Diz Marcos Guterman em seu blog:
“O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mandou os especialistas em matemática e estatística do Partido Socialista Unido da Venezuela estudarem a fundo os resultados do referendo de 15 de fevereiro. Apesar de sua vitória na votação, que lhe deu o direito de buscar a reeleição eterna, Chávez ficou intrigado com a quantidade de eleitores pobres que ainda insistem em votar na oposição.
Segundo o jornal El Universal, Chávez disse a seus assessores que é preciso descobrir as causas disso e convencer esses eleitores ‘com a verdade’ de que a ‘revolução’ é deles também.”
Chega a ser engraçada, em um sentido ruim, a dúvida de Hugo Chávez. Seria algo como “Como pode ser que eu domine tudo, e eles ainda não votem como eu quero?”. É o tipo de graça que na verdade é triste, advinda da perplexidade.
Embora seja curioso ver Chávez sem explicações para um fato que para ele é inaceitável, sendo esse o não-controle de algum venezuelano pobre por ele, acho que o blog Perspectiva Política pode explicar para o líder venezuelano qual é a causa. Ela parece se dividir em duas partes:
Por um lado, existem pobres venezuelanos votando na oposição pois, por serem deixados sem educação e, consequentemente, sem conhecimento, pelo regime, não formam opinião crítica e, assim, se são suscetíveis à propaganda chavista, também o são em relação à propaganda oposicionista.
Por outro lado, existem pobres venezuelanos votando na oposição pelo simples fato de que, pobreza e falta de estudo não significam, necessariamente, burrice, ou seja, existem outros venezuelanos pobres que, por mais que não tenham chance de adquirir conhecimento, conseguem, sim, com a vida, criar opinião crítica. Ao verem que suas vidas não melhoram e que os discursos de Chávez não passam de retórica “bolivariana”, decidem votar na oposição com a esperança de que, por mais que não sejam também lá grandes coisas, mudem algo para melhor.
Resumindo, existem aqueles que, por algum motivo, não são ludibriados pela propaganda de Chávez e acabam ludibriados pela da oposição. São os que não racionalizam muito o voto e deixam de apoiar o caudilho sem saber bem o porquê. E existem aqueles que conseguem, mesmo sem muita informação, conhecimento ou cultura, racionalizar o voto no sentido de não querer mais quem não faz nada por eles a longo prazo, apenas provê certos benefícios, que não existiam anteriormente, e isso tem que ser reconhecido, dentro da mesma conjuntura de sempre, a da pobreza endêmica.
Pronto Chávez. Acho que está explicado. Porém, seu instituto de pesquisas encontrará, provavelmente, outra explicação. Deve ser alguma mais bolivariana.










