Arquivo de 07/2009

Perspectiva previu: Lula se desgasta e muda discurso sobre Sarney (mas continua o apoiando)

31/07/2009

Este blogueiro vem dizendo, desde o início da defesa de José Sarney pelo Presidente Lula, que não acreditava que as atitudes do Presidente não viessem a acarretar nenhum tipo de prejuízo político.

Foi escrito por mim há alguma semanas:

Como podem aqueles que são pessoas de bem, honestas, francas, sinceras, desejosas de um Brasil evoluído politicamente, não acharem nada demais a respeito destas atitudes de Lula no que tange a crise do Senado?

Com certeza essas pessoas estão decepcionadas. Não é possível que Lula não tenha, com suas últimas falas, irritado até mesmo alguns de seus eleitores mais cativos.

[...]

A incoerência de Lula vai se voltar contra ele, tenham certeza. A intensidade pode ser pequena e talvez seja nisso que Lula aposta. Quem sabe o Presidente tenha feito o cálculo político e constatado que ganha mais sendo incoerente. Porém, alguma perda ocorrerá, não tenho dúvidas.

No fim das contas, as falas de Lula vêm se tornando indefensáveis até para quem o apóia. Só resta a estes classificar as declarações do Presidente como infelizes e seguir em frente mais uma vez, acumulando mais uma decepção.

Em algum momento esta decepção pode transbordar. Lula está abusando. Na crise do Senado ele não está sendo a pessoa que o povo elegeu. Está sendo a pessoa que alguns dizem ser o Lula real.

Não sou especialista em marketing político mas não é possível que isso possa trazer bons frutos.

Embora eu tivesse a noção de que o desgaste não seria enorme, tinha a certeza de que ele viria. Na realidade, aguardava por ele ansiosamente, afinal, se não houvesse desgaste da imagem de alguém que defende um transgressor mútliplo, que tem essa sua condição conhecida pela população, o Brasil estaria perdido. Se Lula não se desgastasse, pelo menos um pouco, pelo menos entre os mais informados, seria uma catástrofe, pois estaria provada a apatia dos brasileiros.

Pois bem. O desgaste veio. Todos os jornalistas de relevo dão conta de que a já anunciada mudança no posicionamento de Lula foi causada pelo entendimento, dentro do Planalto, de que Lula e Dilma estavam perdendo popularidade por defenderem Sarney.

A guinada teria sido planejada na semana passada, quando o governo recebeu os resultados de uma pesquisa. Eles demonstravam que a tal “blindagem” de Sarney por Lula e Dilma estava “pegando mal” para eles.

O resto da história já é conhecido pelos que acompanham o noticiário político: Lula disse, em frase cínica, que Sarney não é problema dele, já que ele não votou para elegê-lo.

Poucas vezes tomei conhecimento de uma declaração tão absurdamente debochada.  Ora, não foi o Presidente que respaldou Sarney seguidas vezes? Não foi ele que impediu a queda, que já teria ocorrido há muito tempo, do atual Presidente do Senado? Todos sabem disso, Presidente. Todos tomaram conhecimento de sua atuação. Dizer que a questão de Sarney não lhe diz respeito é cinismo puro. Aliás, o seria mesmo que o senhor não tivesse o blindado, afinal, foi o senhor que possibilitou, em primeiro lugar, a vitória do maranhense na eleição pela Presidência da Casa.

Para completar a pataquada, Lula ainda disse que não votou em Sarney para Senador do Maranhão. Mas é claro que não. Sarney não foi eleito pelo Maranhão. Foi eleito pelo outro estado que controla, o Amapá. Como podes errar algo assim, Presidente?

Em suma, Lula viu sua popularidade correr um pequeno risco, assim como a imagem de Dilma, e abandonou o barco de Sarney. Agora o Presidente do Senado só tem ao seu lado, publicamente, a mesma tropa de choque senatorial que tentou proteger Renan Calheiros no passado, além do próprio Renan, articulador de todo o processo que levou à vitória de Sarney.

Mas não se enganem, caros leitores! Lula não deixou de apoiar Sarney! Não o fará mais publicamente, apenas isso. O Presidente tentará diminuir o prejuízo para sua popularidade enquanto, nos bastidores, continua a agir para segurar Sarney o cargo. O que é para ele, indiretamente, trabalhar para que o PMDB esteja com Dilma em 2010. Conclui-se que, no fim das contas, tudo gira em torno do vale tudo por 2010, tanto o recuo, quando a manutenção da defesa de Sarney.

Mesmo que Sarney venha a cair, o que é provável, Lula poderá cobrar o apoio e a conta do desgaste que sofreu. Para muitos, e também para mim, só resta saber quando e como o maranhense cairá e não mais se o fará. O Planalto já pensa no dia seguinte: Cogita possíveis nomes para substituir Sarney quando a blindagem feita por Lula, que a partir de agora perderá força, não adiantar mais e não hesitará e apresentar uma conta com um 2010 em letras garrafais para o PMDB.

Enquanto isso, a oposição também não bate forte como deveria. Assim como o governo, está de olho em 2010. A atuação de PSDB e DEM, por mais que seja diferente das de PT e PMDB, não representa também uma defesa enfática da boa prática política. Fica claro que o que está valendo, nesse episódio, é atingir o Planalto, e não tanto limpar o Senado. Inclusive os líderes dos partidos de oposição, que nem no Senado estão, assopram depois de bater. Alguns nem batem.

Todo esse cenário entristece. Ele mostra, de uma vez por todas, que o governo atual, que poderia ter aproveitado o momento histórico de sua vitória para fazer a prática política nacional evoluir, é mais do mesmo ou, até, um pouco do pior, e que a oposição, por mais que possa não ser uma alternativa de todo ruim, está longe de ser a ideal.

É por essas e por outras que a saída apresentada por este blog é o não-voto nos que defendem Sarney. A Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, lançada por este blog, está aí para passar essa ideia adiante. Se 2010 ameaça a blindagem de Sarney, pois os políticos tem medo do desgaste que advirá de defendê-lo, é esse desgaste que temos que causar. O desgaste que atinge o voto, nosso meio de influir.

Por fim, é importante ressaltar que se o apoio de Lula com relação a Sarney se manterá, apenas passando a ser feito mais nos bastidores do que debaixo dos holofotes, o Presidente deve continuar a ser criticado por ele. E com razão.

A falta total de defesa do Presidente, no que tange este episódio, pelos mais lulistas, dá a dimensão do tamanho da bobagem que Lula está fazendo. O vale tudo por 2010 envergonha até mesmo petistas.

Coluna do dia: O que é problema de Lula?

31/07/2009

Por Yashá Gallazzi*

Mesmo indo de encontro a algumas das orientações redacionais mais clássicas, me vejo obrigado a iniciar o presente texto com uma indagação dirigida aos leitores. Assim, pergunto: se Sarney não é problema de Lula, nem problema que diz respeito a mim – que não votei nele -, quem seria o responsável? Aliás, reformulo a questão a fim de abranger um pouco mais do campo político: O que exatamente seria problema de Lula, já que as coisas atinentes ao Brasil – que ele chama de “essepaiz” – parecem não lhe dizer respeito?

Tal qual um Hamlet shakesperiano, me vejo diante da grande questão que me assombra, permanentemente, neste Brasil moderno onde impera a inversão de valores morais, o aviltamento da coisa pública e o estupro da democracia. Olho para a caveira e pergunto: O que é, afinal, problema de Lula? Com o quê o primeiro mandatário do país deveria se ocupar nos seus dias?

Então folheio as páginas de alguns dos principais jornais brasileiros – vocês sabem: aqueles comprados pela elite burguesa e preconceituosa… – e descubro algumas das ocupações que tomam o tempo de Lula.

Enquanto ignora o “caso Sarney” e a implosão da democracia brasileira, o presidente “dozoperário” e “dozoprimido” se dedica a emprestar apoio intelectual e ideológico à revolução bolivariana de Hugo Chávez. Basta perceber que o governo brasileiro é um dos maiores entusiastas da ação vagabunda perpetrada por Manuel Zelaya – um macaquito sob as ordens do “mico mandante” venezuelano – em Honduras. Mais ligeiro do que o Brasil na defesa do socialismo bolivariano só mesmo Hussein, o Presidente-de-ébano.

Mas não é só. Lula também tem outras ocupações, afinal é o – como é mesmo? – “líder da América Latina”. E, como tal, cuidou de se curvar rapidamente aos interesses do Paraguai, representados pelo esbulho que Fernando Lugo, o Rocco Siffredi falsificado, promoveu contra o dinheiro de todos nós, brasileiros. Sem meias palavras, poder-se-ia dizer que o bispo paraguaio (com trocadilho, por favor) seviciou o Brasil, tal como costumeiramente fazia com suas beatas. E Lula, prostrado como um masoquista à beira do orgasmo ideológico, não exitou em atender todos os pedidos daquele que é pai de muitos paraguaios. Tudo em nome da – como é mesmo? – “autodeterminação dos povos”.

Já escrevi aqui no passado: Sempre que um petista fala em soberania e autodeterminação o objetivo é justificar uma humilhação imposta ao Brasil por alguma republiqueta vagabunda e filomarxista. Sob Lula, caros, “essepaiz” não se humilhou mais perante “uzamericânu” e o FMI. Agora só nos humilhamos diante de Chávez, Lugo, Correa, Evo Morales, das FARC, da Coreia do Norte, de Ahmadinejad e de Kadafi. Bons tempos em que éramos apenas lacaios do imperialismo Yankee…

Então fica claro: “Problema” do Lula é dar suporte – logístico e moral – à canalha mais abjeta do continente. É financiar o governo do bispo-garanhão, Fernando Lugo, para garantir que a popularidade do conquistador não caia ainda mais, acabando por atrapalhar a expensão dessa nojeira que o moderno “pogreçismo” apelidou de “alternativa bolivariana”.

Simplificando, temos que o Estado brasileiro – ou seja, eu e você, leitor amigo – está financiando as pensões alimentícias pagas por Lugo. E, quiçá, uma ou outra garrafa de vinho Bourbon, usada pelo papa-beata para seduzir mais alguma militante.

Mas Lula é capaz de muio mais! Ocupar-se de Honduras e do Paraguai já seria trabalho em demasia para qualquer homem, mas não para Lula! O petista ainda consegue escalar alguns dos seus auxiliares mais espalhafatosos para completar a tarefa de nos humilhar publicamente diante de todo o mundo civilizado.

Na mais recente ocasião, a função coube a Celso Amorim, o valente pacifista que critica a guerra no Iraque, mas empresta apoio à ditadura assassina da China e do Sudão. Por quê? Porque criticar os Estados Unidos é – se me permitem – revolucionariamente chique. Mas já me desviei. Retomo: Amorim veio a público exigir a transparência da Colômbia em relação aos acordos de cooperação militar que mantém com os americanos. E isso – pasmem! – no mesmo dia em que descobriu-se que a Venezuela, do “companhêro” Chávez, contrabandeou armas para a canalha das FARC.

Sim, é isso mesmo, leitor amigo. O maior aliado do lulismo no continente, o símio que pretende imitar Stalin, perpetuando-se no poder venezuelano, está financiando o terror praticado por aqueles revolucionários que pretendem criar o tal “outro mundo possível” por meio do estupro, do homicídio e do tráfico de drogas. Não é mesmo fascinante?! E o Itamaraty disse alguma coisa contra a operação escabrosa engendrada por Chávez? Ora, claro que não! Foi é encontrar motivos para criticar as ações militares de Colômbia e EUA, que visam – vejam que coisa fantástica! – combater as FARC! O corolário disso é muito importante, e não pode passar batido: em uma guerra entre o Estado democrático de Direito (Colômbia/EUA) e o terrorismo (FARC/Venezuela), o governo do PT escolheu o lado do mal absoluto.

Começo a pensar que seria muito melhor se Lula deixasse de lado as coisas com que se tem ocupado ultimamente… Seria bem melhor – ou menos pior… – se ele se ocupasse de Sarney e da crise política que ameaça dinamitar o parlamento e a democracia brasileiros. Sim, eu sei que não se pode confiar na capacidade de Lula para solucionar a contenda, afinal, estamos falando de alguém que confunde Turco com Árabe, Árabe com Libanês e a dupla Flamengo e Vasco com apoiadores e opositores de Ahmadinejad. Não se pode esperar muito mesmo de alguém assim, reconheço. Mas, se Lula deixasse de lado a gentalha bolivariana e se ocupasse um pouco mais “dessepaiz”, talvez soubesse que Sarney não foi eleito pelo Maranhão, como disse hoje em matéria publicada pelo portal de notícias da Globo.

Eis aí o retrato mais fiel da mentira criada em torno do messianismo lulista. O retirante, operário e analfabeto, que teria viajado todo o Brasil, conhecendo de perto “uspobrema çoçial”, ainda nem sabe que o estado responsável pela eleição do seu maior aliado foi o Amapá. Lula, infelizmente, existe. E suas asneiras são reais, assim como sua figura bonachona e arrivista. Mas, se ele não existisse, ninguém sentiria falta dele. Só Sarney. E Lugo. E Chávez. E Evo. E Correa…

* Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento

Para acalmar a base, governo libera 1 milhão em emendas parlamentares

30/07/2009

Informa o jornal O Globo:

“Alertado sobre um risco de rebelião na sua base no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ontem a liberação emergencial de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares para tentar acalmar senadores e deputados. Lula foi advertido por auxiliares de que a situação havia chegado ao limite.

Por essa avaliação, o risco político do governo aumenta de forma significativa no Congresso se os parlamentares voltarem do recesso semana que vem sem uma ação efetiva de liberação de emendas. É a terceira promessa, desde abril, de liberação desses recursos.”

Fica difícil apontar o que é o pior dessa história. Acredito que, no fim das contas, o correto é dizer que espúrio é todo o sistema.

São deputados com seus pires na mão, orbitando o Executivo e dependendo de dinheiro público para manter seus votos, já que não se mostram necessários para seus eleitores a não ser dessa forma, pois não têm atuação legislativa real e útil, e governistas defendendo que o Presidente autorize a liberação das verbas que os parlamentares tanto anseiam por entenderem que isso os manterá nas mãos do governo.

Caminham todos juntos, criando um cenário de promiscuidade dos parlamentares, de cooptação pelo Executivo e de atuação inútil, na realidade nua e crua, de centenas de pessoas pagas pelo dinheiro público,  que deveriam legislar mas não legislam, que deveriam fiscalizar o Executivo mas que não fiscalizam e que deveriam discutir os grandes temas nacionais mas que não os discutem, mantendo vivo um ciclo que talvez seja mais antigo que a República.

É claro que em todos os países existem políticos que, por dependerem da proximidade com o Executivo para agraciarem seus redutos e da manutenção desses redutos para terem votos, seguem este perfil.  Se comportam de forma fisiológica, sempre apoiando a situação e sempre tentando convecer o povo de que são “obreiros” quando, na verdade, deveriam estar sintonizados com a sociedade e discutir leis que atualizassem o ordenamento. Porém, no Brasil a coisa parece, ao invés de diminuir, aumentar.

Perdemos, cada vez mais, os políticos de opinião, os políticos de atuação nacional, os políticos que defendem causas maiores. Os deputados federais atuam, em grande parte, como vereadores.

Isso não está, óbvio, totalmente errado, pois algumas melhorias empreendidas são mesmo necessárias, ou seja, não são de todo más. Acontece que as outras, a maioria,  além de não serem, na verdade, objeto apropriado de atuação dos deputados, são inócuas, “para inglês ver”, sumidouros de dinheiro público, eleitoreiras. Em suma, inúteis, a não ser no que tange a reeleição do candidato. Além disso, as úteis são vistas pelo governo como um modo de controlar do Legislativo, e não, como obrigação dele, Poder que, na verdade, é o que deve construir, enquanto o Congresso deve legislar.

É assim que se está fazendo política parlamentar, hoje, no Brasil. E as Assembleias e Câmaras Municipais mostram ser Congressos em miniatura. O parlamentar, mesmo o Deputado Federal, se tornou um embaixador dos interesses de seu bairro junto ao governo federal, enquanto quem legisla é o Executivo. Tudo às avessas e atendendo sempre mais ao interesse pessoal do que ao coletivo.

O governo, por outro lado, não pode ser encarado como o mestre da vilania, afinal, essa cultura política já se enraizou e faz com que os parlamentares se entendam como tendo o direito de exigir as tais emendas, ameaçando proibir o fluir do governo se não forem atendidos. Assim, o Executivo é algoz e vítima desses costumes, como o é o Legislativo.

Enquanto a Câmara, salvo raras exceções, vive nesse fisiologismo, o Senado está mergulhado nessa lama conhecida e o Executivo é caça e caçador.

No Brasil, Deputado constrói ponte e viaduto. Embora nunca traga saneamento, afinal, obras debaixo da terra não trazem votos.

As esperanças ainda continuam a me habitar. Mas sofrem ataques do conformismo todos os dias.

Campanha antecipada: Dilma diz que sociedade está madura para eleger “Presidenta”

30/07/2009

“Dilma diz que sociedade está madura para eleger ‘presidenta’ no Brasil”

Sigamos um raciocínio extremamente simples mas que merece ser descrito de forma sucinta:

Se Dilma Rousseff é a única pré-candidata mulher à Presidência que está em destaque no cenário político, logo, quem defende que uma mulher seja vencedora em 2010, defende a candidatura de Dilma.

Se defender uma pré-candidatura é fazer campanha e a campanha ainda não está autorizada no que tange as eleições presidenciais, logo, temos aí uma campanha antecipada que é ilegal.

Se foi a própria Dilma quem defendeu a sua candidatura de forma implícita, logo, está configurada a campanha antecipada feita pela candidata em pessoa.

Alguns dirão: Mas esse raciocínio é óbvio, Bruno. Sim, meus caros, é óbvio.

Tão óbvio, mas tão óbvio, que é inegável. E foi para mostrar esse caráter inequívoco que descrevi todo o raciocínio.

Mas há quem o negue. Como pode? Também não sei. O segundo motivo que me fez descrever o raciocínio foi a tentativa de mostrar como a negação da campanha antecipada enfrenta o óbvio ululante.

Que me digam que a campanha antecipada deveria ser autorizada. Que me digam, até, que a campanha antecipada, se autorizada e regrada, seria saudável para a política nacional. O que até tem minha concordância.

Mas não me digam que não há ilegalidade. Pois, se a campanha antecipada é, hoje, ilegal. E se ela, sem dúvida nenhuma, ocorre. A ilegalidade existe.

Enquanto os órgãos competentes fazem vista grossa, a ponto de todos dizerem que tudo ficará por isso mesmo, a campanha antecipada continua.

E, pior, sendo praticada muito mais por um lado do que pelo outro, o que, além de gerar ilegalidade, gera desequilíbrio e injustiça.

Dilma diz que o Brasil está preparado para uma “Presidenta”.

Conselho aos que dizem que não há campanha antecipada:

Não neguem o óbvio. Faz perder credibilidade.

Tropa de choque de Sarney no Conselho de Ética é a mesma que defendeu Renan

30/07/2009

Informa a Folha:

“Os integrantes do Conselho de Ética do Senado escalados para fazer a defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), são os mesmos personagens que integraram a chamada ‘tropa de choque’ do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no colegiado em 2007. Os senadores Wellington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE) e Gilvam Borges (PMDB-AP), que ganharam destaque como fiéis defensores de Renan, continuam a integrar o conselho.”

Eu não estou nem um pouco surpreso.

Alguém aí está?

É de conhecimento de todos que acompanham o cenário político que a vitória de Sarney na disputa pelo comando do Senado foi, na verdade, a vitória de Renan Calheiros.

Nada mais natural, e imoral, que Sarney e Renan tenham a mesma “tropa de choque”.

Sarney dá sinais de que pode deixar o cargo

29/07/2009

Informa o Estadão, dando conta de que a pressão da imprensa e da opinião pública está surtindo efeito, além, é claro, da pressão política daqueles que não querem ser arrastados para ou querem sair do olho do furacão, que o Presidente do Senado, José Sarney, dá sinais de que pode deixar o cargo:

“O governo recebeu informações de que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já avalia que sua sobrevivência política pode depender do afastamento do cargo.

Alvejado por denúncias que vão da contratação de aliados e parentes por atos secretos a desvio de dinheiro destinado pela Petrobrás à Fundação Sarney para um cipoal de empresas fantasmas, o senador disse, em conversas reservadas, que não pretende suportar calado o ataque à sua honra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff – pré-candidata do PT ao Planalto, em 2010 -, estão preocupados com a reação de Sarney.

Temem que ele não resista ao bombardeio e decida renunciar, para não correr risco de cassação, antes de um acordo entre o PMDB e o PT.

O pior cenário para o governo é ver o Senado em guerra e sob comando da oposição, mesmo que por poucos dias, em plena CPI da Petrobrás.

Sarney poderá optar pelo caminho seguido por Renan Calheiros (PMDB-AL), que em 2007 renunciou à presidência do Senado para fugir da cassação, se concluir que a permanência no cargo contribuirá para piorar a situação de seu filho, o empresário Fernando Sarney.”

Embora este blogueiro entenda que Sarney está longe de representar todo o mal da política brasileira e que será um terrível erro, infelizmente de cometimento provável, entender que tudo está bem quando Sarney vier a se afastar, acredito que a saída dele do comando do Senado já seria um bom começo.

Tanto é, que este blog coordena a Campanha Não Voto Em Quem Defende Sarney, que se espalha com alguma velocidade pela blogosfera e que tem seus detalhes descritos em seção própria, que pode ser acessada no menu acima do logotipo do blog.

Sendo assim, é bom saber que a situação já parece, a Sarney, insustentável. Pois é assim mesmo que ela deve ficar. Ou alguém realmente acredita que pode ser saudável que alguém comprovadamente transgressor comande o Legislativo brasileiro?

Às favas com os interesses políticos! Sarney tem mesmo é que cair! Desejo alguém honrado comandando o nosso Senado. E é por isso que, após a queda de Sarney, deve ser mantida a vigilância.

Triste é ver que o governo não pensa assim, lutando por acordo espúrio entre PT e PMDB que visaria a manutenção de um Presidente do Senado desmoralizado, cambaleante e inadequado moralmente para o cargo apenas para que a oposição não ocupe o comando da Casa por algumas semanas.

Os interesses relacionados com 2010 fazem o governo achincalhar a bancada do PT e, também, a moralidade.

Afinal, Sarney na Presidência do Senado depois de levantadas todas essas “lebres” é algo, no mínimo, imoral.

Em tempo: É impressão minha ou já é consenso que se Sarney deixar o cargo, seu filho, acusado de sérias irregularidades, será deixado em paz? Quer dizer que os erros cometidos por ele só são investigados pelo fato de o pai ter sido eleito Presidente do Senado? E mais: Quer dizer que esse sistema é aceito sem pudores por todos? Só paga pelos erros quem está, direta ou indiretamente, sob os holofotes? Quem ficar quieto está a salvo para cometer qualquer transgressão? Quem for descoberto, mas ceder às pressões, ganha como prêmio o sossego, pois na realidade já deu aos que pressionaram o que estes queriam, algo bem distante da Justiça?

O que é isso, minha gente!

Tarso Genro diz que, mesmo sendo pré-candidato, se mantém no Ministério

29/07/2009

Disse este blogueiro, recentemente, no que tange o fato de Tarso Genro não ter sua permanência no Ministério da Justiça vista com bons olhos pela oposição, por conta de ser pré-candidato oficial do PT gaúcho ao Governo do Rio Grande do Sul:

É importante que tenhamos a noção de que a oposição está corretíssima ao cobrar o afastamento de Tarso Genro do Ministério da Justiça, afinal, esta pré-candidatura coloca o Ministro explicitamente no cenário eleitoral e, mais especificamente, faz com que ele tenha o comando da instituição, no caso a Polícia Federal, que investiga, justamente, a ocupante do cargo [Yeda Crusius, Governadora do Rio Grande do Sul, que tem sua gestão investigada] que ele deseja ganhar para si.

Existe, sim, conflito de interesses e incompatibilidade. O governo deveria retirar Tarso da pasta desde já, ao invés de aguardar até a descompatibilização obrigatória que ocorrerá no início de 2010 como no caso de outros ministros que tentarão governos estaduais. Pelo menos seria o mais ético a se fazer.

Pois bem. Parece bem claro que este entendimento que respeita a ética, não é, infelizmente, o do Ministro. Digo isso pois informa o jornal O Globo:

“Pré-candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que deseja deixar a pasta em dezembro, para se dedicar à política no estado. Não descartou, porém, a possibilidade de ficar no cargo até abril de 2010 – prazo oficial de desincompatibilização dos candidatos -, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedir.

Alguns políticos contestam sua permanência no governo. Consideram que o ministro da Justiça, que comanda uma área sensível do governo, já atua como candidato, após ter seu nome aprovado em convenção do PT gaúcho.”

Só nos resta esperar que Tarso Genro, ou até mesmo o Presidente Lula, caia em si e chegue à conclusão de que, sob o prisma da moralidade, não é aconselhável que alguém comande, mesmo que indiretamente, a instituição que está a investigar a ocupante do cargo que este alguém almeja.

Coluna do dia: Vale Cultura – Direito e necessidade do cidadão

29/07/2009

Por Renato Alves*

O Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que institui o Vale Cultura. Trata-se da primeira política pública governamental voltada para o consumo cultural, já que, anteriormente, todas as ações tiveram foco no financiamento da cultura. O objetivo do governo é garantir a todos os brasileiros o acesso a bens culturais como um direito e uma necessidade básica.

Pelo projeto de lei, o Vale Cultura será concebido nos moldes de um benefício trabalhista, espécie de um vale alimentação. Com o cartão, os beneficiados poderão adquirir ingressos de cinema, teatro, museu, shows, compra de livros, CDs e DVDs, entre outros produtos culturais.

O saldo do cartão é de até R$ 50 mensais e as empresas que concederem o benefício poderão deduzir até 1% do imposto devido. O valor do cartão vai levar em conta o orçamento familiar do trabalhador. Como exemplo, trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos arcarão com, no máximo, 10% do valor, ou seja, R$ 5 mensais. Já para aqueles com remuneração superior, o desconto poderá variar de 20% a 90%. A ação só será estendida aos empregados com salário superior a R$ 2.325 se todos aqueles que ganham abaixo desse patamar já estiverem contemplados.

Segundo estimativas do Ministério da Cultura, o vale pode aumentar em até R$ 600 milhões por mês ou até R$ 7,2 bilhões ao ano o consumo cultural no país e poderá beneficiar 12 milhões de trabalhadores no Brasil. Uma coisa é certa: quanto mais acesso da população à cultura mais a renda do setor cultural aumenta, da mesma forma que o consumo. Ou seja, a cultura será tratada como economia.

Mesmo com essas projeções animadoras, o Vale Cultura não agrada a todos. Uma parte considera-o como um risco de desperdício de bilhões que só se explica pelo clima de eleições para agradar trabalhadores, artistas e empresários.

Atualmente, os números culturais no Brasil são catastróficos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que apenas 14% da população brasileira vai ao cinema regularmente, 17% compra livros, 96% não frequenta museus, 93% nunca foi a uma exposição de arte, 78% nunca assistiu a um espetáculo de dança e mais de 75% dos municípios não têm centros culturais, museus, teatros, cinemas ou espaços culturais multiuso.

Meu posicionamento em relação a este projeto de lei do governo federal é altamente positivo. Para mim, o Vale Cultura é um passo significativo para garantir a incorporação da cultura na vida e na família dos trabalhadores do nosso País.

Enfim, considero que o projeto do Vale Cultura tem dois grandes méritos. Primeiro, facilitar o acesso do trabalhador à cultura e o segundo, chamar a empresa privada à responsabilidade cultural.

Até a próxima!

* Renato Alves é colunista do Perspectiva Política às quartas e editor do blog Política Mineira

Palocci e Dirceu farão campanha de Dilma Rousseff

28/07/2009

“Palocci e Dirceu farão campanha de Dilma Rousseff “

Informa a Folha na reportagem citada acima:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva armou para a campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff o mesmo comando de sua própria campanha em 2002, que foi atropelado por escândalos no governo: os nomes-chaves serão os dos ex-ministros Antonio Palocci (que ainda responde a processo no STF) e José Dirceu (que foi cassado na Câmara)”

O trecho acima, por um lado, comprova ainda mais as informações de que um dos mais importantes articuladores da campanha de Dilma Rousseff seria o ex-Ministro José Dirceu, envolvido no escândalo do mensalão.

Por outro lado, diminui um pouco a força do projeto estadual que poderia ser encabeçado por Antonio Palocci em São Paulo, visto que mostra que o ex-Ministro poderá ter outro papel em 2010, e afasta a possibilidade de Palocci vir, como informavam alguns rumores, a substituir José Múcio Monteiro no Ministério das Relações Institucionais.

A própria reportagem diz, a respeito dessa questão do Ministério, que Lula afastou a possibilidade de Palocci ser nomeado ministro de Relações Institucionais. Parece que os cotados são Cândido Vaccarezza (PT) e Gim Argello (PTB).

Eu, particularmente, se tivesse que ter como opções apenas estes dois políticos, escolheria Vaccarezza. Gim Argello não parece ter uma ficha corrida muito ilibada. Se bem que isso, pelo visto, não está importando muito ultimamente. Infelizmente.

Quem sabe Palocci possa vir, quem sabe, a substituir Dilma na Casa Civil quando esta se descompatibilizar.

Em tempo: Não sei até que ponto é sadio para a política brasileira o fato de políticos envolvidos em escândalos comandarem um dos projetos presidenciais mais importantes. Será que o PT não dispõe de pessoas capazer de exercer o trabalho que não tenham manchas no currículo? Nada impede, de fato, que eles interpretem este papel, porém, concordam comigo que fica um pouco em dúvida a idoneidade dos atos da equipe de campanha? Principalmente no que tange Dirceu? Eu acredito que sim.

Presidente do Conselho de Ética emprega ”fantasma”

28/07/2009

Informa o Estadão:

“Um assessor do recém-eleito presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), é funcionário fantasma do próprio órgão há mais de oito meses.

O advogado Luiz Eustáquio Diniz Martins foi transferido do gabinete de Duque para o Conselho de Ética em 19 de novembro do ano passado com um salário de R$ 5 mil. Martins, no entanto, mora no Rio de Janeiro e não cumpre expediente no órgão.

Duque não integrava o Conselho de Ética quando transferiu o assessor de seu gabinete. Em novembro do ano passado, seu nome passava longe de qualquer especulação para presidir esse colegiado, responsável por investigar a conduta parlamentar.

Ontem, o Estado procurou Luiz Eustáquio Martins na sala onde ficam os funcionários do Conselho de Ética. No local, a reportagem apurou que ninguém conhece o advogado”

Eu pensava que, para presidir o Conselho de Ética, um parlamentar precisaria ter ele mesmo, como pré-requisito, a própria ética.

Venho sendo convencido do contrário.

Mas que péssimo exemplo dá este senhor Paulo Duque, suplente do suplente de Sérgio Cabral e colocado no cargo de Presidente do Conselho de Ética do Senado por aliados de ética mais duvidosa ainda.