas, Arruda provavelmente tentará, pelo menos, manter o foro privilegiado no que diz respeito à defesa que apresentará na Justiça. Ele conseguirá isso se continuar no cargo de Governador. Portanto, esta é a luta de Arruda a partir de hoje: Fazer com que o distinto público deixe um pouco de lado o seu nome, diminuindo com isso a pressão da sociedade. Assim, poderá tentar abafar os pedidos de impeachment que existem contra ele e conservar as vantagens jurídicas que o cargo de Governador concede.

Arruda deixou claro que este é realmente o seu intuito, com a seguinte declaração dada após a desfiliação:

“Na última semana fomos submetidos a um espetáculo de cenas montadas com fatos ocorridos no governo anterior para que pareça que tudo aconteceu no presente. Os cortes que fiz em despesas do governo hoje se voltam contra nós.

A farsa montada foi um recurso dos adversários para me tirar da disputa de 2010. Essas farsas marcam negativamente a vida brasileira. Não consegui extirpar completamente essas pessoas responsáveis pela farsa. Tenho agora essa oportunidade. Vou poder administrar Brasília desinteressado na eleição que vem.

No meu governo não tem grilagem de terra, transporte pirata. Não posso permitir que essas conquistas se percam. Temos mais de 2 mil obras em andamento. Vamos concluir todas. Tenho a responsabilidade de preparar a cidade para a Copa do Mundo e seu cinquentenário.

Para isso tomo a difícil decisão de sair da vida partidária. Não disputarei as eleições do próximo ano. Quero cumprir todas as metas do meu governo. Como cidadão, vou lutar para mudar certos usos e hábitos da vida brasileira.

Com esse gesto, evito o constrangimento de companheiros do partido, divididos entre saciar a sede da mídia ou me conferir o amplo e legítimo direito de defesa. Vou concluir o mandato que me foi dado pela vontade popular.”

Percebe-se que agora cabe ao povo do Distrito Federal, e à sociedade brasileira como um todo, mostrar ao Governador Arruda que as coisas não são tão simples assim, que não basta se desfiliar de seu partido, evitando uma expulsão iminente, para que as críticas cessem, as pressões acabem e o foro privilegiado se mantenha.

As imagens e as denúncias contra Arruda formam um todo contundente e inquestionável. Não há mais credibilidade com relação a Arruda para que ele continue a gerir o Distrito Federal. Quem poderá garantir que ele não fará, nos próximos meses, o mesmo que vinha fazendo?

Portanto, o fato de a pressão popular e partidária ter feito Arruda se desfiliar é apenas a vitória em uma batalha. Ainda perdura a guerra, que só será vencida quando Arruda estiver fora do governo do Distrito Federal e enfrentando o devido processo legal pelos atos que cometeu.

Esses precisam ser os próximos capítulos da novela brasiliense.

Por enquanto, fica a noção de que o Democratas, pelo menos, empurrou Arruda para uma desfiliação, por conta da expulsão inapelável. Fez melhor, bem melhor, do que PT e PSDB fizeram com seus mensaleiros.

5 comentários

  1. Braga says:

    Que tal uma campanha “Eu não voto em quem defende o Arruda”?

    • Braga,

      Obrigado pelo comentário.

      É uma boa ideia. Acontece que ninguém está defendendo Arruda como defenderam Sarney. De qualquer forma, se você criar esta campanha eu divulgarei com prazer, afinal, qualquer um que defender Arruda merece mesmo não ser eleito.

      Volte sempre!

  2. Bruno Medina says:

    Já vai tarde!

Comente