Arquivo de 08/2009

Vergonha: Eros Grau arquiva em definitivo pedido de reabertura de ações contra Sarney

31/08/2009

Recentemente, este blogueiro que vos fala publicou o seguinte trecho:

O fato de a Mesa Diretora não ter permitido que o Plenário da Casa se manifestasse a respeito do arquivamento empreendido por Paulo Duque é uma vergonha. Estão certíssimos os senadores que assinam o pedido junto ao STF. Se não der em nada, que se busquem outras alternativas, mas não se pode ficar de braços cruzados deglutindo a pizza.

Esperemos que o Ministro Joaquim Barbosa faça jus aos elogios que recebe de alguns e tome a decisão correta, ou seja, ordene que o Plenário da Casa avalie o arquivamento das denúncias contra Sarney e derrube esta balela dos sarneyzistas de que o regimento não permite essa apreciação pelo Plenário.

O Ministro Eros Grau, que julgou o pedido liminar, negou seguimento a ele. Eros substituiu Barbosa pois este está de licença médica. Tomara que, voltando ao serviço, Barbosa tenha entendimento diferente no julgamento definitivo. Até lá tudo já terá esfriado, daí a necessidade do pedido liminar, porém, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Pois bem. Acontece que a esperança de que o Ministro Joaquim Barbosa pudesse decidir a favor da intenção de alguns senadores de submeter a  uma votação no Plenário do Senado a manutenção do arquivamento das denúncias contra Sarney foi por água abaixo.

Não foi o Ministro Joaquim Barbosa quem proferiu decisão definitiva sobre o caso e não foi aprovado o pedido de reabertura das ações contra Sarney. Em suma, manteve-se a pizza no STF.

Informa a Folha sobre esta vergonha, explicando o que ocorreu:

“A decisão do ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), de negar pedido para a reabertura dos processos que envolvem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não será analisada pelo plenário do tribunal. Grau arquivou em definitivo o pedido de sete senadores para que os processos contra Sarney fossem analisados pelo plenário da Casa.

Em sua decisão, o ministro argumenta que a questão é interna do Congresso Nacional, por isso o Supremo não pode se manifestar sobre temas ‘interna corporis’ do Legislativo. Com a decisão de Grau, uma vez que o STF é a última instância do Poder Judiciário, os senadores terão que acatar sem contestações o arquivamento dos 11 processos contra Sarney pelo Conselho de Ética do Senado.”

“Interna corporis” do Legislativo, Ministro Eros Grau? Ora! O Supremo Tribunal Federal se imiscuiu tanto nos assuntos dos outros Poderes recentemente que já chega a ser criticado pelo aumento da tal “judicialização da política”. Porém, quando se trata de não permitir que uma pizza vergonhosa seja empurrada goela abaixo dos cidadãos brasileiros o Egrégio Tribunal se omite?

É claro que um erro não justifica o outro e que, portanto, não deve o Judiciário ultrapassar sua competência apenas por já o ter feito antes. Esse argumento seria ridículo e frágil. Erros não justificam outros.

Contudo, não deixa de ser curioso que o Ministro Eros Grau tenha escolhido o momento de proteger ou prejudicar José Sarney para decretar que o STF não pode se meter naquilo que não lhe diz respeito.

Outra coincidência um tanto estranha é o fato de que a lentidão do Supremo não foi observada desta vez. Grau arquivou tudo antes que Joaquim Barbosa pudesse, retornando de sua licença-médica, colocar as mãos no caso para decidir em definitivo. Será que havia receio de certos grupos com relação ao que Barbosa poderia decidir? Será que prefiriram apenas não arriscar? Ou será que não há nada disso e eu estou enxergando coisas?

De qualquer forma, ainda existem esperanças de que as coisas não fiquem assim. Não podemos engolir essa pizza. Não podemos nos render ao conformismo.

Um exemplo do que ainda pode acontecer é informado pela Folha. O jornal diz que os senadores [que representaram contra Sarney] vão esperar o surgimento de novas denúncias contra o Presidente do Senado para que sejam apresentadas outras representações contra o peemedebista –uma vez que denúncias sobre assuntos similares não podem ser reapresentadas ao colegiado.

Antes de novas representações, a oposição vai tentar aprovar mudanças na estrutura do Conselho de Ética para impedir que os grandes partidos monopolizem as vagas do colegiado.

O Senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) deve apresentar parecer na quarta-feira com as propostas de mudanças, entre elas a que prevê que o colegiado será formado por um representante de cada partido -sendo que os líderes partidários terão preferência. Eles terão ainda que cumprir os requisitos como não ter problemas com a Justiça e não ter processo por improbidade administrativa.

Aguardemos esperançosos. Não compro a visão de que Sarney não deve pagar pelo que fez pois outros não pagaram.

Se para cada caminhada há um primeiro passo, para toda limpeza há uma primeira varrida.

Temos, sim, que lutar até onde for possível para que o Plenário do Senado julgue se as denúncias contra Sarney devem mesmo ser arquivadas. Digo isso pois, dessa forma, a sociedade poderá pressionar aqueles que elegeram e demonstrar que não os elegerá novamente caso protejam Sarney.

No fim das contas, é uma votação no Plenário do Senado que poderá fazer com que a Casa se veja obrigada a se sintonizar com a sociedade. E essa sintonia representaria, invariavelmente, a retirada de Sarney da posição que ocupa.

Essa retirada deve ser levada a cabo pois não podemos ter a Casa alta do Legislativo nacional sendo comandada por alguém desmoralizado, suspeito e cambaleante.

Além disso, a votação no Plenário poderia nos dizer o que realmente queremos saber: Quem são, exatamente, todos aqueles que protegem Sarney, sem exceção.

Queremos saber isso para sabermos em quem não votar!

Greenpeace invade cerimônia do pré-sal, ato político de Lula

31/08/2009

A grande cerimônia de anúncio do marco regulatório do pré-sal, que foi dito por Lula como uma nova independência do Brasil, foi marcada por um protesto do Greenpeace.

O Presidente fez da cerimônia um grande ato político, tentando capitalizar, claramente, as boas notícias que o pré-sal e as riquezas que ele pode trazer conseguem gerar.

Lula cercou tudo de muita pompa para tentar captar para si e para Dilma os dividendos de algo que só será explorado comercialmente entre 2015 e 2020, mas também não se pode dizer que o Presidente é o primeiro a fazer um lançamento turbinado do tipo, afinal, a história da política brasileira é recheada de eventos semelhantes que sofreram de gigantismo.

De qualquer forma, o fato é que o Greenpeace tumultuou um pouco o evento, que teve mais de dois mil convidados.

Assim que o presidente da Câmara, Michel Temer, iniciou seu discurso, integrantes do movimento que defende a causa ambiental subiram no palco e seguraram uma faixa com os dizeres: “Pré-sal e poluição: não dá pra falar de um sem falar do outro”.

Após terem sido retirados do palco por seguranças da Presidência da República, os manifestantes voltaram a estender as faixas de protesto diante da platéia. Parece que a faixa maior foi entregue ao Presidente Lula, que a teria entregue a um assessor. É de se elogiar o fato de o Presidente ter, segundo informações, aceitado receber a faixa.

O presidente da Câmara, Michel Temer, que discursava após ter recebido os projetos de lei encaminhados pelo Congresso, não interrompeu seu discurso mesmo com o protesto.

Japão: Oposição obtém vitória esmagadora e histórica

31/08/2009

A terra de uma parte dos ancestrais deste blogueiro que vos fala realizou eleições neste último domingo. Pelo que indicam as pesquisas de boca de urna, os resultados demonstrarão que tivemos uma eleição histórica, já que a oposição parece ter obtido vitória esmagadora.

Informa o Globo que o Primeiro-Ministro japonês, Taro Aso, anunciou sua renúncia como líder do partido que governou o Japão pelas últimas décadas em consequência da aparente vitória esmagadora do partido da oposição.

O Partido Democrata do Japão (PDJ) teria conquistado 308 das 480 cadeiras do Parlamento, impondo uma derrota sem precedentes ao Partido Liberal Democrata (PLD), que governou o país quase ininterruptamente nos últimos 54 anos.

Yukio Hatoyama, líder do PDJ e neto de um ex-Primeiro-Ministro, deve nomear uma equipe de transição na segunda-feira para preparar a tomada do poder. Hatoyama é neto do fundador da fabricante de pneus Bridgestone.

Segundo os analistas, o vitória do PDJ se deve, principalmente, ao anseio por mudanças da população japonesa. O PLD, envelhecido, já não pode respirar sob os escombros da recessão. Às vésperas da eleição, foi anunciado o desemprego recorde de 5,7%. O país enfrenta deflação, teve crescimento negativo durante 15 meses, reagindo timidamente no último trimestre, e o déficit chega a 170% do PIB.

Uma pesquisa rápida na internet leva à informação de que, apesar de sua adesão à elite, Hatoyama prometeu lutar pelas pessoas comuns, alegando que pretende “construir uma sociedade fraterna e prosseguir sua política baseada no amor”. Hatoyama afirma ainda que pretende quebrar o monopólio dos burocratas na administração e política do Japão, para reduzir o desperdício de dinheiro público e redistribuir rendimento para as zonas rurais e beneficiar os pobres.

O PDJ, por sua vez, é um partido jovem, fundado em 1998 a partir da fusão de diversos partidos menores de oposição ao tradicional governo conservador do país. Isso prova o quanto ele se identifica com a mudança dos paradigmas japoneses.

Vejamos como Hatoyama e o PDJ se saem.

Entra no ar o blog do Planalto

31/08/2009

Entrou no ar há pouco tempo o Blog do Planalto. Ele tratará das atividades do Presidente Lula e da Presidência, visando um contato mais direto com o cidadão brasileiro.

Porém, por enquanto, o contato direto está um tanto prejudicado. Isso se dá pois, no seu dia de estreia, o Blog está enfrentando problemas de acesso.

Segundo os que visitaram o Blog, já que este blogueiro que vos fala ainda não conseguiu fazê-lo, ele iniciou suas atividades tratando do pré-sal.

Para acessar – ou tentar acessar – o Blog que tem inspiração na exploração da internet pelo Presidente americano Barack Obama, clique aqui.

Lula deve pedir a Geddel e Jader que apóiem o PT

31/08/2009

Recentemente, este blog publicou a seguinte passagem:

Os estados da Bahia e do Pará são, justamente, estados governados atualmente pelo PT, cujos governadores podem tentar a reeleição. Eles são Jaques Wagner e Ana Júlia Carepa, respectivamente.

Portanto, é de se esperar que a intenção de Lula seja, oferecendo apoio ao PMDB em outros estados, conseguir que o partido apóie os projetos na Bahia e no Pará que devem, naturalmente, por já ocuparem o poder, terem a preferência da base aliada.

Seria um absurdo completo se Lula não fizesse nada para conter o ímpeto do PMDB de, não só tentar encabeçar a maioria de chapas governistas possíveis,  mas também tomar do PT até mesmo os estados já governados por este, onde os governadores visam a reeleição. Até porque Lula tem poder de barganha para isso, afinal, deu ao PMDB tudo o que o partido quis no governo federal em seu segundo mandato, desde ministérios até o comando de estatais e fundos de pensão.

A realidade é que, defendendo Jaques Wagner e Ana Júlia, Lula nada mais faz do que o que seria encarado como correto para alguém que preza o seu partido. Por outro lado, se o Presidente sair das conversas com Geddel Vieira Lima, que ameaça Wagner, e Jader Barbalho, que ameaça Carepa, de mãos abanando, estará provado que quem dá as cartas é o PMDB e que Lula só quer saber de Dilma e que se exploda o PT nos estados e ponto final.

Pois bem. Confirmando o que este blog adiantou, escreve o jornalista Josias de Souza:

“Empenhado em costurar o apoio do PMDB à candidatura presidencial de Dilma Rousseff, Lula tornou-se coordenador político de si mesmo. Nesta semana, pretende reunir-se privadamente com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e com o deputado Jader Barbalho.

Geddel manda no PMDB da Bahia. Jader dá as cartas no PMDB do Pará. Ambos estão em litígio com o petismo local. O ministro Geddel ensaia uma candidatura ao governo baiano, contra a recandidatura do petista Jaques Wagner.

O deputado Jader informou à direção do PMDB que decidiu concorrer ao governo paraense, contra a recandidatura da petista Ana Julia Carepa.

Lula pretende apelar a Geddel e Jader que refluam. Deseja que aceitem disputar um par de cadeiras no Senado, acertando-se com Jaques Wagner e Ana Júlia.

A julgar pelo que dizem entre quatro paredes, Geddel e Jader devem responder negativamente aos apelos do presidente.”

Percebam o ponto mais importante destes casos:

Este blog previu que se o Presidente sair das conversas com Geddel Vieira Lima, que ameaça Wagner, e Jader Barbalho, que ameaça Carepa, de mãos abanando, estará provado que quem dá as cartas é o PMDB e que Lula só quer saber de Dilma e que se exploda o PT nos estados e ponto final.

Respondendo à questão que diz respeito ao resultado dos esforços de Lula, Josias avisa que “a julgar pelo que dizem entre quatro paredes, Geddel e Jader devem responder negativamente aos apelos do presidente”.

Sendo assim, já está posto o que importa mais para Lula e o que não importa muito.

Marina agora é oficialmente verde

31/08/2009

Informa o Globo:

“A senadora Marina Silva (AC) oficializou sua entrada no Partido Verde neste domingo, mas evitou anunciar uma candidatura quase certa à Presidência da República pela legenda em 2010, afirmando que o PV precisa antes reformular seu programa político e sua estrutura partidária.

Com um discurso que emocionou uma série de militantes do partido, a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 fez críticas ao modelo de desenvolvimento adotado pela gestão do PT, que foi seu partido por 30 anos.

[...]

Ela defendeu ainda uma ’segunda fase’ do programa Bolsa Família do governo federal, focada na inclusão produtiva dos beneficiários ‘para que a pessoa não se sinta dependente do Estado’.

Marina também comentou um suposto embate com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata petista à Presidência.

- A sociedade tem visões diferentes sobre essa questão do desenvolvimento sustentável, e isso ocorre também dentro do governo. Não vou me colocar de vítima da ministra Dilma – destacou ela, para quem a tese de que sua candidatura beneficiaria o candidato tucano à Presidência só funciona entre os que não pensam na agenda ambiental como prioridade de governo.

[...]

A assinatura de filiação foi feita aos gritos ‘Brasil, urgente, Marina presidente’, por mais de mil pessoas. Marina chorou durante o discurso ao lembrar dos anos em que militou no PT.”

Aí está, meus caros. Está oficializada a candidatura de Marina Silva ao PV que deve resultar em uma candidatura da ex-Ministra à Presidência pelo partido. Marina ainda hesita em se apresentar como pré-candidata, mas todos sabem que sua ida para o PV só se deu para que o projeto presidencial seja levado a cabo. Foi ele que a seduziu.

Achei interessante o fato de Marina não ter negado os embates com Dilma Rousseff. Gosto de sinceridade. Se os conflitos ocorreram, por que os omitir? Não há razão. Contanto que as divergências tenham sido respeitosas, não há mal nenhum na existência delas. É natural que ocorram.

O fato de Marina pregar um aprimoramento do Bolsa Família muito me agrada. Afinal, é isto que também defendo. O programa não deve acabar, mas também não deve ficar como está. O auxílio estatal deve ser visto como eminentemente temporário, nunca como permanente. É dever do Bolsa Família fomentar uma evolução das famílias que permita a elas deixar de depender da bolsa.

Vale ressaltar também que a grande festa em torno da filiação de Marina e o caráter emotivo de todo o episódio provam que a ex-Ministra pode, realmente, ser um fator importante em 2010. A mobilização que pode advir da candidatura de Marina pode, e deve, fazer diferença nas eleições presidenciais. Se por um lado ela não tem grandes chances de vencer, pode, por outro lado, influir consideravelmente nos rumos da eleição e do debate programático da mesma.

Por fim, é importante salientar que o PV já saiu em busca de parceiros para a empreitada, visando ampliar a base de apoio e o tempo de televisão de sua futura candidata. O PSOL, como já informado neste blog, pode se coligar ao PV, tendo como condição apenas a não-proximidade dos verdes com a candidatura da aliança PSDB-DEM, coisa que deve ser conseguida com relação ao primeiro turno pelo menos. Fernando Gabeira, por sua vez, informou que outras legendas estão procurando o PV para tratar de possíveis alianças.

Em tempo: A Folha dá conta de que Marina está sendo assessorada pelo renomado psiquiatra, e autor de best-sellers, Augusto Cury que se filiou ao partido na mesma cerimônia e que deve contribuir com o programa de governo. Essa participação pode ser um ponto importante a ser analisado no que tange a utilização eleitoral, por Marina, da mobilização popular e do idealismo.

Coluna do dia: A passarela do Obelisco e a demolição dos cofres públicos

31/08/2009

Por Arthurius Maximus*

Quem mora no Rio de Janeiro sabe que a última administração da Prefeitura carioca pecou por algumas obras mal planejadas, sem qualquer serventia prática para a cidade e para a sua população.

Um ícone disso foi ao chão nesse final de semana. Sua queda levou alegria e alívio para os moradores de Ipanema que já não suportavam mais os incômodos e a inconveniente utilização da Passarela do Obelisco como moradia de mendigos e refúgio para ladrões e trombadinhas.

Uma obra mal planejada e que nunca teve a sua função (ser uma passarela) exercida, pelo singelo e estranho fato, de que não teve as suas extremidades acabadas, não permitindo seu uso pelos pedestres. Além disso, a mal fadada passarela era feia e deixava os moradores vizinhos inteiramente sem privacidade, uma vez que permitia aos mendigos e meliantes uma visão ampla e direta de suas salas e apartamentos.

No entanto, por trás de todo esse alívio e comemoração pela demolição do estorvo em forma de passarela, fica uma questão importante e básica: O mau uso do dinheiro público.

Afinal de contas, foi gasta uma verba elevada para a construção da passarela há treze anos. O “trambolho” de mau gosto custou cem mil reais aos cofres públicos na época. A demolição, agora, custou mais trinta mil reais. A pergunta é: Quem pagará por isso?

Como você é brasileiro e sabe muito bem que seremos nós, resta pensar que algum dia a população entenderá como é importante escolher bem as pessoas que elegemos. Em qualquer grande país do mundo, políticos que  gastassen o dinheiro dos contribuintes em obras mal planejadas, mal feitas e de gosto duvidoso apenas para se promoverem, mereceriam fortes críticas e, se as falhas fossem sucessivas, o ostracismo.

Infelizmente, as propagandas de seus partidos os mostram como visionários que realizaram grandes governos. Mais tristemente ainda, sabemos muito bem que uma grande maioria da população se venderia por promessas vazias ou por oferecimentos de benesses que jamais se converterão em realidade prática. Muitos dos nossos eleitores adoram se enganar, elegendo e reelegendo políticos envolvidos em todo tipo de denúncias e falcatruas comprovadas para, logo depois, ficarem nos bares e nas calçadas comentando como os políticos “são todos uns ladrões e safados” ou que “não votaram em A e nem em B e, por isso, não têm culpa de nada”. O que, no fim de tudo, é um engano infeliz. Pois quem não vota erra duas vezes. Afinal, permite que o coeficiente eleitoral caia e facilita a vida desses malandros, favorecendo a sua entrada e a sua permanência na vida política nacional. Uma população que não tolere mais ser enganada ou ser mal tratada e que saiba o poder que tem em mãos com o voto, fazendo um bom uso dele, é temida por políticos dessa estirpe porque pode decretar o fim de carreiras e a desgraça de dinastias políticas sempre que desejar.

E, quando isso acontecer, seremos fortes, temidos e nosso País entrará definitivamente no rol das grandes nações.

Pense nisso.

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Utilidade pública: Tentemos auxiliar uma Professora

30/08/2009

Caros leitores do Perspectiva,

Já há algum tempo que o Perspectiva Política, por sua crescente credibilidade, passou a receber pedidos de ajuda de alguns leitores. Isso muito me orgulha, já que comprova que o blog está no caminho certo. Ao mesmo tempo em que anima, isso aumenta a responsabilidade, pois tenho, como autor do Perspectiva, que estar à altura das expectativas e sempre disposto a ajudar.

Não fujo da responsabilidade. Acredito que o serviço de utilidade pública tem mesmo que ser provido, afinal, o blog quer se dizer como fomentador da cidadania e da consciência política. Além disso, é gratificante saber que, em alguns casos, o apoio do Perspectiva deu resultado.

Dito isso, informo a vocês que uma Professora, que se encontra em situação delicada, pediu ajuda ao blog através de um comentário. Nós, autor, colunistas e leitores do Perspectiva, podemos e devemos auxiliar.

Para tal, tomemos ciência do caso. Segue o que foi dito a mim pela Professora Juliana Rodrigues:

Boa Tarde,

Te escrevo pois preciso de ajuda.
Meu nome é Juliana Rodrigues, sou professora de Educação infantil e do ensino fundamental da rede particular de ensino, na cidade de Nova Lima – Minas Gerais.
Estou grávida de três meses, e há quinze dias fui afastada de minhas atividades pelo meu médico devido ao risco de contaminação das gestantes pela nova gripe Influenza A (H1N1). A princípio esse afastamento seria, me tirar da sala de aula e me colocar em outras atividades na escola desde que eu não tenha contato direto com pessoas. Porém as escolas alegaram que não possuem esse lugar em suas dependências, pois são escolas pequenas.
Assim estou afastada em casa.
Meus quinze dias de atestado terminaram e o médico achou melhor me manter afastada até que esse risco diminua ou passe.
Sou contratada de acordo com as leis da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que rege o seguinte:
• Se o afastamento por doenças for de um a 15 dias, é de responsabilidade de a [sic] empresa pagar o salário do funcionário. Depois deste período, o empregado é encaminhado ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que passa a remunerá-lo.
Isto é, após 15 (quinze) dias devo ser encaminhada para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Entrei em contato com o INSS e eles me informaram que eu não estou doente assim o segura [sic] não recebe, e o acordo deve ser feito com a escola.
Daí surge meu problema, a escola não aceita o atestado e se eu faltar será descontado no meu salário sendo que após 1 (um) mês será considerado abandono de emprego.
Em Nova Lima temos casos da doença e um caso de morte.
Não sei o que fazer, tenho medo, pois as salas são pequenas e a ventilação não é boa.

Desde já agradeço e aguardo seu retorno.

Juliana Rodrigues”

Meus caros, temos aí um problema sério. A Professora Juliana encontra-se em uma encruzilhada. Obviamente, valem muito mais sua vida e a de seu bebê do que um emprego. Porém, todos sabemos o quanto o emprego é importante para o sustento dela e do filho que irá nascer.

Para proteger-se da contaminação, a Professora está tomando a precaução de não comparecer ao serviço. Porém, findará o prazo de sua dispensa e a escola cobrará sua presença para que faça jus ao salário. Como não se trata de doença, mas de precaução, o INSS não a acolherá.

Resumindo, ou a Professora corre riscos ou perde seu emprego, além de, na segunda hipótese, ficar sem remuneração alguma para cuidar da gravidez e, mais tarde, do filho recém-nascido.

O que peço a vocês, leitores do Perspectiva, é o seguinte: Apresentem as alternativas que vocês entendem como sendo possíveis para Juliana após terem conhecido sua situação.

Sei que muitos de vocês têm conhecimentos que podem auxiliar a Professora. Eu, particularmente, entendo que Juliana poderia tentar a compreensão dos patrões e, no caso disso não funcionar, procurar a Justiça para acionar sua entidade empregadora ou, se for o caso, o INSS. Quem sabe poderia até existir um auxílio financeiro concedido por algum órgão público, enquanto Juliana ficaria de licença não-remunerada com relação ao colégio em que trabalha.

Obviamente que não podemos entender que todos os trabalhadores que estiverem receosos com relação a uma doença devem se ausentar do serviço. Seria o caos. Porém, trata-se de uma pandemia e de uma pessoa em situação de risco, ou seja, é um caso especial.

Enfim, dei minha contribuição mas admito que vocês, meus caros leitores, podem ter algo mais correto a dizer. Por isso, em nome de Juliana Rodrigues, peço que prestem auxílio. Escrevam suas contribuições nos comentários.

Obrigado.

Coluna do dia: Uma crítica “despretensiosa” em luz e notas de lamento

30/08/2009

Por Tiago Franz*

Há dois anos produzi um curta-metragem chamado Vida Blue e… Surpresa! O que era para ser apenas mais um trabalho para a faculdade de jornalismo acabou sendo um empurrão para que eu saísse do interior de Santa Catarina e participasse de amostras e concursos pelo País. Não imaginava que iria até Natal-RN por causa de dois minutos e quarenta segundos de uma animação feita com um boneco de massa de modelar, algumas cartolinas e papelões pintados de tinta guache e um tema de Blues com violão e gaita de boca.

Vida Blue me é ainda muito mais caro porque teve a co-autoria de meu irmão Ismael Franz, músico, estudante de arquitetura e urbanismo e artista plástico autodidata. A ele são creditadas a arte – pinturas, maquetes e modelagem – e parte da trilha sonora. Ismael também contribuiu com ideias para o enredo cru e simples do vídeo.

Nas minhas andanças motivadas pelo curta, conversei com muita gente, de todos os cantos do País, e ouvi diferentes e interessantes interpretações do trabalho. Como Vida Blue está prestes a completar o segundo aniversário, e já que esta é a vigésima edição da minha coluna, trago algo diferente aos leitores do Perspectiva. Gostaria de apresentar-lhes este meu humilde trabalho.

Se tem a ver com política? Algumas das interpretações que ouvi consideram que tem muito a ver. E como o autor não é dono do significado da obra, já disse Bakhtin, deixo a vocês a leitura. Apenas transcrevo aqui o argumento de Vida Blue, afinal, mesmo não sendo dono do significado, todo autor quer dizer algo:

“Notas profundas ecoam entre os prédios na madrugada silenciosa. É o Blues chorado ao violão por um homem solitário. A rotina do trabalho mecânico o atormenta. Durante o dia mergulha em preocupações. Tudo nas pessoas lhe é estranho. Precisa dizer algo a alguém, e quando encontra esse alguém, não o vê, mas o ouve. Utilizam a mesma linguagem: a música. O mesmo lamento: o Blues. Do meio dos prédios e ruas que dormem, o som de uma gaita de boca se faz ouvir distante. Violão e gaita improvisam arranjos como num diálogo. Existe harmonia. Existe comunicação. Existe vida semelhante a do homem solitário na ‘cidade máquina’”.

Uma amiga cineasta de Florianópolis adjetivou Vida Blue de “despretensioso”. Realmente, quem me conhece minimamente deveria esperar uma crítica mais direta a pessoas públicas, instituições e governos, como é de meu feitio. Ao invés disso, Blues. O que a vida triste de um homem isolado em meio à concentração de um centro urbano sugere de crítica à política contemporânea?

Não devo resenhar a própria obra. Deixo vocês, leitores, à vontade para comentar e criticar Vida Blue. Confiram:

*Tiago Franz é colunista do Perspectiva Política aos domingos e editor do blog NeoIluminismo

PV vai transmitir filiação de Marina pela internet

29/08/2009

Estamos vivendo uma era de avanço da importância da internet na política. Diversos analistas e especialistas dizem que a rede poderá interpretar papel importante nas eleições de 2010 e que, embora o impacto seja imprevisível, não deve ser reduzido a ponto de a internet poder ser deixada de lado.

Sendo assim, os partidos e os políticos correm atrás dos melhores meios de interação com os eleitores. Quase todos já têm seus sites, muitos tem comunidades oficiais no Orkut e, agora, alguns deles descobrem o Twitter, nova febre das redes sociais.

Pois bem. Já que tenta inovar nos ideais e nas propostas, tendo por isso convidado Marina Silva para concorrer ao Planalto pelo partido, além de buscar atender aos anseios de moralização da política da sociedade, o PV quer sair na frente, também, na exploração da internet.

O partido já anunciou que transmitirá a filiação da ex-Ministra Marina Silva à legenda pela internet. O cerimônia será um verdadeiro evento, com festa e participação de diversas lideranças, e será transmitida amanhã, a partir das 11 horas da manhã.

A filiação poderá ser acompanhada no site www.pv.org.br. Vejamos como o PV se sai na tentativa de colar a novidade da internet na política com a novidade do nome de Marina Silva no cenário presidencial.

Pode dar certo. Deu certo com Fernando Gabeira, também concorrendo pelo PV, nas eleições municipais cariocas do ano passado. O discurso que o partido quer empreender parece se dar bem com a juventude e, consequentemente, com a internet.

O sonho dos verdes que convidaram Marina é que ela se torne uma Obama de saias.