Arquivo de 10/2009

Aécio poderia ter recusado convite para ser Vice de Serra

31/10/2009

Como todos sabem, o PSDB tem dois pré-candidatos à Presidência: José Serra e Aécio Neves. Pelo fato de o primeiro estar na frente nas pesquisas e ter o favoritismo, a chapa puro-sangue tucana que vem sendo imaginada traz Serra como cabeça e Aécio como candidato a Vice-Presidente.

Há algum tempo, rumores a respeito de Aécio estar cogitando aceitar a vaga de Vice circulam. Além disso, o DEM já avisou: Mesmo sendo aliado preferencial do PSDB, abre mão da vaga de Vice se Aécio for o seu ocupante.

Recentemente, uma pesquisa contratada pelo tucano fluminense Ronaldo Cezar Coelho trazia as chapas prontas para que o eleitor optasse. Nesta verificação, Aécio aparecia como Vice de Serra.

Não prestou. O Governador mineiro se irritou e se sentiu desprestigiado.

Agora, circula a informação de que Aécio teria rechaçado um pedido de Serra para que fosse seu Vice. Ele teria dito que preferiria o Senado por Minas Gerais nesse caso, mesmo tendo o Governador paulista, segundo as informações de Lauro Jardim, dito que eles seriam imbatíveis juntos.

Fato é que seriam mesmo. Porém, Aécio não quer se submeter e não se pode nem recriminar, afinal, a Vice-Presidência, normalmente, no Brasil, não acolhe bem quem quer ser protagonista.

Por fim, vale ressaltar que Aécio teria dito que até faria campanha em Minas para Serra, mas que não seria seu Vice. Segundo o mineiro, Minas já estaria cansada de ter seus políticos como vices, ao invés de vê-los encabeçando as chapas. Aécio teria citado Itamar Franco, Vice de Collor que acabou assumindo a Presidência e José Alencar, empresário que é Vice de Lula.

Em tempo: Aécio disse que parte para o Senado se Serra e o PSDB não se definirem logo. Agora mesmo é que Serra esperará, afinal, não precisará limar Aécio. Este se retirará da disputa, sendo Serra, assim, o único pré-candidato restante.

2ª Coluna do dia: Sociedade – O aparelho ideológico de Estado

31/10/2009

Por Matheus Passos*

Por motivos profissionais, nesta semana tive contato frequente com as ideias do filósofo algeriano Louis Althusser, que fala a respeito dos aparelhos ideológicos do Estado e como os mesmos são utilizados para se manter a hegemonia do grupo dominante. Sendo assim, acreditei ser importante trazer ao debate político o papel de tais meios na atualidade, ainda mais quando se leva em consideração a atuação da mídia no processo político.

Althusser afirma que, para que a produção sobreviva, é necessário que ela faça a reprodução dos meios de produção. Tais meios de produção são formados pelas forças produtivas e pelas relações de produção existentes. A reprodução da força de trabalho se dá fora da empresa e o meio material pelo qual ela se reproduz é o salário. Assim, o salário é indispensável para a reconstituição da força de trabalho do assalariado (vestimentas, alimentação, etc.), e também é indispensável à educação das crianças.

Contudo, não basta apenas fazer com que a força de trabalho se reproduza: ela deve ser capaz de manusear as máquinas e equipamentos da empresa. Esta qualificação ocorre através do sistema escolar capitalista e é aqui – principalmente – que entra a ideia de aparelho ideológico do Estado.

Na escola, além de ler e escrever, aprende-se também as regras do bom comportamento, ou seja, aprende-se a ser submisso à ordem vigente, fazendo com que os operários sejam submissos em relação à ideologia dominante. Além da escola, também a Igreja e outros aparelhos, como as Forças Armadas, são aparelhos ideológicos do Estado. Eles dominam não pelo uso da força, e sim pelo uso da ideologia para manter a classe dominante no poder.

Outros conceitos importantes para Althusser dizem respeito à separação entre o que ele chama de “aparelho de Estado” do “poder de Estado”. O objeto de disputa é o poder do Estado; já o aparelho do Estado pode continuar, mesmo que os operários atinjam o poder. Quem detém o poder do Estado usa o aparelho do Estado em benefício de sua classe. Assim, para poder complementar a teoria marxista, devemos então ter em mente não apenas a distinção entre poder de Estado e aparelho de Estado, mas também admitir a existência de uma realidade que não se confunde com o aparelho repressivo de Estado: são os aparelhos ideológicos de Estado.

A diferença básica entre os aparelhos repressivos de Estado (ARE) e os aparelhos ideológicos de Estado (AIE) é que os ARE se utilizam predominantemente de argumentos repressivos e coercitivos para atingirem seus objetivos. Já os AIE utilizam predominantemente a ideologia para manter sua dominação. São integrantes dos AIE, dentre outros, o sistema de diferentes Igrejas, o sistema escolar (tanto público quanto privado), o sistema familiar, o sistema jurídico, o sistema político, o sistema sindical, o sistema de informação e o sistema cultural.

Outra diferença, além da maneira de atuação (os ARE utilizam-se da repressão e coerção, enquanto os AIE utilizam-se da ideologia), é que, enquanto os ARE são totalmente públicos, a grande parte dos AIE pertencem ao domínio privado. Isto não significa dizer que exista alguma diferença entre AIE públicos e privados: ambos funcionam como aparelhos ideológicos de Estado.

É interessante notar que nenhuma classe pode, de forma duradoura, deter o poder do Estado sem exercer ao mesmo tempo sua hegemonia sobre e nos aparelhos ideológicos do Estado – e é aqui que estão as lutas de classes. Isto porque a classe no poder não consegue impor sua vontade tão facilmente nos AIE como faz nos ARE, pois a antiga classe dominante pode manter fortes posições durante muito tempo nesses, e ainda porque as classes exploradas podem utilizar-se dos AIE para expressarem-se.

Voltemos à questão da reprodução das relações de produção. Esta reprodução ocorre, em grande parte, através da superestrutura jurídico-política e ideológica. Em outras palavras, é o aparelho de Estado, formado pelos ARE e pelos AIE que garante tal reprodução.

A função de provedor da reprodução das relações de produção existe desde o pré-capitalismo. Em tal época, o principal AIE era a Igreja, que tinha funções não só religiosas mas também educacionais, além de uma boa parte das funções de informação e de cultura. Durante o século XIX, com a progressiva separação entre Estado e Igreja, foi surgindo um novo AIE: a escola. Este é o AIE que mais influencia no momento, pois é a escola quem dá formação a todas as crianças, independentemente de classe social, desde o maternal até a universidade. É a escola quem atua nos anos “vulneráveis”, onde a criança está aprendendo os valores sociais.

Portanto, é através da educação que a reprodução das relações de produção ocorre. Esta ideologia, entretanto, está oculta, pois a escola é tida como neutra na formação do indivíduo. A escola desempenha um papel determinante na reprodução das relações de produção de um modo de produção ameaçado em sua existência pela luta mundial de classes.

*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, é cientista político, editor do Blog do Prof. Matheus e escreve no Twitter em @mpassosbr

Depois de muito cobrar, PMDB vai controlar o fundo Real Grandeza

31/10/2009

Informa o Globo:

“Satisfeitos por conseguir, enfim, o controle do bilionário fundo Real Grandeza, integrantes da cúpula do PMDB juram que essa foi a última reivindicação do partido neste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. [...]

No início do ano, diante da forte reação dos beneficiários e dirigentes do fundo de pensão de Furnas Centrais Elétricas, o presidente Lula conseguiu contornar a agressiva pressão feita pelo grupo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foi apenas uma questão de tempo e oportunidade.

Depois de dois anos de resistência às mudanças no comando da fundação, representantes de 19 sindicatos e associações fecharam acordo com as duas patrocinadoras da fundação, Furnas e Eletronuclear, pelo qual aceitam a substituição do presidente e do diretor de Investimentos da entidade em troca de mudanças no Plano de Custeio que reduzirão as contribuições mensais dos participantes.

A troca ocorre uma semana após o partido selar um pré-acordo com o PT para apoiar a candidatura presidencial da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. No comando de seis ministérios, o PMDB administra um orçamento de R$ 145,1 bilhões, sem contar cargos de segundo e terceiro escalões nas estatais.”

O PMDB, como sempre diz este blogueiro que vos fala, cobra caro, cobra muito, cobra firme.

O partido mais fisiológico do País manteve seu ímpeto com relação ao loteamento de cargos e conseguiu, finalmente e infelizmente, o controle do fundo Real Grandeza, que é milionário.

Curiosamente, essa “vitória”se dá poucos dias após o pré-acordo entre PT e PMDB ter sido selado no que diz respeito à candidatura de Dilma Rousseff. Mas deve ser apenas coincidência.

Ironias à parte, está cada vez mais comprovado que o PMDB é insaciável e que o partido cobra, e muito, pelo apoio que pode oferecer.

E o pior é que o governo apenas autoriza essa cobrança imoral, quem paga a conta somos nós, contribuintes. No caso, os beneficiários do fundo de pensão de Furnas pagarão mais ainda, uma vergonha completa e escancarada.

Em tempo: Sobre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) este blog não vai nem comentar. Imaginem o porquê.

Chávez acha que Lula deveria continuar após 2010

31/10/2009

Disse Hugo Chávez, Presidente da Venezuela:

“Eu lamento que Lula saia e sei que no Brasil muitos também lamentam. Deixo a pergunta no ar: por que um presidente que está bem e tem 80% de popularidade tem que sair?”

Como vocês podem perceber, é enorme, para não dizer o oposto, o apreço de Hugo Chávez pela alternância de poder. Quando é assim, pouco adianta argumentar, porém, finjamos que Chávez lê o Perspectiva. Responderei a ele:

Presidente Chávez, Lula tem que sair para que a democracia seja protegida e para que a lei seja cumprida. A alteração da lei, método utilizado pelo senhor, para conseguir a autorização que o permite se reeleger indiscriminadamente, está fora de questão.

Felizmente, a sociedade brasileira reagiu mal a qualquer menção ao terceiro mandato. Além disso, é preciso ressaltar que o Presidente Lula acertou ao não tentar endurecer e brigar por mais uma reeleição, percebendo bem o mal estar que isso causaria.

No que diz respeito à democracia, saliento que o simples advento do voto não a garante. É preciso que se tenha alternância de poder, é preciso que se tenha respeito às normas, deixando de lado tentativas de usar métodos democráticos para perverter a própria democracia, é preciso que se limite o tempo no poder para evitar arroubos personalistas e patrimonialistas típicos dos monarcas e é preciso que os três poderes tenham um equilíbrio de forças entre eles.

Nada disso existe na Venezuela. E não me venham dizer que isso se dá pois a plataforma chavista é amada pela população. Afinal, mesmo que fosse, isso nunca impediu Chávez de lançar, como faz Lula, um sucessor.

O questionamento a respeito do porquê de Chávez não indicar um continuador de sua obra, o que manteria a democracia e o programa de Chávez coexistindo, partindo do pressuposto de que a população realmente ama o quase ditador, nunca é respondido.

Em resumo, Lula não pode ficar pois o Brasil não quer ser Venezuela.

Coluna do dia: Política e Imprensa – A superestrutura midiática e suas entrelinhas

31/10/2009

Por Rafael Oliveira*

Você já foi manipulado hoje? Será? Justo você, tão questionador, politizado e adepto de postura antenada, seria mesmo capaz de se deixar seduzir pelos deslizes do sistema em que vivemos? Sinto lhes dizer, mas, infelizmente, é bem possível que a resposta seja sim.

Já parou para pensar em cada centavo perdido nos trocos advindos dos famosos R$ 1,99? Ao final da vida, talvez fosse possível comprar um lugar ao sol com tamanha verba desviada pela estratégia publicitária, que tende a produzir na população a ilusão de que se paga mais barato, por uma mercadoria que já tem seu preço definido previamente, considerando o retorno monetário isolado que, no fim das contas, vai gerar um lucro sutil aos olhos de quem compra e exorbitante aos bolsos empresariais.

Muito se diz a respeito das constantes intervenções mal-ntencionadas produzidas pela mídia, mas pouco se explora sobre as transformações pelas quais a comunicação transita ao longo dos séculos.

No sistema capitalista, todos nós estamos inseridos na roda da fortuna que gira em uma velocidade quase incontrolável. Esse movimento tende a transformar tudo em material a ser comercializado e, consequentemente, transformar lojas ambiciosas em grandes empresas. Com o jornalismo e suas diretrizes político-econômicas, não é diferente.

No século XIX, era essencial o caráter opinativo na construção de um texto e a manipulação explicitava-se como uma criança que grita sem ter vergonha de incomodar alguns ao seu redor. A superestrutura, ou seja, as instituições políticas e ideológicas, construíam a consciência coletiva se guiando pelas tendências do mercado, que até então tinha na formação da opinião e da reflexão social, as principais ferramentas do jornalismo de qualidade.

Porém, mudanças visíveis ocorrem na relação jornal versus leitor, devido à crise econômica de 1873. O foco se distancia da opinião, ganhando força o método informativo de se transmitir uma mensagem. Entre outros fatores, a indústria enxerga, a partir de então, a necessidade de se ampliar o público que se tornara heterogêneo, devido à multiplicidade das empresas concorrendo entre si no mercado. Agora a empresa jornalística tinha o ideário político da defesa das classes produtoras e das camadas médias.

De lá pra cá, a manipulação dos veículos de comunicação torna-se mais venenosa e as armadilhas colecionam vítimas da falta de conhecimento.

Quando a defesa de um representante político é realizada com a ausência das palavras diretas, mas sim tendo como base a lavagem cerebral carregada de notícias sensacionalistas contra o adversário do político em questão, o golpe é suave, certeiro e não deixa rastros. É preciso perícia para diferenciar informação de qualidade, de informação encomendada.

No período da Guerra Fria, os EUA demonstraram de forma clássica o que a mensagem subliminar pode gerar na imagem do alvo de ataques indiretos. Eis a “publicidade negra”. Conferindo aos vilões a cor vermelha (característica dos países comunistas), os Estados Unidos construíram a tão influenciável consciência coletiva de forma a acreditarem que o capitalismo liderado pelos norte-americanos era o sistema mais forte e seguro, assim como os grandes heróis dos desenhos e filmes enlatados com conservantes e tempero enjoativo.

É necessária a existência de um olhar capaz de discernir a verdadeira face de um político que representa a população, mas, tão indispensável quanto, é analisarmos as fontes seguidas em nosso cotidiano, para não sermos o centro das jogadas políticas das grandes empresas jornalísticas, que em muitas das vezes buscam, em seu próprio interesse, separar o que deve ou não ser veiculado, sem se preocupar com a qualidade do conteúdo e a igualdade dos fatos a serem levados à sociedade.

*Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados e escreve no Twitter em @rafael_bhe

Comissão do Senado aprova Venezuela no Mercosul

30/10/2009

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado se posicionou de forma favorável à entrada da Venezuela no Mercosul. O líder do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR) votou favoravelmente e foi acompanhado por outros doze senadores. Cinco votaram contra.

Agora a matéria será votada no Plenário. Os analistas, assim como este blogueiro, dão a aprovação do ingresso da Venezuela chavista no bloco como favas contadas.

O Senador Tasso Jereissati, relator da questão na Comissão, havia requerido que uma delegação de senadores viajasse ao país para avaliar se a Venezuela cumpre os requisitos necessários para a entrada no bloco, principalmente no que diz respeito à democracia.

O pedido foi rejeitado. Romero Jucá alegou que algo assim atentaria contra a soberania venezuelana.

A priori, este blogueiro se coloca completamente contrário ao reconhecimento de que na Venezuela há uma democracia. Como os leitores mais assíduos já sabem, entendo que naquele país há um regime autoritário, personalista e inibidor de liberdades, enfim, quase ditatorial.

Contudo, reconheço que talvez seja melhor, ainda assim, aceitar a entrada do regime chavista no Mercosul. Digo isso pois alguns políticos venezuelanos que se opõem a Chávez afirmam que, com a entrada do país no bloco, os arroubos chavistas futuros poderiam ser um pouco contidos. Se houver a rejeição da Venezuela, como punição aos arroubos passados, os equívocos futuros teriam mais espaço.

Em resumo, este argumento pode ser uma razão válida em favor da entrada da Venezuela no Mercosul, por mais que não defenda que há democracia no país.

Por outro lado, muito melhor seria que países como o Chile passassem a fazer parte do bloco. Nações democráticas, que buscam se modernizar e crescer, além de não deixar o social de lado, visando, também, distribuir renda.

Enquanto o Brasil se ocupa com a Venezuela, outros países sul-americanos importantes assinam tratados bilaterais com os EUA e se afastam do Mercosul, que perde influência com estas manifestações.

Caberá agora ao Plenário do Senado decidir se é mais importante repudiar os arroubos chavistas passados e presentes ou fazer algo que pode, talvez, podar um pouco os arroubos futuros.

Este blogueiro admite que vê pontos corretos em ambas as teses.

Gilmar Mendes diz que gastos do Judiciário serão revelados em 2010

30/10/2009

Informa o Globo:

“O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, anunciou que em 2010 passará a funcionar um sistema eletrônico de acompanhamento em tempo real dos gastos do Poder Judiciário em todo o país. O sistema funcionará nos moldes do Siafi, que compila as despesas do poder público federal. O ministro afirmou que a forma como os tribunais gastam dinheiro público passou a ser uma preocupação maior a partir de inspeções realizadas nos estados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também preside.

- Os gastos parecem bem concentrados nos tribunais. Há falta de investimento na justiça de 1º grau. Esperamos mudar esse quadro. Distorções de gastos têm que ser solucionadas – disse o ministro.”

Qualquer iniciativa que eleve a possibilidade de controle, pela população, dos gastos públicos é louvável. Afinal, nada mais justo que tenhamos como fiscalizar os rumos das quantias que advêm dos impostos que pagamos.

Sendo assim, a ideia do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é louvável. Precisamos realmente que sistemas como esse sejam cada vez mais implantados.

Que o acompanhamento se inicie o mais rápido possível. Quanto mais mecanismos de controle justos e eficientes, melhor.

O Perspectiva cobrará.

Centrais sindicais querem horário gratuito no rádio e na TV

30/10/2009

Informa o Globo a respeito da pretensão das centrais sindicais de, através de projeto de lei do Deputado Vicentinho, adquirir o direito a horário gratuito no rádio e na televisão:

“As centrais sindicais querem ter horário gratuito em cadeia nacional de rádio e TV, como já dispõem os partidos políticos. Cada central teria um tempo de até dois minutos no rádio e na TV anualmente, sem pagar por isso, para disseminar suas propostas.

Projeto de lei nesse sentido foi encaminhado semana passada à Mesa da Câmara pelo deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), e já está tramitando. Caberá ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), nomear relator e encaminhar o projeto para debate e votação.”

Coluna do dia: O moderno progressismo, o marxismo e o tráfico de drogas

30/10/2009

Por Yashá Gallazzi*

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Os leitores sabem quem é o sujeito da foto acima? Sim, é claro que sabem. A maioria, pelo menos… Os que não sabem, podem ficar tranquilos. Eu explico: trata-se do ilustríssimo Prefeito de Raposos, pequeno município de Minas Gerais. E daí? Bem, daí nada. O sujeito realmente não tem nada de especial… A não ser o gosto por duas coisas no mínimo curiosas: os – como direi? – “tipos” como os envolvidos em incidente envolvendo certo jogador de futebol, conhecido como fenômeno, e o crack, uma das drogas mais deletérias que a humanidade já produziu.

Sim, eu sei que sou mesmo um tanto careta e conservador, principalmente sob a ótica do moderno consenso progressista e politicamente correto. Apesar disso, não consigo deixar de ver com olhos de reprovação um Prefeito que se dá, rotineiramente, ao uso de drogas as mais pesadas. E quanto ao gosto por companhias – hum… – “híbridas”? Bem, isso já é problema dele… Sério, sem preconceito: desde que não se utilize de recursos públicos para conquistar seus… suas… bem, quem quer que sejam. Mas a apreciação pelas drogas simplesmente não pode passar desapercebida.

Os leitores sabem qual é o partido do sujeito? Bem, é o PT… “Ah, agora você vai dizer que só políticos do PT usam drogas?!” Eu?! Claro que não! O que vou fazer é apontar um método, uma espécie de doutrina político-ideológica que o PT – como porta-bandeira de todo o moderno progressismo – está construindo. Basta que todos tenham um pouquinho de paciência e me acompanhem por este mar um tanto revolto de palavras – eu, tal qual Virgílio, levá-los-ei pela mão.

Há coisa de alguns dias, Tarso Genro, o “Beccaria dos Pampas”, deu uma declaração dizendo-se favorável ao fim da pena de prisão para os chamados ” pequenos traficantes”. Não vou tergiversar acerca do que seria tal figura, nem de como o Estado seria chamado a esquematizar os limites entre o “pequeno” e o “grande”.

Vou direto ao ponto: não há a menor possibilidade de se combater um crime – qualquer que seja ele – criando diferença entre os criminosos. Em outras palavras, falar em “pequeno” e “grande” traficante é apenas uma falácia, uma trapaça intelectual e – atentem para isso! – ideológica. Ou se entende tal premissa, ou alguém me explica a diferença entre o “pequeno” e o “grande” estuprador… Ou entre o “pequeno” e o “grande” pedófilo.

Uma das coisas que mais me pergunto é: de onde vem essa mania de certo progressismo de encampar a defesa dos tóxicos e dos traficantes? Defesa, eu disse? Sim, isso mesmo! Basta notar que o mesmo PT de Tarso, que defende o tal “pequeno” traficante, também morre de amores pelos terroristas narcotraficantes das FARC. E o que fazem as FARC? Bem, vivem às custas do comércio de cocaína e armas, além de conseguirem uma rendinha complementar por meio de sequestros. Não sou eu – o reacionário – quem diz isso. São os fatos.

Apesar disso, é possível notar que certa esquerda insiste em relativizar o horror produzido pelos bandoleiros colombianos, cobrindo-os com o manto da luta de classes… Segundo essa gente, as FARC só traficam drogas porque estão – vejam que mimo! – lutando por um mundo melhor, mais justo, mais fraterno e – é claro! – socialista. É o marxismo sendo empregado como escudo para a produção e comercialização de cocaína. O velho Marx, acreditem, deve estar se revirando na cova…

Mas eu falava do Prefeito que gosta de – se me permitem – “adicionais”… A conduta tresloucada do Prefeito-drogado é apenas a manifestação da doença que Tarso Genro, o PT e o resto do progressismo politicamente correto pretendem institucionalizar no País: o culto às drogas. Percebam o liame lógico e claro como as águas de um riacho: o petismo ergue a bandeira da despenalização, da descriminação e da legalização, ao mesmo tempo em que um de seus militantes – só um? – já cuida de interagir com o comércio dos entorpecentes.

Mais um pouco e veremos algum texto de Marilena Chauí e/ou Emir Sader explicando porque comprar crack do tal “pequeno” traficante é um ato de reparação social, afinal – “tadinho”… – ele não teve chances na vida. Foi sempre excluído e explorado “pelazelite”… Chego, pois, à primeira conclusão deste texto: o Brasil precisa, com urgência, deixar de amar seus criminosos. Há que se convencer “essepaiz” que o crime deve ser – vejam que coisa mais reacionária! – combatido!

E por que Tarso Genro e o tal Prefeito de gostos – vá lá… – “exóticos” são duas faces do mesmo mal? Bem, o PT – e o politicamente correto –, como se percebe, tenta nos cercar de todos os lados: ao mesmo tempo em que pretende colocar dentro da sociedade a maioria dos traficantes, chamando-os de “pequenos”, também cuida de mostrar que “bater um cachimbo” ou “puxar uma erva” não tem lá nada demais.

Novamente, trata-se apenas de trapaça ideológica. Nenhum País do mundo onde a  segurança pública mereça elogio fez qualquer coisa parecida com despenalizar o tal “pequeno” traficante. Vamos alfinetar os progressistas? Então lá vai: sabem onde foi registrado o maior e mais eficaz combate ao tráfico de drogas? Em Nova York. Sim, aquela cidade lá nos Estados Unidos… E sabem quem era o Prefeito de lá? Rudolph Giuliani. Sim, um Republicano! Vejam que coisa: a política de repressão violenta e de enfrentamento determinado quebrou a espinha dorsal das quadrilhas, devolvendo a cidade aos cidadãos.

Mas não foi só. Nova York também tratou de seguir a mais elementar regra do livre-mercado: nenhum produto deixa de ser comercializado enquanto houver consumidores. Assim, atento aos ensinamentos de Ayn Rand – uma das mentes mais brilhantes que já se conheceu -, Giuliani, o Republicano reacionário, conservador e malvado, escolheu trancafiar os bandoleiros dados a um “cachimbinho”… O tal Prefeito de Raposos cairia em desgraça lá na boa e velha Nova York.

Já aqui… Aqui, inexplicavelmente, criou-se a cultura de endeusar o usuário, enxergando-o como uma espécie de contestador social, alguém que desafia o status quo e, portanto, alguém do time do progressismo politicamente correto. Como certa esquerda regrediu, não? Antigamente, era preciso “pegar em armas”, para contestar “a burguesia”. Hoje, depois de séculos, os esquerdistas se contentam em pegar as pedras de crack…

E então vocês podem perguntar: “Qual é a solução?”

Bem, a óbvia: repressão! E forte! Implacável! Inegociável!

“Ah, mas então você é reacionário e conservador.”, dirão. Sou? Bem, não acho… O governo do PT – aquele mesmo que quer colocar na rua o tal “pequeno’ traficante -, está criando as condições para que o Estado forneça aos viciados cachimbos e seringas esterilizadas, de modo que possam – vejam que paradoxo! – se drogar em segurança.

Não satisfeitos, querem acabar com toda e qualquer sanção que ainda existe contra o usuário, além de proibir, em caráter definitivo, a internação compulsória dos viciados. E eu sou o reacionário?! Às vezes acho que é esse progressismo de araque o verdadeiro responsável pelo aquecimento global…

Vai ver fumaram todas as florestas do mundo.

*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Dilma será a estrela de dezenas de comerciais do PT

29/10/2009

Informa o colunista Ilimar Franco, a respeito do fato de Dilma Rousseff ser a estrela de dezenas de comerciais televisivos petistas que serão veiculados em dezembro:

“O PT vai tentar turbinar a candidatura Dilma Rousseff neste fim de ano. Ela terá presença especial no programa em rede nacional de TV, em dezembro, e será a estrela de 30 das 40 inserções nacionais do partido. Os petistas também vão usar 10% das inserções estaduais para vender sua candidata. João Santana estará à frente da produção da imagem, dos temas e das falas da ministra. Os petistas também gostariam que os aliados a colocassem como figurante em seus espaços na TV.”