Como todos sabem, e este blog já informou exaustivamente, Manuel Zelaya, Presidente deposto hondurenho, retornou a Honduras e se abrigou na embaixada brasileira.
De dentro da embaixada, embora não possa, em tese, fazer política nas instalações brasileiras, Zelaya negocia com os atuais governantes hondurenhos e requer sua restituição ao poder.
Roberto Micheletti, sucessor constitucional de Zelaya que foi empossado após a deposição deste, é o atual Presidente de Honduras. Ele defende que Zelaya não seja restituído de forma alguma e está dado o impasse.
Zelaya afirma ser o Presidente de direito, o que faria de Micheletti apenas o Presidente de fato. Micheletti defende que Zelaya perdeu seu mandato, como prevê a Constituição hondurenha, por ter tentado perverter a ordem constitucional através da aprovação de um referendo ilegal que visava autorizar uma reforma que traria a possibilidade de reeleição.
O cabo de guerra continua e o Brasil, historicamente ligado ao pacifismo, está no meio da contenda. Mediadores tentam agir, órgãos internacionais enviam representantes e nada. O impasse continua.
Nada mais justo do que surgir a questão: Há solução?
Respondo a vocês: Há.
A solução está nas eleições.
Um novo Presidente eleito democraticamente, tendo participado de uma eleição que respeitou todos os preceitos constitucionais hondurenhos, terá legitimidade para ser visto como o líder hondurenho a ser obedecido e respeitado.
Nem Zelaya, nem Micheletti. Um terceiro, eleito pelo povo, que pode advir tanto das bases de Micheletti, como da base de Zelaya, cabendo aos hondurenhos decidir sobre isso.
Neste momento, perguntarão: Mas então é simples.
Não, não é.
Zelaya exige sua restituição e diz que as novas eleições legitimariam o suposto golpe que sofreu, afinal, trariam um novo Presidente que teria sido eleito sob uma ordem que ele entende como arbitrária.
Os outros países, que poderiam auxiliar na resolução do impasse, ficam em dúvida. Não sabem ao certo se defendem Zelaya ou o plano de novas eleições.
Erram, portanto. Visto que o impasse é insolúvel e que as eleições são a única saída possível. Micheletti, inclusive, já aceitou renunciar em favor das eleições.
Mas Zelaya afirma que apenas com sua restituição poderão ocorrer eleições reconhecidas internacionalmente e transparentes.
E quem acredita nele? O precedente que abriu ao tentar alterar a Constituição hondurenha não ajuda em nada no que diz respeito à confiança que se tem nas suas promessas. Quem garante que, uma vez no poder, Zelaya realizaria as eleições?
O que não me parece utilizado por Micheletti é o argumento de que os zelayistas poderão participar da eleição. Ora, se é assim, o grupo de Zelaya retornará ao poder se for da vontade do povo.
Será que Zelaya teme que o povo hondurenho não queira seu grupo no poder? Será que acredita que o zelayista postulante ao cargo de Presidente perderia?
Talvez isso explique o impasse. Zelaya, como todo bom bolivariano, não sabe o que é apoiar um sucessor.
Se Zelaya argumenta que o povo o quer de volta no poder, bastaria que ele apoiasse um sucessor nas eleições para que o povo o elegesse com votação maciça.
Se há o temor da derrota, o amor dos hondurenhos por Zelaya não deve ser tão grande assim.











e mantem-se a velha tradição brasileira de aceitar e por uma pedra por cima do “golpismo”, e bola pra frente… esquecer o passado é um erro tremendo!
Eu imagino o que seria do Brasil se nossas condiçoes economicas nao estivessem estabilizadas, ouvindo o discurso do Lula em que atribui muito a falta das realizaçoes do PAC a fiscalizaçao do TCU, sera que se o vento nao estivesse a favor, nossas instituiçoes resistiriam ao poder da popularidade do presidente? Tudo bem, esse contentamento ainda que nao estivesse la nas alturas nao deixaria de existir, ou alguem duvida que o discurso da herança maldita nao iria continuar?
Isso que esta acontecendo em Honduras, a meu ver passa por ai, os poderes da republica em situaçoes de conflito necessitando do famoso check and balances entraram em açao. O Brasil aceitaria o freio e contra pesos em uma conjuntura economica adversa? TCU, oposiçao, imprensa e qualquer outro que levante hoje os olhos da discordia sobre algum ponto sao acusados de irem contra a sociedade e isso tudo porque aparentemente as coisas estao indo bem. O pais pode ate nao ter o bolivarianismo ‘instituido”, mas a demagogia e as insinuaçoes autoritarias estao mais que presentes.
Tiago,
Obrigado pelo comentário.
Com certeza esquecer o golpismo é um erro tremendo. Enorme. Lembremos que Zelaya tentou perverter as instituições. Se Micheletti não é legítimo, eleições gerais. Só isso resolverá. Ah! E supondo que os que defendem Zelaya, em grande parte, defendem Chávez, vale ressaltar que este tentou um golpe na Venezuela.
Volte sempre!
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Guilherme,
Obrigado pelo comentário.
Se a sociedade brasileira não tivesse evoluído politicamente, mesmo que lentamente, e não houvesse um rescaldo da luta pela democratização, Lula conseguiria o terceiro mandato. E aí, só Deus sabe o que poderia ocorrer. Ele poderia ser um pouco sensato e sair depois disso ou poderia tentar o quarto. Melhor não ver para crer. Sobre o bolivarianismo, não existe, mas existe algo próximo. Acontece que a imprensa realmente exagera em alguns pontos, embora seja ridículo chamá-la de golpista. Sobre a questão do TCU, nem comento, criticar fiscalização é coisa de quem não gosta de ser fiscalizado.
Volte sempre!