Está em todo o noticiário a repercussão das instabilidades políticas pelas quais está passando a região centro-americana de Honduras. Para que os leitores possam entender melhor tudo o que está ocorrendo, segue explicação:
O presidente Zelaya foi eleito pelo Partido Liberal, de direita e algum tempo depois se tornou chavista. Com eleições convocadas para novembro deste ano, tentou forçar o direito à reeleição. O Congresso rechaçou a proposta. Zelaya ignorou a decisão do Congresso e partiu para realizar o plebiscito de qualquer forma. Coisa que entendo como totalmente equivocada e condenável e que causou todo o problema. Zelaya desrespeitou a lei.
O promotor e defensor dos direitos humanos considerou o plebiscito ilegal. Os equivalentes locais do STF, TSE e MP o declararam inconstitucional. O parlamento votou uma lei o impedindo.
Para tentar manter as chances de conseguir a aprovação da possibilidade de reeleição, o governo tomou medida esdrúxula: Os comandantes das Forças Armadas, que pressionavam contra, foram exonerados. Com isso, o Supremo determinou que o general chefe do estado maior fosse restituído a seu posto.
Aí veio o pior: A intervenção de Chávez, mentor de Zelaya.
Ele mandou rodar as cédulas do plebiscito e fazer as urnas e as enviou a Tegucigalpa, capital de Honduras. Além disso, insultou as autoridades constituídas hondurenhas – judiciais, militares e parlamentares. Chamou o chefe do estado maior, general Vásquez, de “gorila e traidor”. E colocou suas Forças Armadas de prontidão.
O presidente Zelaya foi ao aeroporto com seus correligionários para receber o material que vinha de Caracas. As urnas foram distribuídas por uma frota de táxis contratados.
Estando configurada a tentativa de Zelaya de ir contra todo o ordenamento jurídico hondurenho e de deixar que um líder estrangeiro influenciasse uma questão de soberania nacional, o equivalente ao STF determinou a prisão dele. Com isso, Zelaya apresentou sua renúncia à presidência.
Pela manhã, o Congresso aceitou a renúncia e nomeou Presidente o presidente do Congresso, Roberto Micheletti. Zelaya foi detido pelo exército e transferido para a Costa Rica. Nesse momento, curiosamente, Zelaya negou a renúncia. Então Chávez, mais uma vez interferindo, o transferiu para a Nicarágua e convocou uma reunião dos países da ALBA, Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América.
Os EUA ainda não reconheceram o novo presidente, assim como o Brasil e o Chile. Ao contrário, Barack Obama condenou o modo como as coisas estão sendo conduzidas.
As outras nações entendem que o impasse, e mesmo os excessos inconstitucionais de Zelaya, não requereriam a destituição do mesmo.
Ora, meus caros leitores, está claríssimo o que ocorre:
As Forças Armadas hondurenhas, juntamente com a oposição ao governo, cometeram certos abusos inegáveis e que são condenados por este blogueiro. Manuel Zelaya não deveria ter sido retirado do poder sob armas e levado para fora do país.
Porém, os abusos são compreensíveis. Afinal, havia o receio totalmente correto de que Zelaya fizesse Honduras ser mais um país a trilhar o caminho do bolivarianismo. O que ele tentava empreender era exatamente isso.
Em suma, Zelaya realmente não deveria ter sido deposto pelo exército, e sim, por pressão do Congresso, eleito pelo povo e legítimo, que aceitou sua renúncia. Mas, ao mesmo tempo, Zelaya é tão criticável quanto os militares, por ter tentado desrespeitar todo o ordenamento hondurenho para poder se reeleger. E mais, o novo Presidente não é militar. Ocupava ele o cargo que é, justamente, o que a lei prevê como sendo o que fornece o substituto do Presidente.
No fim das contas, o questão é que Zelaya encontrou instituições em Honduras que fizeram o que as venezuelanas, bolivianas e equatorianas deveriam ter feito: Barrado arroubos personalistas e autoritários. Honduras não permitiu, corretamente, uma coisa que, claramente, descambaria para o bolivarianismo. As instituições resistiram por conta do vislumbre se verem destruídas em um futuro próximo, protegendo a democracia.
O que o exército hondurenho fez foi muito errado no modo, mas não, na essência. Não deveria ter sido o exército a retirar Zelaya do poder, porém, aceita a renúncia deste pelo Congresso e nomeado o novo Presidente, Manuel Zelaya deveria sim, no fim das contas, deixar o governo. Melhor que tivesse sido voluntariamente.
Para os que me disserem que o povo hondurenho desejava mais um mandato do grupo de Zelaya, pergunto:
Por que então Zelaya não indicou sucessor e respeitou a lei?
Essa aí ficará sem resposta, não é mesmo? Sempre fica.











Muito bom o post, discordo qdo disse sobre o modo de agir das forças armadas ser errada, na minha opniao cumpriram com oque esta escrito na CF q da lhes o poder de manutençao da ordem publica e logico q o ato do presidente de convocar plebiscito sem autorizaçao punha td isso em risco.
Qto ao kestionamento final realmente nao tera a resposta, pq afinal oq menos importa a essa gente eh respeitar a lei.
Guilherme,
Obrigado pelo comentário e pelo elogio.
A grande questão é que não há mocinhos. Os militares erraram na mão e, claramente, abusaram. As notícias que chegam são de que os abusos continuam. Com isso, torna-se um caso onde os dois lados são condenáveis.
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Ixi Bruno, acabei de entender mais um poukinho eu soube q la nao possui o instrumento do impeachment somente a deposiçao do presidente diferentemente daki, entao cada vez mais acabo por tender ao lado contrario do Zelaya.
Acho q o nosso passado com a ditadura militar e todos os outros exemplos existentes nos deixam sempre com a pulga atras da orelha quando os milicos tomam o poder, porem entendo q nesse caso eh muito, mas muito diferente do q aconteceu por aki, como o seu proprio post demonstra de forma bem clara.
Guilherme,
Obrigado pelo comentário.
O que ocorre em Honduras realmente é muito diferente do que ocorreu aqui e Zelaya realmente tem enorme parcela de culpa com relação a tudo que aconteceu e vem acontecendo em seu país.
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alguem tem que fazer o CHAVES perder as chaves da arrogancia e intolerancia, quem é ele para fazer seguidores e impor um modo de governo para A.L. APOIO as forças armadas HONDURAS desde que tambem não tentem perpetuar no poder.
Roberto,
Obrigado pelo comentário.
As Forças Armadas hondurenhas erraram em alguns pontos, muito em outros poucos. Sem dúvida. Porém, eu não tenho nenhum medo de dizer que Zelaya era muito mais nocivo para seu país do que as Forças Armadas. Se novas eleições forem logo realizadas, as Forças Armadas terão errado apenas no modo como tiraram Zelaya do poder e em nada mais.
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É incrível ver como as autoridades mundiais se apressaram em condenar o “golpe”. De um ponto de vista entende-se o porque da preocupação, principalmente aqui nas américas, onde existiram vários regimes militares. Como Honduras, que se diz ser um regime democrático e derrepente as ruas amanhecem cheias de soldados e o presidente deposto, acaba parecendo assustador para todos. No mínimo os líderes de outros países têm medo que isso vire moda, por isso condenaram a atitude em Honduras. Mas agora me pergunto: Se fosse com o Hugo Chaves, Os EUA principalmente, não iriam apoiar o golpe dizendo que os venezuelanos estão exercendo a democracia???
Lellis,
Obrigado pelo comentário.
Acredito que os militares acertaram em defender a Constituição, com certeza. Porém, se equivocaram no modo. Talvez se isso ocorresse na Venezuela os anti-chavistas do mundo ficassem quietos, felizes, mas eu, particularmente, condenaria da mesma forma.
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Poucos são os que tem coragem de falar umas verdades como essas!
Todos os chefes de governo estão apoiando o golpista zelaya, inclusive o “grande estadista Lula molusco”!
Vemos que a liberdade, o futuro, a vida de uma gente importa muito menos do que os interesses ideológicos desse bando!
Moral e caráter não é o forte deles!Mas são talentosos em exercer uma política rasteira!
Temos que tomar cuidado para não inventarem um tal “referendo” no brasil!
Valeu pelo texto!
Alexandre,
Obrigado pelo comentário e pelos elogios.
Realmente existem governantes que deixam de lado todas as outras coisas em benefício de seus projetos políticos, muitas vezes megalomaníacos. Não sei se Lula chega a integrar este grupo, porém, Chávez, mentor de Zelaya, com certeza o integra.
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Por favor, alguém diga ao ministro das relações internacionais que é papel dele não permitir que o nosso presidente, solte palavras ao vento, com frase de que “não será permitido novamente nas Américas golpes militares”. Esse fato do Zelaya, nada mais é do que um desrespeito a CF deste país, e o Exército cumprir seu papel, somente isto. Parabéns Bruno por sua visão inteligente.
Aloizio,
Obrigado pelo comentário.
O equívoco em Honduras foi o modo como Zelaya foi deposto e não o fato de ter sido deposto. Isso fez toda a diferença e vitimizou Zelaya que, na verdade, começou todo o problema e tentou se perpetuar no poder.
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