Há algum tempo este blogueiro escreveu um texto em que falava a respeito do cenário político-partidário brasileiro como um todo, e não, apenas a respeito das eleições de 2010.
O foco era o de que talvez não seja verdade que PT e PSDB são diametralmente opostos no que diz respeito às políticas públicas. Obviamente existem diferenças importantes. Possivelmente existem soluções diversas para o mesmo problema. Não estou nem de longe dizendo que são o mesmo.
A questão é que talvez não seja correto ver o PSDB como “o neoliberal” e o PT como “o partido do fora FMI”. Afinal, não foi no governo do PSDB que se iniciou o Bolsa Escola, embrião do Bolsa Família? Fim das contas, não foi no governo do PT que o FMI recebeu seu dinheiro?
Uma ideia muito interessante tem sido defendida por alguns e vou citá-la aqui: Talvez a verdade seja a de que PT e PSDB não dão ou darão guinadas um em relação ao outro. Não existe a possibilidade de solavancos muito turbulentos.
O PT não deu uma guinada brusca quando entrou no poder. O PSDB, sabidamente, não fará coisa do tipo de vencer em 2010.
Talvez por isso Serra lidere com folga enquanto Lula é muito bem avaliado. Talvez não seja só por Dilma ainda ser fraca e necessitar de tempo e músculo para competir com Serra.
Talvez seja porque há confiança na continuidade do que está andando certo. Seja qual for o vencedor. A escolha por Serra talvez seja motivada por se saber que ele não destruirá o que Lula fez e muito menos o que Lula herdou de FHC. Se mexer, mexerá no que o povo não aprova ou vê de forma indiferente.
Talvez seja porque o brasileiro acredita que estes dois partidos, ressalvados todos os seus defeitos, têm alguma responsabilidade. O que é salutar.
Quem sabe tenhamos chegado em um bom ponto, onde um Serra Presidente viria para alterar o que ele acha que está andando errado, e não, para mudar todos os paradigmas. Quem sabe por isso ele lidera as pesquisas.
Ao mesmo tempo, sabemos que Dilma obviamente não mudaria o que Lula faz certo, mas que, também, não destruiria arcabouços deixados por FHC e, até mesmo, por Itamar Franco.
Por essas e por outras é que apuro os ouvidos quando ouço alguém dizer que estamos em um bipartidarismo de fato. Esse alguém pode estar muito certo.
É ótimo, para ambos os lados, que tenha sido dado um basta no sistema “demolirei tudo que meu antecessor construiu para começar a obra do zero”.
Muito melhor é termos, em ambos os partidos, o pensamento de que a luta é para “construir um andar mais sólido e belo que o de baixo”.











Conheci o blog hoje e achei muito bom. Parabéns pelo belo texto e raciocinio apurado. Vou frequentar. abs!
Bruno, é verdade que PT e PSDB são complementares e formam o que seria os democratas nos EUA, mesmo com o antigo PFL/PDS alinhando com os tucanos, nos falta um partido dito de direita para contrapor-se ao que sugere esses partidos. O pejorativo “direita, tucano” no sentido que se quer dar, na verdade, ainda está para nascer. E talvez pelo ranço do período pós-militar, nunca apareça.
Então, talvez por isso esse bipartidarismo no Brasil seja somente mudança de nomes, e não, diferenças de pensamento de fato. Todos vêm da mesma raiz das esquerdas.
Ainda assim, penso que Serra trará avanços diferentes aos de Lula (que é muito apegado às sondagens eleitorais), mas, também será refém de antigos e ultrapassados ‘modus operanti” na política, como o PMDB.
Noto ainda uma pequena diferença entre eles quando se trata do apego aos componentes basilares da democracia, mas, deixa pra lá.
Bruno,
José Serra foi prefeito da cidade de São Paulo, senador pelo estado de São Paulo, ministro de estado do Planejamento e da Saúde, ja foi candidato a presidente e hoje é governador de São Paulo. Ele é conhecido por mais de 90%¨do eleitorado e tem um grande recall. Por isso ele (ainda) está na frente nas pesquisas.
Certeza de continuidade com o que está certo só mantendo o projeto que está no governo. E é por isso que ele, mais uma vez, não será eleito presidente.
Cesar,
Obrigado pelo comentário e pelos elogios.
Será ótimo contar com suas visitas constantes.
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Carlos,
Obrigado por mais esse comentário.
Concordo com tudo que você disse. Realmente não há direita de verdade no Brasil. Não há aquela direita liberal economicamente e conservadora nos valores até níveis quase extremos. Alguns dizem que a direita é o DEM, mas é fato que ele não constitui direita, e sim, centro-direita. Sobre as diferenças entre PSDB e PT, e consequentemente entre Serra e Lula, concordo também. Existem diferenças importantíssimas, embora tenham uma raiz semelhante. A continuidade que digo é a manutenção dos acertos do anterior, coisa que no Brasil já deixou de existir em algumas ocasiões e que é salutar.
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Braga,
Obrigado por mais esse comentário.
Acho que a continuidade do que estava certo no governo FHC foi feita por Lula e que essa mesma continuidade se dará tanto com Dilma como com Serra. Esse amadurecimento é crucial para o desenvolvimento de nossa democracia.
Quanto a Serra ser derrotado. Acho que pode acontecer, mas nem de longe é algo certo, ao contrário, entendo ele como favorito.
Volte sempre!
A aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de 80% de acordo com a pesquisa CNI/Ibope. Para 68% dos entrevistados o governo Lula é ótimo e bom. São 76% os brasileiros que confiam no presidente, segundo a pesquisa.
Na avaliação do governo, os números também retornaram ao cenário pré-crise. Os 68% de ótimo e bom superam os 64% registrados em março, mas estão ainda abaixo dos 73% registrados em dezembro do ano passado. Na pesquisa atual, 24% consideram o governo regular e apenas 8% avaliam a administração como ruim ou péssimo.
Lucas,
Obrigado pelo comentário.
Os dados que você apresenta comprovam que Lula é popular, porém, não afetam a teoria apresentada na postagem.
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