Atendendo a pedidos: Bruno Kazuhiro responde a si mesmo

Em 27/09/2009 Comente »

O Perspectiva Política, na pessoa de seu autor Bruno Kazuhiro, conversou, gerando uma série de entrevistas, com os colunistas deste blog a respeito de suas opiniões políticas e pessoais.

Pois bem. As entrevistas foram um sucesso, trazendo interação, comentários, conhecimento dos colunistas pelo público e debates interessantíssimos.

Acontece que, em alguns comentários e em alguns e-mails enviados a este blogueiro que vos fala, diversos leitores do Perspectiva apontaram uma ausência: As respostas vindas justamente daquele que formulou as perguntas, este que vos escreve, Bruno Kazuhiro.

Não poderia eu deixar de atender ao pedido de meus caríssimos leitores. Por isso, seguem as minhas próprias respostas às perguntas que fiz para os colunistas, expressando, desta vez, as minhas opiniões políticas e pessoais:

1- Que influência a função de colunista do Perspectiva Política tem exercido na sua experiência pessoal? O que de positivo esta tarefa lhe traz?

No caso, não sou apenas um colunista. Sou fundador, autor e editor do Perspectiva Política, sendo o responsável pela escrita de todos os textos que não são dos colunistas e pela editoração destes últimos.

Com certeza a experiência pessoal mais afetada pela existência do Perspectiva é a minha, afinal, sou o criador, mantenedor e escritor deste espaço.

Posso dizer, sem sombra de dúvida, que o advento do Perspectiva em minha vida potencializou minha capacidade literária, aumentou minha tolerância, exercitou minha produção intelectual, despertou uma veia jornalística e ensinou muito através das responsabilidades grandes que assumo.

Afirmo, sem pensar duas vezes, que me orgulho muito da tarefa que executo, ressaltando especialmente os momentos em que o serviço de utilidade pública do Perspectiva faz com que eu possa auxiliar as pessoas através deste humilde blog.

2- Fale um pouco da sua vida pessoal: Como você se descreve como pessoa em poucas palavras?

Esta pergunta foi das mais difíceis para os colunistas e o mesmo vale para mim. Eloquente para comentar os mais diversos temas, me retraio quando o tópico em destaque é a minha pessoa. Mas enfim, tentemos.

Me entendo como um bom sujeito. Não tenho inimigos, não cultivo inimizades, sou conciliador. Soma-se a isso o fato de eu não apreciar nem um pouco espertezas e malandragens, sendo pessoa franca e honesta.

Defendo veementemente certos princípios morais e éticos, sendo acusado, até mesmo, de exagerar no que tange os valores. Sou daqueles que aconselha os amigos, ao invés de ser aconselhado.

Por fim, vale dizer que sou modesto. Me sinto desconfortável quando amigos ou familiares citam minhas conquistas acadêmicas ou pessoais, entre elas, o sucesso deste blog.

3- Qual a sua posição político-ideológica? Por mais que o pensamento político tenha muitas facetas, como você delimitaria o seu?

Como já comentado neste blog, sou um centrista social-liberal. Acredito que o Estado seja necessário, porém, sem exageros. Tento, dentro do caráter sensato de minha personalidade, pinçar o que há de melhor nos conceitos liberal e intervencionista, assim como nos ideais capitalista e marxista. Repudio radicalismos.

Na minha opinião, o Estado deve garantir prestações públicas universais e de alta qualidade nos campos da saúde, da educação, do saneamento básico, da segurança, entre outros. Garantidos estes benefícios totalmente, os cidadãos poderão competir com um mínimo de igualdade de condições, prevalecendo neste caso um mérito justo.

Para os que, por acaso, não puderem prover a si mesmos uma vida digna, o Estado deve dispor de uma rede de proteção social moderadamente dispendiosa que disponha de boas portas de saída.

No que tange a dicotomia entre regimes libertários e autoritários, acredito na liberdade positiva, defendendo que apenas o cidadão que dispõe dos serviços acima citados, providos pelo Estado, pode exercer sua liberdade com consciência, plenitude e critério.

4- Que livro você indicaria para os leitores do Perspectiva?

Utilizando-me de precedente aberto por meus caros colunistas, indicarei mais de um livro: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, pela descrição sensacional do patriotismo saudável incompreendido, Senhor das Moscas, de William Golding, pelo entendimento da natureza humana, A Revolução dos Bichos, de George Orwell, pela metáfora perfeita dos malefícios do autoritarismo em sistemas ditos igualitários, O Mito das Nações, de Patrick Geary, pela comprovação da idiotice da xenofobia e O Processo, de Franz Kafka, por despertar a indignação para com a injustiça.

5- Como você enxerga a consciência política, a cidadania e o civismo do cidadão brasileiro atualmente? Há avanço ou o contrário?

Na minha opinião, há avanço lento. A apatia, o conformismo e a incredulidade na mudança existem em grande escala, porém, reconheço redução gradual. Creio que a internet possa interpretar importante papel nesta redução e enxergo que a sociedade brasileira não pode ser de todo criticada pelos seus maus hábitos políticos, afinal, o regime militar, de certa forma, incentivou a falta de questionamento. Precisamos ainda nos livrar desta herança maldita de aceitar o que nos é dado sem ressalvas.

No que tange a “malandragem” histórica do brasileiro, aquela cultura colonial de sempre buscar levar algum tipo de vantagem, a repudio totalmente. Coloco em sua conta grande parte do subdesenvolvimento brasileiro e condeno a hipocrisia dos que reclamam dos corruptos apenas por não ter o seu quinhão, e não, por realmente acreditar no malefício da prática.

6- Você é fã de algum pensador político ou de algum personagem da política? Se sim, quem? Por quê?

Ruy Barbosa, sem dúvida alguma o maior brasileiro de todos os tempos. Na descrição que escrevi para me apresentar aos leitores deste blog utilizo frase de Ruy que, com certeza, expressa as minhas intenções no que diz respeito ao Perspectiva Política. Repito a citação:

“Se o Brasil for condenado, pelos meus representantes, a continuar a ser, diante do mundo, a fábula dos países miseráveis, risíveis e desprezíveis, não será porque eu não tenha exercido as minhas forças em bradar à nossa pátria.”

Ruy me comove pelo patriotismo saudável e pelo inconformismo necessário, além do altruísmo. Não chega a ser um teórico de grande relevo, mas é um ótimo exemplo comportamental.

7- Você pretende auxiliar de alguma forma a melhora da prática política nacional? Já tem em mente como?

Não só pretendo como entendo que já o faço através do Perspectiva Política e de meus ditos sermões nas conversas com amigos. A conscientização que busco fomentar me parece um modo de fazer a minha parte e auxiliar a melhora da prática política nacional.

Já fui incentivado a buscar a vida pública, mas não tenho pensamento formado sobre isso. Infelizmente, a política hoje não incentiva os bem intencionados e os vocacionados, e sim, os populares.

8- Se você tivesse que ouvir uma música só durante dias, qual seria ela?

If I Can Dream, interpretada pelo rei Elvis Presley. Cito passagem da música que justifica minha escolha: “And while I can think, while I can talk. While I can stand, while I can walk. While I can dream, please let my dream. Come true, right now”.

No âmbito nacional, aprecio a obra de Raul Seixas. Um questionador nato. A passagem: “Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz? Se é documento eu tenho aqui… Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí. Eu quero é saber o que você estava pensando. Eu avalio o preço me baseando no nível mental. Que você anda por aí usando”, de Metrô Linha 743, é sensacional.

9- Faça uma análise da corrida presidencial de 2010: O que você entende que ocorrerá provavelmente?

Estou cético quanto às chances de Dilma Rousseff. Acredito que a Ministra possa ir para o segundo turno, porém, a artificialidade de seu nome pesará em algum momento, com Lula ou sem Lula.

Enxergo que Ciro Gomes pode, talvez, ultrapassar Dilma e disputar o segundo turno. Se, nesse caso, Ciro receber o apoio de Lula, pode ser competitivo de verdade.

Na minha opinião, Marina Silva é uma ótima e inquestionável novidade no cenário que, dadas as circunstâncias, não passará para o segundo turno.

Creio ainda que José Serra já é o candidato tucano, além de ser o favorito das eleições. Aposto nisso há algum tempo neste blog. Se enfrentar um Ciro Gomes fortalecido por Lula no segundo turno, Serra pode ter problemas, mas apenas nesse caso. Imagino que um debate no segundo turno entre Serra e Dilma facilite a vitória do primeiro, enquanto um entre Serra e Ciro possa ser uma guerra campal.

10- Se você pudesse passar o conceito de apenas uma frase de efeito para seus filhos, que frase seria essa?

Cito meu filósofo favorito, o francês Montaigne, em tradução livre do francês de sua época:

“O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o acontecido”.

Com certeza eu gostaria que meus filhos soubessem disso. Uma filosofia de vida que prime por um olhar sobre a existência que siga esta frase me parece saudável.

Precisamos saber nos resignar quando necessário, rir de nós mesmos quando preciso e nos inconformarmos quando apropriado.

E é o interno intepretando de maneira sadia o externo que nos proporcionará isso, nunca o contrário.

4 comentários

  1. Parabéns pela “auto-entrevista”. É bom para conhecermos nosso mentor! :)

  2. Cris says:

    Oi, Bruno!
    Não resisti e fui procurar, no google, seu blog.
    Nossa, estou impressionada!
    Muito bem estruturado e bastante interessante.
    Parabéns de verdade!
    Bjos, Cris (pesquisa)

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