Por Raphael Machado Silva*
O dia termina, e não se chega a nenhuma conclusão de aplicabilidade prática. Todas as esperanças são traídas. Todas as expectativas foram em vão. Tudo o que foi dito não passou de uma sucessão de palavras vazias. O mundo para, perplexo e decepcionado. Os líderes mundiais abaixam as cabeças e saem “de fininho”, proferindo lamentos hipócritas para os abutres midiáticos que os perseguem constantemente.
E o que havia aí de inesperado? Como não era óbvio que Copenhagen seria tão, ou mais, inócua quanto Kyoto? Apenas os indivíduos de natureza abertamente mística e messiânica poderiam esperar por alguma “solução” vinda de uma reunião feita única e exclusivamente com o fim de agradar os eleitores-consumidores, que têm as mudanças climáticas por que passa o Globo em alta conta.
Copenhagen não passou de jogada de marketing político internacional. Ora, quem poderia crer que os líderes mundiais, os quais em sua maioria não passam de títeres dos interesses econômicos que os colocaram no poder, poderiam livremente determinar diretrizes normativas para que os países participantes e seus membros seguissem, as quais obviamente reduziriam a capacidade dos interesses financeiros internacionais de saquearem e rapinarem à vontade, se engordando com os frutos profanos da mais-valia.
O próprio foco da Conferência revela claramente toda a malícia dos interesses internacionais. A dialética política e as propagandas midiáticas maciças conseguiram reduzir as infindas Questões Ambientais ao “Aquecimento Global”. Hoje, “Aquecimento Global” é sinônimo de Ambientalismo. Fora do “Aquecimento Global” não há nada. Assim, afasta-se de todo a atenção da população em relação a todos os outros problemas ambientais, concentrando-a sobre uma temática facilmente apelativa, altamente mercantilizável e extremamente apta a ser usada para os fins mais escusos.
Ora, e o que se diz sempre que falha alguma dessas sempre frequentes tentativas de acordos ambientais? “Precisamos de uma estrutura normativa internacional, semelhante a um Estado!”. Não estão cansados de ouvir a mesma “ladainha”? Afinal, isso também é constantemente dito como a “melhor solução à longo prazo para a crise econômica”. Parece que todo e qualquer problema de âmbito internacional é justificativa para se apregoar a desintegração das soberanias nacionais, e a submissão dos Estados a um Leviatã internacional.
Esse é o grande sonho de todos os burocratas neomarxistas, assim como o de todos os banqueiros, usurários e grandes capitalistas. Um mundo sem fronteiras, e melhor ainda se não houverem mais religiões, raças, culturas, idiomas, gêneros, classes ou todo qualquer outro fator de diferenciação individual ou coletiva ao redor do qual se possa construir uma Identidade, é o principal objetivo de todas as mobilizações internacionais políticas e econômicas. O sonho desses tiranos é um mundo que espelhe a música “Imagine” de John Lennon. Para mim, esse mundo seria o maior dos pesadelos.
A única finalidade do “Ambientalismo” assim como do “Aquecimento Global” (não cabe nesse artigo discutir se o mesmo é real ou não, e qual a participação do homem no mesmo), é preparar e despertar o interesse das massas em direção a um aparato estatal global, para que quando o mesmo surja, as massas não se revoltem e apóiem a iniciativa.
Ao mesmo tempo, é pré-condição necessária que absolutamente nada seja feito no sentido de tentar resolver seriamente esses problemas ambientais. Ao contrário, é absolutamente intencional que os líderes mundiais “empurrem com a barriga” esses problemas. Afinal, caso fossem resolvidos ou ao menos minorados, não haveria mais qualquer justificativa para se estabelecer o Leviatã Global, não é mesmo?
É esse o sentido da apropriação capitalista dos ideais ambientais. Para suprir os ímpetos ecológicos das massas, e fazer com que elas pensem que “estão lutando pelo meio ambiente”, são desenvolvidos produtos “verdes”, os quais não são necessariamente menos poluidores que os produtos “normais”. A finalidade dos mesmos é única e exclusivamente apaziguar as massas, fazendo-as crer no absurdo de que “salvarão o mundo”… Consumindo?!
Afinal, quem teria a coragem de propor e legislar no sentido de reduzir radicalmente o consumo, a produção e a economia de modo geral? Dane-se o “desenvolvimento sustentável”, afinal, inúmeros problemas ambientais têm sido causados até agora por conta do consumo e da atividade industrial ocidentais, e, hoje, Índia, China e o Sudeste Asiático, que juntos possuem quase 3 bilhões de habitantes, estão sendo integrados nos padrões de consumo ocidentais.
O que o mundo precisa é de Decrescimento. Decrescimento Populacional e Decrescimento Econômico. Mas que político terá a coragem de propor isso?
*Raphael Machado Silva, escrevendo excepcionalmente em uma quarta, é colunista do Perspectiva Política às terças.