A “Doutrina Lula”: Cessão de espaços e concessões nos estados

Em 14/07/2009 Comente »

Informou, recentemente, a coluna Painel da Folha:

“Apesar do risco de combustão, a candidatura de Ciro Gomes (PSB) ao governo de São Paulo é hoje projeto caro ao presidente não apenas por abrir caminho para um plebiscito -Dilma Rousseff contra um tucano-, mas porque seria a expressão maior da ‘doutrina Lula’: o PT cedendo tudo o que for necessário nos Estados em nome do fortalecimento da candidatura nacional. A posição do presidente é radical: o partido só deveria ter a cabeça da chapa nos Estados que já governa (em SP, é oposição e tem pela frente sua mais provável derrota). Mesmo a exceção aberta para Tarso Genro, que pretende disputar no Rio Grande do Sul, deveria ser concretizada, segundo Lula, apenas se o ministro mantiver liderança sólida nas pesquisas.”

A nota da coluna Painel reproduzida acima deixa claros alguns pontos que já têm sido comentados por este blogueiro. Os principais dizem respeito ao fato de o PT querer Ciro Gomes concorrendo em São Paulo mais para permitir uma eleição presidencial plebiscitária do que para qualquer outra coisa e ao fato de existir todo um entendimento na cúpula petista de que o partido deve ceder tudo o que puder em outras frentes para garantir o fortalecimento de Dilma.

A novidade é a caracterização muito inteligente deste direcionamento que o PT que ocupa o Executivo federal está dando para 2010. A coluna chama a linha política de ceder espaços nos estados e fazer diversas concessões pensando em 2010 de “Doutrina Lula”.

Este blogueiro, particularmente, entende que a tal Doutrina Lula é lamentável para a política brasileira e perigosa especificamente para o PT.

É lamentável pois prova que o partido que hoje comanda o País está disposto a fazer tudo pelo poder central, sem se preocupar em formar quadros para o futuro e em fortalecer suas bases, e que o governo federal, por mais que vivamos em uma federação, é infinitamente mais valioso e poderoso do que os governos estaduais, o que vai contra a própria ideia de federação.

É perigosa pois se o PT abrir mão de tudo por Dilma e ela perder, o partido ficará com nada. É um risco que a legenda está se dispondo a correr e que, na minha modesta visão, é alto. O favoritismo ainda é se José Serra e o PT pode sair de 2010 com as mãos abanando e com um Lula aguardando 2014.

Uma coisa é certa: Se Lula queria ter a doutrina de ceder espaços nos estados e lotear cargos para o PMDB caracterizada com seu nome, conseguiu.

E as lideranças petistas regionais que se virem.

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