Arquivo de 06/2009

Perspectiva previu: Itamar Franco ingressará no PPS

30/06/2009

Disse este blogueiro mais de 2 meses atrás:

O ex-Presidente Itamar Franco estaria sendo cogitado como uma possibilidade para ocupar a posição de Vice na chapa oposicionista. Ele poderia ir para o PPS e Roberto Freire já teria admitido que fez o convite.

Disse este blogueiro 1 mês e meio atrás, voltando ao tema:

Este blog informou há algum tempo, aqui, que existia a possibilidade de Itamar Franco se filiar ao PPS e participar do esforço da oposição para vencer em 2010. Itamar poderia, até mesmo, ser o Vice na chapa oposicionista, trazendo sua experiência e o peso de um ex-Presidente.

Pois bem, vejam o que conta o jornal Correio Braziliense:

“Sem partido desde 2006, quando deixou o PMDB pela quarta vez, o ex-presidente Itamar Franco está muito perto de se filiar ao Partido Popular Socialista (PPS). ‘Acredito que, até o final de junho, tenhamos uma definição’, revelou. Apesar do bom relacionamento com o presidente da sigla, Roberto Freire, que foi seu líder de governo na Câmara, entre 1992 e 1994, e do bom trânsito com os dirigentes estaduais da legenda, a filiação de Itamar ainda esbarra na postura oficial do PPS em questões consideradas cruciais para o ex-presidente.

A maior delas é ao posicionamento da sigla na disputa interna tucana para a vaga de candidato à Presidência da República. Itamar é aliado incondicional do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). A cúpula do PPS, por sua vez, embora tenha voltado atrás, chegou a sinalizar adesão ao nome de José Serra (PSDB). ‘O PPS hoje deve se resguardar politicamente em nível nacional’, sugeriu. Há meses, o ex-presidente da República discute com os dirigentes do PPS em Minas seu ingresso na legenda.”

Pois bem. Depois de a notícia ser adiantada pelo Perspectiva e reforçada, alguns dias depois, pelo jornal Correio Braziliense, informa a Folha:

“O presidente nacional do PPS, ex-deputado federal Roberto Freire, afirmou nesta terça-feira que o ex-presidente Itamar Franco –que vai ingressar em seu partido no dia 6 de julho– tem ‘currículo’ para se candidatar ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2010. Ele disse que a decisão só será tomada depois de negociar com o PSDB e com o atual governador do Estado, o tucano Aécio Neves.

Freire disse que Itamar ainda não manifestou sua vontade de se candidatar ao governo de Minas, mas que ele tem gabarito para isso. “Ele tem biografia e prática polícia que o credencia até para ser candidato a presidente da República”, afirmou ele à Folha Online.

O ex-deputado não descarta, no entanto, a indicação de Itamar para o Senado. Ele disse que as negociações envolvem o PSDB de Aécio. ‘Essa análise em Minas depende dele [Itamar] e de negociação com o PSDB, com o Aécio e com as forças do PPS mineiro’, afirmou.

Ele adiantou, no entanto, que o PPS deve se coligar com o candidato do PSDB à Presidência da República. ‘Na questão nacional, há uma ampla maioria no partido em apoiar a candidatura do PSDB, seja o Aécio ou o [governador de São Paulo] José Serra [PSDB].’”

Posso estar enganado, porém, acredito que está se desenhando o seguinte arranjo: Se Aécio Neves não for Vice de José Serra, o será Itamar Franco, representando Minas e, também, Aécio, pois é seu aliado há tempos e o apoiou em Minas Gerais nas duas últimas vitórias.

Caso Itamar não seja o Vice, provavelmente dependerá de Aécio para escolher seu rumo. Se Aécio for candidato ao Senado, Itamar deve concorrer ao governo contra candidatos como Hélio Costa e, talvez, Fernando Pimentel, desalojando Antonio Anastasia, atual Vice, futuro Governador que assumirá com a descompatibilização de Aécio e pré-candidato tucano em Minas.

Curioso será se Aécio, por conta dos atritos entre PT e PMDB em Minas, fechar com Hélio Costa e retirar importante apoio do PT. Nesse caso, supondo-se que Aécio tente o Senado e o Vice de Serra seja outra pessoa,  como Jarbas Vasconcelos por exemplo, Itamar teria que disputar com Aécio, embora eles possam fazer a já usual dobradinha, pois o eleitor vota duas vezes para Senador.

A ver.

Deputados do PT contrariam Executiva Nacional e indicam prefeito de Osasco para governo de SP

30/06/2009

Informa a Folha:

“Um grupo de 15 deputados estaduais do PT entregou nesta terça-feira ao presidente estadual da legenda, Edinho Silva, um manifesto de apoio à candidatura do prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT).

Da bancada, que conta com 19 deputados, apenas quatro não assinaram, entre eles o líder da sigla na Alesp, Rui Falcão, que apoia a candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy.

Além de Emídio e Marta, o PT pode lançar como candidato próprio o ministro Fernando Haddad (Educação) e o deputado federal Antonio Palocci.”

Com certeza o Prefeito de Osasco, Emídio de Souza, não tem nenhuma chance de conquistar o Governo paulista. Assim como também não têm possibilidades os outros petistas cogitados.

É por essa razão, e por outras, como a vontade de dar um prêmio de consolação a Ciro Gomes e ter uma metralhadora contra Serra, que a Executiva Nacional do PT alimenta, nos bastidores, arranjos em São Paulo que favoreçam o projeto nacional de Dilma Rousseff.

Acontece que o PT local pensa que, se é para perder, que se perca formando quadros para o futuro, fortalecendo um nome que não é “importado” ou “artificial” para, quem sabe, ter chances no futuro. Um projeto orgânico, correto.

No fim das contas, nós sabemos que a direção nacional petista prevalecerá e que o os petistas paulistas em questão só estão marcando posição.

Porém, assim como em muitas outras ocasiões que provocam o enfrentamento entre a Executiva Nacional do PT e os Diretórios Regionais do partido, haverá atrito e desgaste.

Vice de Roseana deixa governo maranhense nas mãos de Deputado opositor

30/06/2009

Reproduzo narração de Ricardo Noblat que conta caso inusitado e, ao mesmo tempo, interessantíssimo no que diz respeito à análise das manobras políticas, que está em andamento no Maranhão por conta do afastamento temporário, por motivo de saúde, da Governadora, Roseana Sarney.

O episódio é suis generis e mostra como a política, muitas vezes, gera situações recheadas de malícia. Ao refletirmos sobre o caso, percebemos claramente que há algo por trás dele. O Vice de Roseana passa o poder para um Deputado opositor do Governo maranhense sem motivo aparente e, depois, não retorna. Curioso, não?

Sem mais delongas, segue o texto:

“Quem viu por aí João Alberto de Souza, 73 anos de idade, atual vice-governador do Maranhão pelo PMDB?

No último dia 2, ele assumiu o governo em substituição à governadora Roseana Sarney (PMDB), que se licenciou do cargo para operar um aneurisma cerebral em São Paulo.

Roseana e ele chegaram ao poder em meados de abril último depois que o Tribunal Superior Eleitoral cassou os mandatos do governador Jackson Lago (PDT) e do seu vice, acusados de compra de votos.

Na quarta-feira da semana passada, João Alberto decidiu viajar a Brasília parar contactos com ministros – e fez o que a lei não o obrigava a fazer: transmitiu o cargo para o deputado Marcelo Tavares (PSB), presidente da Assembléia Legislativa e adversário político dele e de Roseana.

Desapareceu depois disso. Pode estar ainda em Brasília. Ou ter voltado a São Luís e se refugiado em casa – não se sabe por que.

Primo de José Reinaldo, ex-governador do Maranhão e inimigo declarado do clã dos Sarney, Tavares assumiu o cargo com rara desenvoltura.

No primeiro dia despachou no Palácio dos Leões, sede do governo do Estado. No segundo, acompanhado  de secretários, assessores e correligionários, embarcou para Imperatriz, a segunda cidade mais importante do Maranhão.

Promoveu um comício por lá. Criticou Roseana.  Reuniu-se com o PSB local e demais partidos que se opõem aos Sarney. Estimulou-os a seguirem se opondo.

No último fim de semana visitou municípios da Baixada Maranhense. Arregimentou ali a oposição ao governo de Roseana. Acenou com tempos melhores. E até prometeu a assinatura de alguns decretos antes de dar por findo seu curto período de governo.

Roseana recupera-se da operação em Brasília. Só deverá reassumir o governo na próxima semana.

O paradeiro do vice João Alberto continua um mistério.”

Aécio diz que Serra tem “potencial” para se eleger, mas volta a defender prévias

30/06/2009

Informa a Folha:

“O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta terça-feira que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tem ‘potencial’ para vencer as eleições presidenciais em 2010. Apesar da declaração, ele –que também é pré-candidato à Presidência– voltou a defender prévias partidárias para decidir qual dos dois será o candidato tucano. “

Este blogueiro já disse, já repisou e repete mais uma vez:

Aécio até gostaria de ser candidato em 2010, afinal, política é momento é não é bom arriscar, trocando um momento bom por um possível momento ótimo futuro. Porém, como sabe que não poderá mesmo ser o candidato, visto que o direito é, claramente, do Governador paulista José Serra, contenta-se em construir e fortalecer seu nome nacionalmente.

Chega-se à seguinte conclusão: Aécio já aceitou que não será o candidato e está, apenas, cobrando seu preço. Com as prévias ocorrendo, Aécio fortalecerá seu nome nacionalmente, construirá uma base para futuras eleições e não sairá da disputa interna como um perdedor que foi atropelado e humilhado. Por outro lado, com a data das prévias, está claro que Serra permite isso a Aécio em troca de ser o candidato.

Sarney balança: Licenciar-se é a única saída para não ser derrubado

30/06/2009

Façamos, antes do meu comentário, uma coletânea dos acontecimentos recentes que enfraqueceram, e muito, o Presidente do Senado, José Sarney:

“O ex-presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse nesta terça-feira que o afastamento do cargo seria a melhor reposta para o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), conter a crise que arranha a imagem da instituição.”

“A essa altura, até Roseana Sarney, governadora do Maranhão e filha de José Sarney (PMDB-AP), é favorável ao afastamento do pai da presidência do Senado. Dependerá dele, é claro. Roseana está preocupada com a saúde política e com a saúde propriamente dita de Sarney.

“O PSDB pediu nesta terça-feira que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) se licencie temporariamente do cargo. O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), voltou a subir na tribuna do plenário e disse que Sarney precisa se afastar para se desfazer a ‘central de chantagem’ em que teria se transformado o Senado.

“A bancada do DEM no Senado, por 10 votos contra 3, acaba de decidir pelo afastamento de José Sarney (PMDB-AP) do cargo de presidente do Senado.

“O líder do PDT , senador Osmar Dias (PR), comunica neste momento ao líder do PT , Aloizio Mercadante (SP), que seu partido vai defender a licença do presidente José Sarney (PMDB-AP) do cargo. O PDT é o segundo partido que ao logo do dia decide pelo afastamento de Sarney.

Feitos estes registros, passemos à análise:

O Presidente do Senado, José Sarney, responde com um sim a todos que lhe perguntam se ele continuará à frente do Senado Federal.

Acontece que os políticos mais influentes do País já estão discutindo como será o “day after”, ou seja, o que será feito quando Sarney sair. Isso mostra que sua saída já é dada como inevitável, havendo apenas a dúvida sobre se Sarney renunciará ou se licenciará, podendo retornar daqui a alguns meses.

Verdade seja dita: Sarney quer mais é deixar o Senado e poder ter dias mais sossegados. Apenas a vontade de defender sua biografia e não sair por baixo o impede de jogar a toalha. Ele ainda alimenta a esperança de se reerguer.

Enquanto quase todos os partidos criticam Sarney, a maioria deixando um barco que um dia os serviu de transporte, é o PT, de Tião Viana, adversário de Sarney na eleição para a presidência da Casa, que ainda dá algum suporte ao maranhense.

Em uma Casa onde quem manda de verdade não é mais Sarney, e sim, Renan Calheiros de um lado e Heráclito Fortes do outro, o PT faz o que seria impensável alguns anos atrás de olho em 2010. Sarney, “queimado” ou não, responderá por grande parte do PMDB ano que vem e o PT quer o tempo de televisão do partido, que adviria de uma possível aliança formal, para turbinar a candidatura de Dilma.

No fim das contas, Sarney não manda mais nada, não tem mais apoio, não tem mais barreiras de contenção realmente seguras e tem tudo para encontrar, brevemente, um ambiente que não possibilitará mais sua permanência.

Como bem diz Ricardo Noblat, Sarney (PMDB-AP) até pode ficar na presidência do Senado com o apoio do seu partido, de parte do PT e de pequenos partidos que apóiam o governo Lula. Mas ao preço de um desgaste brutal e crescente.

A saída será licenciar-se para fugir dos holofotes e tentar um retorno futuro. Talvez ele prefira renunciar de vez, mas é improvável.

O que se pode dizer com certeza é o seguinte: Sarney pensou muito antes de aceitar se candidatar à presidência do Senado. Muitos o aconselharam a não prosseguir na empreitada.

Sarney não ouviu, ou teve que não ouvir. Hoje, com certeza, pensa que se arrependimento matasse, estaria no túmulo. O maranhense se tornou alvo da indignação do brasileiro com a política inteira. Está perdido. Quem sabe vê como alternativa apostar no cansaço sobre o tema, mas é uma aposta arriscada.

E dá-lhe #forasarney no Twitter.


Pergunta de um leitor, resposta do blogueiro: O que fazer para melhorar a política nacional?

30/06/2009

Pergunta para este blogueiro que vos escreve, em comentário feito aqui no blog, o leitor que se assina Eziquiel de Souza Silva:

“Prezado blogueiro, preciso da sua contribuição editorial, estou num momento de intensa revolta como cidadão, sou paulistano, acabei de fazer uma viagem ao Maranhão, e a conclusão é que tenho o dever de botar a boca no trombone, espernear, berrar, não podemos permitir que o clã dos Sarney simplesmente tome conta do nosso país, por favor, nos dê uma luz, qual bandeira nós mortais da classe média (baixa) podemos empunhar para barrar tudo isto que está acontecendo em Brasilia?????”

Primeiramente, eu gostaria de dizer que fico muito lisonjeado de saber que este leitor vê no Perspectiva, blog que é escrito com tanto esmero por mim todos os dias, um meio que pode lhe ajudar a encontrar um norte, um caminho a seguir, uma batalha a lutar, no que tange a melhoria e moralização da política nacional. Que grande motivo de orgulho é saber que hoje, menos de um ano depois da criação do Perspectiva, um leitor recorre a mim para orientá-lo.

Dito isso, responderei a você, Eziquiel, com uma resposta que vale para todos os leitores deste blog, sem exceção:

A bandeira que deve ser erguida é a da indignação, a do protesto, a da vontade de mudar. Mas isso, com certeza, não é novidade. É a outro ponto que temos que nos ater.

O principal é saber como e onde focar esta indignação, este protesto. Afirmo a você que o alvo a ser escolhido não deveria ser José Sarney. Não por ele não merecer, ao contrário, mas sim, por ele estar longe, muito longe, de ser o mal maior do nosso Brasil.

O nosso mal maior, meu amigo Eziquiel, é nossa cultura política. Sim, a culpa é nossa. É claro que quando digo nossa, quero dizer que os brasileiros são os culpados e não, necessariamente, que eu ou você tenhamos contribuído para a construção dessa situação que dá desesperança e desespero.

É o brasileiro comum de hoje que será político amanhã. É o brasileiro que critica o político mas que, em seu lugar, faria as mesmas falcatruas que é o culpado. É o brasileiro que elege os mesmos ladrões eleição após eleição que deve colocar a mão na consciência.

Muitos dirão: Mas os brasileiros têm, muitas vezes, vida precária. Dependem de assistencialismos baratos, dependem de pratos de comida, dependem das práticas que perpetuam as ervas daninhas no poder.

Sim, é verdade. Mas cabe a aqueles que não se encontram nessa situação, e que são muitos também, não quererem levar vantagem, não quererem a vaga no emprego público para o parente que é indicado politicamente, não quererem a mutreta para se livrar de tarifas, não quererem reclamar de quando os outros fazem o mesmo que eles fizeram, não quererem, por fim, se valer de “pistolão”.

Parece lugar-comum mas a resposta é a mesma de sempre: Voto consciente e educação. Só isso transforma.

É com o voto consciente dos que têm possibilidades de ter consciência que será possível moralizar uma grande parte da política. No momento que tivermos a maioria da política regida pela ética, e não o contrário, poderemos esperar que a moralização se intensifique em um ciclo.

Uma vez moralizada a política, será a educação de qualidade para todos os brasileiros, aquela que não é dada hoje pois a ética não rege o poder e os que o ocupam não gostam da ideia de eleitores mais informados, que dará a eles consciência social e política, além de cidadania.

São esse atributos que impedirão, provavelmente, que a calamidade da política do conchavo, do empreguismo, do loteamento de cargos, das oligarquias e dos sarneys, que são inúmeros, continue.

Nada de “fora Sarney” meu caro Eziquiel. “Fora brasileiro que é imoral nas pequenas atitudes” é que deveria ser o grito das ruas.

O que podemos fazer, então, é votar direito e incentivar outros a fazerem o mesmo. Façamos isso com nossos pais, avós, filhos, irmãos, primos, sobrinhos, amigos, vizinhos e, principalmente, com os mais necessitados, como a empregada doméstica, o inspetor do colégio, o cobrador do ônibus e o camelô da esquina.

O conformismo nesse caso é nocivo. É terrível pensar que nada irá mudar. E se nós mesmos praticarmos o errado, mudemos.

Tudo pode mudar, Eziquiel. Tudo. Inclusive o brasileiro que pede a renúncia do Presidente do Senado, mas é, em sua vida privada, um mini-Sarney.

Eu acredito nisso. O Perspectiva Política é filho dessa crença.

Coluna do dia: Como não resolver a questão ambiental

30/06/2009

Por Raphael Machado Silva*

Um breve folhear de uma revista de atualidades ou de um jornal razoavelmente decente demonstra, sem sombra de dúvidas, que o Meio Ambiente é um tema bastante em voga e que desperta o interesse de uma ampla parcela da população. Teoricamente, de todas as classes sociais.

Isso sem dúvida é positivo. Quer dizer, eu suponho, que ninguém precisa se dar ao trabalho, hoje em dia de ainda ter que demonstrar que há tal coisa como uma “Questão Ambiental” que deve ser solucionada.

O fato de que muitas pessoas, aparentemente, se interessam por esse tema deve ser considerado como pelo menos “um passo” na direção da resolução da miríade de problemas derivadas dessa “Questão”.

Porém, o próprio fato de este ser um tema que “deve estar na boca de todos”, tem sido, na verdade, a garantia de que a “Questão Ambiental” não vai ser resolvida tão cedo, o que é seriamente preocupante, dado que mesmo as previsões menos negativas das consequências da não resolução desses problemas já são bem graves.

Explico o por que de modo breve: Se o discurso ambientalista deve alcançar o maior número de pessoas possível, ele deve ser o mais simples e superficial possível, porque, do contrário, ele não terá o alcance que se quer de início.

Assim, as noções ambientais que se difundem não passam de meros “lugares-comuns”. Uma espécie de “5 maneiras de salvar o meio ambiente”. E o fato de que é isso que alcança a maior amplitude, faz com que qualquer outra forma de discurso ambiental seja “jogada para escanteio”. A popularidade do discurso ambientalista superficial garante que só essa forma de discurso continuará a ser veiculada, reforçando e solidificando a superficialidade inicial.

E eu explico também a popularidade desse tipo de discurso: O discurso ambientalista superficial e politicamente correto demanda que você faça o mínimo possível de mudanças em seu modo de vida, e no funcionamento estrutural da sociedade como um todo, e, ao mesmo tempo, permite a você se sentir bem, feliz e tranquilo por ter feito a sua parte para “salvar o mundo”. Ou seja, “5 maneiras de salvar o meio ambiente sem sair do sofá”.

Essa é uma lei do comportamento das massas. Entre uma proposta que resolve definitivamente um certo problema com 100% de eficiência, mas que demanda mudanças radicais, e uma outra proposta de caráter paliativo ou, como seus defensores chamam, “moderada”, que não resolve nada, mas que faz com que todo mundo se sinta bem por estar “fazendo alguma coisa” sem que para isso qualquer estrutura tenha que ser mudada, as massas escolherão em 100% dos casos a proposta paliativa. A não ser que a tragédia seja do tipo apocalíptico, como Godzilla atacando uma cidade ou, então, quando o problema explode e as pessoas são atingidas pela onda de choque do problema, resolvendo, aí sim, que algo de definitivo deveria ser feito.

Obviamente, vendo um campo tão aberto e repleto de possibilidades, a maioria das corporações não poderia perder a oportunidade de lucro, não? Então, contribuindo para a ilusão geral, agora você pode fazer um “consumo consciente” e “politicamente correto”, onde pelo triplo do preço, você compra um produto que polui o meio ambiente tanto quanto ou mais que o produto original, só que de maneira diferente.

Como, por exemplo, quando você troca lâmpadas comuns por lâmpadas fluorescentes. Logo estaremos vendo a “bomba atômica biodegradável” e o “napalm orgânico” com os quais você pode bombardear seus inimigos à vontade e ao mesmo tempo estar “salvando o mundo” e sendo “politicamente correto.”

* Raphael Machado Silva é colunista do Perspectiva Política às terças.

Argentina: Após derrota, Néstor Kirchner renuncia à presidência de Partido Justicialista

29/06/2009

“Argentina: Após derrota, Néstor Kirchner renuncia à presidência de Partido Justicialista”

O Perspectiva previu e aconteceu: De Narváez se apresentou como boa alternativa ao quase-chavismo de Néstor Kirchner, e de sua esposa Cristina, e venceu o ex-Presidente nas eleições parlamentares argentinas.

Com a derrota, Kirchner decidiu, como informado pela notícia citada acima, renunciar à presidência do Partido Justicialista.

Pode até ser que o “Casal K”, como são chamados na Argentina Néstor e Cristina, mantenha algum poder e consiga fazer sua ascenção reviver das cinzas, até porque Cristina ainda tem a presidência, e todo o peso dela, nas mãos.

Porém, se não me equivoco, acredito que agora seja o início de um período de “ladeira abaixo” dos kirchners e do kirchnerismo, consequentemente.

A base parlamentar de Cristina é fraca, seu marido não mais tem cacife para comandar o Partido Justicialista, a economia vai mal, a proximidade com Hugo Chávez traz prejuízos eleitorais, que derivam da correta visão do povo argentino de que ser “bolivariano” não é nada bom, e a oposição vem forte para as próximas eleições presidenciais.

O kirchnerismo, assim como fez o peronismo, pode até retornar. Não afirmo que não. Mas a tendência não é essa.

E que bom que é assim. A América do Sul precisa de lideranças responsáveis e adaptadas aos novos tempos. A esquerda deve ser a de Lula e Bachelet, e não, a de Chávez, Morales, Correa, Kirchner e afins.

Em tempo: Há que se reconhecer um ponto a favor de Kirchner. Quando ele percebeu a insustentabilidade de sua posição, renunciou à liderança do partido. No Brasil, em um caso semelhante, o político em questão relutaria para “largar o osso” ou até não o faria, esperando ansiosamente a calmaria.

Militares golpistas cortam sinal de rádios e TVs em Honduras

29/06/2009

“Militares golpistas cortam sinal de rádios e TVs em Honduras”

Parece que a situação em Honduras começa a tomar um rumo cada vez mais indesejado por todos aqueles que são democráticos. Se antes era possível enxergar alguns acertos na ação dos militares hondurenhos, já que, embora tenha sido equivocada no seu empreendimento, continha certa correção na essência, agora fica difícil distinguir quem é o mais nocivo para o país centro-americano: As Forças Armadas ou Manuel Zelaya.

Se por um lado as Forças Armadas agiram, de forma atabalhoada e agressiva, é verdade, para defender uma visão de proteção às instituições e à lei hondurenhas, por outro, a medida de cortar os sinais de rádios e canais de televisão, entre outras, são totalmente antidemocráticas.

Não adianta nada que os que defendem a ação dos militares hondurenhos digam que é necessária esta ação antidemocrática para proteger a democracia. Proibir a imprensa de veicular qualquer informação verdadeira e que não seja sigilosa é criticável.

Eu ainda acredito que Zelaya merecia ser retirado do cargo, afinal, sua renúncia foi aceita pelo Congresso, ele havia dado ordens contrariando as restrições que lhe haviam sido impostas pelo Parlamento e foi nomeado um Presidente legítimo, advindo do cargo que é previsto pela Constituição hondurenha como sendo aquele a qual se deve recorrer em casos como este.

Porém, se as Forças Armadas, ao invés de garantir a democracia e as instituições hondurenhas, tentar implantar um outro tipo de autoritarismo, mudará apenas a ideologia, sendo, da mesma forma, um tipo de ditadura.

Sendo assim, a análise é instável e dependendo do ponto de vista, ambos os lados podem ser o bandido da história.

Se eu entendo que a atitude de Zelaya de tentar implantar o bolivarianismo à força, por ter encontrado instituições mais fortes do que as que Chávez encontrou na Venezuela, é totalmente execrável, também entendo que não se pode atentar contra os meios de comunicação.

Acompanhemos o desenrolar do caso.

Em tempo, mantenho a pergunta:

Por que Zelaya não indicou um sucessor para continuar seu trabalho e forçou a tentativa de reeleição? Não continuaria o tal “projeto social” que é utilizado para justificar a vontade de se perpetuar no poder? Se não é personalismo/autoritarismo/chavismo, o que é?

Perspectiva avisa: Caso Arthur da Facility – Escândalo em potencial do governo Cabral

29/06/2009

Já corre há algum tempo a informação de que o Governo do Estado do Rio de Janeiro, comandado por Sérgio Cabral (PMDB), teria contratos um tanto suspeitos com o grupo Facility, cujo dono é Arthur Soares, pessoa que seria próxima do Governador.

Obviamente este blogueiro não pode acusar ninguém sem provar, seria totalmente leviano. Porém, é importante que os leitores, principalmente os fluminenses, sejam alertados a respeito do caso. Os indícios apresentados pelo jornal O Globo são motivo suficiente para que fiquemos todos de olhos bem abertos com relação a esse caso.

Afinal, trata-se do nosso dinheiro, do dinheiro público, que poderia estar sendo utilizado para beneficiar, indevidamente, um aliado do governo estadual do Rio de Janeiro.

Pois bem. Dito isso, confiram manchetes recentes do jornal O Globo:

“Com acréscimos até fora do prazo, empresário tem R$ 1,2 bi em contratos com o estado”

“Sessenta e cinco por cento dos gastos do Detran com serviços vão para grupo Facility”

Alguns trechos das reportagens citadas acima:

“O governo estadual tem usado um instrumento da Lei de Licitações, os termos aditivos, para turbinar os contratos do Grupo Facility, que domina os serviços terceirizados nos principais setores da administração, informam os repórteres Dimmi Amora e Ruben Berta na edição deste domingo do Globo. No total, seis empresas comandadas por Arthur Soares têm R$ 1,2 bilhão em 64 contratos vigentes com o estado desde 2003. Desse total, pelo menos R$ 640 milhões (quase 52%), foram adicionados aos valores contratados originalmente. Uma parte desses aditivos foi feita fora do limite de tempo e também acima dos valores de reajuste previstos nos contratos.”

“Com R$ 1,2 bilhão em contratos em vigor com o estado desde 2003, o grupo Facility domina o fornecimento de mão de obra em um órgão: o Detran. Demonstrativos de despesas publicados do site do departamento de trânsito mostram que, de janeiro de 2008 a maio de 2009, as empresas do grupo receberam R$ 129,5 milhões para os mais diversos serviços. De acordo com reportagem de Dimmi Amora e Ruben Berta, publicada na edição do GLOBO desta segunda-feira, o valor corresponde a quase 65% dos R$ 201 milhões que foram pagos a todas as empresas que têm contratos de terceirização de mão de obra na autarquia que, segundo a Procuradoria Regional do Trabalho, está descumprindo decisão judicial de acabar com a terceirização no serviços mais relevantes. “

“Parte das terceirizações do órgão é considerada ilegal pelo Ministério Público do Trabalho. Em 2004, a procuradoria regional entrou com ação civil pública em que pedia à Justiça que o órgão parasse de contratar mão de obra para serviços de atividades fins através de contratos de terceirização em 180 dias, e realizasse concurso público. Pelo menos 4,5 mil trabalhadores estavam contratados de forma irregular pelo órgão, segundo a ação. A Justiça deferiu a liminar, que está valendo.

É um escândalo em potencial do Governo de Sérgio Cabral que, se confirmado, será mais um fator a dificultar a já complicadíssima reeleição do Governador.

Em tempo, não se trata da primeira suspeita que envolve o Governo de Sérgio Cabral e contratos públicos. Este próprio blog já falou, aqui, sobre suspeitas a respeito de uma empresa chamada Investiplan.