Ciro diz que aceita aliança com Maluf, mas não com Quércia

Em 10/07/2009 Comente »

Informa a Folha:

“Possível candidato ao governo de São Paulo, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse ontem que uma eventual aliança com o colega Paulo Maluf (PP-SP) não afetaria ‘a hegemonia moral e intelectual’ de sua aliança.

‘Não vou para uma aliança com o Quércia, não vou. Ponto final’, disse Ciro –hoje, Quércia é aliado do governador José Serra. ‘Não vou com Newton Cardoso, com Jader Barbalho.’

E com Maluf? ‘Depende da hegemonia moral e intelectual que se estabeleça, porque o PP não tem hoje tamanho para alterar o centro de uma hegemonia moral e intelectual boa’. E citou Gramsci: ‘Faço aliança até com Satanás se for para fazer a obra de Deus’.

No início da semana Maluf disse que conversou com Ciro, que ontem revelou ter relação ‘extremamente cordial’ com o ex-prefeito: ‘O que pega é catapora; conversar não faz mal nenhum’.

Ciro admitiu pela primeira vez que pode transferir o título eleitoral para São Paulo (condição para disputar o governo). Mas ressaltou: ‘Não quer dizer, só este ato, que eu seja candidato a governador. Posso ser candidato a presidente tendo domicílio em São Paulo’”.

Pode parecer que a notícia reproduzida acima não seja uma das que rende grandes comentários. Mas, ao contrário, este blogueiro que vos fala tem muito o que dizer.

E desde já adianto que direi o que virá abaixo sem estar sendo motivado por alguma rejeição a Ciro Gomes. Pelo contrário, já fui perguntado pelos leitores deste blog se nutro uma simpatia pelo ex-Governador cearense e minha resposta foi afirmativa. Estou longe de ser um eleitor de Ciro, mas definitivamente não o rejeito.

Aliás, é importante frisar que eu não o rejeitava quando perguntando e não o rejeito hoje, porém, estou, depois das declarações de Ciro que comentarei abaixo, mais próximo da visão negativa que antes.

Sem mais delongas, conversemos sobre as declarações de Ciro:

O Deputado diz que “uma eventual aliança com o colega Paulo Maluf (PP-SP) não afetaria ‘a hegemonia moral e intelectual’ de sua aliança”. Ao blogueiro não resta outra coisa senão rir. Na verdade, gargalhar.

Perguntado recentemente pelo programa CQC se já havia mentido para o eleitor em sua vida, Maluf respondeu: “Não, necessariamente”. Quem responde algo dessa forma sempre afetará a hegemonia moral de uma aliança.

Este é o primeiro ponto. O segundo é pior ainda.

Ciro Gomes afirma, concordando com Gramsci, que faz aliança “até com Satanás se for para fazer a obra de Deus”. Desta vez só me resta lamentar.

Com esta declaração, Ciro tenta legitimar o lamentável pensamento de que “os fins justificam os meios”, entendimento que leva, sabidamente, à utilização de meios espúrios para que se possa atingir fins supostamente morais e éticos.

Ciro ainda faz pior: Louva Gramsci, um teórico que sempre defendeu a dissimulação como artifício válido na política. Lamentável.

Por fim, Ciro fecha com chave de ouro ou, quem sabe, de latão. Diz que “o que pega é catapora” e que “conversar não faz mal nenhum”. Posso estar entendendo mal, porém, me parece que, com esta declaração, Ciro admite tacitamente que Maluf não é flor que se cheire, que é um mal exemplo e que não deve ser seguido mas que, porém, não há problema em se aliar a ele se houver uma determinação de não se deixar “contaminar”.

Maluf é tratado como alguém que tem uma praga, mas uma que não se “pega”. Afinal, segundo Ciro, “o que pega é catapora”.

Os três pontos comentados aqui se unem sob um resumo da visão de Ciro:

Aliar-se com Maluf é possível se for para ter-se uma aliança mais forte, já que os fins justificam os meios. Quanto aos péssimos valores de Maluf, basta não ser “contaminado” por eles e tudo estará bem, pois o fim almejado é como a “obra de Deus” que precisou de meios onde “age o Satanás”.

Completamente lamentável, Ciro. O senhor caiu no meu conceito.

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