Informa a Folha:
“O presidente do Senado José Sarney disse nesta quarta-feira que está satisfeito com o arquivamento das ações contra ele no Conselho de Ética. Sarney disse que espera que a Casa volte à normalidade.
‘Acho que vai normalizar a Casa’, afirmou Sarney ao ser questionado se a crise estava superada. ‘Acho que todos estamos [satisfeitos] porque ultrapassamos uma fase’, disse.”
Ora, meus caros, o que Sarney diz é que a impunidade vai rolar solta. A Casa vai voltar à “normalidade”? Que normalidade? A de um Senado presidido por um homem desmoralizado, sem autoridade e sob as diretrizes de Renan Calheiros? Não há normalidade, a pizza é que está para ser assada, isso sim! Esta é a normalidade de Sarney, uma normalidade de muzzarella.
Não podemos permitir que essa normalidade de pizzaria reine no nosso Senado Federal! A sociedade civil pode, e deve, pressionar para que os recursos contra os arquivamentos das denúncias sejam levados ao Plenário do Senado.
Nada de acordão! Por mais que no Plenário os senadores estejam protegidos pelo voto secreto, que abre caminho para o compadrio, teremos pelo menos mais uma chance de pressionar e mostrar aos senadores que os que defendem Sarney não ficarão impunes. Mantenhamos a posição de repúdio aos que defendem Sarney, explicitada na Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, criada por este blog.
Não podemos aceitar que a oposição, acuada pelas ameaças do PMDB e tentada a se render ao corporativismo, não leve os casos para o Plenário do Senado. Alguns estão dizendo que o regimento do Conselho de Ética não permite esse procedimento, mas isso é balela de sarneyzista.
Os senadores têm, sim, que se sentir pressionados pela opinião pública. Os recursos devem ser levados ao Plenário, até mesmo para que saibamos qual é o real nível ético do Senado, afinal, se Sarney for novamente auxiliado, teremos certeza de sua baixeza.
Por enquanto, só resta a este blogueiro elogiar o PSOL, partido com o qual tenho divergências no que tange alguns de seus posicionamentos e ideais, mas que merece ser respeitado pela atitude que, pelo visto, irá tomar.
Explico: Contrariando o cenário de acordão geral, o partido deve levar os recursos contra os arquivamentos das denúncias a respeito de Sarney ao Plenário.
O líder e único Senador do PSOL, José Nery (PA), coleta assinaturas para recorrer à Mesa do Senado contra as decisões do Conselho de Ética. Ele precisa de nove assinaturas e corre a informação de que ele está muito perto deste número.
Que a oposição una-se ao PSOL nesta luta visando um objetivo comum: Tirar o Senado do abismo!
Alguns senadores do PSDB e DEM já estão aderindo à proposta de Nery. É isso mesmo que esperamos de vocês! E todos os outros, de qualquer partido, que queiram se dizer pessoas de bem.
Os que não compactuam da iniciativa de Nery dizem que ela será derrotada no Plenário. Mas ele e os adeptos do recurso argumentam que é preciso marcar posição e, pelo menos, expor Sarney e seus defensores a mais alguns dias de críticas.
Concordo com estes últimos.
E que o PSDB não fique com receio visando proteger Arthur Virgílio. Este blogueiro já disse e repete: Se Virgílio jogar tudo para o alto e aceitar o risco em troca da luta contra Sarney, estará prestando imenso serviço aos brasileiros.
Estará retirando lenha do forno da pizzaria.











Se Virgílio jogar tudo para o alto estará prestando um serviço a si. O melhor que lhe poderia ocorrer era ser levado a um processo de cassação por falhas exponencialmente menores do que as de seus notórios pares.
Os eleitores adoram um mártir.
Gian,
Obrigado pelo comentário.
Sobre ser mártir eu não sei. Sinceramente não posso prever se isso ocorreria, embora ache que não. Defendo que Virgílio perca o medo e peça aos seus pares para ir até o final, mesmo que ele possa ser prejudicado, apenas para que Renan Calheiros não tenha mais moeda de troca. Virgílio estaria correndo o risco de se sacrificar para permitir que Sarney fosse investigado.
Volte sempre!
Visto de um ponto de vista histórico mais alargado, a campanha “não voto em quem defende Sarney”. Salvo setores da esquerda radical, como o PSOL acima citado, todos os demais partidos defenderam, apoiaram ou foram apoiados por Sarney. Sarney perpassa por militares, Collor, Itamar, FHC e Lula. O “Perspectiva” votaria nulo? E se a campanha sofresse inflexão no sentido de não votar em quem votou no Sarney? O PT, em prol da manutenção da aliança com o PMDB, vital para as próximas eleições, arca com um ônus que não é dele. Na eleição que Sarney foi colocado na presidencia, o PT tinha candidato, cabe lembrar!
Não seria mais eficaz defender, assim como parte da intelectualidade, a extinção do Senado? O debate a respeito da proposta unicameralista está rolando. Transparência Brasil, OAB, blogueiros, sindicatos defendem tão tese. O que pensa o “perspectiva”?
Tiago,
Obrigado pelo comentário.
Extinguir o Senado está longe de ser a solução. Temos mesmo é que votar direito. E uma coisa é ter sido aliado contingencial de Sarney, outra coisa é defendê-lo publicamente e manobrar para protegê-lo depois de inúmeras denúncias reveladas. Ter sido aliado dele é ruim, mas blindá-lo é muito pior.
Volte sempre!
Olá Bruno
Compartilho da indignação sobre as atitudes dos nossos senadores em relação à Sarney, embora ache que o problema político brasileiro está longe de ser resolvido mesmo se houvesse sua cassação.
Você conclama que não devemos permitir que a situação acabe em pizza, mas o que realmente pode a sociedade fazer para mudar o cenário e fazer-se ouvir. Admito minha ignorância quanto ao poder que o POVO tem de intervir, excetuando no momento das eleições e, pergunto; Podemos fazer algo objetivo? Existe uma ferramenta prevista na constituição brasileira que pode a sociedade usar, quando insatisfeita com as atitudes dos representantes eleitos?
Não sei se fui claro o suficiente, mas aguardo uma resposta.
Um abraço.
Cleison,
Obrigado pelo comentário.
No Brasil não há recall, não há voto de confiança, nada disso, ou seja, não é possível retirar o mandato de alguém durante o exercício deste. Só são possíveis a cassação dentro do próprio Parlamento ou a derrota nas próximas eleições. Sendo assim, só podemos nos recusar a votar nos que defenderam Sarney em 2010 e pressionar os eleitos por nós que estão no Parlamento para que levem as investigações à frente. É isso que o blog prega.
Volte sempre!
Oi Bruno,
Bastante louvável a atitude do senador do PSOL. Assim como você, eu também não gosto muito do partido. Não por causa da ideologia, mas por causa do radicalismo de alguns de seus integrantes. Mas que a atitude é louvável, isso é. Por acaso você sabe quantas assinaturas a proposição dele recebeu?
E termino o comentário fazendo o mesmo questionamento que o Cleisson fez. Por acaso existe algum dispositivo constitucional, ou algo no regimento da câmara ou no regimento do senado, ou alguma lei, que permita com que o povo derrube um político que não anda na linha?
Lucho,
Obrigado pelo comentário.
Já respondi ao Cleison, peço que leia a resposta já que sua pergunta é semelhante. Quanto às assinaturas conseguidas pelo PSOL, parece que há uma necessidade ainda de uma ou duas.
Volte sempre!
Olá Bruno;
Compartilho da indignação, frustração e revolta pelo retorno ao “normal” das atividades do senado. Infelizmente, nos valores atuais, é “normal” a roubalheira, é “normal” a corrupção, é “normal” o fisiologismo, o que parece não ser normal é a ética, a decência, o caráter, a transparência, a justiça. Vivemos num país onde o que deveria ser normal é anormal, infelizmente.
Abraços.
Ricardo,
Obrigado pelo comentário.
Com certeza. É totalmente vergonhoso que a pizza seja o “normal” para Sarney. O pior é que não ficamos mais surpresos.
Volte sempre!
Oi Bruno,
“Volte sempre!”
Voltei.
Depois que eu li o texto e que eu escrevi o meu comentário eu me lembrei desse negócio do recall. Seria uma boa se tivesse isso no Brasil.
E se não me falhe a memória, essa foi uma das coisas sugeridas para a reforma política, que nunca sai. Por que será?
Lucho,
Obrigado pelo comentário.
Não sai a reforma política pois ninguém que chega a um cargo de influência por um sistema gosta de mudá-lo. Não querem correr riscos e a melhora da política nacional fica em segundo plano quando confrontada com o interesse pessoal.
Volte sempre!