Por Yashá Gallazzi*

Os leitores sabem quem é o sujeito da foto acima? Sim, é claro que sabem. A maioria, pelo menos… Os que não sabem, podem ficar tranquilos. Eu explico: trata-se do ilustríssimo Prefeito de Raposos, pequeno município de Minas Gerais. E daí? Bem, daí nada. O sujeito realmente não tem nada de especial… A não ser o gosto por duas coisas no mínimo curiosas: os – como direi? – “tipos” como os envolvidos em incidente envolvendo certo jogador de futebol, conhecido como fenômeno, e o crack, uma das drogas mais deletérias que a humanidade já produziu.
Sim, eu sei que sou mesmo um tanto careta e conservador, principalmente sob a ótica do moderno consenso progressista e politicamente correto. Apesar disso, não consigo deixar de ver com olhos de reprovação um Prefeito que se dá, rotineiramente, ao uso de drogas as mais pesadas. E quanto ao gosto por companhias – hum… – “híbridas”? Bem, isso já é problema dele… Sério, sem preconceito: desde que não se utilize de recursos públicos para conquistar seus… suas… bem, quem quer que sejam. Mas a apreciação pelas drogas simplesmente não pode passar desapercebida.
Os leitores sabem qual é o partido do sujeito? Bem, é o PT… “Ah, agora você vai dizer que só políticos do PT usam drogas?!” Eu?! Claro que não! O que vou fazer é apontar um método, uma espécie de doutrina político-ideológica que o PT – como porta-bandeira de todo o moderno progressismo – está construindo. Basta que todos tenham um pouquinho de paciência e me acompanhem por este mar um tanto revolto de palavras – eu, tal qual Virgílio, levá-los-ei pela mão.
Há coisa de alguns dias, Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, deu uma declaração dizendo-se favorável ao fim da pena de prisão para os chamados ” pequenos traficantes”. Não vou tergiversar acerca do que seria tal figura, nem de como o Estado seria chamado a esquematizar os limites entre o “pequeno” e o “grande”.
Vou direto ao ponto: não há a menor possibilidade de se combater um crime – qualquer que seja ele – criando diferença entre os criminosos. Em outras palavras, falar em “pequeno” e “grande” traficante é apenas uma falácia, uma trapaça intelectual e – atentem para isso! – ideológica. Ou se entende tal premissa, ou alguém me explica a diferença entre o “pequeno” e o “grande” estuprador… Ou entre o “pequeno” e o “grande” pedófilo.
Uma das coisas que mais me pergunto é: de onde vem essa mania de certo progressismo de encampar a defesa dos tóxicos e dos traficantes? Defesa, eu disse? Sim, isso mesmo! Basta notar que o mesmo PT de Tarso, que defende o tal “pequeno” traficante, também morre de amores pelos terroristas narcotraficantes das FARC. E o que fazem as FARC? Bem, vivem às custas do comércio de cocaína e armas, além de conseguirem uma rendinha complementar por meio de sequestros. Não sou eu – o reacionário – quem diz isso. São os fatos.
Apesar disso, é possível notar que certa esquerda insiste em relativizar o horror produzido pelos bandoleiros colombianos, cobrindo-os com o manto da luta de classes… Segundo essa gente, as FARC só traficam drogas porque estão – vejam que mimo! – lutando por um mundo melhor, mais justo, mais fraterno e – é claro! – socialista. É o marxismo sendo empregado como escudo para a produção e comercialização de cocaína. O velho Marx, acreditem, deve estar se revirando na cova…
Mas eu falava do Prefeito que gosta de – se me permitem – “adicionais”… A conduta tresloucada do Prefeito-drogado é apenas a manifestação da doença que Tarso Genro, o PT e o resto do progressismo politicamente correto pretendem institucionalizar no País: o culto às drogas. Percebam o liame lógico e claro como as águas de um riacho: o petismo ergue a bandeira da despenalização, da descriminação e da legalização, ao mesmo tempo em que um de seus militantes – só um? – já cuida de interagir com o comércio dos entorpecentes.
Mais um pouco e veremos algum texto de Marilena Chauí e/ou Emir Sader explicando porque comprar crack do tal “pequeno” traficante é um ato de reparação social, afinal – “tadinho”… – ele não teve chances na vida. Foi sempre excluído e explorado “pelazelite”… Chego, pois, à primeira conclusão deste texto: o Brasil precisa, com urgência, deixar de amar seus criminosos. Há que se convencer “essepaiz” que o crime deve ser – vejam que coisa mais reacionária! – combatido!
E por que Tarso Genro e o tal Prefeito de gostos – vá lá… – “exóticos” são duas faces do mesmo mal? Bem, o PT – e o politicamente correto –, como se percebe, tenta nos cercar de todos os lados: ao mesmo tempo em que pretende colocar dentro da sociedade a maioria dos traficantes, chamando-os de “pequenos”, também cuida de mostrar que “bater um cachimbo” ou “puxar uma erva” não tem lá nada demais.
Novamente, trata-se apenas de trapaça ideológica. Nenhum País do mundo onde a segurança pública mereça elogio fez qualquer coisa parecida com despenalizar o tal “pequeno” traficante. Vamos alfinetar os progressistas? Então lá vai: sabem onde foi registrado o maior e mais eficaz combate ao tráfico de drogas? Em Nova York. Sim, aquela cidade lá nos Estados Unidos… E sabem quem era o Prefeito de lá? Rudolph Giuliani. Sim, um Republicano! Vejam que coisa: a política de repressão violenta e de enfrentamento determinado quebrou a espinha dorsal das quadrilhas, devolvendo a cidade aos cidadãos.
Mas não foi só. Nova York também tratou de seguir a mais elementar regra do livre-mercado: nenhum produto deixa de ser comercializado enquanto houver consumidores. Assim, atento aos ensinamentos de Ayn Rand – uma das mentes mais brilhantes que já se conheceu -, Giuliani, o Republicano reacionário, conservador e malvado, escolheu trancafiar os bandoleiros dados a um “cachimbinho”… O tal Prefeito de Raposos cairia em desgraça lá na boa e velha Nova York.
Já aqui… Aqui, inexplicavelmente, criou-se a cultura de endeusar o usuário, enxergando-o como uma espécie de contestador social, alguém que desafia o status quo e, portanto, alguém do time do progressismo politicamente correto. Como certa esquerda regrediu, não? Antigamente, era preciso “pegar em armas”, para contestar “a burguesia”. Hoje, depois de séculos, os esquerdistas se contentam em pegar as pedras de crack…
E então vocês podem perguntar: “Qual é a solução?”
Bem, a óbvia: repressão! E forte! Implacável! Inegociável!
“Ah, mas então você é reacionário e conservador.”, dirão. Sou? Bem, não acho… O governo do PT – aquele mesmo que quer colocar na rua o tal “pequeno’ traficante -, está criando as condições para que o Estado forneça aos viciados cachimbos e seringas esterilizadas, de modo que possam – vejam que paradoxo! – se drogar em segurança.
Não satisfeitos, querem acabar com toda e qualquer sanção que ainda existe contra o usuário, além de proibir, em caráter definitivo, a internação compulsória dos viciados. E eu sou o reacionário?! Às vezes acho que é esse progressismo de araque o verdadeiro responsável pelo aquecimento global…
Vai ver fumaram todas as florestas do mundo.
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento