É fato que a oposição mudou de estratégia no Senado. Deixou um pouco de lado a crise e focou na CPI da Petrobras. Como diz o jornal o Globo, trata-se de um redirecionamento tático. Diante do cenário eleitoral, PSDB e DEM concluíram: é melhor retomar os ataques e as investigações contra o governo do que alimentar a crise – ruim não só para Sarney, mas para todo senador que deseja disputar mandato no ano que vem.
Pois bem. Com essa mudança a oposição conseguiu um acordo para que a CPI seja instalada. Sarney assentiu, negociou com os governistas e a Comissão vai sair na semana que vem.
Pode parecer que a oposição conseguiu alguma grande vitória, mas não é o caso.
Primeiramente, pois Sarney só assentiu por dois motivos que nada tem a ver com a força da oposição ou com a habilidade de articulação da mesma. O Presidente do Senado só concordou pois:
1- A CPI sairia de qualquer forma se a oposição requisitasse isso junto ao STF, que provavelmente ordenaria a instalação da CPI, já que esse tipo de Comissão é direito garantido pela lei das minorias parlamentares.
2- Queria sair um pouco do foco, ganhando um respiro.
Em segundo lugar, o mais importante: Não existe vitória da oposição pois não basta instalar a CPI, é preciso fazê-la funcionar. Isso sim seria uma vitória.
A CPI da Petrobras terá membros que representarão uma situação de 11 contra 3 a favor do governo. Sendo assim, parece que, infelizmente, as irregularidades da estatal não serão descobertas e não terão seus culpados punidos.
A CPI tem tudo para não funcionar, não andar. Travar.
Ninguém acredita que o governo, que diz já sem graça não temer a CPI, deixará que ela apure de verdade alguma coisa.
Lamentável que vivamos em um País onde investigações tão importantes e tão necessárias são moedas de troca submetidas ao jogo político do câmbio de escândalos.










