2ª Coluna do dia: Questione sempre!
Por Rafael Oliveira*
“Vamos duvidar de tudo que é certo”. Como já dizia Humberto Gessinger, é indispensável um frequente questionamento do que acontece em toda sociedade para nos mantermos, de fato, vivos. É impressionante a maneira como as pessoas costumam encarar superficialmente o que poderia vir a ser uma reflexão relevante e uma atitude construtiva. Assistimos nos telejornais, e até mesmo presenciamos, situações de impunidade, corrupção, passiva ou ativa, e já não nos importamos mais como deveríamos, deixando de manifestar e questionar quando necessário, diante dos males sociais que nos cercam.
O povo brasileiro parece se importar com a situação política do país apenas quando a mesma acaba prejudicando o aspecto econômico de cada um. Foi assim com Collor e, a partir daí, tivemos a maior manifestação pública da história. Em questão de dias, o Brasil já estava em massa nas ruas pedindo a saída daquele que mexeu no ponto fraco do povo, o bolso de cada um.
Agora, a crise política ocorrida em 2006 no caso do mensalão e a vergonha atual do Congresso com a volta dos “mortos vivos”, Sarney, Collor, Renan Calheiros e companhia, não seriam motivos tão dignos de uma paralisação geral quanto antes?
Tudo bem que nossas finanças não estão ligadas diretamente ao que ocorre em Brasília e às denúncias contra Sarney, mas, indiretamente, somos prejudicados, e muito, com os desvios de verba da família do homem forte do Maranhão, com os atos secretos que empregam com dinheiro público a cunhada do Sarney, o genro, o primo, o neto, o namorado da neta, o sobrinho do namorado da neta, o amigo de futebol do namorado da neta, o vizinho, o colega de sala de infância… enfim, quem o nosso querido Presidente do Senado desejar, por caridade e solidariedade que tanto comovem esse humilde colunista.
Resumindo, o Brasil é, sim, prejudicado nos campos político, econômico, e, até mesmo, social tanto quanto em épocas passadas, pela condução corrupta e omissa do Presidente do Congresso, que, apesar de possuir o mais alto cargo político da casa, foi o que menos deu as caras por lá. Com um contexto tão decadente, já era a hora de movimentos como o “Fora Sarney” e o “Fora aliados de Sarney”, defendido por este blog, ganharem força. O despertar da população deveria existir antes que uma catástrofe maior abalasse as estruturas e a reputação da nação em nível mundial.
Além de um Presidente que não vê nada a sua volta, temos agora também um comandante que já não sabe mais manipular seus eleitores como antes, e a partir daí, já digo de início, será derrotado nas eleições de 2010. Lula se preocupa em apoiar Sarney mesmo com as dezenas de denúncias recebidas pelo mesmo, e tudo isso em prol da harmonia com o PMDB, forte aliado e partido-base para uma união sólida para as eleições presidenciais que estão por vir.
Porém, o brasileiro já não é mais o mesmo. Mesmo em passos curtos e lentos, a população que ainda não se interessa e se mobiliza como deveria, já consegue perceber as jogadas políticas que compõem as cartas da manga do nosso Presidente, que, como já dito, em 2010 alcançará o bi-campeonato nas derrotas indiretas, não tendo conseguido eleger Marta, e nem tampouco a nova versão, mas tão sem sal quanto a anterior, de Dilma Rousseff.
Seria mais importante para um Presidente se preocupar com alianças políticas e ideais particulares, do que com o bem do Brasil? Será mesmo que temos um Presidente competente e que possui os valores dignos de ser apontado como o político mais popular do mundo pelo americano Barack Obama?
Particularmente, nunca engoli o nosso ex-operário. Não é porque ele é analfabeto, nem nordestino, e nem pelas piadas preconceituosas que existem por aí. Podemos não ter cultura escolar, mas sermos mais inteligentes que alguém formado com pós-doutorado. O que não podemos é dizer que não sabemos o que acontece na sala ao lado do nosso trabalho, dizer que não temos obrigações e responsabilidades com os órgãos administrativos do País que governamos e abafar uma crise política recheada de corrupção e ilegalidades apenas pensando em um bem partidário.
Fica o convite, portanto, para todos vocês, leitores, a questionar sempre o que assistimos na TV, o que ouvimos nos discursos sempre bem elaborados e repletos de sábias palavras dos políticos que nos governam e tudo o que acontece a nossa volta. Princípios e valores só são preservados quando renovados. E diariamente. Para tal, reflitam sempre objetivando a honestidade nas suas práticas, diferente do que vemos em Brasília.
“Achava o cérebro a parte mais importante do meu corpo; até o momento em que percebi que era meu próprio cérebro quem me dizia isso” (Autor desconhecido).
* Rafael Oliveira é colunista do Perspectiva Política aos sábados.















Caro Rafael, bem-vindo ao Perspectiva Política! Será uma enorme satisfação “dividir” o sábado com você. Sucesso!
Muito obrigado Matheus! Será uma honra pra mim também, e espero ter em breve a chance de interagir com todos vocês competentes colunistas! Valeu!
Parabéns Rafael pela sua estréia! Concordo com você em muitas “críticas” suas, aqui apresentada, infelizmente é natural do ser humano se preocupar com os problemas sociais apenas quando são atingidos na sua economia e até na sua vida de um modo geral. Mais uma vez parabéns, sempre que puder eu estarei aqui aos sábados. Sucesso!
Rafa, mesmo estando apenas no segundo período você já está escrevendo muito bem, sabendo se colocar e criticar com uma classe típica de um bom jornalista! Te desejo todo sucesso do mundo, mas não roube meu emprego rsrs
Sua precisão ao falar deste assunto é incrível. Continue assim, Rafa. Seu talento é imenso e o sucesso proveniente dele será maior ainda! Parabéns!
Questionar deveria ser um dos verbos à se conjulgar todos os dias em uma sala de aula. Acredito que assim, as pessoas se questionariam ao ato e dever de se questionar: Eu questiono? Tu questionas?..
Rafael, parabéns pela coluna!
Luana,
Obrigado pelo comentário.
Concordo com você. Questionar em sala de aula, respeitosamente, claro, é muito importante. Os alunos que questionam os pontos de vista do professor, e não sua autoridade, são normalmente os que vão mais longe.
Volte sempre, será bem vinda e respondida!