Aumentam as especulações sobre Michel Temer ser o Vice de Dilma
Há alguns meses o Perspectiva foi um dos primeiros blogs a citar as especulações em torno da possibilidade de Michel Temer ser o Vice de Dilma Rousseff. Na época, todos falavam em Sérgio Cabral e Geddel Vieira Lima.
Pois bem. Informa o jornalista Ilimar Franco:
“Depois de escalar a candidata do PT à sucessão, o presidente Lula já escolheu o vice do PMDB. Para Lula, ‘o nome preferencial’ é o do presidente da Câmara, Michel Temer (SP). Para os aliados, argumenta que Temer representa institucionalmente o partido, evitando uma disputa regional pelo cargo, tem visibilidade positiva à frente da Câmara e contempla o maior colégio eleitoral, o paulista.”
Me parece que Michel Temer realmente tem algo a agregar com relação à chapa do campo governista. Pelo que diz Ilimar Franco no trecho reproduzido acima, o Presidente Lula entende que Temer representa bem o PMDB como um todo e está ganhando, e não perdendo, politicamente por ser Presidente da Câmara. Além disso, Lula estaria somando a isso o fato de Temer ser oriundo do estado que será mais importante do que nunca nessa eleição: São Paulo. Concordo com tudo isso.
Adiciono algo que pode estar sendo pensado por Lula e que não foi citado por Ilimar: O Presidente talvez entenda que dar a vaga para Temer pode ser algo que garantirá a aliança formal entre PT e PMDB, tão desejada por Lula, atacando em duas frentes.
Explico: O fato de Temer ser Presidente licenciado do PMDB reforça muito a formalidade da aliança e, além disso, a escolha do Presidente da Câmara o afastaria de José Serra, acabando pelo menos temporariamente com uma proximidade que poderia melar a aliança do PT com o PMDB e forçar os peemedebistas a ficarem em cima do muro. Tudo bem que eles ficarão assim mesmo, mas não formalmente, o que dará o extenso tempo de televisão do partido para a campanha de Dilma.
Sendo assim, a preferência de Lula por Temer me parece ser real, não só pelos fatos citados por Ilimar mas, também, por conta do seu nome fazer parte da chapa ser um bom modo de forçar a aliança formal entre PT e PMDB e de afastar o PMDB do PSDB.
Enquanto isso, Temer desconversa e, enquanto reconhece em declarações aos repórteres que estão dizendo por aí que ele será o Vice, diz que ninguém é pré-candidato a esse cargo, despistando os que procuram o posicionamento pessoal do peemedebista.
A verdade é que o cargo é, sim, cobiçado. O Vice-Presidente pode não trabalhar muito mas tem poderes consideráveis, assume a presidência diversas vezes durante o mandato e tem status. Resumindo, a vice-presidência não serve muito ao País, mas serve ao seu ocupante. Por isso, muitos são pré-candidatos à presidência para ficarem com a vaga de Vice na chapa de outrem ou ameaçam apoiar outro candidato se não receberem a vaga. Luta-se pelo inatingível para poder-se chegar ao alcançável.
Isso tudo faz com que cheguemos à conclusão de que Temer pode até não sonhar com a Vice-Presidência, mas que, porém, aceitará de bom grado a vaga na chapa de Dilma se ela lhe for oferecida. Concluo também que, levando em conta as opções, pode ser mesmo uma boa escolha de Lula.
Mas enquanto convém, Temer desconversa.















Gostei especialmente da parte em que você colocou que o PMDB vai ficar em cima do muro do mesmo jeito — o que é a tradição do partido, pelo menos depois que Sarney deixou a Presidência da República.
Outra questão também entra na equação: o que o PSDB tem a oferecer ao PMDB? Este último se move para aquele que "pagar" mais…
Matheus,
Obrigado pelo comentário.
O PSDB oferece muito menos que o PT e é justamente nessa medida que o PMDB prefere os petistas. Acontece que a expectativa de vitória com o PSDB é, ainda, maior. Isso é o que pesa. o PMDB quer estar no poder e prefere estar ao lado do vencedor que promete pouco, ao invés de acompanhar o perdedor que prometeu muito e não cumprirá.
Volte sempre!
Caro Bruno, neste ponto temos opiniões diferentes. Não vejo o PSDB tanto com a faca e o queijo na mão assim. Em minha análise, as chances são de 55-45 para o PSDB — a diferença entre os dois é muito pequena. Porque ainda falta mais de um ano, ainda faltam coligações e — mais importante — ainda falta o governo federal abrir as torneiras do Orçamento neste ano e no ano que vem. E na hora em que o ouro jorrar, quero ver as bases do PMDB se voltarem contra o PT…
Matheus,
Obrigado pelo comentário.
Acredito que as coisas estejam um pouco melhores para o PSDB. Acho que, na hora H, a inexperiência de Dilma como candidata vai pesar e a artificialidade dela será prejudicial.
Sobre o PMDB, ele deve, sim, apoiar o PT de alguma forma. O que não tenho certeza é se haverá aliança formal. Talvez não. Talvez o PMDB libere o voto e cada cacique se alie a quem melhor atender aos seus interesses.
Volte sempre!