Por Yashá Gallazzi*
No último domingo, 15 de novembro, comemorou-se a Proclamação da República. Três dias depois, na quarta-feira, uma data ainda mais importante passou a fazer parte do calendário “dessepaiz”: 18 de novembro, dia da Proclamação da República Bolivariana do Brasil.
Lula, segundo a Suprema Corte brasileira, não está obrigado a cumprir decisões judiciais terminativas. O Estado é ele. A autoridade suprema do Brasil é ele. A separação harmoniosa dos poderes, pedra angular de toda e qualquer democracia, foi estuprada a fim de se conceder a Lula o cetro do poder absoluto. Lula, aquele que saiu do “sertão do sirigó” em um pau-de-arara e se tornou Presidente, conseguiu, pela via institucional, aquilo que o venezuelano Hugo Chávez tenta até hoje: submeter todo o aparelho do Estado ao seu controle.
O caso Battisti, eu sei, ainda é um tanto obscuro para grande parte dos brasileiros. A imprensa séria não consegue dar todos os detalhes, até mesmo por uma questão prática – matérias televisivas devem atender a certas limitações de tempo. Já na “imprensa com groovin” – aquela que adere ao governo petista -, não há interesse em informar, afinal quanto mais se sabe sobre o caso, mais fica evidente que Battisti não passa mesmo de um terrorista e assassino.
Como um ítalo-brasileiro, filho de pais italianos, posso dizer que conheço a história a partir de uma ótica diferente daquela apresentada no Brasil. E me atrevo a dizer que é a ótica certa. Battisti, um integrante do grupo denominado Proletários Armados pelo Comunismo, era mais um desses humanistas que se enxerga como o portador de uma verdade mística redentora. Ele e seus amiguinhos queriam, em síntese, construir o tal “outro mundo possível”. Como? Bem, da mesma forma que sempre foi feito isso ao longo da história: disseminando a morte, a miséria e o terror.
Sim, eu sei que o que vai acima pode ser apontado como uma construção ideológica. “Você não gosta do comunismo e isso contamina sua análise”, dirão. É, pode ser. Entendam: na minha escala de valores éticos e morais, repudiar o comunismo não implica demérito. Antes, demonstra maturidade intelectual.
Mas tudo bem. Sejamos, pois, mais frios: Battisti foi condenado na Itália por quatro assassinatos. A pena? Quatro sentenças de prisão perpétua. Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, afirmou que Battisti não teria participado de nenhum dos crimes diretamente. Mentira! Foi ele, em pessoa, quem matou Andrea Campagna, um funcionário público. Além desse crime, Battisti também foi autor intelectual de outros três. “Ah, mas ele não participou das execuções”, afirmaram os esquerdistas brasileiros. É, diretamente não participou mesmo. Isso o torna menos culpado? Devo, pois, presumir que os mandantes da morte de Dorothy Stang não devem ser condenados, não é mesmo?
Uma vez condenado pela justiça italiana, em 1979, Battisti foi recolhido à prisão, onde permaneceu até 1981, quando conseguiu escapar. Sua peregrinação internacional é vasta: o meliante passou pelo México e pela França, onde ficou até que as autoridades locais decidissem pela extradição. Ele fez, então, aquilo que todo revolucionário de esquerda faz nessas horas: fugiu. Para onde? Bem, para um lugar onde sua ideologia ainda é respeitada. Para um país onde terrorista é chamado de ativista político. Para um local onde há um Deus encarnado que controla tudo e todos. Sim, ele veio para o Brasil.
Aqui, Tarso Genro tomou-o sob a barra de sua saia e decidiu que o sujeito – tadinho… – não passava de um utopista. Sim, ele matou um punhado de gente, mas o fez em nome da – como é mesmo? – “causa revolucionária”.
Mas Tarso não se deu por satisfeito. Ele queria mais! Queria a guerra ideológica. O Ministro da Justiça, em uma ação sem precedente na história mundial, tratou de demonizar a República italiana, acusando-a de perseguir politicamente Battisti e, o que é ainda mais grave, insinuou – com “olhos de cigana, oblíqua e dissimulada” – que o Estado democrático italiano não pretendia fazer justiça, mas vingança. Trata-se de uma afronta direta e inequívoca a um país amigo, que processou e condenou Battisti de acordo com as normas mais basilares do direito.
Mas o que Tarso tem com isso? O que o PT tem com isso? O que as esquerdas radicais do Brasil, todas bolorentas e órfãs do Muro de Berlim, têm com isso? Ora, eles não querem ouvir a razão. Eles não dão a menor bola para tratados internacionais, sentenças criminais e regras do Estado de direito, afinal, historicamente, sempre tentaram destruir a democracia. Lembram de Lênin – ídolo-mor de gente como Tarso Genro e Battisti? A democracia é apenas uma concessão que a sociedade pré-revolucionária faz à burguesia. Em outras palavras, é o sistema onde eles aceitam viver, até o dia em que resolvem empunhar seus trabucos humanitários e dar uns tiros nas nossas cabeças.
No mais, a atitude de Tarso Genro e daqueles políticos esquerdistas que foram confraternizar com o terrorista não me surpreende nem um pouco. Essa gente, está posto, sempre teve seus terroristas de estimação. Lênin, Mao, Fidel, etc. Sempre que algum facínora surgiu disposto a mudar o mundo a peso de bala, algum “intelectual” esquerdista se fez presente. O governo Lula, aliás, é pródigo em se relacionar com o terror mais condenável. No primeiro escalão do governo, por exemplo, há o ministro Paulo Vanucchi e a ministra Dilma Rousseff, dois terroristas confessos. Esta última, aliás, o PT pretende levar ao Planalto. Se a eleição de Lula foi simbólica por representar a chegada do “homem do povo” ao poder, a de Dilma pode representar a queda oficial da democracia, com a chegada do sentimento filoterrorista ao controle da nação.
Não. A condescendência de Lula, do petismo e das esquerdas brasileiras para com o terror não é nova. A surpresa foi a capitulação da Corte Suprema do Brasil, que roubou a “espada da Justiça” da deusa Têmis e, depois de se prostrar em reverência, entregou-a ao Presidente. Não há mais limites para o poder absoluto lulista, já que o Parlamento, há anos, está sob controle de sua base política. Agora, neste triste novembro de 2009, o Judiciário também se entregou, rendido ao charme popular do “cara”.
A permanência de Battisti no Brasil é apenas simbólica. Simboliza, é claro, algo vergonhoso, pois o terrorista assassino ilustra um legado de morte e miséria, próprio daquela distopia coletivista que pretende criar um novo mundo – e um novo homem – por meio do homicídio desenfreado. Ainda assim, contudo, estamos falando apenas de um símbolo.
O dado mais grave é que o precedente de ontem mostra um norte moral. Uma escolha ideológica que reflete indiscutivelmente sobre o modelo de mundo que essa gente medonha tem em mente. Acusaram-me várias vezes ao longo da vida de ser um reacionário. Bem, eu o sou! Isso porque reajo de forma dura e convicta contra aquilo que abomino. Não tenho a pretensão de carregar o estandarte da liberdade dos homens. Mas não me furto a erguer o escudo das liberdades individuais, que deve proteger as pessoas de toda e qualquer sanha autoritária.
Afinal, se os homens e mulheres livres do Brasil – e do mundo -, cada um disposto a defender suas liberdades e sua individualidade, não reagirem contra a subversão dos valores morais, quem o fará? Este governo petista, aparelhado por terroristas? Que nada! Depois de ontem, ficou claro que nem o Judiciário pode vir em nosso socorro. Mas não há de ser nada mais que um – mais um! – período sombrio da história humana. A liberdade, vocês verão, há de triunfar. E a liberdade só vence quando os seus inimigos, como Battisti, Tarso Genro e tantos outros são derrotados.
*Yashá Gallazzi, escrevendo excepcionalmente em uma segunda-feira, é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento











Não consigo ver o texto!
A decisão do supremo tribunal federal sobre o réu Cesare Basttisti expôs a fratura do Brasil como instituição.
http://berrabrasil.blogspot.com/2009/11/fragilidade-da-instituicao-brasileira.html
Quando o Estado passa a ser governado por ex-terroristas, o terrorismo passa a ser chamado “ativismo democrático”, “libertação”, “resistência popular”, “luta por auto-determinação”, e por todas as formas de eufemismos cabíveis e incabíveis, até mesmo de “luta por Direitos Humanos”.
Exemplos não faltam na África, na Ásia, nas Américas e até mesmo na Europa (o caso da Albânia).
Quem leu 1984, sabe o que é ‘Novilíngua’ e o papel dessa tática na manipulação das massas.
O ‘Novilíngua’ Marxista/Politicamente Correto foi uma das primeiras táticas a ser utilizadas pelos trotskistas-gramscistas-frankfurtianos na sua ‘Longa Marcha Através das Instituições’ que objetiva a realização da Revolução, por meio da conquista dos fatores sociais e culturais.
O Marxismo já venceu. O mundo contemporâneo já é Marxista. Até Hollywood é agraciada por consultores marxistas, desde a década de 40. Até o movimento ‘Neocon’, do Partido Republicano foi formado por “ex”-marxistas e influenciado por Trótski.
A orgia de alegria, abundância e epifanias não ocorreu? Os marxistas estranham isso? Ora, é porque não eram esses os objetivos do Marxismo. Só os imbecis das fileiras e os pequenos intelectuais das universidades acreditaram.
O objetivo maior sempre foi a desintegração de todas as diferenças, todas as fronteiras, todas as singularidades. O maior objetivação sempre foi a nulificação de Tudo no Indiferenciado, a Nivelação de todas as coisas.
Eles venceram. Culturalmente o mundo é Marxista. Completamente. E economicamente, o mundo é Neoliberal. Casamento Perfeito.
E ambas ideologias estão guiando o Mundo exatamente na mesma direção.
Raphael,
Obrigado pelo comentário.
Não sou tão pessimista, mas tenho que admitir, por se tratarem de fatos notórios, que diversas vertentes do marxismo têm como ideal fazer a revolução por dentro das instituições, tomando-as de assalto. Qualquer semelhança com Hugo Chávez usando a democracia para perverter a democracia é mera coincidência. Outro ponto que tenho que admitir é que no nosso atual governo existem diversos nomes de formação gramscista, o que nos leva a crer que podem eles, ainda hoje, crer que o certo a se fazer é virar o sistema de cabeça para baixo através da tomada do poder dentro do próprio sistema.
Volte sempre!
Raphael, cuidado!
Depois de um comentário como esse, você pode ser procurado pela patrulha “pogreçista” e politicamente correta, que vai cuidar de marcá-lo a fogo com os dizeres: “porcodiretistareacionárioconservadorelitistadeolhosazuis”.
Eu acredito que Lula dedicirá pela extradição, pois a permanência de Battisti no Brasil como refugiado político pode custar alguns votos para o PT ano que vem – se, desta vez, a oposição agir como deve, e não como em 2006, frente ao mensalão, fazendo uma discurso simplório contra o “não sabia de nada” do Lula.
Tem uma passagem muito interessante no artigo: “…repudiar o comunismo não implica demérito. Antes, demonstra maturidade intelectual.” E é bem verdade. Não é crível que alguém entenda o comunismo com um bom sistema político de governo. Basta pincelar alguns exemplos, como Cuba (que não deu certo) e Venezuela (que não tem dado certo).
Comunismo, Facismo, Nazimos são sistema que, guardadas suas particulares, caracterizavam-se pela formação de um Estado totalitário que suprimia as liberdades individuais. É esqueroso ouvir algumas personalidades da vida política brasileira debatendo sobre o que entendem/pretendem fazer de bom para a socieade. As personalidades que se dizem de esquerda não podem e não querem dizer claramente o que pensam ser um bom sistema de governo político porque isso implica perda de apoio político e de votos.
Imagine o um esquerdista explicando (baseado no socialismo ou comunismo) para um trabalhador que vislumbrava um emprego na ex-futura-instalação da fábrica da Ford aqui no RS, que foi melhor Olívio Dutra (famoso bigodão) não aceitar as condições de instalação da Ford aqui no RS (isenção de tributos) porque isso vai ajudar a formação de uma sociedade justa. O sujeito tá lixando pra isso. Ele quer é trabalhar, gerar renda para a empresa e para ele, quer colocar o filho num colégio particular, ter lazer, pagar plano de saúde. E isso não é um partido político ou a “sociedade justa” que lhe proporcionar, mas somente ele mesmo. Esse cara não vota neles. Se eles dessa a “real” para o sujeito, estava lascados.
Mas, para evitar isso, não explicam o que pensam realmente, mas se utilizam de eufemismo, que não sigficam nada no frigir dos ovos, como “sociade igualitária”, “socieade livre do patrão”, “mundo mais unido”, “assistência social eficaz” e um monte de outras bobagens.
Abraço Yashá.
Medina, obrigado pelo comentário.
Divirjo de você quanto à decisão de Lula. Acho que eles vão manter, sim, o Battisti no Brasil. Não a título de asilado ou refugiado, afinal o STF declarou que tais condições são ilegais. Caso você não tenha ficado a par do julgamento integral, o STF considerou os crimes do Battisti como sendo comuns e, portanto, ele fica impedido de receber os benefícios típicos de um criminoso político.
Há dois caminhos jurídicos pro PT: 1) alegar “questões humanitárias”, como, por exemplo, problemas de saúde; e 2) alegar – como quer Tarso Genro – que a segurança de Battisti correria risco na Itália.
O segundo caminho é mais complicado, pois implicaria duvidar da democracia e do Estado de direito de um país amigo, coisa absolutamente ofensiva do ponto de vista do direito internacional. Acho que Lula vai se esgueirar por trás da primeira opção.
Sobre o restante do seu comentário, nada a acrescentar. Você foi perfeito!
Se a sociedade civilizada já baniu o nazismo do debate político, por que diabos tolera o socialismo e o comunismo, que mataram muito mais?
Medina e Yashá,
Obrigado pelos comentários.
Acredito que Battisti acabará ficando. O governo tem tudo para deixar o tema esfriar e ir empurrando com a barriga. Se Dilma vencer, pensam no que fazem. Se perder, que os tucanos resolvam.
Sobre o caso Battisti tirar votos, sou cético. Para mim não haverá perda significativa nem com isso, nem com apagão, nem com Ahmadinejad, nem com Zelaya. O povo quer é saber da vida dele e é na melhoria desta que o governo se fia e que a oposição visa focar. Na minha opinião, o mensalão ainda tira mais votos que um Battisti da vida.
Sobre o comunismo, acredito que ele não foi banido pois, na teoria utópica, busca algo desejável, enquanto os valores nazistas são condenáveis de prima. No comunismo há uma ilusão de boas intenções.
Voltem sempre!
Yashá,
De fato não fui a fundo nas informações sobre Battisti, agradeço pelo esclarecimento
. E concordo que, caso o “amigo” fique, será com base no primeiro argumento. Mas eu torço muito para que o petralhas tenham um pingo de lucidez, ao menos dessa vez. Abraço e obrigado.
Bruno,
O Comunas pretendem uma mundo ideal, só que isso não existe. E de boas intenções um sistema político não sobrevive, mas de atos práticos e efetivos. Abraço e obrigado pelo comentário.
Medina,
Obrigado pelo comentário.
Concordo com você sobre a impossibilidade no mundo real da implantação da utopia comunista. Eu apenas quis ressaltar que as intenções igualitárias são a explicação para que o comunismo perdure nas mentes de muitos.
Volte sempre!