Por Renato Alves*
O título da coluna de hoje refere-se à campanha de caráter educativo proposta pelo Ministério Público, por meio da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). A intenção da campanha, que tem como público-alvo os estudantes de ensino básico e médio e usuários de serviços públicos em geral, é ajudar na prevenção de ocorrência de novos atos de corrupção e a consequente diminuição dos processos extrajudiciais e judiciais, por meio da educação das gerações futuras, estímulo a denúncias populares e punição de corruptos e de corruptores.
Este excelente projeto começou em 2004 e foi concebido pelo Ministério Público de Santa Catarina. Ganhou o “Prêmio Innovare” que objetiva identificar, sistematizar e divulgar práticas pioneiras e bem sucedidas de gestão do Poder Judiciário, que estejam contribuindo para a modernização, qualidade, acessibilidade e eficiência da Justiça no Brasil.
Afinal, o que eu, você, enfim, nós cidadãos temos a ver com a corrupção?
Sabemos que a corrupção é um dos grandes males que afetam o poder público. Podemos apontá-la, sem exagero algum, como um dos principais fatores da carência e da pobreza das cidades, dos estados e do País. Nos lugares onde ela impera, por meio de desvio de recursos públicos, não só prejudica os serviços urbanos, como leva ao abandono obras indispensáveis à população.
A corrupção afeta diretamente o cidadão quando desvia recursos destinados à educação, à saúde, à assistência social, ao meio ambiente, à segurança e a tantas outras políticas públicas.
Para simplificar, vou dar alguns exemplos na educação e na saúde. Na educação, temos exemplos de subtração de recursos para merenda, material escolar e transporte de alunos, entre outros tantos. Na saúde, a corrupção compromete o funcionamento de hospitais e a distribuição de remédios, enfim, ao tratamento de doenças que poderiam ser curadas facilmente, mas que, sem recursos, acabam se complicando e levando o cidadão até mesmo ao óbito.
Poderia ficar aqui descrevendo todos os males da corrupção para entendermos que ela deve ser combatida e que nós temos tudo a ver com essa praga que atinge em cheio as administrações públicas, seja no âmbito municipal, estadual ou federal.
Infelizmente, a corrupção se prolifera pelo fato dos corruptos terem a certeza de que dificilmente ou jamais serão alcançados pela lei. Assim, a impunidade dá aos criminosos coragem e ousadia para continuarem desviando recursos públicos. E temos vários exemplos disso: Mensalão, Sanguessugas, João de Barro, Navalha, Passárgada, Gautama, entre outras tantas operações da Polícia Federal. Lembra-se de alguém punido severamente?
É inaceitável que a corrupção possa ter espaço na cultura nacional. Portanto, o combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve ser um compromisso de todos os cidadãos de bem e de grupos organizados que queiram construir uma sociedade justa e equilibrada. Enfim, temos a obrigação, o dever e a capacidade de extinguir essa praga que atinge profundamente a administração pública brasileira.
Devemos nos conscientizar de que não adianta termos uma sociedade organizada para ajudar na canalização de esforços e recursos para projetos sociais, culturais ou de desenvolvimento de uma cidade, se as autoridades constituídas, responsáveis por esses projetos, se dedicam ao desvio do dinheiro público.
Concluindo, é imprescindível a mobilização da sociedade no combate à corrupção e a responsabilização, com punições firmes e rigorosas, daqueles que, ativa ou passivamente, dela compartilham ou tiram proveito. Devemos impedir que a corrupção seja aceita como fato natural do dia-a-dia na vida pública e admitida como algo normal no cotidiano da sociedade.
Até a próxima!
* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira











Renato,
Ótima coluna. Concordo plenamente. O errado reiterado não se torna correto pela repetição.
Somente a participação popular no dia a dia político conseguirá melhorar este quadro. Investir nas escolas para as crianças aprenderem sobre política desde a infância é o caminho para o entendimento e assim, melhorar e efetivar NOVOS políticos e por tabela ou não, as mudanças para o nosso povo.
Parabéns pela coluna.
Marly Rosa
Acho que a única forma de reduzir a corrupção consideravelmente sem depender de um choque na cultura parlamentar é implantar sistemas de transparência detalhada, onde qualquer individuo poderá fiscalizar aquela área que tem interesse e criticar não somente a corrupção mas também a má gestão de recursos públicos.
Renato,
Parabéns pela coluna!!
Concordo totalmente com vc e, como já discutido neste blog anteriromente, é somente através de campanhas de educação e formação das gerações futuras que conseguiremos avançar na punição de atos corruptos!!!!
Abraços
Bruno:
Obrigado pelo comentário.
É isso mesmo. O errado reiterado não se torna correto pela repetição. Porém, muitos corruptos acreditam no contrário.
Devemos impedir que a corrupção seja aceita como fato natural no dia-a-dia na vida pública e admitida como algo normal no cotidiano da sociedade.
Marly Rosa:
Obrigado pelo comentário.
Concordo com você. A participação popular é imprescindível no dia-a-dia político para que consigamos melhorar o atual cenário da política.
Os investimentos em educação é uma grande saída, embora não seja a única.
PS: Visitei o Portal Marcia Rosa da prefeita de Cubatão-SP. Gostei muito. Parabéns.
André Rubens:
Obrigado pelo comentário.
Concordo com você que implantar sistemas de transparência detalhada é uma ótima ferramenta de combate à corrupção.
Defendo a efetivação da accountability como um grande instrumento para conter essas distorções que afligem a administração pública.
Carlos Vilela:
Obrigado pelo comentário.
É isso mesmo. As campanhas de educação e formação das gerações futuras são fortes instrumentos para que consigamos avançar na punição de atos corruptos.
E a mobilização da sociedade no combate à corrupção é imprescindível para alcançarmos esse objetivo.
Concordo totalmente com a Marly Rosa.
A formação das crianças é a chance de formação de novos políticos e por consequência a mudança deste triste cenário!!!!
Renato:
Parabéns pelo tema abordado e por permitir , co muita naturalidade, um espaço de trocas de informações e opiniões tão ricas.
Concordo com a Carolline, porém precisamos refletir também sobre quem está formando estas crianças, já que o professor ainda não é tão valorizado o quanto deveria no Brasil.
Além disso, é preciso que cada um faça a sua parte colaborando com exemplos morais e éticos pelo menos no círculo familiar diante das crianças mais próximas. É o mínimo,para formarmos cidadãos críticos e pensante, já que a família pode ser considerada como a primeira instituição (com regras, valores, etc) em que o ser humano é introduzido.
Obrigada pela oportunidade e até breve!
Concordo com todas as abordagens dos comentaristas, afinal, todas têm, de certa forma, a mesma espinha dorsal: A luta pela tão necessária melhora da prática política brasileira que só virá, com certeza, com muita consciência na hora do voto e fiscalização e vigilância após ele, coisas que só surgem, certamente, em uma sociedade com um bom nível de educação. Tudo está interligado e o trabalho deve ser geral.
Como é bom ver que meu humilde blog, com a primordial ajuda do colunista Renato Alves, está conseguindo instigar e enriquecer este debate que é tão, senão o mais, importante.
Voltem sempre!
Oi
Viu seu selinho “Nao vote em quem defende o Sarney” no blog Visao Panoramica, vou carregar e botar no meu blog.
Estou ajudando um amigo a divulgar a blogagem coletiva “Xo Sarney”
http://hippopotamo.blogspot.com/2009/08/xo-sarney.html
Seja bem vindo, caso deseje participar
Abracos