“A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já começou a articular sua candidatura presidencial com os partidos de esquerda que formam o bloquinho (PC do B, PSB e PDT). Nas conversas, Dilma tem afirmado que, apesar de valorizar a aliança com o PMDB, pretende reagrupar os parceiros históricos do PT. Mais: diz que seu destino político depende do êxito do governo Lula. Ela teria comentado, em café da manhã com dirigentes do PC do B, no dia 5, que quer continuar a obra de Lula, mas que será difícil sem ele.
O argumento oficial para essas reuniões é aproximar mais os partidos de esquerda do Planalto. O PSB do deputado Ciro Gomes (CE), por exemplo, é um dos que mais reclamam do “esquecimento” do governo. Ex-ministro da Integração Nacional, Ciro não esconde a contrariedade: quer lançar seu nome para a disputa ao Planalto e disse considerar ‘um grave erro’ a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de apresentar candidatura única dos aliados.”
Para Dilma Rousseff seria melhor, com certeza, contar com o apoio do bloquinho, ou seja, de PC do B, PSB e PDT. Porém, a recíproca pode não ser verdadeira e essa aliança não representar a melhor coisa para o bloquinho.
Se Dilma priorizasse o bloquinho, acredito que tudo ficaria em seu lugar, acontece que a equipe do governo, que articula a candidatura de Dilma, trata mal o bloquinho que entende como aliado garantido, na ânsia de agradar apenas o PMDB com tudo o que for possível e atraí-lo para a chapa.
Acontece que o bloquinho não está aí para brincadeira e, na realidade, não se enxerga fraternalmente ligado a Dilma. A prá-candidatura de Ciro Gomes está aí para comprovar isso.
Na minha modesta opinião, Ciro Gomes deveria, sim, lançar candidatura própria. Caso chegasse ao segundo turno contra Dilma, poderia receber o apoio dos tucanos e caso chegasse ao segundo turno contra Serra, com certeza receberia o apoio do governo.
O perigo para ele, obviamente, seria a possibilidade não ter um bom desempenho. Porém, neste caso, acredito que pouca coisa mudaria. Ele tenderia a se aproximar de Dilma em um eventual segundo turno como sócio minoritário, sendo o PMDB o principal aliado da Ministra. Alguém acredita que aconteceria algo diferente disso mesmo que Ciro estivesse com ela desde o início?
Noves fora, se eu fosse Ciro Gomes, me candidataria. Se ele fosse mal, teria facilidade para se colocar na mesma posição que teria se não se candidatasse. Se ele fosse bem, poderia ser a única chance do governo de vencer o PSDB, o que faria Lula descarregar o apoio dele em sua candidatura.










