Arquivo de 09/2009

Ciro deve oferecer vice ao PDT para ter tempo na TV

29/09/2009

Informa o Estadão:

“O pré-candidato do PSB à Presidência, deputado Ciro Gomes (CE), tem um trunfo para fechar a aliança com o PDT do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e viabilizar sua candidatura com maior espaço na propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Um aliado de Ciro que acompanha as negociações da corrida sucessória informa que o pré-candidato deve oferecer o posto de vice em sua chapa justamente ao ministro Lupi, que é presidente licenciado do PDT.

Além dessa oferta aos pedetistas, o PSB de Ciro trabalha para reeditar o bloquinho que funcionou na Câmara com o PDT e o PC do B porque só tem garantido 1 minuto e 11 segundos em cada um dos dois blocos diários de 25 minutos de propaganda eleitoral na TV. O tempo pode dobrar com a divisão da sobra dos minutos que couberem aos partidos que não apresentarem candidatos a presidente. Ainda assim é pouco.

O desafio de fortalecer o palanque eletrônico não é o único que ocupa os aliados de Ciro. O PSB não pode confrontar com o PT da pré-candidata e ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e tem de contar com a ‘compreensão’ do governo para fechar as alianças com partidos aliados ao presidente Lula.

‘Temos de montar o palanque do Ciro sem desmontar o palanque da Dilma’, resume o senador Renato Casagrande (PSB-ES), certo de que é possível manter um bom relacionamento na base governista para que os aliados estejam juntos no segundo turno da corrida presidencial.”

Para que Ciro Gomes possa manter sua candidatura em nível competitivo, precisa, com certeza, aumentar o seu tempo de televisão no que diz respeito ao horário eleitoral.

Sendo assim, é natural que o Deputado e ex-Ministro procure os partidos do “bloquinho”. Não só por entender que estas são suas melhores possibilidades como, também, por perceber que estes partidos se sentem deixados de lado pelo governo que, de uns tempos para cá, só tem olhos para o PMDB.

Como diz bem a reportagem do Estadão, o tempo de televisão de Ciro, se este tiver em sua chapa o PDT e o PC do B, será pequeno. Porém, apoiado apenas por seu próprio partido, o político cearense terá metade disso.

Oferecer a vaga de Vice a Carlos Lupi pode funcionar, embora todos saibamos que o atual Ministro do Trabalho deverá consultar o Presidente Lula, entusiasta da candidatura de Dilma, e não da de Ciro, sobre aceitar ou não o convite.

Por fim, é importante analisar que Renato Casagrande já aponta qual é a estratégia do PSB. Estratégia essa, inclusive, descrita há tempos pelo Perspectiva:

O sonho de Ciro Gomes é conseguir que Lula dê apoio tácito ao movimento do “bloquinho” (PSB-PDT-PC do B) em direção ao seu palanque, respaldando a tese de duas candidaturas do campo governista, para, se por acaso Ciro terminar o primeiro turno à frente de Dilma, ser despejado nele todo o apoio do governo para enfrentar José Serra.

Resta combinar com os que não aprovam o plano.

TCU recomenda parar 41 obras do PAC por irregularidades: Governo critica

29/09/2009

Informa a Folha:

“Por unanimidade, os ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) aprovaram nesta terça-feira um relatório que recomenda a paralisação de 41 obras do governo federal que apresentaram irregularidades graves durante a fiscalização realizada pelo órgão em 2009. Deste total, 13 empreendimentos fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, criticou hoje, o TCU. Disse que o órgão assume as funções de poder Judiciário, Legislativo e Executivo, em vez de se concentrar em seu papel de corte de fiscalização ligada ao Congresso.

Paulo Bernardo recomendou que se contrate auditores externos. ‘Não é possível que vamos ficar nesse bate-boca. Não acho que o TCU atrapalhe, mas temos que fazer coisas de forma transparente’, disse.

O relatório do TCU segue para análise do Congresso Nacional, que terá que decidir se haverá o bloqueio de recursos para essas obras na elaboração do Orçamento de 2010.

As maiores irregularidades identificadas foram sobrepreço, superfaturamento, licitação irregular, falta de projeto executivo e problemas ambientais.

Caros leitores, peço um momento para rir da total contraditoriedade da declaração do Ministro Paulo Bernardo…

Pronto. Estou refeito. Sigamos:

É impressão minha ou o Ministro afirma que ser contrário aos pareceres do TCU é fazer as coisas de forma transparente?

Ora bolas! O que quer o TCU, meu caro Ministro? Que as coisas sejam transparentes.

A questão é que, para alguns, a transparência desejada pelo TCU é transparência até demais. Isso sim!

Vamos ser francos: O que parece é que o governo quer que as obras andem o mais rápido possível para ter o que mostrar em 2010 e, caso existam irregularidades, releve-se, são apenas falcatruas pequenas, menos importantes, menores, quando considerado o todo eleitoral.

Pois não é assim, Ministro!

41 obras do governo apresentam irregularidades graves. Eu disse graves. E elas hão de ser investigadas a fundo, como devido.

O senhor desejar auditores externos, daqueles que podem ser demitidos pelos patrões se não fizerem o que estes desejam, podendo ser isto encobrir corrupções, é que configura absurdo.

O que acharia o senhor se estivesse na oposição e visse um Ministro do governo dizer o que senhor disse?

Ser contra a fiscalização… A que ponto chegamos.

Caso Zelaya: O desenrolar dos fatos

29/09/2009

O Perspectiva Política tem acompanhado de perto o caso do Presidente deposto em Honduras, Manuel Zelaya. Se antes, quando apenas a deposição de Zelaya tinha acontecido, o tema já era discutido fortemente no Brasil, inclusive nos blogs políticos como o Perspectiva, imaginem agora que Zelaya está de volta a Honduras, hospedado na embaixada do Brasil.

Sendo assim, por mais que o caso já tenha sido comentado diversas vezes por este blogueiro, nada diferente do acompanhamento do desenrolar dos fatos concernentes a este caso poderia ser feito.

Por ocasião da chegada de Zelaya à embaixada brasileira, este blogueiro declarou que não é muito fácil acreditar que este poderia arriscar dirigir-se à embaixada brasileira e receber um não como resposta, estando assim passível de ser preso pelas autoridades hondurenhas. Portanto, acredito que o governo brasileiro tinha conhecimento da manobra.

Mas e se não tinha? Bom, se o governo brasileiro não conhecia os planos de Zelaya e muito menos sua intenção de se abrigar na embaixada brasileira, podemos afirmar que Hugo Chávez, confesso articulador do retorno de Zelaya a Honduras, armou um estratagema que fez o Brasil de bobo.

Ora, se acreditarmos que o governo brasileiro só veio a saber da intenção de Zelaya de se dirigir à embaixada brasileira meia hora antes de ele chegar ao local, como afirma o nosso Ministro Celso Amorim, seremos obrigados a crer que Chávez previu que o Brasil não iria negar abrigo a Zelaya, colocando a batata quente em nossas mãos e se aproveitando do fato de o Brasil ter certo prestígio internacional, além de um histórico de pacifismo, para que estes servissem ao bolivarianismo.

Digamos que Chávez tenha apostado no posicionamento favorável brasileiro, e não, conversado com Lula. Que suponhamos isso. Pois bem. Chávez jogou bem: Se tudo desse certo, o Brasil seria usado pelo bolivarianismo. Se desse errado, a embaixada venezuelana receberia Zelaya e pronto.

Fim das contas, seja o Brasil cúmplice ou bobo da corte, a situação não orgulha. Se o governo brasileiro compactuou, errou. Se foi manipulado, também errou.

Alguns dirão: Ora, mas se o governo brasileiro não sabia de nada, o que poderia fazer? Seria certo negar o abrigo?

Respondo: Não. Não seria certo. O abrigo foi correto se fizermos a suposição de que o Brasil nada sabia. Deixar Zelaya usar nossa embaixada como base de operações políticas não é. O governo brasileiro, se aceitasse o ingresso de Zelaya na embaixada sem ter sido cúmplice do plano e o mantivesse quieto, estaria correto. Aí sim.

Permitindo que Zelaya faça comícios, discuta alianças, acolha militantes e incite os hondurenhos, o Brasil erra em qualquer hipótese. Com cumplicidade ou sem cumplicidade. Com manipulação ou sem manipulação.

Enfim, voltemos ao desenrolar dos fatos:

O Ministro Celso Amorim afirmou, recentemente, que o Brasil recusou um pedido de Zelaya que consistia no seguinte: O Presidente deposto desejava que o nosso País fornecesse um avião para que ele retornasse a Honduras.

O que Amorim fala pode ser verdade? Pode. Se for, o Brasil fez bem em recusar. Se não for, Amorim usa de artifício condenável para mascarar as reais intenções dos seus comandados na coordenação das relações exteriores nacionais: Uma mentira que o coloca como moço direito.

Amorim diz também que se o Brasil negasse o abrigo a Zelaya, este morreria. Não defendo que o abrigo deveria ter sido negado, mas dizer que Zelaya morreria ou que se esconderia nas montanhas, como também afirma Amorim, é exagero. A embaixada chavista o acolheria.

Enquanto Amorim vai dando declarações nubladas por suspeitas e desconfianças, o Brasil vai, cada vez mais, se imiscuindo nos assuntos internos hondurenhos e, portanto, se comportando, sob o comando de Lula, como um país  imperialista. Que ironia!

Analisemos também o posicionamento do Brasil no que tange o governo hondurenho:

Diz o nosso País não reconhecê-lo. Ora, se não o faz, porque mantém lá uma embaixada? Esta pergunta ficará sem resposta, aposto.

Outro ponto importante é a possibilidade de Honduras romper relações diplomáticas com o Brasil e, portanto, eliminar a inviolabilidade da nossa embaixada, possibilitando a captura de Zelaya.

O Presidente Micheletti disse ao Brasil que este deveria declarar qual a situação jurídica de Zelaya enquanto residente na embaixada brasileira.

O governo brasileiro rechaçou a inquisição, disse não aceitar pressão, disse não reconhecer o governo. Mas a embaixada continua lá, com prerrogativas diplomáticas.

Percebam: O Brasil responde a Honduras, tentando evitar que a inviolabilidade da embaixada seja retirada, afirmando que o governo do país não é reconhecido pelo governo brasileiro. Ora, mas se assim é, não há porque a embaixada não ser desativada.

Faça-se um acordo com o governo hondurenho, retire-se Zelaya por via aérea da embaixada, encaminhe-se o Presidente deposto para um país que deseje o acolher, a Venezuela de preferência, e desative-se a embaixada, já que o governo entende o seu correspondente hondurenho atual como ilegítimo.

Seria a melhor opção, com certeza.

Enquanto essa decisão correta não é tomada, o Brasil exige que Zelaya diminua o número de aliados na embaixada e, também, o tom das declarações políticas.

O blogueiro ri dessa ordem que só pode ser uma piada.

Zelaya não procurou asilo por estar sendo perseguido em seu território. Ao contrário, retornou a ele para retomar o poder e pediu abrigo ao Brasil justamente para se utilizar de nossa soberania em favor de seus propósitos políticos.

Se Zelaya se resguardar e se resignar, estará na embaixada para nada em sua própria visão. Está lá, justamente, para fazer política, e não, para se proteger.

Nesse meio tempo, o governo Micheletti declara que o estado de sítio, tão criticado pelos zelayistas, chavistas e afins, será revogado, destruindo um dos argumentos dos que chamam o atual governo hondurenho de ditadura golpista.

Por fim, a dúvida que foi citada por mim anteriormente e que continua pairando no ar é a seguinte:

Por que nosso País auxiliou a atitude que varreu qualquer sossego que houvesse em Honduras e que desautorizou o diálogo?

A dúvida é válida em qualquer caso, seja o nosso governo cúmplice ou não, afinal, o fato de o Brasil ser conivente com a panfletagem política de Zelaya feita de dentro da embaixada é evidente e inegável.

Quem descobrir a resposta para esta dúvida, como eu já disse, ganha um doce.

A entrega fica novamente por conta de Lula, Celso Amorim e, principalmente, Marco Aurélio Garcia.

Internet e política em 2010: Quem explorará melhor este meio?

29/09/2009

Como todos vocês já sabem, a interação entre a internet e a política será importante nas eleições do ano que vem. Não se pode afirmar que o bom uso da internet poderá garantir a vitória de um candidato, porém, é correto dizer que aquele que fizer um uso ruim desta mídia já larga um pouco atrás.

Pois bem. Como o Perspectiva Política não deixa de ser um meio que relaciona internet e política, por ser um blog de análises políticas e de conscientização política do cidadão, este blogueiro que vos fala tem muita curiosidade a respeito desta interação.

Sendo assim, tenho lido textos a respeito disso e, para conhecimento de vocês, reproduzo trechos de um deles, encontrado por mim no blog MidiaWeb, que pode enriquecer o conhecimento de vocês, leitores, sobre o tema:

Novas ferramentas, técnicas e serviços estão no jogo e somando-se a isso, o acesso à rede pela população que teve um crescimento exponencial, bastante capilar já atingindo inclusive as classes D e E. Outro aspecto também bastante favorável, além da distribuição e aumento do número de acessos à rede, é  quantidade de horas de conexão que mantém o Brasil por consecutivos anos como o país mais conectado do mundo. Comportamento que mostra que a Internet faz cada vez mais parte do dia a dia das pessoas.

[...]

A combinação de uma estratégia digital bem planejada, com o cenário favorável de exploração e utilização do meio, certamente deve trazer diferenciais e contribuições importantes aos candidatos que puderem ter acesso a agências especializadas nesta área, para estas próximas eleições.

Em 2008, a campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos contou com uma poderosa aliada – a Internet. No ano que vem, isso também pode se tornar realidade aqui no Brasil.

[...]

É no que acredita Marcelo Biacchi. ‘O candidato passa a contar com diversas ferramentas e recursos para falar com os eleitores, o que acaba abrindo novas frentes de diálogo e possibilidade de expor com mais profundidade e detalhamento seus projetos de trabalho, enriquecendo a exposição que acaba sendo mais limitada em outras mídias em virtude do tempo e outros fatores’, comenta.

Marcelo destaca que os políticos poderão atuar nas diversas plataformas dentro do cenário digital. Entretanto, muito mais que a utilização de novas ferramentas, a questão é saber como explorar todo o potencial do meio de forma eficiente e integrada a fim de se obter resultados que realmente ajudem a fazer a diferença. Faz-se necessário um planejamento orientado para que se obtenha a força de todos estes recursos de forma coordenada. Ferramentas e mídia, são apenas meios. A virtude mesmo, estará na qualidade do plano de comunicação e estratégias digitais que deve ser desenvolvido, para que aí possa se responder, o que fazer, como fazer, e, para se obter o quê.

Para o especialista, não existe uma fórmula padrão para todos. Deve-se tratar o perfil, o plano de marketing, o posicionamento, os  interesses e os do público-alvo ou da população de cada candidato. É possível também se obter importantes inputs da internet acerca do que as pessoas estão interessadas, quais são os temas mais buscados em um Google, por exemplo, entre outras coisas.

[...]

O caso de Obama pode servir de inspiração para muitos políticos brasileiros, sobretudo para os que parecem entender um pouco mais sobre a importância da rede, como é o caso do governador de São Paulo, José Serra. ‘O presidente dos Estados Unidos utilizou diversas ferramentas da Internet para se comunicar com seu eleitorado, criando, inclusive o My Barack Obama‘, cita Sergio Coelho.

[...]

Na visão de Coelho, o uso da web nas eleições do ano que vem tem grandes chances de aproximar os jovens da política. O que deve ser um marco, daqui para frente.

Ainda existem muitos pontos nebulosos na lei que permitirá a utilização da Internet nas campanhas eleitorais. O texto do senador Azeredo afirma, por exemplo, que será vedado o anonimato durante a campanha. Para Coelho, não há como garantir que não haverá anonimato ou perfis de falsos usuários. ‘É praticamente impossível controlar isso’, ressalta. Outro ponto difícil de obter controle é sobre o espaço concedido a cada político em sites de empresas, uma vez que é muito difícil medir a participação de cada um deles, diferentemente do que acontece nas TVs e nas rádios.

Aguardemos para saber quem fará melhor uso da rede. O Governador José Serra, por exemplo, é conhecido como entendido no assunto. Enquanto isso, o PT contratou a consultoria do marqueteiro de Barack Obama para auxiliar na campanha de Dilma Rousseff.

A ver.

Coluna do dia: Honduras e hipocrisia

29/09/2009

Por Raphael Machado Silva*

Cada vez que estamos diante de um evento internacional de alguma relevância, principalmente os que envolvem conflitos, sejam armados ou não, sejam de natureza interna ou externa, nós podemos ser testemunhas de como todo o palavrório democrático-humanista serve algumas vezes como uma capa para a defesa de toda forma de destruição inconsequente.

O posicionamento é curioso: Não há problema em promover insurreições civis no Irã, porque este “não é um país democrático”. Não há problema em bombardear países do Oriente Médio, porque eles “não são livres” ou “odeiam nossa liberdade”. Também não há problema em Israel chacinar civis palestinos, ou dos países que lhe fazem fronteira, porque “eles são a única democracia do Oriente Médio” ou (ainda mais convincente para os desinformados): “oh! Eles estão sob o risco de um novo holocausto!”.

Assim, podemos verificar que esses argumentos são usados para enfeitar puros e diretos interesses de ordem política e/ou econômica. Pode parecer surpreendente, mas a maioria das pessoas crê nesse tipo de discurso.

E nem ao menos me refiro aqui às pessoas de pouca instrução (quanto a essas não pode haver qualquer surpresa nesse sentido), mas, principalmente, à classe média, especificamente os estudantes e os praticantes de profissões liberais.

Por tabela, isso já indica que cultura e educação não dão qualquer garantia de capacidade de tecer juízos verdadeiros sobre os eventos que nos cercam. Os termos empregados apenas facilitam esse uso, já que documentos como a Carta das Nações Unidas e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão estão repletos de conceitos nebulosos, quando não conceitos mutuamente contraditórios ou até mesmo falaciosos.

É muito normal, portanto, que tenhamos que nos submeter a ouvir todo esse dramalhão vindo de setores da mídia, mas, principalmente, de políticos sul-americanos em geral, assim como de organizações internacionais.

“Oh, o horror! Micheletti deu um golpe em Honduras! Minha nossa! E pior! Agora ele está limitando a liberdade de imprensa!” – Nesse momento, quem prestar atenção poderá ver a boca espumante dos apresentadores de telejornais…

Como se Micheletti estivesse alinhando jornalistas em paredões de fuzilamento, como, aliás, era costume dos heróis de Chávez, Lula, Zelaya e todo esse bando político internacional.

É assustador ver como pessoas supostamente “ilustradas” têm reações absolutamente emocionais diante de fatos políticos puros. Fatos políticos não possuem significação moral implícita. Toda a significação moral dos fatos políticos é construída e colocada lá por seus intérpretes. Só existe na mente deles. Só tendo consciência disso podemos ver que o que houve no país centro-americano foi um levante militar em defesa da Constituição de Honduras, que impediu um golpe que muito provavelmente acabaria colocando o país nos mesmos caminhos hodiernamente trilhados pela Venezuela.

E se Micheletti declarou Estado de Sítio (o qual é um instituto constitucionalmente previsto e não uma arbitrariedade ditatorial), isso ocorreu porque Brasil e Venezuela conspiraram para levar Zelaya a Honduras e abrigá-lo lá, de modo a que esse palhaço de rodeio metido a Presidente pudesse incitar e promover a insurreição contra o atual governo de Honduras, para assim supostamente retornar ao poder nos braços do povo e, com anuência deste, dar o seu golpe (a caracterização de golpe independe da existência ou não de apoio popular).

Que interesse poderia ter o Brasil em abrigar esse projeto de ditador socialista chamado Zelaya? Ou seja, se nossos líderes políticos têm a função de representar nossos interesses, que interesse temos nós, como povo, em abrigar e apoiar esse elemento? Se nossa mente já foi “desbloqueada”, sabemos de início que toda e qualquer resposta do tipo: “temos que defender a democracia em Honduras” é absolutamente inválida.

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

“Minha candidata é a Dilma”, diz Chávez

28/09/2009

Informa a Folha:

“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse neste sábado que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é sua candidata para as eleições brasileiras de 2010.

‘Dilma será a próxima presidente do Brasil’, afirmou Chávez em seu discurso na abertura da 2ª Cúpula América do Sul-África, realizada em Isla Margarita, na Venezuela.

‘Sei que vão me acusar de ingerência, meu coraçãozinho é quem está falando’, disse. ‘Minha candidata é a Dilma.’ A ministra tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a Presidência pelo PT.

Lula, que participa da Cúpula na Venezuela, sorriu ao ouvir o discurso do colega. Chávez lamentou o término do mandato do presidente brasileiro.

‘Mas Lula não se irá, ele fica, assim como Néstor Kirchner [ex-presidente da Argentina], que se foi, mas não se foi’, afirmou Chávez, em referência à eleição da presidente Cristina Kirchner como sucessora do marido. “

Olhem, meus caros: Este blogueiro que vos fala ainda não se decidiu a respeito de que candidato presidencial defenderá em 2010. Na realidade, não sei ainda, nem mesmo, se algum candidato será por mim defendido. Talvez nenhum seja.

Além disso, a independência do Perspectiva Política, reconhecida e comprovada por seus leitores, impede que este blogueiro resolva, unilateralmente, fazer apenas comentários abonadores com relação a um candidato e desabonadores com relação aos outros.

Como tenho dito, o Perspectiva elogia o que deve ser elogiado e critica o deve ser criticado, valendo esta máxima para todos os pré-candidatos à Presidência, aos governos estaduais e, também, aos cargos legislativos.

Pois bem. Dito isso, não poderia eu, por meu total repúdio a Hugo Chávez, deixar de dizer que ganhei pelo menos um motivo forte para não votar em Dilma Rousseff.

Este blogueiro que vos fala não vê com bons olhos votar em um candidato apoiado por Hugo Chávez. Longe de mim desaconselhar vocês, leitores, a fazê-lo, porém, trata-se de minha humilde posição pessoal. Não quero aqui convencer ninguém, que fique bem claro, mas esta é minha opinião.

Parto do seguinte princípio: Se Chávez apóia certo candidato, com certeza algo indesejado pelas pessoas de bem faz parte dos princípios norteadores das alianças políticas deste candidato, afinal, nenhum democrata que se preze pode ser aliado de Chávez, empreendedor de uma semi-ditadura autoritária, personalista e cerceadora de liberdades na Venezuela.

É curioso perceber que Chávez admite, já em sua fala, que será acusado de ingerência. E será mesmo. Acuso-o aqui neste momento: Hugo Chávez não pode se imiscuir no processo eleitoral brasileiro. Não lhe diz respeito. Muito pelo contrário. Que ele fique bem longe.

Vale ainda salientar que Chávez afirma que, assim como Néstor Kirchner, que elegeu sua esposa Presidente da Argentina, Lula irá embora sem realmente ir caso Dilma Rousseff vença. Em resumo, Chávez acaba por ressaltar o caráter artificial de marionete de Lula da Ministra da Casa Civil.

Até que ponto o povo brasileiro deseja alguém sem independência, sem iniciativa própria e sem comando real ocupando a cadeira mais influente da nação?

Uma coisa é Dilma ser a queridinha de Lula, a sucessora do Presidente, a representante total da continuidade. Outra coisa totalmente oposta é Dilma ser alguém que, uma vez no poder, telefonará para Lula sempre que precisar tomar uma decisão qualquer, por mais banal que seja.

Enfim, as declarações de Hugo Chávez, ao contrário de auxiliarem, atrapalham Dilma Rousseff. Elas demonstram claramente diversos pontos fracos da Ministra, entre eles, o fato de se aliar a regimes antidemocráticos e o fato de não ter nenhuma luz própria.

Não sei se Lula gostou do que Chávez disse. Que eu saiba, o que o caudilho aconselha não é seguido no Brasil, pelo contrário. Nossa sociedade já tem maturidade suficiente para reconhecer os malefícios dos arroubos chavistas.

Em suma, o Perspectiva sempre aconselhará os seus leitores a pesquisarem o máximo possível a respeito de todos os candidatos e suas respectivas propostas e, feito isso, escolherem o que preferirem e entenderem como melhor para o País. Porém, não poderia deixar de ser apontado que, na minha opinião, uma aliança com Chávez é defeito, e não qualidade.

Se uma soma fosse ser feita por mim para decidir meu candidato a Presidente, imputando aos pontos fortes valores positivos e aos pontos fracos valores negativos, com certeza o sinal de menos estaria na frente do valor correspondente ao fato de certo nome ser o indicado por Hugo Chávez. É um contra, e não um pró. Quem Hugo Chávez apóia, cai em meu conceito.

Alguns poderão dizer que apoios não podem ser escolhidos ou negados. Talvez seja verdade. Mas, observando a relação entre Lula e Chávez, não acredito que o apoio a Dilma seja simples voluntarismo do venezuelano.

Em tempo: Destaco a ridicularidade total da palavra “coraçãozinho” utilizada por Chávez. Patético. Este “coraçãozinho” deveria aparecer não para apoiar Dilma, e sim, para que não fossem perseguidos opositores na Venezuela.

Promotoria aponta desvio de R$ 2,7 mi em gestão Azeredo

28/09/2009

Informa a Folha:

“O Ministério Público de Minas Gerais acusa o senador e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), de ter se beneficiado, durante a gestão dele (1995-98), de um esquema de fraudes em licitação que teria abastecido o chamado valerioduto tucano e causado prejuízo de R$ 2,7 milhões aos cofres do Estado, informa reportagem de Breno Costa, publicada nesta segunda-feira pela Folha.

O valerioduto tucano, segundo a Polícia Federal, foi um esquema operado pelo publicitário Marcos Valério para ocultar a origem e o destino de R$ 28,5 milhões em recursos públicos desviados e verbas privadas não declaradas, que financiaram a campanha derrotada de Azeredo em 1998.

O valerioduto tucano gerou uma ação penal no Supremo Tribunal Federal contra Azeredo e outra na Justiça Estadual, contra outros 14 réus.

Segundo a reportagem, a Promotoria diz ter identificado um novo braço de financiamento irregular daquela campanha, com ‘pagamentos irregulares’ do governo Azeredo, que resultaram em ‘vultuosas contribuições’ à campanha eleitoral.

Para o Ministério Público, o suposto esquema envolveu sete empresas vencedoras de 25 licitações na gestão Azeredo para fornecimento de terceirizados ao Estado.

Azeredo informou desconhecer a ação apresentada há um mês pelo Ministério Público. Ele diz que ‘terceirização não é assunto de governador’”.

Se as ditas irregularidades, transgressões e falcatruas cometidas por membros do PT com o auxílio do publicitário Marcos Valério devem ser investigadas a fundo e, se comprovadas totalmente, punidas, nas pessoas de seus  agentes, com todo o rigor da lei, o mesmo vale para qualquer tipo de ação semelhante empreendida por membros do PSDB com o auxílio do mesmo Valério.

O suposto valerioduto petista configura esquema vergonhoso, corrupto e pernicioso. Se comprovado o valerioduto tucano, merecerá este os mesmos adjetivos negativos.

O Perspectiva prima pela Justiça, como não poderia deixar de ser, e defende veementemente a investigação de ambos os casos.

Além disso, este blogueiro não pode deixar de dizer que as suspeitas, por mais que possam ainda ser mostradas como infundadas, dispõem de evidências realmente comprometedoras para os envolvidos em ambos os casos.

Sendo assim, é natural que sejam questionadas desde já, embora não judicialmente, mas sim moralmente, as idoneidades tanto dos envolvidos petistas, como dos envolvidos tucanos, em esquemas com a participação de Marcos Valério.

A Justiça trabalhará, infelizmente em ritmo aquém do desejado, e o Perspectiva manterá a vigilância sobre ambos os casos.

Pedro Simon defende ‘recall’ de mandatos por plebiscito

28/09/2009

Informa o Globo:

“O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu nesta sexta-feira , em plenário, o instrumento do ‘recall’, regra constitucional que atribui à população o direito de propor plebiscito para revogar mandato de titular de cargo eletivo. Na forma sugerida por Simon, o pedido para realização de consulta que definirá se o político com mau desempenho será afastado ou mantido no cargo serão necessárias as assinaturas de 5% dos eleitores.

No discurso, Simon registrou que o tema foi debatido na véspera pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Nessa comissão, tramitam três propostas de emenda à Constituição que sugerem a adoção do recall no país. Designado relator, ele já apresentou substitutivo consolidando a proposta final que foi submetida à discussão.

Como esclareceu o senador, podem ser alcançados pelo recall desde o prefeito ao presidente da República, assim como detentores de cargos no Legislativo. A população poderia inclusive propor a renovação de toda a composição das Casas do Congresso, o Senado e a Câmara dos Deputados.”

O advento do recall nos moldes defendidos por Pedro Simon poderia representar interessante avanço para a democracia brasileira, afinal, bastaria um movimento organizado o suficiente para conseguir as assinaturas de 5% do eleitorado do País, de um estado ou de um município para que um plebiscito a respeito da atuação de certo político fosse realizado.

Como sabemos, se o alvo do plebiscito fosse a atuação de um político notoriamente ruim, ou seja, inerte, loteador de cargos ou, até mesmo, corrupto, não seria complicado aprovar a retirada de seu mandato.

A necessidade de se ter que conseguir as assinaturas de 5% do eleitorado configura trabalho árduo, porém, é alternativa muito melhor do que ter que se conformar por pelo menos quatro anos com a presença, dentro do quadro de representates populares, de alguém claramente em dissonância com a função.

Digo conformar pois a única alternativa atual é a cassação do mandato efetuada pelos próprios pares do político, o que, sabemos todos nós, é extremamente improvável em todos os casos, afinal, reinam o corporativismo e o compadrio.

O Perspectiva se coloca a favor do “recall”, ressaltando, porém, que ele é uma faca de dois gumes.

Políticos de qualidade poderiam se ver importunados, indevidamente, com  questionamentos de seus mandatos causados pela atuação das nocivas máquinas políticas, azeitadas com conchavos, dos opositores antiéticos.

De qualquer forma, apóio a iniciativa da implantação do instituto do recall, apenas defendendo a estipulação de critérios que possam coibir casos como o citado acima.

Até Sarney critica uso político por Zelaya de embaixada brasileira

28/09/2009

Informa o blog do jornalista Ricardo Noblat:

“Do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sobre a ocupação da embaixada brasileira em Teguciglapa, capital de Honduras:

- Eu acho que direito de asilo [ao presidente deposto Manuel Zelaya] o Brasil devia dar. Não podia deixar de dar (…) Mas o que está havendo agora, eu reconheço, é um certo exagero em ocupação da Embaixada, de transformar a Embaixada em um comitê político.

- Esse abuso não é bom nem para o Zelaya e para o Brasil. A Embaixada brasileira tem que zelar pelas leis que marcam o asilo e não se meter em assuntos internos dos países.”

Atenção Presidente Lula, Ministro Celso Amorim e Secretário Marco Aurélio Garcia:

Quando até mesmo um aliado político salvo de uma degola merecida pelo governo, como Sarney, reconhece que a estadia de Zelaya na embaixada brasileira em Honduras, permitida por esse governo, está sendo utilizada de modo indevido pelo Presidente deposto, é porque a coisa está escancarada.

Nem o mais hipócrita dos hipócritas consegue negar.

Que tal providências, meus senhores? Que tal perceber que Zelaya ignorou completamente a ordem de Lula para que a embaixada não fosse utilizada politicamente?

O entendimento brasileiro acerca da crise hondurenha nem entra na equação. Qualquer que seja ele, a utilização por Zelaya da embaixada brasileira como base de operações políticas é um desrespeito ao Brasil e às leis internacionais.

Como esse desrespeito é óbvio, a conclusão a que a população brasileira que acompanha o caso chega também é óbvia:

O governo não vê porque não quer. Ou melhor, finge que não vê.

Bolsa Família ignora adesão à escola de 23% dos jovens

28/09/2009

Informa a Folha:

“O governo federal ignora a frequência escolar de quase um em cada quatro adolescentes do programa Bolsa Família, informa reportagem de Eduardo Scolese, publicada nesta segunda-feira pela Folha.

A matrícula na escola e o comparecimento em 75% das aulas são as condicionalidades exigidas pelo governo aos jovens de 16 e 17 anos de famílias beneficiárias do programa. Com esse aluno longe das salas de aula, o benefício, no valor de R$ 33, pode ser bloqueado e, em seguida, cancelado.

Essa falta de informações supera em 62% a das crianças também integradas ao programa de transferência de renda.

[...]

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, evasão escolar, mudanças de cidade ou de instituição de ensino e problemas no envio de informações das escolas ao sistema do governo federal estão entre os potenciais motivos para o atual índice de adolescentes sem informações sobre frequência escolar.

Enquanto não identifica as causas reais, o que será buscado num estudo interno que já foi encomendado, a pasta decidiu bloquear no mês passado 600 mil benefícios variáveis (de crianças e de adolescentes) daqueles que não têm a carga horária escolar acompanhada.”

A encomenda de um estudo citada é uma medida corretíssima. Não pode o governo ser leniente com relação ao descumprimento das contrapartidas, que a população que recebe o Bolsa Família se compromete a empreender para poder receber os benefícios.

Para que no futuro o Brasil possa ser um País com uma necessidade menor de auxílio do Estado a parcelas carentes da população, é necessário que a educação de seus filhos seja levada muito a sério por estas famílias.

É por isso que a frequência escolar deve ser mantida. Não se trata de uma sede de punir os jovens ausentes da escola e suas famílias.

O Bolsa Família não me parece um programa equivocado. Porém, é papel do governo fiscalizar e cobrar as contrapartidas. Elas são essenciais para que o programa seja fomentador da melhoria das condições de vida da população e não apenas uma mesada.

Aprimoramento já!