Por mais que o Presidente Lula tenha uma popularidade astronômica, existem aqueles que não gostam nem um pouco do Presidente e, principalmente, repudiam a ideologia do PT, especialmente a mais radical.
Alguns dizem que estes são os que compõem os tais 5%. Este é o patamar constante de porcentagem que, nas pesquisas de opinião, é atribuído ao conjunto dos que apontam o governo Lula como ruim ou péssimo.
Pois bem. Os brasileiros que têm este viés ideológico questionam, constantemente, sobre o porquê de a oposição não explorar os argumentos a respeito do viés radical do PT.
Eles se perguntam: Por que o PSDB não fala que Dilma Rousseff foi uma “terrorista”? Por que não criticam a invasão de terras feita por um MST financiado pelo governo? Por que não dizem que a UNE foi cooptada? Por que não falam da proximidade com ditadores como Fidel, Chávez e, até mesmo, o líbio Kadafi? Por quê não citam as conexões do Foro de São Paulo? Por quê?
Por essas e por outras estes brasileiros bateram palmas para o candidato a Vice-Presidente da chapa de José Serra, Índio da Costa, quando este apontou as ligações do PT com as FARC e destas com o narcotráfico mundial.
Os tais 5% de brasileiros que, por motivos ideológicos, entendem o governo Lula como ruim ou péssimo sentiram que seus argumentos foram, finalmente, prestigiados.
Contudo, a cúpula da campanha da oposição não gostou nem um pouco do que ocorreu. Índio da Costa baixou o tom, José Serra assoprou e a campanha do PSDB e do Democratas não tratará do tema na televisão ou nos debates, para a tristeza dos 5% que têm a certeza de que atacar o radicalismo do PT poderia dar a vitória aos oposicionistas.
Alguns chegam a dizer: Temos que ter uma oposição de verdade!
Na blogosfera não é diferente, com Reinaldo Azevedo à frente e com muitos outros, como Augusto Nunes, Diogo Mainardi e, inclusive, Yashá Gallazzi, colunista deste blog.
Acontece que esses 5% têm de entender que esses ataques não dariam a vitória à oposição. Os brasileiros não querem uma oposição de verdade em sua maioria e 5% não são suficientes e sim 50% mais um.
Isso se dá por dois motivos simples, que, condensados, me levaram a escrever este texto:
Quem odeia o viés radical do PT já vai votar em Serra, o que faz com que estes ataques não tragam novos votos dentro destes 5%.
E o brasileiro médio, maioria do eleitorado, que em grande parte recebe o Bolsa Família, não faz ideia do que sejam as FARC, não sabem quem é Kadafi ou Ahmadinejad, nunca leram Reinaldo Azevedo e votam com o bolso e/ou com o estômago, e não com ideais.
Portanto, estes 5% têm de entender que enquanto o ensino do País for de baixa qualidade, os fatos que por eles são levantados pouco serão levados em conta na hora do voto da maioria da nação.
Por isso, José Serra está apostando em se apresentar como alguém mais experiente para manter e aumentar os avanços dos últimos 16 anos e não atacando o viés radical do PT.
Acontece que Lula pode muito bem dizer: Se eu comandei os avanços, sei melhor quem deve continuá-los. Obviamente apontará Dilma.
Por conta disso alguns estrategistas da oposição traçam o seguinte plano: Poupar Lula, mas atacar Dilma e o PT.
Nessa linha, Índio da Costa citou a ligação do PT com as FARC.
Mas nesse momento voltamos ao desconhecimento do eleitor médio sobre esse tipo de argumento.
Poderia-se então atacar em uma área de compreensão mais simples, como a ética. Bater no mensalão petista quem sabe. Mas a oposição teve o seu escândalo, embora bem menor e com punição rápida.
Entende-se melhor agora porque afirmam os especialistas que a oposição está com dificuldade para construir o seu discurso.