Ruy está de olho [9]: Vereadores cariocas aprovam a privatização do serviço público do Município

Em 01/05/2009 Comente »

Depois de um tempo afastado, Ruy Barbosa volta para fiscalizar a politicagem que Eduardo Paes vem empreendendo no Município do Rio desde que tomou posse. Para entender o que Ruy Barbosa tem a ver com isso, clique aqui.

Para quem não sabe, o atual Prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), aquele mesmo que eu avisei diversas vezes que, se eleito, representaria um desastre para o Rio de Janeiro, propôs à Camara de Vereadores do Rio um projeto de privatização dos serviços públicos.

É isso mesmo que vocês leram. Uma empresa será responsável pela saúde, pela educação, pelos centros esportivos construídos pela última gestão com tanto custo e, pior, pelo pagamento dos nossos servidores municipais. Vale ressaltar que os servidores do município do Rio, são, em sua maioria, altamente eficientes, contrastando com os servidores estaduais e federais e estando, sabidamente, entre os melhores do País.

Para os que não entendem como isso prejudica e como o plano se desenvolve, explico: Uma ONG, chamada de Organização Social já que agirá de alguma forma no setor público, daí a lei se chamar Lei das OSs, assumirá o controle dos prédios públicos, da gestão dos servidores e de tudo mais. Com isso, todo o atendimento à população ficará à mercê das vontades dos dirigentes da ONG que, teoricamente, não devem satisfações a nós. Um absurdo total! A Prefeitura de Eduardo Paes dirá que haverá fiscalização para que a ONG não cometa abusos, mas alguém acredita nisso?

Pois bem. E não é que os vereadores cariocas aprovaram este projeto? Como se não bastasse a proposta totalmente equivocada de nosso Prefeito, apadrinhado pelo Governador Sérgio Cabral (PMDB) que é autor de outra proposta errônea, os muros cercando as favelas, os vereadores ainda aceitaram o plano.

Por mais que seja algo que diz mais respeito aos moradores do Rio de Janeiro, acredito que tamanha besteira deva ser informada a todos os brasileiros. Como pode um Prefeito, ao invés de melhorar o serviço público essencial, repito, essencial, admite que não tem essa capacidade e coloca toda a gestão na mão de uma empresa que, obviamente, se importa com os lucros?

Uma vergonha! Um acinte! Isso para não citarmos como ficarão os planos de carreira dos servidores, os pagamentos, as bonificações destes, etc. Além disso, podem esperar e verão que, por mais que tudo tenha passado para o controle da OS, a Prefeitura continuará injetando muito dinheiro nos setores, o que provará que a transferência do controle não trará nenhum benefício.

Para que todos vocês tenham ciência de quais vereadores aprovaram este projeto, e para que os que são cariocas pensem bem antes de votar em alguns deles nas próximas eleições, segue abaixo a lista revelando quais votaram a favor desse descalabro e quais defenderam o serviço público do Município do Rio de Janeiro.

Sem mais delongas, segue a lista:

VEREADORES QUE VOTARAM A FAVOR DO PROJETO DE PRIVATIZAÇÃO

1 – ADILSON PIRES
2 – ALFREDO SIRKIS
3 – ALOÍSIO FREITAS
4 – ANDREA GOUVÊA VIEIRA
5 – ASPÁSIA CAMARGO
6 – BENCARDINO
7 – CARLOS BOLSONARO
8 – CARMINHA JEROMINHO
9 – CHIQUINHO BRAZÃO
10 – CLARISSA GAROTINHO
11 – CLAUDINHO DA ACADEMIA
12 – CRISTIANO GIRÃO
13 – DR. EDUARDO MOURA
14 – DR. FERNANDO MORAES
15 – DR. JAIRINHO
16 – DR. JORGE MANAIA
17 – ELTON BABÚ
18 – FAUSTO ALVES
19 – IVANIR DE MELLO
20 – JOÃO CABRAL
21 – JOÃO MENDES DE JESUS
22 – JORGE BRAZ
23 – JORGE PEREIRA
24 – JORGINHO DA SOS
25 – LILIAM SÁ
26 – LUIZ CARLOS RAMOS
27 – MARCELO PIUÍ
28 – NEREIDE PEDREGAL
29 – PATRICIA AMORIM
30 – PAULO MESSINA
31 – PROFESSOR UOSTON
32 – RENATO MOURA
33 – ROGÉRIO BITTAR
34 – ROSA FERNANDES
35 – S. FERRAZ
36 – TÂNIA BASTOS
37 – TERESA BERGHER
38 – TIO CARLOS
39 – VERA LINS

VEREADORES QUE VOTARAM CONTRA O PROJETO

01 – ALEXANDRE CERRUTI
02 – CARLO CAIADO
03 – DR. CARLOS EDUARDO
04 – EIDER DANTAS
05 – ELIOMAR COELHO
06 – LEONEL BRIZOLA NETO
07 – LUCINHA
08 – PAULO PINHEIRO
09 – REIMONT
10 – ROBERTO MONTEIRO
11 – STEPAN NERCESSIAN

9 comentários

  1. Elida Kronig says:

    Oi, Ruy. Vi esta notícia no Diário do Rio.
    Sinceramente, estou sem palavras.

    Sabemos que a “fiscalização” (sic) está muito aquém de nossas necessidades. As propinas correm soltas em todos os âmbitos das esferas federal estadual e municipal. Como pretendem fiscalizar isso? Contratando outras ONGs??

    Que raio de lei é essa? Quem inventou isso, quem a pôs em votação etc?

    Beijinhos pasmos.

  2. Bruno Kazuhiro says:

    Elida,

    Obrigado pelo comentário.

    Primeiramente, gostaria de esclarecer que me chamo Bruno Kazuhiro e sou aquele que escreve este blog. Quando digo Ruy, refiro-me a Ruy Barbosa que, através de ficção criada por mim, estaria fiscalizando a Prefeitura do Rio.
    Dito isso, eu explico que raio de lei é essa: Lei defendida pelo Prefeito Eduardo Paes, absurda, inconstitucional, que está aí pois o povo do Rio, equivocadamente, elegeu o peemedebista.

    Volte sempre, será bem vinda e respondida!

  3. Alessandra says:

    Olá bruno:
    Este assunto é de meu interesse pessoal.Serei breve em meu comentário: é uma falta de respeito com a população que anseia por serviços básicos de qualidade que deveriam ser oferecidos pelos governos nas suas diferentes instâncias, e ele falou em sua campannha que trataria disso.
    A população necessita de hospitais, postos de saúde, escolas, praças,vilas olímpicas e etc.
    É claro que ele pode fazer parcerias…. por exemplo: num determinado espaço com um clube interessante, em vez de construir uma vila olimpica ele pode utilizar este lugar para esportes.
    Espaços aonde a maioria da população não tem acesso à internet…ele pode criar parcerias com lan houses, em vez de criar um espaço específico para utilização de internet. Ele pode estabelecer conexões com ONGs sérias(por exemplo- EDUCAFRO,AFRO REGGAE entre outras) para criação de cursos utilizando os espaços públicos, como escolas, postos…
    Basta vontade política e percepção das necessidades das localidades de cada região.
    Eu creio que este é o momento da população criar um movimento em prol das escolas e hospitais, não visando salvar os empregos de servidores municipais, mas visando um bem maior.
    Talvez muitos moradores do Rio pensem que estes espaços estão quebrados devido a seus servidores, daí digo que se estes espaços estão desta forma devido anos de negligência dos governates e da sociedade civil, portanto se a escola e os hospitais não prestam eu e vc somos culpados, pq muitas vezes achamos ou pensamos no (in)consciente(Freud):”-Eu não estudo na escola municipal, então o problema e deles, eu tenho plano de saúde ou é melhor isso do que nada”.
    Finalizando meu pensamento: Fico feliz por vc expor sua opinião neste blog que muitos terão a opurtunidade de ler e refletir sobre este assunto, polêmico,assim como o muro.
    Abraços

  4. Fábio says:

    Bruno, muito interessante sua idéia de imaginar Ruy Barbosa hoje, fiscalizando essa degenerescência geral da gestão pública; será que você tem nos seus registros uma passagem real da vida do grande brasileiro sobre a institucionalização da roubalheira com os bens que são do povo? Será que você tem registro de um tempo anterior, em que o povo estivesse tão deseducado e desinformado sobre o que os governantes estão a fazer com o patrimônio público, desde que se inventou a onda da desestatização? Será que vamos sair dessa, algum dia?
    O governo americano, que criou essa onda de passar a gestão dos bens públicos a investidores e acionistas de bancos e de fundos agressivos e inescrupulosos, hoje está erradicando totalmente do mercado tais instituições perniciosas, claro, depois que afundaram o mercado interno com sua inconsistência e inépcia, já que tudo era virtual, sem compromisso nenhum com o mundo real, que exige toda uma ética transparente e compromisso social sem subterfúgios.
    Bruno, penso que não podemos fugir a ligar essa estratégia do novo prefeito à sua aproximação com o governador Sérgio Cabral, o maior ‘enfant terrible’ dos últimos 40 anos da combalida política da nossa pátria, de um povo totalmente despolitizado por força dos regimes totalitários e por força de oportunismo dos aproveitadores pós-ditadura. Não vamos esquecer que o atual governador era a peça fundamental na Assembléia Legislativa, quando a família Alencar, então no governo do estado, vislumbrou um filão imensurável nas privatizações estaduais, também no embalo do governo federal, e pediu a ele que engendrasse os meios legais de fazê-lo. Ele praticou, aprendeu, e agora passa o esquema a um novo aliado. Nesse esquema sempre há a necessidade indispensável da cooptação; e para se cooptar há que se pagar o preço de cada um.
    Penso que alguns membros da casa legislativa do município deviam rever seu discurso socialista, como a digníssima filha da ex-governadora, que se diz fundamentadora de uma herança religiosa inatacável. Abrir mão de suas funções de fiscal do poder executivo, das autarquias, das fundações e dos equipamentos urbanos de apoio ao cidadão, no mínimo é ignorar, na verdade, quais sejam as suas verdadeiras atribuições como vereadora. Pois é isso, em suma, o que estão fazendo os senhores e senhoras vereadores: se eles não tiverem mais função, como vão justificar seus postos de trabalho? Não venham alegar que serão criados mais empregos com agências fiscalizadoras, porque é empreguismo para mais apadrinhamento de político. A população tem testemunhado na própria pele a total ineficiência da agência estadual que deveria fiscalizar a SuperVia. E o governador transferiu para novos parceiros privados o lucro que se ganha vendendo passagens sempre reajustadas, e que poderiam estar sendo auferidos pelo próprio povo, através de gestão pública.
    Desculpe a extensão do texto, e sei que não serei nem lido, por isso, mas espero que você seja realmente um idealista, porque só mesmo sendo idealista é que se mantém um mínimo grau de resistência ao contágio pelos conceitos sofismáticos desses falsos líderes que resolveram infestar a cena política nacional.
    É alarmante essa iniciativa do legislativo municipal, porque uma vez disparado o processo, ele se torna ininterrupto. Deus nos ajude sempre.
    Fábio.

  5. Silvana says:

    Caro Ruy: visito seu blog pela primeira vez (vim através do Diário do Rio) e já encontro assunto tão polêmico .É dessistimulante viver numa cidade onde só se pensa em eventos esportivos e outros, ditos culturais, mas que em nada nos representam.Depois de saber da aprovação deste tipo de coisa só nos resta sentar e chorar fazendo figa para que nada de grave aconteça para nós e para outros habitantes de nossa cidade.Quanto à Educação prefiro nem me manifestar. A revolta já é antiga…Abs,vou aparecer sempre que puder.

  6. Bruno Kazuhiro says:

    Alessandra,

    Obrigado pelo comentário.

    Concordo plenamente com as prioridades que você estabelece e com as ideias de parceria que você defende. Parceria entre público e privado pode ser benéfica. Entregar a gestão de escolas e hospitais para uma ONG, não! Obrigado pelo elogio ao blog.

    Volte sempre, será bem vinda e respondida!

    Fábio,

    Obrigado pelo comentário.

    Agradeço primeiramente o seu apoio à iniciativa do blog de fiscalizar a gestão de Paes. Além disso, concordo com você que vivemos um tempo ímpar no que diz respeito às bobagens governamentais no Rio. As atitudes do novo Prefeito são, com certeza, fruto de sua aliança com Sérgio Cabral. Dificilmente haveria esse plano envolvendo as OSs caso Cabral não influenciasse a Prefeitura. O governo do estado é péssimo, tem baixa aprovação e, por conta disso, terá dificuldades para se manter em 2010.

    Volte sempre, será bem vindo e respondido!

    Silvana,

    Obrigado pelo comentário.

    Primeiramente, gostaria de esclarecer que me chamo Bruno Kazuhiro e sou aquele que escreve este blog. Quando digo Ruy, refiro-me a Ruy Barbosa que, através de ficção criada por mim, estaria fiscalizando a Prefeitura do Rio.
    Dito isso, não é chorar que nos resta. É protestar, reclamar, avisar a todos sobre esse descalabro. Os cariocas precisam saber o que o Prefeito, e alguns vereadores, estão fazendo com o serviço público carioca.

    Volte sempre, será bem vinda e respondida!

  7. Berto Oliveira says:

    Bruno.
    Há um ditado que diz que jamais devemos considerar como má-fé aquilo que podemos definir apenas como burrice. Entretanto, há situações em que ambas andam de braços dados. Certas votações na Câmara Municipal, assim como na Assembléia Legislativa, são um desses casos que a burrice dos eleitores deu asas à má-fé dos legisladores.
    Observando atentamente os votos favoráveis ao projeto, veremos que o seu espectro ideológico foi da esquerda idiossincrática à direita anacrônica. Portanto, a votação não teve caráter ideológico.
    Quem ainda teve a sorte de ter aprendido um pouco de química no ensino médio, sabe que líquidos de diferentes densidades não se misturam e só o fazem circunstancialmente.
    O que motivou, por exemplo, o PT e o PP a votarem juntos? Ou o PCdoB a ter posição idêntica ao DEM? Estatizantes e privatizantes unidos por um mesmo ideal? Neste caso, fica claro a opção pela privatização.
    Voltando à química, qual teria sido o catalizador de idéias que uniu tão eficazmente esses desiguais? Ora bolas, um vereador astuto jamais revelaria. Afinal, não haveria por quê. Um eleitor burro jamais entenderia!
    Abraços.

  8. Bruno Kazuhiro says:

    Berto,

    Obrigado pelo comentário.

    Concordo com você quando diz que a ideologia sumiu. Realmente impera a conveniência. Porém, não acho que o político astuto não revela pois o povo não entenderá. Não revela pois não quer assumir que está lá mais preocupado consigo mesmo e com seus interesses, principalmente, do que com o povo que o elegeu. Ressalto também que, por mais que exista uma coveniência política reinante, alguns vereadores votaram contra o projeto e estes devem ser elogiados.

    Volte sempre, será bem vindo e respondido!

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