Senador Paulo Duque, novo Presidente do Conselho de Ética, diz que não pode haver cassação por uma “coisa pequena” como nepotismo

Em 16/07/2009 Comente »

Reproduzo abaixo, na íntegra, entrevista do Senador Paulo Duque que foi concedida à Folha de São Paulo.

Duque é o novo Presidente do Conselho de Ética do Senado, que foi recentemente instalado. Embora seja um Senador sem muita expressão e suplente, Duque chegou à posição com o apoio de Renan Calheiros.

Muitos dizem que o fato de ser suplente faz com que Paulo Duque seja visto por Renan como alguém que, supostamente, deve menos explicações à opinião pública, já que não dispõe de votos próprios.

Não concordo com este entendimento. Acredito que, sendo Senador, Duque deve tantas satisfações à população quanto deve qualquer outro parlamentar.

Acontece que, no cenário da cínica política atual, Renan Calheiros indica alguém que não tem votos próprios justamente por este motivo, pois, assim, não há prejuízo eleitoral e a opinião pública tem menos meios de punir uma possível má atuação. E não esconde de ninguém este fato.

Se Duque já foi escolhido para que a pressão da opinião pública interprete papel menor, Renan Calheiros deve imaginar que a atuação dele irá dar motivos para este tipo de pressão.

Resumindo, já foi escalado alguém que não terá problemas maiores se atuar de forma a não resolver coisa alguma. Um cinismo lamentável, vergonhoso.

Sem mais delongas, segue a entrevista:

Por que o senhor aceitou ser presidente?

Atendi ao pedido da minha bancada, do partido.

Como pode alguém que já defendeu Sarney conduzir o processo contra ele com isenção?

Achei que ele foi atacado. Como ele pertence ao meu partido e quem o atacou era um elemento do partido, achei que não poderia ser prejulgado. Não se pode fazer isso com ele. Sarney teve papel fundamental na transição democrática, ajudou a evitar que o país mergulhasse numa guerra civil e ninguém se lembra disso.

O senhor acha que Sarney deve ter tratamento diferenciado?

Durante o mandato dele [na Presidência da Casa], ele fez muitas coisas boas. Trouxe o povo para dentro do Senado com a TV Senado. Lá na minha casa, no Flamengo, me assistiram pela TV hoje. Isso não tem preço.

Uma das denúncias se refere a parentes de Sarney contratados por meio de atos secretos…

Meu Deus, eu mesmo empreguei mais de 5.000 pessoas nestes anos todos de vida pública e elas estão felizes, uns me agradecem, outros não. O empreguismo tem que ser elevado. Eu já contratei parentes quando podia.

Não é motivo para cassar?

Para cassar um mandato é preciso que haja algo de extrema gravidade. Não é brincadeira você disputar e ganhar uma eleição. Você sacrifica a família. Não pode ser uma coisa pequena dessas, tem que cassar o mandato por algo grandioso, por uma coisa seríssima.

Não é grave quando essas contratações eram feitas por atos secretos?

Secreto para que? Esconder de que? Não há condições de esconder, acaba sendo descoberto. Alguém inventou isso, é uma grande bobagem.

Há outras denúncias, como a de que a Fundação Sarney desviou recursos que recebeu de patrocínio da Petrobras…

Não conheço os processos.

O senhor fará tudo o que o partido mandar?

Me considero um homem partidário. Durante 30 anos, 40, não saí do partido. Mas vou agir de acordo com minha consciência.

Como se já não bastasse ser engrenagem importante de um forno de pizza arquitetado por Renan Calheiros, Paulo Duque ainda dá declarações revoltantes.

O Presidente do Conselho de Ética, eu disse ética, disse que já empregou milhares de pessoas e que os atos secretos são inventados por alguém, além de deixar implícito que será marionete do PMDB.

Me respondam: Qual é a expectativa a respeito deste Conselho de Ética? O que este senhor Paulo Duque irá querer apurar? Podemos, sinceramente, aguardar algo positivo com relação à atuação de Duque?

É tudo muito cínico! Uma armação escancarada.

Só podia mesmo envolver Renan Calheiros e um suplente de Sérgio Cabral.

2 comentários

  1. Paulo Duque é “suplente do suplente”. Nunca conseguiu votação expressiva no RJ e chega ao senado sem sequer ter tido um voto. é um boi de piranha colocado estratégicamente para seguir ordens e nada mais. Já que, por sua própria mediocridade pessoal e inexistência como força política, está imune as pressões da opinião pública.

Comente