A postagem “Disputa enlameada” já tratou da disputa entre Fernando Collor e Eduardo Azeredo pelo Comissão de Relações Exteriores do Senado. Ela cita as fichas não tão cristalinas dos contendores e dos aliados principais de cada um, que influenciam diretamente na disputa em questão.
Porém, vale informar a todos os leitores que um acordo entre Azeredo e Collor está em vias de ser conseguido. O próprio Presidente do Senado, José Sarney, coordena as negociações.
Parece que a disputa não precisará ir ao plenário, o que faria com que o PTB, de Collor, colocasse o argumento de que esteve ao lado de Sarney na campanha contra o argumento da proporcionalidade, que é praxe do Senado e alegado pelo PSDB de Azeredo. Isso abriria um precedente perigoso e esse é um dos motivos que faz Sarney intervir.
Sobre todo esse cenário vale ressaltar algo que, para mim, é impressionante. O PTB usa para barganhar o fato de que, embora a proporcionalidade esteja do lado do PSDB, os votos estão do lado do PTB. Como esteve ao lado de Sarney, o partido conta o apoio do bloco que elegeu o Presidente, o que se concretizado, garantiria a presidência da Comissão para Collor.
Porém, o PTB não conta apenas com os votos do bloco para ter o argumento de que venceria no plenário e ter poder de fogo na negocição com o PSDB. Conta também, por ser da base do governo, com os votos do PT. Aloizio Mercadante, líder do PT, já chegou a ser avisado pelo petebista Gim Argello que “se o governo não der os votos que o PTB precisa, não poderá cobrar os votos do PTB depois“.
Em resumo, e é o resumo que me espanta, a situação fica da seguinte forma: O PT pode acabar sendo pressionado a votar de modo a dar a presidência de uma Comissão para Fernando Collor de Melo. Vou repetir. Seria o PT ajudando a eleger Collor, pasmem, Collor.











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