Por Raphael Machado Silva*
Essa semana, veio a estas nossas terras, sofridas e quase inóspitas, o Presidente de um dos poucos países (talvez o único) autenticamente soberanos deste Mundo aloprado e tresloucado no qual nós, Espíritos Livres (tanto quanto os Cativos) passamos nosso tempo entre o Não-Ser que há antes e o Não-Ser que há depois. Refiro-me, obviamente, a Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã sob a douta Auctoritas Espiritual do grandioso Aiatolá Khamenei.
Como verdadeiro amante do diálogo internacional (não é o Irã quem ameaça outros países de bombardeio, e nem é o Irã quem se recusa a receber inspetores da ONU), veio Ahmadinejad buscar uma tão benfazeja aproximação de cunho diplomático e econômico entre seu nobilíssimo e antiquíssimo país, herdeiro da Pérsia, e nossa triste terra tupinambá, ainda repleta de “selvagens”, mas que por ser obeso em tamanho e em PIB, e possuir mulheres e CEOs de fama internacional, vê a si mesmo como estando ‘a um passo do primeiro mundo’.
Um dos principais interesses que ambos os países têm em comum é o enriquecimento de urânio e a utilização de usinas nucleares para fins energéticos. Os dois têm feito avanços interessantes nesse sentido, e o Brasil até mesmo já pode se dizer ‘com alguma experiência’ na área, tendo até mesmo desenvolvido um método alternativo de enriquecimento de urânio.
Apesar de muitos medos, pois o Fantasma de Chernobyl ainda vive na mente de muitos, a Energia Nuclear se apresenta como uma das fontes mais eficientes e seguras, dentre as fontes de energia que poderiam servir como alternativa aos combustíveis fósseis. É belo que a partição da própria matéria-prima da existência seja capaz de liberar tamanha energia como o faz. Ainda que signifique algo temível e abominável, como tudo que é “divino”, o ‘Cogumelo Atômico’ possui tal magnitude e poder que inevitavelmente transmite uma sensação que só posso ver como análoga a estar diante de um aspecto de Deus. A total indiferença frente ao Humano, que não passa de uma formiga frente ao Macrocosmo… A sensação de expansão inelutável em direção ao infinito…
Essa impressão estética é compreensível, quando se apreende que estamos diante de algo tão primordial quanto a força que deu existência material ao Universo bilhões de anos atrás. O átomo é tanto força de Criação como força de Destruição. É oportuno lembrar de uma passagem do ‘Bhaghavad Gita’, mais importante obra espiritual do Hinduísmo, citada pelo cientista genocida Oppenheimer, responsável pelo Projeto Manhattan: “Agora tornei-me Morte, o Destruidor de Mundos.”
Deixando esse tema um tanto de lado, voltemos para o tema primário deste artigo.
Veio Ahmadinejad, líder democraticamente eleito do Irã, apesar da tentativa de golpe orquestrada pela CIA, e quão patética toda a reação dessa massa jornalística e “intelectualóide” brasileira, chorando e rastejando no pó, gemendo de ódio irracional e meramente repetindo mitos e ‘lugares-comuns’.
O que é mais cômico é que, alguns dias antes, quando recebemos alguém que realmente poderia ser dito como genocida, Shimon Peres, Presidente de Israel, absolutamente NENHUM desses indivíduos, de jornais grandes ou pequenos, disse uma única palavra sequer de desaprovação a respeito.
Ora, respeitáveis leitores, isso ocorre porque toda essa massa jornalística tem um lado que possui um quê de sionista. Quem diria que essa ideologia fincaria raízes tão fortes aqui no Brasil. Ou talvez minha surpresa seja indevida… Quem tiver disposição e coragem, que procure e leia “História Secreta do Brasil”, de Gustavo Barroso, membro da Academia Brasileira de Letras.
Só posso admitir que a maior parte desses sionistas brasileiros o seja por mera osmose. “Todos acham isso, então deve ser verdade…” Desafio qualquer um de vós, jornalistas anti-iranianos, a vir aqui me trazer a mítica “ameaça de genocídio contra Israel feita por Ahmadinejad.” Eu estou falando com seriedade. Desafio qualquer um a provar que tal citação apócrifa seja autêntica. Mas já afirmo de antemão que não admitirei como provas links do ‘The New York Times’, do ‘Haaretz’, ou de qualquer jornal de linha editorial similar. Quero o texto ou vídeo em que Ahmadinejad faz tal afirmação, com uma tradução feita para o português por alguém que fale sua língua.
Como é fácil distorcer palavras alheias ou mesmo as inventar… Principalmente quando se possui o monopólio da informação.
Só posso compreender o sentimento anti-iraniano como fruto de ignorância ou arrogância humanista. “Toda Nação deve possuir auto-determinação…”. Mas ai das nações que ousem contrariar os preceitos do Humanismo Liberal! Elas são más! Elas devem ser destruídas! Assim é que o Multiculturalismo mostra sua verdadeira face. Se todo país deve abarcar a todas as formas de auto-expressão e liberdade, então todo país deve ser idêntico e, portanto, não há diversidade.
Touché. Adoro brincar de assassinar ídolos. Principalmente “ídolos ideológicos”. Deve ser culpa das minhas leituras excessivas de Nietzsche.
“Devemos ter Tolerância”! Mas parece que isso não vale com relação a aqueles que discordam de nós verdadeiramente. Podemos tolerar que um indivíduo seja Social-Liberal, Social-Democrata ou Liberal-Democrata. Devemos tolerar essas diferenças. Mas coloque um tolerante humanista diante de, por exemplo, um fascista ou um muçulmano tradicionalista e veja como ele se transforma em alguém ululando de ódio, clamando por execução sumária e gritando slogans humanistas entrecortados por insultos vulgares.
Toda a tolerância humanista é muitas vezes uma máscara da mais profunda intolerância. Quanta hipocrisia.
Talvez seja pior viver sob o Totalitarismo Liberal. Em um país autoritário, todos sabem o que se pode fazer e o que não se pode fazer; o que se pode dizer e o que não se pode dizer; o que se pode ler e o que não se pode ler. Nas democracias liberais modernas, você pode fazer, dizer e ler tudo. A não ser aquilo que esteja em discordância com a ideologia oficial. Qual a diferença então?
Se há liberdade para questionar tudo, menos o Humanismo, menos a Moral Cristã, menos a Democracia, menos o Iluminismo, menos o Multiculturalismo, então não há liberdade nenhuma. Há um embuste. Há uma farsa.
Pior que a escravidão evidente e declarada é aquela que se disfarça trajando sem pudores as roupagens da Liberdade.
Quereis provar que estou errado?
Então começai atacando Israel, o ÚNICO país do Oriente Médio possuidor de armas nucleares e o ÚNICO que se recusa a receber inspetores da ONU. Começai pelos que hoje, enquanto você está sob lençóis de veludo, chacinam diariamente palestinos, usando para isso inclusive armamento proibido.
Qual poderia ser minha reação, senão rir até não poder mais, quando vi na televisão os tipos que protestavam contra Ahmadinejad, os quais certa rede de televisão abertamente sionista chamou de “representantes da sociedade civil”.
Festejemos a tolerância e o humanismo! Mas o façamos sob o som do fuzilamento dos que discordam de nossos “valores”. O humanista enche a boca para falar sobre a “desumanização” de minorias e outros “grupos santificados e vitimizados da modernidade”. Mas se o humanista se vê como representante do Bem, e todos que discordam essencialmente dele como representantes do Mal, quem é então o verdadeiro culpado pela desumanização? Olhai nos olhos de um humanista, quando ele fala de um inconformista. Ele olha com um olhar que é um misto de arrogância pequeno-burguesa e total desumanização do Outro.
“O Irã deve ter liberdade”! Menos para escolher ser Tradicionalista e Muçulmano. Caso isso ocorra devemos bombardear o Irã, até que ele seja salvo e aprenda o valor da tolerância.
Que os adormecidos despertem, que os cegos vejam e que os hipócritas passem a ter um mínimo de vergonha na cara, porque já está ficando difícil de aturar tudo isso.
Por fim, recomendo vídeo pouco divulgado que demonstra que Ahmadinejad dialoga com judeus e que prova que judaísmo e sionismo não são a mesma coisa.
* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.
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24 Responses to Coluna do dia: Ahmadinejad e a hipocrisia tupiniquim
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 11:47
Raphael,
Eu até concordo que precisamos sempre saber pensar “outside the box”, ou seja, precisamos saber questionar, necessitamos ter a habilidade de perceber quando estamos apenas cercados de clichês.
Contudo, no caso de Ahmadinejad, os defeitos dele apontados pela imprensa não são todos manipulados. Diversos existem de fato.
Concordo que é curioso que preguem a tolerância iraniana com intolerância, mas isso não quer dizer que Ahmadinejad também não é intolerante. Isso não quer dizer que atitudes defendidas pelo iraniano não atacam a nossa moral, gerando indignação.
Neste blog defendi que a relação entre Brasil e Irã pode existir sem que o Brasil defenda os valores pregados por Ahmadinejad. A defender os valores dos aiatolás me recuso.
Por fim, cito um trecho do seu texto:
“Talvez seja pior viver sob o Totalitarismo Liberal. Em um país autoritário, todos sabem o que se pode fazer e o que não se pode fazer; o que se pode dizer e o que não se pode dizer; o que se pode ler e o que não se pode ler. Nas democracias liberais modernas, você pode fazer, dizer e ler tudo. A não ser aquilo que esteja em discordância com a ideologia oficial. Qual a diferença então?
Se há liberdade para questionar tudo, menos o Humanismo, menos a Moral Cristã, menos a Democracia, menos o Iluminismo, menos o Multiculturalismo, então não há liberdade nenhuma. Há um embuste. Há uma farsa.”
Não há farsa, Raphael. A prova disso é que você disse o que quis e não será procurado por uma milícia governamental.
Yashá Gallazzi
November 25th, 2009 at 12:10
Raphael, é despiciendo dizer que não posso concordar com nada do que vai acima. Suponho que você saiba disso.
Tomo emprestado o trecho de um comentário que você apôs a outro post, em que o mesmo tema foi abordado. Lá, você escreveu:
“Se há Liberdade, e ela deve ser aplicada às Ciências e ao meio acadêmico por exemplo, isso inclui a Liberdade de investigar e SIM, ATÉ MESMO NEGAR a ocorrência do Holocausto.”
E ainda:
“Ouso dizer que livre é o Irã, e escravo é o Ocidente Moderno.”
Diante disso, eu me resigno. Não há, pois, forma de debater o assunto.
Não! Não me tome por intolerante e totalitário. Longe disso. Sou apenas pragmático: não vejo razão para dar início a uma conversação que, sabemos, seria infrutífera. Segundo meu norte ético e moral, há limites básicos dentros dos quais a divergência é exercítada. Tais limites são os garantidores de um debate verdadeiramente civilizado, a meu aviso. Fora deles, há a barbárie. E esta, eu dispenso.
Negar o holocausto, por exemplo, está fora dos limites que considero civilizados. Não porque o sacrifício dos judeus seja símbolo disso ou daquilo. É mais que isso: negar o holocausto é abrir a porta do inferno. O que impedirá que os debatedores passem, então, a relativizar toda espécie de mal?
Você sabe, estou certo, em que termos se dá a contestação de Ahmadinejad ao holocausto. Ele diz: “Se morreram 20 milhões no leste europeu, por que tanta importância para 6 milhões de judeus?” Percebe a lógica? Ele compara pilhas de corpos humanos, a fim de relativizar um dos males. Não é essa a moral que pode debater comigo.
No mais, acho que a liberdade não é, de fato, a liberdade para fazer qualquer coisa, ou questionar tudo. Há que se ter limites. A democracia, por exemplo, não pode tolerar ameaças à… democracia!
Pensemos juntos: se um grupo de cinco brancos decide atear fogo a dois negros, temos uma expressão livre da maioria, não é? Mas é justo? É democrático? Claro que não! A democracia é importante porque preserva as liberdades individuais inclusive dos anseios da maioria. Dos anseios do “povo”!
Por isso eu tenho como lema um julgamento histórico da Suprema Corte britânica, onde se disse que “não podemos conceder aos inimigos da liberdade, em nome de nossas convicções, as garantias que eles, em nome das suas, nos negariam.” Essa é a base da vida em uma sociedade civilizada.
Sendo mais pontual, poderia dizer o óbvio:
1) O programa nuclear iraniano não deve ser visto como pacífico porque Ahmadinejad AMEAÇOU VARRER UM PAÍS DO MAPA! E isso é fato!
2) Israel tem exército e armas nucleares porque NUNCA AMEAÇOU VARRER NENHUM PAÍS DO MAPA! E isso mesmo estando há sessenta anos sob ataques constantes de todos os lados.
matheuspassos
November 25th, 2009 at 12:14
Caro Raphael
Em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo pela coluna e, principalmente, pela “coragem” em publicá-la. Prepare-se para as pedradas: afinal de contas, é com elas que os pseudo-democráticos e pseudo-humanistas virão.
Em segundo lugar — e isso não é uma discordância em relação ao seu texto –, faço minhas as palavras do Bruno: “Neste blog defendi que a relação entre Brasil e Irã pode existir sem que o Brasil defenda os valores pregados por Ahmadinejad. A defender os valores dos aiatolás me recuso.” Uma coisa é defender o direito dele falar, outra é concordar com o que ele diz. E, se for para “vencê-lo”, que o seja por meio da força da nossa moral, e não por força das nossas armas — inclusive as não-físicas, como a mídia.
Felipe Liberal
November 25th, 2009 at 13:24
Raphael,
Concordo com Bruno e Matheus quanto à questão de apoiar a liberdade do Irã em se defender e criticar outros países, mas também discordo de muitas políticas adotadas no país e na sociedade, quase todas na verdade.
Porém, não vejo o Irã, Coréia do Norte ou Cuba como ameaças externas para o planeta. Eles estão lá, há mais de 30 e 40 anos sempre sendo colocados como ameaça mundial, mas nunca fizeram nada, mesmo quando tinham possibilidade de fazer. Enquanto os americanos, dentro desses 30 e 40 anos, já invadiram inúmeros países, massacrando sua população e suas famílias.
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 14:12
Amigos,
Obrigado pelos comentários.
Com certeza é verdade que Israel é visto com mais complacência no que tange possuir o armamento nuclear por ser entendido, corretamente, como um país mais responsável que o Irã. Por mais que se diga que Israel utiliza o Holocausto como desculpa eterna para seus atos, fato é que o país é democrático e cauteloso, pelo menos, no uso de artefatos nucleares. Em resumo, entende-se mundialmente que o Irã poderia utilizar armas atômicas indiscriminadamente, enquanto Israel teria, supostamente, mais controle sobre isso.
Esse é o ponto.
Voltem sempre!
Felipe Liberal
November 25th, 2009 at 15:08
Bruno,
Esta é uma opinião sua e de quem possui sua ideologia. Você coloca como uma verdade, um fato.
Em relação à política externa, o Irã não ataca ninguém, já Israel massacra a população palestina com medidas ilegais e que vão contra os Direitos Humanos.
Não se fala sobre a produção nuclear israelense simplesmente porque é parceira americana, pois a produção existe, talvez numa etapa superior a da iraniana. Dizer que Israel é mais responsável que o Irã é no mínimo passional.
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 15:57
Felipe,
Obrigado pelo comentário.
Eu não tenho uma ideologia que me leve a louvar Israel. Meu social-liberalismo em nada me imputa esse tipo de relacionamento ideológico. Sobre Israel ser mais responsável com o armamento nuclear, acredito ser uma noção apenas realista, e não parcial. É fato que o governo de Israel é mais estruturado, com mais instâncias de poder, menos absolutismo. Sendo assim, há mais controle. Eu, por exemplo, não concordo em nada com o imperialismo americano do passado e do presente, mas admito piamente que os EUA são responsáveis no uso de seu armamento nuclear. A responsabilidade de Israel que cito diz respeito às armas atômicas, não tem relação com os ataques covardes a assentamentos palestinos indefesos.
Volte sempre!
uberVU - social comments
November 25th, 2009 at 16:43
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This post was mentioned on Twitter by perspectiva: Coluna do dia: Ahmadinejad e a hipocrisia tupiniquim. Leia: http://bit.ly/7Bd9qu...
Raphael Machado Silva
November 25th, 2009 at 17:34
“Não há farsa, Raphael. A prova disso é que você disse o que quis e não será procurado por uma milícia governamental.”
A maior falácia que existe, a qual é propagada pelos trotskistas-gramscistas é o mito de que só é censura e perseguição aquilo que é praticado abertamente pelo governo contra liberdades individuais. Falácia! Se editoras por exemplo, tácita ou abertamente se recusarem a publicar um livro porque este contraria dogmas pré-estabelecidos, isso já é censura e perseguição.
Se um maçom telefona para um jornalista, que telefona para um lobista, o qual telefona para um diretor de RH de uma empresa, com a finalidade de demitir um funcionário o qual “falou algo polêmico”, isso já é censura e perseguição!
Toda separação entre Estado e Sociedade é mítica. A censura e perseguição realizada por empresas, igrejas, instituições e representantes da “sociedade civil”, AINDA E PRINCIPALMENTE quando estas não contrariam a lei, ainda assim não deixam de ser censura e perseguição.
Se empresas mantém bancos de dados, e averiguam, por exemplo, comunidades de orkut, perseguindo e rejeitando candidatos a emprego que estão em comunidades com as quais eles não concordam, isso já é censura e perseguição.
A “estatização” da noção de Censura é uma invenção marxista absolutamente maliciosa, a qual tem como finalidade única e exclusivamente liberar certos indivíduos privados para omitir informações e conhecimento, distorcer pesquisas e investigações científicas, perseguir socialmente um indivíduo impedindo-o de conseguir um emprego ou conseguindo sua demissão, etc.
Eu não preciso ser procurado por uma milícia governamental! Quem dera assim o fosse! Milícias governamentais geralmente usam uniformes, e estes você identifica à distância. Milicianos do Politicamente Correto estão entre seus vizinhos, colegas de trabalho, parentes e supostos amigos. São essas que garantem que TODOS sejam prisioneiros de TODOS na sociedade contemporânea.
Nesse sentido, qualquer censura governamental não só é supérflua como absolutamente ineficaz frente à malignidade dos modos disfarçados de totalitarismo.
“Negar o holocausto, por exemplo, está fora dos limites que considero civilizados. Não porque o sacrifício dos judeus seja símbolo disso ou daquilo. É mais que isso: negar o holocausto é abrir a porta do inferno. O que impedirá que os debatedores passem, então, a relativizar toda espécie de mal?”
Falácia. Quem nega o Holocausto, não crendo que o mesmo aconteceu não está “abrindo” nada, a não ser as portas da ciência e fechando as portas do “misticismo” e da “superstição. Portanto, não há nada mais civilizado do que questionar o Holocausto, assim como TODO E QUALQUER OUTRO EVENTO HISTÓRICO, exatamente porque o Holocausto é como todo e qualquer outro suposto evento histórico.
Não há menor possibilidade lógica de se estabelecer nexos entre negar o Holocausto e defender qualquer forma de atrocidade, a não ser para quem já assume religiosamente e supersticiosamente que o mesmo ocorreu. Então, única e exclusivamente para os crentes é que “negar o Holocausto” poderia abrir precedentes para a relativização dos genocídios comunistas, por exemplo. Mas tanto a nível de lógica formal, como na prática isso não faz sentido. Em geral, são os próprios Holocaustianos que negam o genocídio dos Ucranianos pelos comissários soviéticos, o genocídio armênio pelos turcos, etc. Pior é quando tentam traçar nexos entre Revisionismo e Anti-Semitismo, mesmo porque, detalhe: boa parte dos revisionistas são eles mesmos judeus, vide Normal Finkelstein, judeu e israelense que perdeu sua cadeira na Universidade e é impiedosamente perseguido por negar a versão da História contada pelos vencedores.
Esse comportamente, “divinizador” do Holocausto é cabível para quem depende dele como elemento da Religião, não para os que tem como única e exclusiva preocupação a Verdade.
“No mais, acho que a liberdade não é, de fato, a liberdade para fazer qualquer coisa, ou questionar tudo. Há que se ter limites. A democracia, por exemplo, não pode tolerar ameaças à… democracia!
Pensemos juntos: se um grupo de cinco brancos decide atear fogo a dois negros, temos uma expressão livre da maioria, não é? Mas é justo? É democrático? Claro que não! A democracia é importante porque preserva as liberdades individuais inclusive dos anseios da maioria. Dos anseios do “povo”!”
Isso é óbvio. Todo e qualquer sistema possui como finalidade primária a própria sobrevivência. Ocorre que no que concerne ao Irã, as “democracias” não tem que “tolerar” ou deixar de “tolerar” absolutamente NADA. Não são suas Nações. Quem são e como ousam as democracias “ocidentais” (apenas entre aspas mesmo, pois o Ocidente morreu com o fim da Idade Média) impor código de regras e condutas, impor o que é certo e o que é errado, quando absolutamente todas as suas crenças primordiais são baseadas em falácias primárias, as quais nunca são questionadas porque são tomadas como dogmas e verdades a priori e, conseguintemente, porque não há Liberdade nas democracias “ocidentais”.
A dita “liberdade” das democracias é a literalmente a liberdade de fazer “merda”. É a liberdade de praticar a coprofagia. É a liberdade de fazer e defender exatamente tudo que corrompe de destrói a família tradicional, os valores clássicos, a cultura, a Identidade dos Povos. A liberdade de rejeitar, por exemplo, a liberdade de dizer: “Não quero coprófagos morando perto de mim, e não tenho que tolerar coprófagos corroendo minha comunidades”, essa, a única que é digna, a liberdade do “NÃO!” essa é impossível para as democracias, porque a essência das democracias é a permissividade frente a “tudo que não presta”.
Mas se eu não posso rejeitar o que contraria meus Valores e minha Cultura, então eu sou obrigado a aceitar. E se sou OBRIGADO a aceitar, então não há Liberdade. Só há libertinagem, porque só se admite a ‘liberdade de aceitação’, de ’submissão ao relativismo, à corrosão das tradições e costumes milenares do Ocidente’.
E até no que concerne ao Holomito, ora, é exatamente a suposta maioria (supostamente, porque eu afirmo que não conheço ninguém pessoalmente que acredite sinceramente no Holocausto) quem persegue e reprime o exercício da Liberdade de Investigação por uma minoria de curiosos e amantes da Verdade e do Bem. Ah sim, aí não pode. Ué, mas no Brasil o Revisionismo nem ao menos é crime? É para benefício de quem que o Holocausto não pode ser questionado? Para o benefício de idosos que nunca puseram os pés na Europa e mesmo assim recebem indenização?
“1) O programa nuclear iraniano não deve ser visto como pacífico porque Ahmadinejad AMEAÇOU VARRER UM PAÍS DO MAPA! E isso é fato”
Novamente, quem afirma tem o ônus de provar. Então que se prove que o Ahmadinejad afirmou que iria ele mesmo varrer Israel do mapa. Hahaha! Eu duvido que alguém consiga! Por quê? Porque essa afirmação é apócrifa. Jornais americanos inventaram e a massa comprou o blefe da Rede Bobo de Televisão.
“2) Israel tem exército e armas nucleares porque NUNCA AMEAÇOU VARRER NENHUM PAÍS DO MAPA! E isso mesmo estando há sessenta anos sob ataques constantes de todos os lados.”
É claro que nunca ameaçou. Israel nunca precisou ameaçar. Israel fez e comete genocídio HOJE MESMO. Israel invade e bombardeia outros países desde sua fundação. Israel massacra e invade os territórios palestinos HOJE. É o que Israel faz hoje!
E para os que se recusam a aceitar os fatos, que sejam então enterrados sob montanhas de evidências:
1 – Israel pode anexar mais partes da Palestina: http://www.reuters.com/article/email/idUSLG139520._CH_.2400
2 – Rabino israelense defende extermínio de não-judeus: http://www.thenational.ae/apps/pbcs.dll/article?AID=/20091111/FOREIGN/711109835/1011/NEWS
3 – Guia completo para exterminar não-Judeus: http://www.informationclearinghouse.info/article24006.htm
4 – Rabino-Chefe das Forças de Defesa Israelenses afirma que tropas que mostrarem misericordia à inimigos serão ‘amaldiçoadas’: http://www.haaretz.com/hasen/spages/1128144.html
5 – Rabino afirma que quem Gentios que forem ameaça à Israel devem ser exterminados, inclusive bebês e crianças: http://www.haaretz.com/hasen/spages/1126890.html
6 – Ehud Olmert, ex-primeiro ministro de Israel pode ser preso caso coloque os pés na Grã-Bretanha por crimes de guerra: http://www.guardian.co.uk/world/2009/oct/27/olmert-could-face-warcrimes-arrest
7 – Israelenses impedem o acesso de palestinos à água, para matá-los de fome: http://news.bbc.co.uk/2/hi/middle_east/8327188.stm
8 – Inúmeros supostos sobreviventes do Holocausto são desmascarados como fraudes: http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/features/why-would-any-writer-make-up-stories-about-the-holocaust-1803275.html
9 – Centenas ou mais de civis estão aprisionados em Israel, sem qualquer acusação ou justificativa: http://www.cnn.com/2009/WORLD/meast/10/14/israel.detention/index.html
10 – Israel busca impedir casamentos interetnicos: http://www.jkcook.net/Articles3/0426.htm
11 – Israel lança propagandas oficiais na TV e na internet alertando contra casamentos interetnicos: http://www.countercurrents.org/cook080909.htm
12 – Segundo inspetores da ONU, não há evidências de armas nucleares no Irã: http://www.guardian.co.uk/world/2009/sep/30/iranian-nuclear-weapons-mohamed-elbaradei
13 – Soldados Israelenses admitem extemínio deliberado e civis: http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/middle_east/article5939611.ece
14 – Soldados israelenses confessam matar propositadamente civis em Gaza: http://www.englishbaby.com/forum/LifeTalk/thread/269661
15 – Soldados israelenses receberam ORDENS de matar civis: http://twogoodhands.wordpress.com/2009/03/20/israeli-soldiers-were-ordered-to-kill-civilians-in-gaza/
16 – Sniper israelense atirou em mulheres e crianças: http://www.abc.net.au/news/stories/2009/03/20/2521350.htm
17 – Israelenses matam palestinos desarmados carregando bandeiras brancas: http://www.huffingtonpost.com/2009/08/13/israeli-soldiers-killed-u_n_258355.html
18: http://www.youtube.com/watch?v=QJaPZLNLBu8
Oh! Mas muçulmanos jogam foguetes em Israel! Claro, ué. O que se faz quando sua terra é roubada, tomada de você? Senta e chora? Não! Se resiste, violentamente se necessário.
Não há como negar, é Israel a principal causa dos conflitos no Oriente Médio, e não o Irã, ou o Hamas, ou o Hezbollah, e nem era o Iraque, e nem o Afeganistão. Foi Israel quem injustamente recebeu terras às quais nunca fez direito. E é Israel que mais tem se expandido e sem cessar arrebanhado territórios alheios.
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 19:23
Raphael,
Obrigado pelo comentário.
Sua argumentação tem lógica irrefutável. Apenas um ponto não me parece correto, justamente aquele em que você questiona minha afirmação sobre a liberdade e o fato de ela ser ou não uma farsa. É claro que, em sentido amplo, a liberdade não existe. Não se pode realmente ser o que se quiser profissionalmente, não se pode ter o que se quiser. Porém, ainda assim mantenho que há, em um sentido estrito, liberdade nas democracias ocidentais. É possível para você, por exemplo, escrever uma coluna em um blog falando o que quiser. No Irã, por exemplo, isso não seria possível. Neste blog, questiona-se o Presidente a todo tempo, sem qualquer tipo de represália. Livros falam mal dos tucanos e dos petistas. É claro que há coação social, é claro que há temas evitados e, sim, isso é um tipo de censura, mas ela não inviabiliza a liberdade em um certo sentido. Você pode falar o que quer, o que não se permite em alguns casos é que ouçam o que você diz. E onde está a revolução? Na internet livre!
Volte sempre!
Sofia
November 25th, 2009 at 20:05
Só não entendo porque os “tupiniquins” são símbolo de hipocrisia, burrice, atraso….
Felipe Liberal
November 25th, 2009 at 20:29
Bruno,
Estou sem saber o que falar depois de suas afirmações. Os EUA tem mais responsabilidade com armas nucleares que o Irã?
Você sabe quantas pessoas morreram no bombardeio nuclear em 1945? Você sabe quantos adultos e crianças tiveram câncer anos após o ataque terrorista americano?
Meu caro colega, 300 mil pessoas se desintegraram em pó, pessoas que estudavam, namoravam, dançavam e sorriam no momento da explosão.
Isso tudo me lembra aquele livro de Saramago, que virou filme.
Alan
November 25th, 2009 at 21:10
Acho engraçado que não se condene os EUA porque eles supostamente aprenderam que jogar bombas nucleares é monstruoso, mesmo que tivessem que fazer a besteira duas vezes, e não me venham dizer que era um “mal necessário”.
E que, por outro lado, condena-se o Irã sem ele nunca ter feito o mesmo, e pior, nem sabemos ao menos, e tudo indica que não, se eles podem ou não fazê-lo.
Sejamos pragmáticos, você contraria como babá um ex-pedófilo ou um outro qualquer?
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 21:48
Sofia,
Obrigado pelo comentário.
O colunista quis se referir ao fato de muitas vezes a imprensa brasileira apenas repetir clichês internacionais. Apenas isso. Não há depreciação de nosso País neste blog. Ao contrário, há muita luta pela melhoria dele.
Volte sempre!
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 21:51
Felipe,
Obrigado pelo comentário.
É claro que Hiroshima e Nagasaki são completamente condenáveis. Mas estes erros foram admitidos e os EUA se ressentem de terem os cometido. Quando eu me referi a responsabilidade eu quis citar o período pós-Segunda Guerra. Com certeza as barbaridades de 1945 contribuíram, justamente, para não ocorresse novamente. Mas você acerta de certa forma: Se olharmos 1945, não podemos dizer que os EUA são responsáveis. Enfim, eu estava olhando o mundo contemporâneo. O regime iraniano é menos previsível, menos confiável, menos recheado de instâncias de controle.
Volte sempre!
Bruno Kazuhiro
November 25th, 2009 at 21:52
Alan,
Obrigado pelo comentário.
A resposta que dei ao Felipe responde também ao seu questionamento.
Volte sempre!
Felipe Liberal
November 25th, 2009 at 23:16
Bruno,
Aqui em casa, vou contratar um ex-estuprador arrependido pra aparar a grama; um ex-assassino arrependido pra cuidar dos meus futuros filhos e um ex-sequestrador pra levar meu futuro filho pra escola.
Desculpa, mas isso que você me disse não é argumento.
Yashá Gallazzi
November 26th, 2009 at 00:02
Raphael, não sei por que você insiste em dizer que a tal história de varrer Israel do mapa seria apócrifa. Não é!
Lembra da visita de Ahmadinejad à Universidade de Colúmbia, nos EUA? Pois bem, lá o reitor jogou na cara dele a tal afirmação. E ele não negou! Mais que isso: tergiversou sobre os males que Israel causa ao mundo, como que tentando justificar o que dissera.
Bruno Kazuhiro
November 26th, 2009 at 00:23
Felipe,
Obrigado pelo comentário.
Não é a mesma coisa. As pessoas que comandaram os EUA em 1945 estão mortas. O país não é um ser vivo. Seria a mesma coisa que dizer que devem desconfiar da democracia do Brasil por já termos tido uma ditadura militar.
Volte sempre!
Matheus Passos Silva
November 26th, 2009 at 21:52
Raphael:
“Quem nega o Holocausto, não crendo que o mesmo aconteceu não está ‘abrindo’ nada, a não ser as portas da ciência e fechando as portas do ‘misticismo’ e da ’superstição’. Portanto, não há nada mais civilizado do que questionar o Holocausto, assim como TODO E QUALQUER OUTRO EVENTO HISTÓRICO, exatamente porque o Holocausto é como todo e qualquer outro suposto evento histórico.”
“Esse comportamento ‘divinizador’ do Holocausto é cabível para quem depende dele como elemento da Religião, não para os que tem como única e exclusiva preocupação a Verdade.”
Concordo com sua atitude questionadora e acho extremamente louvável seus questionamentos a respeito da “liberdade” de imprensa. Acho também extremamente louvável mostrar a hipocrisia da política internacional, na qual uns são mais iguais que outros.
Por outro lado, acho que questionar o Holocausto é exagero, bem como imaginar que quem defende o Holocausto o está divinizando. Defender a ocorrência do Holocausto nada tem de religioso: basta uma visita aos campos de concentração e de extermínio para se ter ideia do que ocorreu. É muito fácil falar quando lemos sobre o assunto, mas a visita aos locais muda a vida de qualquer um (foi o que me disseram todos aqueles que visitaram os campos na Alemanha e na Polônia, e foi o que aconteceu comigo quando os visitei).
E, se você realmente não conhece ninguém pessoalmente que acredite sinceramente no Holocausto, a partir de agora você conhece alguém — pelo menos de maneira virtual. E o convido a visitar meu antigo blog, no qual fiz uma série de postagens, desde junho, sobre minha visita aos campos de concentração de Dachau e de Sachsenhausen, na Alemanha, e aos de Auschwitz e de Birkenau, na Polônia. O endereço é http://profmatheus.blogspot.com.
Bruno Kazuhiro
November 26th, 2009 at 22:02
Matheus,
Obrigado pelo comentário.
Meu ponto de vista assemelha-se ao seu. Há que se questionar, mas isso não quer dizer que nem tudo é como dizem que foi. Principalmente quando existem provas. O uso disso como desculpa eterna são outros quinhentos.
Volte sempre!
Guilherme Scalzilli
November 28th, 2009 at 17:18
O pretexto Ahmadinejad
A camada mais visível das críticas à visita do presidente iraniano remonta à política de “fatos consumados” financiada por Israel junto aos meios de comunicação internacionais. Resumindo, trata-se de utilizar o Holocausto como salvo-conduto para as pretensões expansionistas do governo israelense.
No substrato dessa novela muito reprisada, esconde-se o atribulado contexto geopolítico americano, talvez no momento mais delicado desde as redemocratizações nacionais. Não há qualquer coincidência, muito menos condenação possível, no fato de os interesses estadunidenses serem contrariados quando o governo Obama permite um golpe de Estado no continente e instala bases militares para policiá-lo.
O discurso dos direitos humanos serve a conveniências hipócritas. Se observado o sofrimento das minorias e de inocentes, nenhum governante do planeta seria recebido em qualquer país. Transformar diplomacia em panfletagem étnica esconde interesses que, estes sim, podem levar a consequências muito desastrosas.
Felipe Liberal
December 3rd, 2009 at 03:52
Bruno,
Os EUA têm mais controle de poder? É um país mais descentralizado? Você lembra da guerra do Iraque? Aquilo foi um ato absolutista e despótico de uma cúpula presidencial, até a ONU disse “não” ao ataque.
E não importa se era Bush ou outro, pois era um presidente americano, submetido a uma descentralização das decisões. Não acha muita inocência pensar dessa forma?
Bruno Kazuhiro
December 3rd, 2009 at 10:57
Felipe,
Obrigado pelo comentário.
Acho que a coisa é diferente na minha análise, pois eu trato da questão nuclear. Nunca uma bomba atômica seria atirada apenas por vontade da cúpula presidencial. Se o Irã tiver a bomba, isso pode acontecer. Foi isso que eu quis dizer. Eu não sou defensor da coação do Irã da forma que está sendo feita, mas entendo os argumentos de quem afirma que um país como o Irã ter a bomba é muito mais perigoso do que os EUA terem a bomba. Ora, imaginem, por exemplo, como é diferente do fato de Inglaterra e França terem a bomba, a Coreia do Norte ter a bomba. É questão de maturidade política.
Volte sempre!