Arquivo de 12/2009

Coluna do dia: 2009 – Choros e sorrisos

31/12/2009

Por Felipe Liberal*

O ano de 2009 foi um ano de certas desgraças.

Vimos mais uma vez que o capitalismo é tão fraco quanto uma folha de papel, mas também que ele é a única coisa que temos para viver. Percebemos que enquanto discutimos sobre a imortalidade humana dentro da ciência, o planeta se torna cada vez mais mortal e mortífero.

Em 11 de setembro de 2009, relembramos uma das maiores tragédias da Humanidade: O assassinato de 30 mil pessoas em Santiago do Chile, naquela terça-feira de setembro, em 1973, quando os EUA acabaram com qualquer esperança de liberdade naquele país.

Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, mesmo depois de ter atacado o Afeganistão.  Uma grande brincadeira de mau gosto. A intensificação do conflito na Faixa de Gaza, onde mais de 1.500 palestinos morreram no último ano, também é algo a ser lembrado e modificado em 2010.

Perdemos o maior (em expressão e fama) músico e dançarino de todos os tempos. Michael Jackson morreu de racismo, ganância e loucura, empreendidos por ele mesmo.

E a pior das tragédias: o Clube Náutico Capibaribe caiu para Série B do Campeonato Brasileiro, causando uma imensa tristeza nos quatro cantos do Brasil e do Mundo.

Mas o ano de 2009 também foi um ano de alegrias e glórias.

O Brasil conseguiu se recuperar da crise rapidamente, ratificando sua diversidade comercial e seu equilíbrio político dentro da política interna e externa. O Natal brasileiro nunca foi tão gordo, por conta da ascensão de grandes camadas pobres ao “Império do Consumo”.

A integração regional dentro da América Latina deu passos importantíssimos, com relevantes avanços do Mercosul, Banco do Sul, Parlamento do Mercosul, etc. A América do Sul foi um dos primeiros continentes a sair da crise, sem passar por sérios problemas.

A preocupação com o Meio Ambiente e com o futuro do Planeta Terra cresceu assustadoramente em 2009. Os encontros e reuniões (apesar da falta de sucesso), juntamente com a popularização da discussão sobre o tema, deram esperanças para os anos vindouros, que não serão fáceis.

Muitas outras coisas explodiram e nasceram dentro deste ano tão controverso. As mais importantes para mim, estão aqui.

Os anos que virão serão assim: tristes e alegres, trágicos e gloriosos. Como sempre. Seria outra piada de mau gosto tentar mudar isso.

*Felipe Liberal é colunista do Perspectiva Política às quintas e escreve no Twitter em @felipe_liberal

Meu caríssimo leitor, feliz 2010! Obrigado por tudo!

31/12/2009

Caro leitor do Perspectiva,

Nesta, que é a postagem de número 2000 do Perspectiva, me sinto na obrigação de me dirigir agradecidamente a você.

O ano de 2009 foi de muitas alegrias para este blog. Conquistamos, juntos, o domínio próprio, fazendo com que o Perspectiva se tornasse .com.br, o aumento da visitação, o advento dos colunistas, o novo layout, a intensificação das postagens e, principalmente, a criação de uma credibilidade forte, robusta, que expressa a confiança dos leitores nos propósitos deste que vos fala.

Pautando todos os meus escritos nos ideais da justiça, da coerência, da sensatez, da independência e da ética, consegui, com a sua ajuda, fazer do Perspectiva parada obrigatória para os jovens politizados que buscam informação na blogosfera brasileira. De praticamente zero partiu o Perspectiva, sendo hoje meio que adianta notícias, que tem um dos perfis do Twitter sobre política mais seguidos, que cresce a cada mês e que é lido, notadamente, por políticos brasileiros.

Esse foi o 2009 do Perspectiva. Esse foi o meu 2009 junto a você. Um 2009 onde o Perspectiva foi o sexto colocado no prêmio Blogbooks, categoria política, que listou os melhores blogs políticos de todo o País. Um 2009 onde este que vos fala foi entrevistado por diversos amigos blogueiros que, por conta deste blog, entendem que é válida a opinião deste humilde universitário.

Por isso, agradeço muito, de coração, a você, leitor. A você que perde minutos preciosos lendo o que tenho a lhe dizer, que vê no Perspectiva fonte confiável de informação, que indica o Perspectiva para os amigos.

Sigamos rumo a um 2010 de mais sucesso, a um 2010 de eleições presidenciais, onde o Perspectiva deseja – e queira você, leitor, conseguirá – ser referência na cobertura do processo eleitoral. Caminhemos, unidos, para a evolução da escrita dos nossos caros colunistas, do nível dos debates respeitosos travados nos comentários das postagens e da credibilidade da família Perspectiva.

É isso, mais um ano se passou. Tomara que ele tenha sido de mais vitórias do que derrotas, mais felicidades do que infortúnios para você. De qualquer forma, um novo ano está chegando, e mesmo que na prática seja apenas a passagem de mais um dia para o outro, é uma ótima motivação para que procuremos evoluir e ser mais generosos e justos. Quem sabe poderemos ter um ano mais feliz e afortunado em troca.

Que 2010 seja de realizações, consolidação das conquistas de outros anos e evolução tanto pessoal como profissional para você, são meus mais sinceros votos. Espero que tenhamos nesse ano, mais paz, mais justiça e mais honestidade no nosso País, ano esse que é apenas uma medida de tempo mas que é também mais uma chance, que não pode ser perdida, de mudarmos essa realidade brasileira indesejada e também a nós mesmos.

Feliz 2010 para você, para sua família e para o Brasil, que enfrentará uma eleição onde temos que votar direito e uma Copa do Mundo onde temos que torcer muito.

Obrigado pelas visitas, pelos elogios, pelas críticas, pelo carinho. Obrigado por tudo!

Afetuosamente,

Bruno Kazuhiro

Perspectiva adiantou: Ciro – Presidenciável, Vice de Dilma ou Ministro?

30/12/2009

Comentou este blog, recentemente:

Corre nos bastidores a informação de que o Presidente Lula já teria desistido de empurrar uma candidatura ao governo de São Paulo goela abaixo do Deputado Ciro Gomes. Por mais que o Presidente ainda deseje retirar Ciro da corrida presidencial de alguma forma, já teria se resignado com o fato de o PT paulista ser contrário à ideia e com o fraco desempenho do socialista nas pesquisas paulistas.

[...]

Em resumo, Lula estaria pressionando o PT paulista para que um palanque forte para Dilma seja armado, visando minimizar a vantagem do PSDB no estado, e já teria aceitado o fato de que Ciro Gomes não concorrerá no estado, por mais que tenha transferido para lá seu domicílio eleitoral.

Resta agora saber se essa informação adiantada pelo Perspectiva se confirma e, caso confirmada, onde Ciro Gomes se acomodará no jogo de 2010, afinal, se Lula não o quer na corrida presidencial e quer dar a vaga de Vice de Dilma para o PMDB, o que sobra?

Ciro é hoje reserva do nome peemedebista. Entra em campo se o PMDB, na Convenção do ano que vem, decidir não respaldar a aliança formal com o PT. Mas e se não adentrar o gramado?

Terminará como Ministro de Lula, ocupando a partir de abril algum ministério deixado por um ex-Ministro que sairá candidato e carregando a promessa de que será um Ministro forte se Dilma vencer.

É pouquíssimo se comparado ao que Ciro sempre ambicionou.

Pois bem. Confiram o que informou, mais tarde, Renata Lo Prete, da Folha:

“Até pelas declarações do próprio, o projeto Ciro-SP está definhando a olhos vistos. Mesmo a ala mais maleável do PT local avalia hoje que, se Lula quiser mesmo remover o deputado da disputa presidencial, terá de lhe dar outro destino, seja ele a vice de Dilma (e durma-se com o barulho do PMDB!) ou o retorno ao ministério no último ano de governo.”

É a informação dada pela Folha, ou não, uma reprodução, com outras palavras, do que adiantou o Perspectiva?

Não que a Folha tenha copiado o blog, não é isso que quero dizer. Com certeza o jornal tem fontes mais rápidas e mais embasadas do que o Perspectiva.

A questão é que o Perspectiva, com sua capacidade analítica e com sua busca constante por informações tem previsto, com precisão, os fatos políticos, trazendo a vanguarda para os leitores.

E é graças a vocês, leitores, que isso é conseguido, afinal, é a existência de um número cada vez maior de amigos do Perspectiva que incentiva, que motiva, que gera o sucesso.

O Perspectiva adiantou, mais uma vez, acertando na mosca. O acerto é meu, mas o obrigado é direcionado a vocês.

Absurdo: Distrito Federal tem mais cargos ocupados por indicação política do que a União

30/12/2009

Informa a Folha:

“O governo de José Roberto Arruda (sem partido) tem mais funcionários sem concurso ocupando cargos de confiança que a União. Levantamento da Folha mostra que o governo do Distrito Federal tem 8.660 comissionados, e a União, 5.560.

Mesmo tendo cerca de um quinto dos funcionários na ativa do que tem o governo federal (184 mil contra 913 mil), o governo do DF tem 12% a mais de pessoas que não fizeram concurso e ocupam cargos de chefia, assessoramento e direção.

Esse exército é um dos trunfos de Arruda para se manter no poder, já que 63 dos 84 órgãos do DF contrariam a lei ao entregar a trabalhadores sem concurso mais da metade dos cargos comissionados.”

O texto acima diz tudo. Absurdo completo.

Sem mais comentários. Não são necessários.

Coluna do dia: Ambientalismo e Globalização – O fiasco de Copenhagen

30/12/2009

Por Raphael Machado Silva*

O dia termina, e não se chega a nenhuma conclusão de aplicabilidade prática. Todas as esperanças são traídas. Todas as expectativas foram em vão. Tudo o que foi dito não passou de uma sucessão de palavras vazias. O mundo para, perplexo e decepcionado. Os líderes mundiais abaixam as cabeças e saem “de fininho”, proferindo lamentos hipócritas para os abutres midiáticos que os perseguem constantemente.

E o que havia aí de inesperado? Como não era óbvio que Copenhagen seria tão, ou mais, inócua quanto Kyoto? Apenas os indivíduos de natureza abertamente mística e messiânica poderiam esperar por alguma “solução” vinda de uma reunião feita única e exclusivamente com o fim de agradar os eleitores-consumidores, que têm as mudanças climáticas por que passa o Globo em alta conta.

Copenhagen não passou de jogada de marketing político internacional. Ora, quem poderia crer que os líderes mundiais, os quais em sua maioria não passam de títeres dos interesses econômicos que os colocaram no poder, poderiam livremente determinar diretrizes normativas para que os países participantes e seus membros seguissem, as quais obviamente reduziriam a capacidade dos interesses financeiros internacionais de saquearem e rapinarem à vontade, se engordando com os frutos profanos da mais-valia.

O próprio foco da Conferência revela claramente toda a malícia dos interesses internacionais. A dialética política e as propagandas midiáticas maciças conseguiram reduzir as infindas Questões Ambientais ao “Aquecimento Global”. Hoje, “Aquecimento Global” é sinônimo de Ambientalismo. Fora do “Aquecimento Global” não há nada. Assim, afasta-se de todo a atenção da população em relação a todos os outros problemas ambientais, concentrando-a sobre uma temática facilmente apelativa, altamente mercantilizável e extremamente apta a ser usada para os fins mais escusos.

Ora, e o que se diz sempre que falha alguma dessas sempre frequentes tentativas de acordos ambientais? “Precisamos de uma estrutura normativa internacional, semelhante a um Estado!”. Não estão cansados de ouvir a mesma “ladainha”? Afinal, isso também é constantemente dito como a “melhor solução à longo prazo para a crise econômica”. Parece que todo e qualquer problema de âmbito internacional é justificativa para se apregoar a desintegração das soberanias nacionais, e a submissão dos Estados a um Leviatã internacional.

Esse é o grande sonho de todos os burocratas neomarxistas, assim como o de todos os banqueiros, usurários e grandes capitalistas. Um mundo sem fronteiras, e melhor ainda se não houverem mais religiões, raças, culturas, idiomas, gêneros, classes ou todo qualquer outro fator de diferenciação individual ou coletiva ao redor do qual se possa construir uma Identidade, é o principal objetivo de todas as mobilizações internacionais políticas e econômicas. O sonho desses tiranos é um mundo que espelhe a música “Imagine” de John Lennon. Para mim, esse mundo seria o maior dos pesadelos.

A única finalidade do “Ambientalismo” assim como do “Aquecimento Global” (não cabe nesse artigo discutir se o mesmo é real ou não, e qual a participação do homem no mesmo), é preparar e despertar o interesse das massas em direção a um aparato estatal global, para que quando o mesmo surja, as massas não se revoltem e apóiem a iniciativa.

Ao mesmo tempo, é pré-condição necessária que absolutamente nada seja feito no sentido de tentar resolver seriamente esses problemas ambientais. Ao contrário, é absolutamente intencional que os líderes mundiais “empurrem com a barriga” esses problemas. Afinal, caso fossem resolvidos ou ao menos minorados, não haveria mais qualquer justificativa para se estabelecer o Leviatã Global, não é mesmo?

É esse o sentido da apropriação capitalista dos ideais ambientais. Para suprir os ímpetos ecológicos das massas, e fazer com que elas pensem que “estão lutando pelo meio ambiente”, são desenvolvidos produtos “verdes”, os quais não são necessariamente menos poluidores que os produtos “normais”. A finalidade dos mesmos é única e exclusivamente apaziguar as massas, fazendo-as crer no absurdo de que “salvarão o mundo”… Consumindo?!

Afinal, quem teria a coragem de propor e legislar no sentido de reduzir radicalmente o consumo, a produção e a economia de modo geral? Dane-se o “desenvolvimento sustentável”, afinal, inúmeros problemas ambientais têm sido causados até agora por conta do consumo e da atividade industrial ocidentais, e, hoje, Índia, China e o Sudeste Asiático, que juntos possuem quase 3 bilhões de habitantes, estão sendo integrados nos padrões de consumo ocidentais.

O que o mundo precisa é de Decrescimento. Decrescimento Populacional e Decrescimento Econômico. Mas que político terá a coragem de propor isso?

*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.

Governo reestruturará Funai e duplicará os servidores, enquanto indígenas usam celulares

28/12/2009

Informa a Folha:

“O governo federal decidiu duplicar a estrutura da Funai (Fundação Nacional do Índio) a partir de 2010, aumentando o número de servidores da instituição dos atuais 2.400 para 5.500 servidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira decreto que reestrutura a entidade com o objetivo de reforçar a segurança das áreas indígenas brasileiras –especialmente no norte do país.

Os novos servidores vão ser contratados por meio de concurso público até 2012, com exceção para 85 cargos de ‘livre provimento’ –que podem ser preenchidos por indicações políticas. Em 2010, a Funai pretende contratar 425 servidores, chegando ao total de 3.100 novos funcionários contratados em 2012.”

Enquanto a Funai está sendo reestruturada para que as comunidades indígenas possam ser melhor atendidas, a realidade é que a maioria delas já não é mais inteiramente indígena. Ao mesmo tempo em que caciques e pajés requisitam reservas para que que suas sociedades possam viver de acordo com seus parâmetros, alguns membros destas sociedades assistem programas de televisão com o auxílio de antenas parabólicas, conversam com parentes que já fazem parte de nossa sociedade pelo telefone celular e acessam a internet via satélite.

Acredito que a melhoria dos serviços prestados pela Funai é interesse de todos. Nossas comunidades indígenas precisam, sem dúvida, ser respeitadas e bem tratadas. O meu questionamento fica a cargo do fato de existir dúvida a respeito de quem é realmente indígena, de quem realmente faz jus a ser alvo das ações da Funai, de quem realmente merece ser visto como digno de tratamento especial.

Em resumo, sempre penso a respeito do tema com a impressão de que se por um lado há indígenas que merecem ter suas diferenças fortemente aceitas, respeitadas e valorizadas culturalmente, por outro há espertalhões que se valem de uma simples ascendência indígena para, inseridos em nossa sociedade e compartilhando já de nossa cultura, levar vantagem financeira.

Até que ponto são realmente indígenas aqueles que, requisitando milhares e milhares de quilômetros para suas sociedades, causam alguns ônus aos outros brasileiros e ao País como um todo que, muitas vezes, são deixados de lado? Muitos o são, muitas pretensões são honestas, sim. Contudo, que controle temos para impedir o sucesso daquelas que não o são?

Posta minha opinião, que pode ser polêmica, mas que é franca e honesta, deixo esse questionamento para o comentário dos leitores e dos colunistas.

Deixo também a foto abaixo, que resume melhor do que mil palavras fariam tudo o que este que vos fala supracitou:

 

Avaliação dos Prefeitos: Richa e Lacerda lideram, Paes e João Henrique são os últimos

28/12/2009

Informa o Globo a respeito de pesquisa feita pelo Datafolha sobre a avaliação dos prefeitos das grandes capitais:

“Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’ mostra que o prefeito de Curitiba (PR), Beto Richa (PSDB), é o mais popular entre os governantes de nove capitais avaliados pelo instituto. Richa obteve 84% de ótimo/bom e nota média de 7,9. No levantamento de março, o prefeito já aparecia na liderança, com 82% de ótimo/bom.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), obteve a oitava posição, com nota média de 5 pontos. A avaliação do governo ficou em 29% para ótimo/bom, um recuo de nove pontos em relação a março, quando chegou a 38%. A nota média do prefeito também caiu, era de 6 pontos no período. Cresceu ainda cinco pontos o índice de ruim/péssimo, ficando em 29%.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), perdeu pontos em todas as camadas da população e acabou ficando em quinto lugar. Entre os eleitores com renda acima de dez salários mínimos, Kassab obteve 35% de ótimo/bom contra 76% em outubro do ano passado. Já entre a população mais carente, com até dois salários mínimos, a queda foi de seis pontos percentuais, com um índice de aprovação de 39%.

A pesquisa também avaliou os prefeitos de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (2º lugar), de Porto Alegre, José Fogaça (3º lugar), de Recife, João da Costa (4º lugar), de Florianópolis, Dário Berger (6º lugar), de Fortaleza, Luizianne Lins (7º lugar) e de Salvador, João Henrique Carneiro (9º lugar). “

Enquanto Beto Richa tem uma popularidade estrondosa em Curitiba, digna de congratulações, Eduardo Paes, no Rio, Luizianne Lins, em Fortaleza, e João Henrique, em Salvador, têm uma aprovação baixa demais para políticos que foram eleitos a pouco mais de um ano, ou seja, ainda não experimentaram todo o desgaste do cargo. Dentre os três, Paes é o que tem mais motivos para se preocupar e crer que sua gestão tem que ser reformulada por não estar agradando a população, afinal, é o único que não vem de uma reeleição, não tendo o “cansaço de material”, o que faz com que sua baixa aprovação seja mais significativa ainda.

Ficou assim o ranking de popularidade dos prefeitos das grandes capitais segundo o Datafolha:

Ótimo e Bom somados  x Ruim e Péssimo somados

Beto Richa (PSDB) - Curitiba: 84% x 5%

Marcio Lacerda (PSB) - Belo Horizonte: 50% x 10%

José Fogaça (PMDB) - Porto Alegre: 38% x 11% 

 Gilberto Kassab (DEM) - São Paulo: 39% x 27%

Dário Berger (PMDB) - Florianópolis: 35% x 29% 

 João da Costa (PT) - Recife: 30% x 29% 

 Luizianne Lins (PT) - Fortaleza: 33% x 36% 

 Eduardo Paes (PMDB) - Rio de Janeiro: 29% x 29% 

 João Henrique (PMDB) - Salvador: 25% x 35%. 

Contradição histórica: O nome do governo Lula para Alagoas é Collor

28/12/2009

Imaginemos uma situação: Um turista francês que visitou o Brasil no final 1989 e aproveitou para acompanhar um pouco o processo eleitoral daquele ano resolve, vinte anos depois, retornar ao nosso País. Chegando aqui, percebe que Lula e Collor são, hoje, aliados, e lê nos jornais que o nome do governo comandado pelo PT para o estado de Alagoas é o do ex-Presidente que sofreu impeachment e que, em sua campanha presidencial, usou-se de métodos nada louváveis para vencer o ex-sindicalista Lula.

Ora, em um caso como esse, totalmente possível, a reação do francês só poderia ser uma: “Chose de loque!”

Acontece que não apenas esse fictício francês entende que tudo isso é uma coisa de louco. Este que vos fala e milhões de outros brasileiros pensam a mesma coisa.

É verdade que a política é “dinâmica” e que muitas vezes, nela, é preciso “compor”. Enfim, estas velhas e batidas máximas da política não deixam de estar certas. Contudo, para tudo há limite. Em tudo na vida se chega a um momento onde a contradição e a incoerência são tão gritantes que podem ser cortadas no ar com uma faca.

E por que está sendo dito tudo isso? Podem estar se perguntando os leitores…

Explico: Porque cada vez mais se confirma a tendência de o governo federal, liderado por Lula e pelo PT, criar em torno de Fernando Collor – ele mesmo – o palanque alagoano de Dilma Rousseff.

A coisa vai tomando corpo e não poderia cheirar mais a queimado: Partidos da base aliada que nada tem a ver com Collor estão sendo atraídos para o projeto, como PRB e PC do B, e com tudo sendo articulado pelo famigerado Renan Calheiros, também alagoano, que quer levar o seu PMDB para a mesma coligação visando facilitar sua reeleição para o Senado, que não será nada fácil, pois ele enfrentará, na luta por duas vagas, Heloísa Helena e Ronaldo Lessa.

Se somarmos Renan Calheiros e o PMDB ao cenário que já envolve um Collor que, com a benção de Lula e do PT, poderá ser o palanque de Dilma Rousseff em Alagoas, o turista francês do início do texto achará que a coisa é mais louca ainda.

Há pragmatismo de menos e há pragmatismo demais.

Como já foi dito por este que vos fala, a aliança entre Collor e Lula é, para o ex-Presidente, uma comprovação de seu retorno à ribalta política, por mais que com menos intensidade, obviamente, do que em tempos passados. Para Lula, a união tem cheiro de traição de convicções, de rendição às conveniências, de absurdo.

Para quem assistiu o último debate presidencial das eleições de 1989, para quem viu Collor estocando Lula verbalmente e para quem ouviu Lula afirmar que a Rede Globo favoreceu Collor na edição das imagens do debate, causa surpresa assistir os dois entre elogios e abraços.

É em meio a isso tudo que Collor quer concorrer ao governo de Alagoas. E se o fizer, contará com o apoio incondicional de Lula e com o auxílio político de Renan Calheiros.

Uma aliança entre Collor e Lula, 20 anos depois de 1989, demonstra duas coisas: Que Collor continua o mesmo e que Lula se peemedebizou.

Imagino o que devem pensar sobre isso os militantes petistas de carteirinha, aqueles que durante anos e anos lutaram pela construção de seu partido, que estão sendo obrigados a assistir abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim entre seu ídolo Lula e o odiado por eles Collor.

Fernando Collor, que chegou a pedir a uma ex-namorada de Lula que dissesse que o atual Presidente pediu para que ela abortasse um filho dele, agora é lulista de carteirinha. Lula aceita a conversão e ainda permite que alguém como Renan Calheiros triangule a relação.

2ª Coluna do dia: Receita de Ano Novo

28/12/2009

Por Jessica Riegg*

Em tempos de fim de ano, uso meu espaço no Perspectiva Política para reproduzir lindo poema de Carlos Drummond de Andrade. Como muitos de vocês sabem, Drummond é considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura latino-americana.

Segue abaixo:

Receita de Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Aos leitores: Feliz Ano Novo! Feliz 2010!

*Jessica Riegg, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg

Coluna do dia: Aos leitores e amigos do Perspectiva Política

28/12/2009

Por Arthurius Maximus*

Mais um ano termina com escândalos, corrupção galopante e problemas de toda ordem. Mas também foi um ano com muitas coisas positivas. Graças a você, leitor do Perspectiva Política, o blog cresceu e se consolidou como uma fonte de opinião e informação de qualidade reconhecida. Isso, é claro, engrandece o excelente trabalho feito pelo Bruno Kazuhiro e por todos nós, colunistas, amigos e colaboradores do Perspectiva.

Por isso mesmo, desejamos a cada um de vocês, as maiores realizações que seus sonhos permitirem e muito mais ainda. De nossa parte, continuaremos a batalhar por um Brasil melhor, mais justo e mais consciente. Tentando levar opiniões sem o ranço partidário e sempre imbuídas de um discurso ético.

Mas, nesse final de ano, a verdadeira estrela é você, caro leitor. Pois, sem a sua presença, a sua paciência e a sua excepcional compreensão, tudo o que fizemos teria sido em vão. É com a sua força que nos sentimos capazes de levar adiante a missão de prover e promover uma melhor conscientização política entre nossos cidadãos. É através da sua força que continuamos na caminhada rumo a um País melhor e a uma terra onde as oportunidades não sejam reservadas apenas para os “eleitos” e para os “amigos” de um ou de outro partido.

O Brasil anseia por tornar-se uma grande potência e uma nação de homens e mulheres capazes de evoluir por seus próprios esforços e não apenas pelas esmolas e tutelas do Estado. Mas, para que isso ocorra, é preciso que nosso País se transforme numa terra de oportunidades para todos. E isso só acontecerá com uma mudança radical nos pensamentos de nosso próprio povo.

Aos leitores, ao Bruno, aos amigos e colaboradores do Perspectiva Política um Feliz Ano Novo de muita paz e prosperidade.

Nota do Editor: Faço minhas as palavras do colunista Arthurius Maximus. Sem tirar nem pôr.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica