O caso do valerioduto mineiro

In: 01. Análise Política| 09. Justiça| Minas Gerais| PSDB

9 Nov 2009

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Está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal o caso do suposto “valerioduto mineiro”. Para os que ainda não sabem, trata-se, nada mais nada menos, do que um esquema que teria, teoricamente, precedido o mensalão, e que seria operado, também, pelo publicitário Marcos Valério.

A diferença fica por conta dos envolvidos. No caso do valerioduto federal, os políticos apontados como participantes do esquema são do PT, do PTB, do PP e do PR, em sua maioria. Em suma, da base aliada do governo Lula. No caso do valerioduto mineiro, os políticos ditos como cúmplices da falcatrua são do PSDB, ou seja, da atual oposição.

No STF, o Ministro Joaquim Barbosa aceitou a denúncia contra o atual Senador tucano e ex-Governador mineiro Eduardo Azeredo, principal citado no esquema do valerioduto de Minas.

Um dos indícios citados por Barbosa para justificar o acolhimento da denúncia são cartas e o depoimento de uma prima do tesoureiro da campanha do tucano em 1998, Cláudio Mourão.

Segundo a Folha, Barbosa leu trechos da carta enviada ao Ministério Público e à CPI de Minas Gerais por Vera Lúcia Mourão de Carvalho Veloso, que disse ter trabalhado nas campanhas de Azeredo de 1994 e 1998. Ela afirma que Azeredo participava pessoalmente das decisões sobre o fluxo financeiro da campanha.

Em entrevista à Folha, divulgada ontem, Azeredo afirmou que nunca se reuniu com Vera.

A estratégia de defesa de Azeredo tem sido atribuir a Mourão toda a responsabilidade pela parte financeira do comitê. O defensor do tucano, José Gerardo Grossi, disse, no plenário do STF que seu cliente foi traído por Mourão: “Lamentavelmente, faltou-lhe com a lealdade”.

Em seu relatório, o ministro Barbosa citou outros seis indícios do envolvimento de Azeredo com o valerioduto, como “a presença constante” de Valério no comitê eleitoral.

O julgamento no STF foi paralisado, na última quinta-feira, após o pedido de vista dos autos formulado pelo ministro José Antonio Dias Toffoli. Se Toffoli retardar demais o retorno do processo à pauta, o caso pode prescrever.

Os indícios parecem consistentes e Azeredo pode estar a caminho de maus bocados. Se for comprovada a participação dele em tamanho esquema, merecerá todo o rigor da lei e todas as punições que a própria oposição defende para os mensaleiros.

Afinal, estará provado que não difere deles. Nesse caso, Cláudio Mourão será nada mais do que o “Delúbio”da vez.

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