Análise Geral: Serra e Aécio: A hora da verdade.

Em 30/07/2010 2 comentários »

O desempenho do presidenciável tucano José Serra nas pesquisas piorou no que se refere a Minas Gerais.

O PSDB está perdendo espaço na corrida presidencial no estado, embora Aécio Neves lidere, com índices astronômicos, a disputa pelo Senado.

Desde sempre existe o boato de que, preterido da corrida presidencial por conta das pretensões de Serra, Aécio faria corpo mole na campanha presidencial do PSDB em seu estado. Trataria de se eleger, dar a vitória ao seu poste, o atual Governador Antonio Anastasia, e ponto final. O voto “dilmasia”, Dilma Presidente e Anastasia Governador, não o incomodaria.

Mas esse é o boato. Não se sabe qual é o fato. Aécio já discursou pedindo votos para Serra de forma veemente, o que gera dúvidas sobre seu real posicionamento.

Pois bem. Agora teremos a resposta. Serra precisa de Aécio em Minas neste momento, para vencer e quem sabe abrir vantagem no estado que, junto com o Rio de Janeiro, decidirá a eleição.

Vamos ver o que acontece.

Chegou a hora da verdade.

Ciro diz que apóia Dilma mas não diz se fará campanha.

Em 30/07/2010 1 comentário »

Informa o Estadão :

“O almoço entre a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o deputado federal Ciro Gomes (PSB) durou pouco mais de uma hora nesta quinta-feira, no escritório político do PT no Lago Sul, em Brasília.

Na saída do encontro, Ciro garantiu apoio à candidatura petista, mas não revelou se gravará programas para a TV declarando voto nela.”

Ciro foi um aliado leal do governo. Teve seu companheirismo pago com deslealdade.

O verso da música que sempre ouvimos na voz de Beth Carvalho, “você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”, se aplica perfeitamente.

Agora o PT quer que Ciro peça votos para Dilma, mesmo tendo sido sacaneado – essa é a palavra – em benefício de um poste sem sua histórica política e sem sua capacidade.

Eu, se fosse Ciro, não iria atrapalhar, mas lavaria minhas mãos.

Na verdade, há até algo melhor a se fazer:

Apoiar Marina.

Sacerdote que abençoou posse de Evo Morales é pego processando cocaína.

Em 30/07/2010 2 comentários »

Informa o Estadão :

“Valentín Mejillones, o sacerdote aimará que abençoou a posse de Evo Morales em janeiro, foi preso com 240 quilos de cocaína líquido, ao lado de um casal de colombianos, nesta quinta-feira, 29.

De acordo com o diretor do departamento antinarcóticos da polícia boliviana, ele foi detido na noite de terça-feira em sua casa, em El Alto, na Grande La Paz, processando cocaína, vestindo suas roupas cerimoniais. O filho do sacerdote e um casal de colombianos ainda não identificado pela polícia estavam no local do crime.”

O sacerdote que deu à benção ao cocaleiro Evo Morales em sua posse como Presidente da Bolívia foi pego processando cocaína?

Quem diria…

Análise Geral: Quando os recursos vencem as ideologias.

Em 29/07/2010 1 comentário »

Muitos meios de comunicação citam, com falsa perplexidade, o fato de prefeitos apoiarem candidatos a governador do campo político oposto em diversos estados do Brasil.

Acontece no Rio, em São Paulo, em Minas, em Pernambuco, na Bahia, enfim, tem para todos os gostos. Atingindo todos os partidos.

Mas isso não é novidade para os analistas políticos e jornalistas que cobrem os bastidores da política nacional, daí eu utilizar a expressão “falsa perplexidade”.

É claro que seria muito melhor e mais saudável se houvesse ideologia partidária, respeito a ideais políticos e espírito de grupo – e reclamar a existência destes é correto e louvável -, contudo, se dizer surpreso com balaio de gatos da política nacional é coisa para inglês ver.

Sabe-se desde sempre que antes os recursos que o governador envia para as prefeituras, depois as identidades partidarias.

Enquanto a União for muito mais poderosa que os estados e os estados muito mais poderosos que os municípios, sem descentralização e sem respeito ao federalismo constitucional, os chefes do executivo comprarão seus subordinados de fato, sejam de quais partidos forem.

Dilma diz que é a mãe do povo brasileiro

Em 29/07/2010 5 comentários »

Disse a presidenciável Dilma Rousseff:

“O presidente Lula me deixou um legado [...], que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro.”

Mãe do povo brasileiro?

Sem comentários.

Exagero: MST diz que Serra é de extrema direita

Em 28/07/2010 4 comentários »

Informa o Globo:

“O coordenador regional do Movimento dos Sem Terra (MST), Jaime Amorim, disse ontem que, qualquer que seja o presidente eleito, o movimento apresentará proposta impondo limite de 500 hectares para as propriedades rurais, sejam elas de empresas ou famílias.

O MST defende ainda criação de um órgão mais ágil para a reforma agrária, pois o Incra estaria ‘desestruturado e defasado’.

Amorim rebateu as declarações do tucano José Serra de que uma eventual eleição de Dilma Rousseff (PT), candidata apoiada pelo MST, aumentará ‘as invasões e a agitação’:

— Ele (Serra) tem postura conservadora, de extrema direita”

Uma das maiores bobagens ditas neste processo eleitoral.

É um exagero enorme dizer que Serra é de extrema direita.

Até porque nem mesmo de direita ele é. É de centro, no máximo.

Em alguns países europeus, líderes da esquerda têm posições parecidas com as de Serra. 

A realidade é que o PSDB está à direita do PT. Mas isso não faz dele um partido de direita.

Além disso, mesmo entre os tucanos, Serra é um dos que está menos à direita.

Que direitista seria Serra defendendo intervenções do Estado em diversas áreas como ele defende?

No Brasil confunde-se proximidade com o empresariado com direita ideológica.

E nem adianta dizer que o Democratas está puxando o PSDB para a direita. Isso se deu no governo Fernando Henrique. Hoje ocorre o oposto, com o Democratas caminhando para a centro-direita social-liberal.

Dizer que Serra é de direita é um equívoco. De extrema direita, então…

Serra não é de extrema direita nem aqui nem na China.

Literalmente.

Coluna do dia: Desrespeito, descaso e a estratégia dos covardes de fugir dos debates

Em 26/07/2010 1 comentário »

Por Arthurius Maximus*

Para que uma eleição seja justa, os eleitores devem conhecer as propostas e a capacidade individual dos candidatos de executá-las. Devem estar atentos à personalidade do político, aos seus deslizes e às suas ousadia e inteligência.

Mas, como se consegue isso?

Conseguimos através de um cuidadoso acompanhamento da vida pregressa de cada candidato, suas realizações, seus posicionamentos éticos e morais – ao longo de toda a sua carreira pública – e nos debates.

Esses são os elementos que transformam factóides em fatos reais e a propaganda, meramente populista, em algo voltado para iludir o eleitor. Tudo isso contribui para transformar informações em meios palpáveis para o eleitor formular uma opinião e escolher o melhor candidato para um cargo eletivo.

Mas, no Brasil, vemos uma atitude totalmente antidemocrática ser tolerada pelo eleitorado e acalentada por muitos políticos que desejam enganar a população, temendo o confronto de ideias por saberem-se incompetentes para tal e passíveis de serem desmascarados.

A postura de diversos candidatos, tanto à Presidência quanto aos governos estaduais, de fugir dos debates é, no mínimo, um sinal ao eleitorado de que eles se preparam para aplicar o contumaz golpe do estelionato eleitoral. Sem “colocarem a cara pra bater”, os políticos derramam suas promessas vazias sobre o populacho sedento e esperam que o uso da máquina, o forte apoio financeiro ou mesmo as verdadeiras fantasias que são tecidas na época das eleições façam o trabalho de enganar o eleitor e para que este vote no candidato fujão.

Numa nação composta em 74% por adultos analfabetos funcionais e 54% do eleitorado sem ter sequer o primeiro grau (números do MEC e do IBGE), a ausência dos debates é a estratégia dos covardes incapazes para manipular a massa ignorante e garantir o posto de “salvador da pátria”.

O eleitor, por sua vez, mostra-se impassível e indiferente diante das falcatruas éticas, das imoralidades eleitorais e da tibieza de propostas, que sequer resistiriam a um contraditório sério. Muito embora o colégio eleitoral brasileiro seja um dos mais vastos do mundo, certamente também é um dos mais alienados e desestimulados. Pesquisa recente revelou que, se o voto fosse facultativo, cerca de 44% do eleitorado simplesmente não compareceriam às urnas.

Essa é uma constatação aterradora quando a comparamos, por exemplo, com os índices dos dois principais candidatos nas pesquisas de opinião. Nenhum deles atingiu sequer um patamar próximo a esse índice de rejeição.

Mas, o que podemos entender desses números?

Muito simples: No Brasil, quem decide o voto é a massa desinteressada que, muitas vezes, vota sem qualquer análise e sem qualquer percepção do desastre que pode estar contido em seu próprio descaso.

Daí, a estratégia de fugir dos debates e de expor-se o menos possível para o eleitor, acaba rendendo frutos e garantindo que a propaganda da máquina governamental ou o poderio financeiro cumpram o seu “dever” de imprimir a marca do candidato na mente desse eleitorado. Assim, vota-se em “qualquer um” porque “tudo é a mesma coisa”  ou “não tem jeito” e acaba-se esquecendo que as eleições são o momento para o eleitor premiar quem atuou dentro da ética e da observância das leis e fez um bom trabalho e punir aqueles que agiram de forma contrária aos anseios da nação.

O resultado óbvio pode ser visto, ano após ano, expresso nos escândalos, nos hospitais sucateados, na corrupção desenfreada, nas ilicitudes variadas e perversamente perdoadas pelo eleitor. Cabe, a cada um de nós, repudiar a inação e assumir a responsabilidade que nos cabe, cobrando do candidato que ele compareça aos debates e exponha suas propostas ao crivo do contraditório.

Só assim saberemos se, antes de tudo, ele tem “peito” e condições para levar os seus projetos mesmo contra interesses nefastos que queiram se locupletar do poder. E, em caso de erro, saberemos que votamos naquele que apresentava as melhores condições no momento e aprenderemos com o erro cometido, refinando nossa prática eleitoral e depurando nossas escolhas a cada nova oportunidade.

E você leitor, o que pensa disso?

*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica

Análise Geral: Os motivos que fazem a oposição não atacar o viés radical do PT

Em 26/07/2010 17 comentários »

Por mais que o Presidente Lula tenha uma popularidade astronômica, existem aqueles que não gostam nem um pouco do Presidente e, principalmente, repudiam a ideologia do PT, especialmente a mais radical.

Alguns dizem que estes são os que compõem os tais 5%. Este é o patamar constante de porcentagem que, nas pesquisas de opinião, é atribuído ao conjunto dos que apontam o governo Lula como ruim ou péssimo.

Pois bem. Os brasileiros que têm este viés ideológico questionam, constantemente, sobre o porquê de a oposição não explorar os argumentos a respeito do viés radical do PT.

Eles se perguntam: Por que o PSDB não fala que Dilma Rousseff foi uma “terrorista”? Por que não criticam a invasão de terras feita por um MST financiado pelo governo? Por que não dizem que a UNE foi cooptada? Por que não falam da proximidade com ditadores como Fidel, Chávez e, até mesmo, o líbio Kadafi? Por quê não citam as conexões do Foro de São Paulo? Por quê?

Por essas e por outras estes brasileiros bateram palmas para o candidato a Vice-Presidente da chapa de José Serra, Índio da Costa, quando este apontou as ligações do PT com as FARC e destas com o narcotráfico mundial.

Os tais 5% de brasileiros que, por motivos ideológicos, entendem o governo Lula como ruim ou péssimo sentiram que seus argumentos foram, finalmente, prestigiados.

Contudo, a cúpula da campanha da oposição não gostou nem um pouco do que ocorreu. Índio da Costa baixou o tom, José Serra assoprou e a campanha do PSDB e do Democratas não tratará do tema na televisão ou nos debates, para a tristeza dos 5% que têm a certeza de que atacar o radicalismo do PT poderia dar a vitória aos oposicionistas.

Alguns chegam a dizer: Temos que ter uma oposição de verdade!

Na blogosfera não é diferente, com Reinaldo Azevedo à frente e com muitos outros, como Augusto Nunes, Diogo Mainardi e, inclusive, Yashá Gallazzi, colunista deste blog.

Acontece que esses 5% têm de entender que esses ataques não dariam a vitória à oposição. Os brasileiros não querem uma oposição de verdade em sua maioria e 5% não são suficientes e sim 50% mais um.

Isso se dá por dois motivos simples, que, condensados, me levaram a escrever este texto:

Quem odeia o viés radical do PT já vai votar em Serra, o que faz com que estes ataques não tragam novos votos dentro destes 5%.

E o brasileiro médio, maioria do eleitorado, que em grande parte recebe o Bolsa Família, não faz ideia do que sejam as FARC, não sabem quem é Kadafi ou Ahmadinejad, nunca leram Reinaldo Azevedo e votam com o bolso e/ou com o estômago, e não com ideais.

Portanto, estes 5% têm de entender que enquanto o ensino do País for de baixa qualidade, os fatos que por eles são levantados pouco serão levados em conta na hora do voto da maioria da nação.

Por isso, José Serra está apostando em se apresentar como alguém mais experiente para manter e aumentar os avanços dos últimos 16 anos e não atacando o viés radical do PT.

Acontece que Lula pode muito bem dizer: Se eu comandei os avanços, sei melhor quem deve continuá-los. Obviamente apontará Dilma.

Por conta disso alguns estrategistas da oposição traçam o seguinte plano: Poupar Lula, mas atacar Dilma e o PT.

Nessa linha, Índio da Costa citou a ligação do PT com as FARC.

Mas nesse momento voltamos ao desconhecimento do eleitor médio sobre esse tipo de argumento.

Poderia-se então atacar em uma área de compreensão mais simples, como a ética. Bater no mensalão petista quem sabe. Mas a oposição teve o seu escândalo, embora bem menor e com punição rápida.

Entende-se melhor agora porque afirmam os especialistas que a oposição está com dificuldade para construir o seu discurso.

Os bastidores da disputa pela indicação para o STF

Em 25/07/2010 1 comentário »

O jornalista Lauro Jardim comenta, em seu blog, sobre os interessantíssimos bastidores da disputa pela indicação presidencial para a vaga no Supremo Tribunal Federal que se abrirá com a aposentadoria de Eros Grau:

“Os lobistas já preparam seus mais sedutores discursos de convencimento para atuar. Nos próximos quinze dias, Lula definirá o nome do sucessor de Eros Grau no STF. Direta ou indiretamente, uma seleta turma de advogados, ex-ministros e ministros fará campanhas mais ou menos discretas por seus candidatos.

Lula faz mistério, como sempre. Na semana passada, por exemplo, recebeu Eros Grau em audiência. O ministro foi despedir-se. Em 45 minutos de conversa, Lula não tocou no tema sucessão. Se lhe fosse perguntado algo, Eros falaria da satisfação de ver o jurista Arnaldo Malheiros como seu sucessor.

Este não é um ritual desconhecido para Lula. Em quase oito anos, será sua nona indicação para o STF. Além das consultas óbvias — o ministro da Justiça, o advogado-geral da União — Lula ouve um grupo de sua confiança que inclui Márcio Thomas Bastos, Sepúlveda Pertence (ele próprio ex-STF) e Sigmaringa Seixas.

Dessas conversas tira o nome que deverá ter entre 35 e 65 anos, reputação ilibada e notório saber jurídico, como reza a Constituição. O candidato a ministro do STF terá que ter tido também o apoio de pelo menos uma dessas figuras que influenciam Lula. E, finalmente, torcer para que um desses interlocutores de Lula não sopre características pessoais que possam detoná-lo.

A lista dos candidatos não é grande. Resumidamente, eis o que pesa a favor ou contra os três principais postulantes:

*Cesar Asfor Rocha, presidente do STJ, é, aparentemente, o favorito. Mas sofre resistências poderosas, inclusive dentro do STF. Vários ministros do Supremo têm restrições a ele. Lula, obviamente, sabe desse embaraço, que começa no próprio presidente do STF, Cezar Peluso.

*Arnaldo Malheiros, criminalista reputado, advogado de políticos como Franco Montoro, Mario Covas, FHC, Fernando Collor, tem contra si o mensalão. Ou, mais especificamente, o fato de ter sido defensor de um dos mais notórios símbolos do mensalão, Delúbio Soares. Se virar ministro, terá que se declarar impedido de julgar o caso. A seu favor tem o apoio muito discreto do velho amigo Márcio Thomaz Bastos.

*Luís Roberto Barroso, apesar de novo, 52 anos, é velho candidato ao STF. Nas últimas sucessões trabalhou para viabilizar-se — inclusive com o apoio de José Dirceu em seus tempos de Casa Civil. Um dos mais reputados constitucionalistas do Brasil, Barroso tem agora mais chance de êxito. Conta com apoiadores influentes. Há três semanas, Lula reuniu-se com Sigmaringa Seixas e Gilberto Carvalho. Sig, como é tratado por Lula, sugeriu Barroso como o nome ideal para o cargo. Desfiou uma série de razões. Lula, como faz nessas horas, não disse nada. Apenas cofiou a barba.

Uma conversa aqui com o presidente. Outra ali com seus auxiliares diretos, como Gilberto Carvalho. E a coisa vai tomando figura mais concreta. As duas próximas semanas serão decisivas neste jogo.”

Análise Geral: Lula, o messianismo, o suposto golpismo da oposição e a militância na internet

Em 24/07/2010 8 comentários »

Informa a Folha:

“Ao discursar em ato de campanha de Dilma Rousseff em Garanhuns, nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite política do país tentou dar o golpe em seu governo depois do escândalo do mensalão, em 2005.

Segundo Lula, como a tentativa foi frustrada, os golpistas derrubaram Severino Cavalcanti da presidência da Câmara dos Deputados.

‘Tem gente que tem vergonha de se aproximar de você. Mas nessa campanha a gente não quer só ganhar eleição, mas amadurecer politicamente’, disse Lula, olhando para Cavalcanti na platéia.

‘Meu querido companheiro Severino, a elite da câmara elegeu você presidente para você fazer o jogo sujo que ela queria, mas não tinha coragem de fazer que era pedir meu impeachment em 2005′, disse.

Lula chamou a elite política de ‘perversa’ e disse que é com ela que é preciso acabar nas eleições. O presidente não citou o nome dos adversários, mas se referiu aos ’senadores de oposição de Pernambuco’.

‘Meu corpo estaria mais arrebentado que o corpo de Jesus Cristo depois de tantas chibatadas’, afirmou, pelas críticas que sofreu da oposição durante seu governo.

Referindo-se a 2005, Lula disse: ‘O que tentaram fazer comigo, fizeram com Getúlio e ele deu um tiro no peito. O que tentaram fazer comigo fizeram com Jango que teve que sair do Brasil. O que não sabiam, é que Lula era milhões de Lulas espalhados por esse país’, afirmou.”

Qualquer pessoa racional, sensata e honesta intelectualmente se sentirá incomodado com as declarações do Presidente. E não precisa ser tucano para achar isso. Basta ser alguém de bom senso.

Vejamos:

Lula diz que a oposição foi golpista na época do escândalo do mensalão em 2005. Os fatos dizem que o mensalão realmente ocorreu e que o PSDB hesitou em levar à frente o pedido de impeachment.

Lula diz que Severino é seu companheiro. Os fatos dizem que Severino é representante de uma política arcaica, atrasada, corrupta e em extinção e que Lula apenas o afaga por conveniência eleitoral.

Lula diz que é preciso acabar com a elite política. Os fatos dizem que representantes da elite política como Michel Temer, José Sarney e Renan Calheiros estão ao lado de Lula nessas eleições, sendo um deles o Vice de sua candidata que, com a ajuda imprescindível de Lula, assumirá a Presidência de vez em quando se ela vencer.

Lula diz que seu corpo estaria mais arrebentado que o de Jesus. Os fatos dizem que esta metáfora é de um messianismo prejudicial.

Lula diz que tentaram fazer com ele o que fizeram com Getúlio e Jango. Os fatos dizem que este paralelo aponta para a arrogância de Lula, que o faz comparar-se com figuras históricas da nação o tempo todo.

Por essas e por outras se torna impossível não criticar Lula em alguns momentos. E isso não faz da pessoa um oposicionista. Faz dela apenas um ser que não coloca uma venda nos olhos por conta dos avanços que o governo conquistou durante os últimos 8 anos.

Os mais radicais que defendem que se coloque a venda passam por insensatos por isso.

Uns defendem o indefensável na ânsia de proteger o que anda bem.

Outros defendem o indefensável por suas ideologias e sonhos.

Estes eu respeito.

O problema são aqueles que defendem o indefensável por conta de terem participado da confecção do indefensável e terem levado vantagem com isso.

Estes eu repudio.

No fim das contas, estes últimos defendem Lula porque ganham – e muito – com seu governo. Pecuniariamente.

Os primeiros o defendem sem saber o que se passa nos bastidores e sendo mais raivosos contra os que pensam diferente do que o próprio Lula quando fora do palanque.

Enquanto os mais moderados têm de aturar os petistas radicais da blogosfera, Lula quer levar uma egressa do PDT e um perfeito representante do conservadorismo para a Presidência.

Os exércitos se enfrentam e se matam enquanto os generais fazem acordos na mesa do café.