Depois de o Deputado José Carlos Machado (DEM-SE) declinar da indicação para a relatoria do processo disciplinar aberto contra José Roberto Arruda, José Thomaz Nonô, ex-Deputado, foi o democrata escolhido por Rodrigo Maia (DEM-RJ), Presidente da legenda, para relatar a questão que decidirá o futuro do Governador do Distrito Federal, envolvido em escândalo revelado por gravações feitas por Durval Barbosa.
Nonô já deixou claro que seu julgamento será político e que seu relatório responderá a uma simples pergunta: Arruda merece continuar no convívio do partido?
Na minha opinião, a resposta deveria ser não.
Também é o que entende o Deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que declarou que a decisão do partido, a ser proferida daqui a nove dias, será, com certeza, a de expulsar Arruda de seus quadros.
O processo disciplinar seria apenas uma formalidade, concedida a Arruda para que ele não possa alegar que não teve direito algum de defesa. Tomara mesmo que a visão do Democratas seja essa, ou seja, a de que foi necessário ceder para não radicalizar demais, e não por conveniência.
Acredito que a posição de Arruda permanece insustentável. Não surgiu nada que possa representar uma rota de fuga para o Governador do DF. Ele apenas prorroga o inevitável. É praticamente um cadáver político.
O PSDB de Aécio Neves, que admitiu que o escândalo brasiliense pode ter algum efeito nas eleições de 2010 no que diz respeito à aliança nacional PSDB-DEM, já abandonou o governo Arruda.
E seis pedidos de impeachment contra Arruda já foram protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Por mais que o Governador possa pensar que eles não darão em nada, por conta do fato de ele controlar o Legislativo estadual, não deveria o mesmo contar com isso.
O STF, em 2006, em decisão sobre escândalo de corrupção em Rondônia, entendeu que a Assembleia estava por demais envolvida para decidir sobre a prisão de deputados. Entendimento semelhante poderia permitir o afastamento de Arruda.
De qualquer forma, tudo indica que a expulsão de Arruda é apenas uma questão de tempo, que as explicações do Governador não convenceram seu partido, que o seu prazo de defesa é meramente protocolar e que o relator do processo disciplinar contra Arruda, José Thomaz Nonô, vai recomendar a expulsão.
Melhor assim.
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