O preço do apoio

Em 08/02/2009 Comente »

Parece que o PMDB, como já foi comentado aqui neste blog na postagem “Sarney e Temer, Dilma e Serra”, está mesmo tentando diminuir as diferenças entre suas alas, a “do Senado” e a “da Câmara”, para poder se unir em torno de um projeto presidencial, ao invés de se dividir, e cobrar caro pelo apoio.

Na minha opinião, e parece que será isso mesmo, o PMDB tem, hoje, mais chances de se unir em torno de Dilma do que de Serra. É claro que não se pode descartar também a possibilidade do partido se dividir, porém, com o fim da verticalização, os caciques regionais poderão divergir da cúpula e, na prática, o PMDB entraria na chapa de um candidato à presidência oferecendo a maioria do partido, e não sua totalidade, além do tempo de TV. Isso já é o bastante para despertar a cobiça tanto do PSDB, quanto do PT.

Voltando ao apoio do PMDB à candidatura de Dilma, acredito que o partido prefira se aliar ao PT. Acho que a esperança da legenda de beliscar cargos mais importantes e com orçamentos mais gordos fica maior quando o vislumbre é de um governo petista. Resumindo, o PT pagaria mais caro, e o PMDB quer cobrar o quanto puder.

Isso se comprova com as notícias que chegam dos bastidores de que Geddel Vieira Lima, membro da ala “da Câmara” e aliado de Michel Temer, cotado para ser indicado como candidato a Vice-Presidente em uma chapa PT-PMDB, estaria não só pleiteando a vaga de Vice, como também, o Ministério da Casa Civil. Segundo as informações, Geddel estaria dizendo que quer ser o “Dilmo” da Dilma. Valendo lembrar que a Casa Civil coordena outros ministérios e é responsável pela execução de diversas obras.

Se por acaso o PMDB conseguir se unir para cobrar caro pelo seu apoio, pode ser, realmente, que esse preço caro seja indicar pessoas de seus quadros para postos mais que estratégicos do governo. E é por isso que eu acredito que se o PMDB não ficar dividido, deve estar com o PT. Acho que com o PSDB no poder, o PMDB seria apenas um aliado prioritário, enquanto com o PT no poder, sendo Dilma a Presidente, o PMDB seria, literalmente, sócio da legenda de Lula no governo.

Como já dito aqui, o que pode mudar isso é o fato de Dilma ser encarada, perto das eleições, como sem chances. O PMDB quer estar sempre com o governo e estará com Serra se a vitória dele for certa. Se não for, estará com quem paga mais, o PT. E para cobrar esse pagamento, está se unindo por conveniência.

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