justo e independente, sensato e coerente
In: 13. Economia
8 Feb 2010Informa Lauro Jardim, na Veja:
“A classe C, a nova classe média brasileira, voltou a crescer e aparecer. Entre 2003 e setembro de 2008, 31 milhões de brasileiros ascenderam à classe C. Com a marolinha, 0,5% deles retornaram a um patamar abaixo. Agora, a boa-nova que será anunciada nos próximos dias pelo pesquisador Marcelo Néri, da FGV/RJ: entre setembro e dezembro de 2009, mais 2,6 milhões de brasileiros ascenderam à classe média.”
É claro que a melhor notícia seria a de que houve aumento da classe B, quiçá da A.
Mas a informação de que a classe C aumentou, com diminuição das classes D e E já é motivo de comemoração.
Boa notícia.
Informa a Folha:
“Aclamada pela juventude do PT como futura presidente da República, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse neste domingo que não vai colocar o ‘carro na frente dos bois’ ao negar que já esteja em campanha para a Presidência da República.”
Mais uma da série “me engana, que eu gosto”.
A declaração é tão desconectada do que vemos no cotidiano da política nacional que a própria Dilma se trai ao dizer, no mesmo dia, que espera “contar com a força desse juventude para que o projeto de continuidade do governo Lula seja vitorioso em 2010″.
Os políticos estão dando tantas declarações claramente revogadas pela realidade que a série “me engana, que eu gosto” só prolifera.
Triste.
In: Tiago Franz
8 Feb 2010Por Tiago Franz*
Ela enfrenta o próprio partido. Abandona o cargo. Rompe. Quantos são os políticos que agem dessa forma quando veem os princípios que sempre defenderam substituídos por outros interesses?
Ela é discreta e cuidadosa. Evita frases de efeito. Critica sem difamar ou baixar o nível. Quantos são, na política, os que preferem o recato e a seriedade à provocação e à criação de espetáculos?
Ela tem a ficha limpa. Quando Vereadora por Rio Branco (1988 a 1990), devolveu o dinheiro dos benefícios e mordomias. Quando Deputada Estadual do Acre (1990 a 1994), liderou um movimento contra a aposentadoria de ex-governadores. Sua única propriedade é uma casa, em Rio Branco. Até mesmo a revista Veja, acostumada a metralhar petistas e verdes, apelidou a Senadora e ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pré-candidata à Presidência da República pelo PV, de “A imaculada”.
Não é o passado difícil de Marina Silva que faz dela um bom exemplo para a política brasileira e global. A infância e juventude miseráveis, a alfabetização tardia e a série de problemas de saúde que enfrentou não são os responsáveis pelos méritos políticos conquistados pela acreana. O que engrandece Marina, assim como a todos os que, independentemente da origem social, fazem política com comprometimento público, é a sua vida pública.
A revista Piauí, edição 40, de janeiro deste ano, publicou um perfil de Marina Silva por Daniela Pinheiro. A jornalista perguntou à presidenciável se “a candidatura do empresário Guilherme Leal – fortuna de 1,2 bilhão de dólares estimada pela revista Forbes – como seu Vice não traria mais benefícios para a empresa dele, a Natura, do que para a candidatura dela”. Marina respondeu: “No Brasil, estamos acostumados com oligarquias. Mas não se pode confundir elite com oligarquia. O José Alencar, o Oded Grajew, o Israel Klabin, o Guilherme Leal, eles são elite. É gente que pensa o Brasil como nação, têm ideias, estão verdadeiramente empenhados e são bem-intencionados. Esse é um interesse legítimo. Por incrível que pareça”.
Bom senso é o termo adequado para qualificar Marina Silva. Os rótulos que lhe são atribuídos – ligados à esquerda, ao ativismo ambiental e à sua opção religiosa – ficam pequenos frente às atitudes da Senadora. A resposta dada à jornalista da Piauí é uma demonstração da maturidade política de Marina. Ela não pretende, ao contrário do que pensam alguns, criar uma luta de classes no Brasil, ou então estagnar o crescimento econômico do País em nome da preservação ambiental.
Ela é, por tudo que tem demonstrado, essencialmente democrata. Ela quer apresentar a viabilidade de um novo e sustentável modelo econômico. Ela quer moralizar a política nacional.
Como saber se, depois de eleita, não fará o mesmo que a cúpula do seu antigo partido fez ao assumir o governo? Não se pode saber antes da hora.
Fato é que ela não se prende a pessoas e grupos, e sim às causas em que acredita, como deve ser em qualquer atividade política de caráter público.
Fato é que ela abdicou da força política de que dispõe o PT para prosseguir em seus ideais. Deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente, durante o governo de Lula, quando este resolveu “pôr o dedo” nas políticas ambientais para facilitar o licenciamento de obras.
Fato é que ela tem, dentre os pré-candidatos já conhecidos, aquilo que o Brasil mais necessita: “vergonha na cara”.
Nota do Editor: É por isso que o Perspectiva Política estará, durante a campanha, apoiando o nome de Marina Silva para a Presidência.
*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz
A agenda de hoje do Presidente, divulgada pela Presidência, traz uma informação curiosa: O dia de Lula se abre com uma reunião de uma hora e meia com o Presidente do Conselho Editorial e Vice-Presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, no Gabinete improvisado por conta das obras no Planalto, que fica no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
É claro que um político, ao se tornar Presidente, se transforma no líder de todos, sem exceção. Não pode e nem deve o Presidente governar só para os seus aliados, receber só os amigos e/ou se importar só com o que lhe interessa pessoalmente. Sendo assim, com certeza não está errado Lula ao receber um dos irmãos Marinho. A reunião não é criticável.
Mas não deixa de ser um fato curioso que Lula, aquele que um dia se disse prejudicado pelas Organizações Globo, acusando essa de ser representante de um capital que não queria vê-lo na Presidência, se reúna sem ressalvas com um dos líderes do conglomerado.
Sem dúvida alguma não se pode dizer nada de tom degradante em direção ao encontro. Porém, admitamos que essa relação estreita deve causar alguma estranheza na militância esquerdista que apóia Lula, além de trazer calafrios para os lulistas da internet que, ao mesmo tempo que defendem o governo com unhas e dentes, aplicam na Globo a pecha de golpista.
A agenda de Lula demonstra as mudanças de rumo políticas do Presidente durante os anos.
Além de jogar por terra – ainda bem – as teorias conspiratórias de alguns por aí que afirmam, sem direito a questionamentos, que a mídia brasileira quer derrubar Lula.
Preferir Serra é uma coisa. Querer dar um golpe é outra totalmente diferente. Lula sabe disso. Tanto é que recebe João Roberto Marinho em seu Gabinete sem problema algum.
E Lula não trai seus militantes por fazer isso. Ao contrário, estes grupos mais radicais é que têm que perceber que o governo Lula está mais para Fernando Henrique Cardoso do que para Hugo Chávez.
Quem sabe tenham mais chance de ver um governo que aprovam de verdade se Dilma Rousseff vier a vencer.
E o Brasil que se cuide.
In: Jessica Riegg
7 Feb 2010Por Jessica Riegg*
A todo momento vemos matérias envolvendo violência e jovens, além de várias mortes provocadas por esses “pirralhos” que mal sabem o que estão fazendo. Vemos na nossa frente a juventude se tornar completamente diferente do que fomos…
Muitas vezes os pais culpam os professores por não educarem bem os filhos, mas ao mesmo tempo reclamam quando uma atitude incorreta é punida. Reclamam de tudo, mas não se lembram do mais importante: quem deve educar não são os professores e nem as babás, e sim os pais!
Alguns desses “irresponsáveis” deixam os filhos soltos nas ruas à noite, até a hora que desejarem. Vemos cada dia mais crianças de 12, 13 anos que ficam na rua até meia noite, ou mais, e nunca fazendo coisas produtivas. O que os pais alegam é que não tem mais jeito. Fico inconformada de ver que esses pais realmente acham que não há mais solução e que os adolescentes sabem o que é melhor para vida deles… Com 12 anos de experiência…
Bom, o que acontece depois é que com a falta de punição severa dos pais, esses garotos vão para a marginalidade e são punidos pela Justiça. E quando são presos e seus responsáveis são chamados, ninguém sabe como isso tudo aconteceu, o que a causou os desvios de conduta…
Depois culpam o governo, afirmando que suas políticas são fracas e ineficazes. Alegam que as escolas deveriam ser integrais para que eles trabalhem o dia inteiro, e a escola crie essas crianças… Realmente faltam mais ações do governo na educação, mas nem tudo pode ser culpa dele!
Pais, fiquem em alerta! Cuidem dos seus filhos desde que eles nascerem, eduquem-nos e nunca desistam de tentar ensiná-los alguma coisa! Nenhum filho está totalmente perdido, desde que seja bem orientado pelos pais.
As chances de ter um filho perdido para o crime são bem menores quando ele é bem educado e monitorado. Mas essa educação vem dos pais, e nunca da Justiça ou dos professores.
*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg
In: 01. Análise Política| 02. Corrida 2010| 11. Política Internacional| Dilma Rousseff| Hugo Chávez| José Serra| PSDB| PT| Relações Internacionais
7 Feb 2010Informa a Agência de Notícias EFE:
“O presidente venezuelano, Hugo Chávez, indicou hoje que seria ‘nefasto’ para a América Latina se a direita recuperasse o Governo do Brasil nas próximas eleições presidenciais, em outubro.
‘Neste ano há eleições no Brasil e temos certeza de que o império americano vai apostar tudo na direita brasileira, para ter desde 1º de janeiro do ano que vem um Governo subordinado às ordens americanas. Isso seria nefasto para a união da América do Sul’, disse Chávez em seu programa dominical ‘Alô Presidente’.
‘Não nos intrometemos nos assuntos internos, mas cabe a nós saber o que acontece nos países irmãos da América Latina e do Caribe’, acrescentou o presidente venezuelano.“
Em primeiro lugar, é uma hipocrisia danada se meter descaradamente nos assuntos que envolvem o processo eleitoral brasileiro e depois afirmar que não se intromete em assuntos internos dos países vizinhos. Até parece que resolve assoprar depois de bater.
Em segundo lugar, esse discurso de que uma vitória da oposição seria a vitória dos “ianques” é equivocado e atrasadíssimo. A direita latino-americana já não é mais marionete, pelo menos não nos países mais desenvolvidos, há muito tempo. E o PSDB nem mesmo de direita é, na verdade. Talvez seja possível dizer que é próximo do empresariado, mas isso não é necessariamente ser de direita e muito menos estar subordinado aos EUA. Trata-se de acusação patética. Dizer que o PSDB é entreguista é conversa de uma esquerda órfã do Muro de Berlim. Não convence. Dizer que o governo Lula foi bem melhor no lado social é muito mais interessante.
Por fim, a realidade é que, sinceramente, quando vejo Hugo Chávez dizendo estas baboseiras sobre a oposição e quando lembro que ele já pediu que os brasileiros elejam Dilma Rousseff, ganho pelo menos um motivo para preferir José Serra.
O apoio de Chávez é prejuízo. E ainda bem que é assim. É sensato. Não poderia ser diferente.
Depois de ter apoiado tacitamente um Programa Nacional de Direitos Humanos com certo cunho chavista em diversos pontos, Dilma não pode nem pensar em ser apoiada efusivamente pelo ditador venezuelano. Seria a confirmação de que a esquerda da Ministra não é a de Lula.
E não é mesmo.
In: Matheus Passos
6 Feb 2010A pedido deste editor que vos fala, Matheus Passos, nosso colunista aos sábados, compartilhará suas grandes experiências adquiridas nas viagens feitas nas últimas férias conosco. Matheus passou por Egito, Turquia e Ucrânia. Será o Diário de Viagem do Perspectiva, que estreia hoje e que trará informações sobre estes países mais do que interessantes somadas à escrita refinada do nosso jovem Professor. Espero que gostem. Segue o primeiro texto da série de Matheus.
Por Matheus Passos*
Como os leitores devem saber, durante os meses de dezembro de 2009 e janeiro de 2010 estive viajando para fora do Brasil. Tive a possibilidade de visitar três países completamente diferentes do Brasil: Egito, Turquia e Ucrânia. Nas primeiras postagens de 2010 pretendo fazer um breve relato da viagem a esses países, apresentando não apenas elementos das esferas política, econômica e social, mas também aspectos mais “turísticos” propriamente ditos.
Na coluna de hoje falarei um pouco a respeito do Egito, minha primeira parada. Logicamente, o impacto acontece logo ao desembarcarmos: informações no aeroporto em árabe. Para aqueles que, como eu, não falam nem leem a língua, é um pouco complicado — e acredito ser um momento importante para sentirmos como um analfabeto se sente no Brasil. A “salvação” vem apenas por meio de alguns sinais básicos em inglês, que indicam a saída e o local para pegar a bagagem. Fora do aeroporto, nada feito: tudo em árabe.
Mas não é difícil se virar no país. Uma boa parcela da população egípcia entende um pouco de inglês, o que facilita a comunicação no que diz respeito a negócios. Porém, tirando isso tudo se complica: é relativamente difícil sustentar uma conversação sobre outro tema que não negócios. Por exemplo: a primeira cidade que visitei foi Aswan, no sul do Egito. Eu havia contratado previamente um táxi que me levaria do aeroporto ao hotel, mas eu não sabia se deveria pagar ao taxista ou ao hotel. Ao perguntar isso para o motorista, o mesmo nada compreendeu e não soube me responder: ele basicamente sabia em inglês o nome dos lugares por onde passávamos, mas não sabia dar nenhuma explicação aprofundada. E o mesmo ocorreu em várias outras oportunidades, inclusive no Cairo: se sairmos da esfera dos negócios (e por negócios quero dizer negociação de valores por um souvenir ou por um tour de camelo, por exemplo) e da esfera do turismo em geral, torna-se complicada a comunicação.
Comer em um restaurante local é uma aventura, especialmente quando não há nada em inglês no menu, só em árabe… A comida, aliás, é um caso à parte: o Egito possui uma culinária bastante diferente da nossa, com muitos pratos deliciosos — e outros nem tanto. O que mais me agradou foi a possibilidade de comer o que chamamos de “pão sírio” com muito mais frequência do que aqui no Brasil.
Falar a respeito dos monumentos egípcios é desnecessário, creio eu. Estar em frente às três pirâmides mais famosas é algo simplesmente indescritível. Tive a mesma sensação que experimentei quando visitei campos de concentração e de extermínio nazistas na Alemanha e na Polônia no ano passado: ler sobre as pirâmides e ver fotos delas é uma coisa, estar à frente delas é outra coisa — e entrar nelas, uma experiência ainda mais indescritível. Ver a esfinge também é surpreendente, ainda que — como diz o guia “Lonely Planet” — ela se pareça com um astro de cinema: ao vivo é menor do que parece por fotos. Também foi surpreendente visitar a pirâmide de degraus em Saqqara e as pirâmides Vermelha e Inclinada em Dahshur, bem como visitar o Vale dos Reis em Luxor, o Templo de Karnak em Luxor ou o Templo de Abu Simbel. Isso sem falar em outro verdadeiro “monumento” egípcio, o Rio Nilo: navegar em suas águas por três dias e duas noites em uma felucca — barco sem motor no qual cabem até 10 pessoas — é uma experiência única para o visitante.
Mas nem só de monumentos antigos vive o Egito atual — e aí entramos em uma característica extremamente negativa dos egípcios, pelo menos para mim: tudo, absolutamente tudo, é avaliado em termos monetários. Algo — ou alguém, no caso de um turista — só é bom se puder ser monetariamente valorado. E tal valoração geralmente é absurda. Por exemplo: ao sair do Vale das Rainhas, em Luxor, um vendedor me ofereceu três miniaturas de plástico das pirâmides. Valor original pedido pelo vendedor: 500 libras egípcias (pela cotação da época, algo em torno de 160 reais). Disse que não e continuei andando até onde meu táxi estava me esperando — e essa caminhada não tinha mais do que uns 50 metros. Nesse trajeto, o preço caiu de 500 libras egípcias para 30 libras egípcias — preço que poderia ter caído ainda mais, tenho certeza.
Outra característica que considerei extremamente negativa foi o fato de que eles pedem gorjeta para tudo. Não importa o que for, se eles abrirem a boca para falar com você e você der atenção… Meu amigo, arrumarás uma bela dor de cabeça. E muitas vezes eles pedem dinheiro “do nada”. Por exemplo, fui ao banheiro no templo de Hórus, em Edfu, e perguntei para um funcionário do templo onde ficava o banheiro. Só por isso ele já pediu “money, money”. Falei que não ia dar e o funcionário ficou bastante irritado. Não queria me deixar entrar no banheiro, e só parou de me atrapalhar quando eu disse que ia chamar a polícia. Depois, no templo de Luxor, em cada “sala” do templo fica um segurança, e quando você entra sozinho na sala, lá vem o segurança querer mostrar uma “parte especial” da sala — como se você não fosse olhar tudo por si mesmo… E se você cair na conversa, já era, eles pedem mesmo dinheiro. O jeito é ser grosso ou não dar atenção e deixá-los falando sozinho. E mesmo assim eles insistem… Eu adotei a tática de não responder em inglês, só em português. Aí eles ficam meio perdidos, tentam uma segunda vez — alguns até falam um “hola” em espanhol — , mas acabam desistindo. É cansativo.
Acredito que uma visita ao Egito pode mudar a cabeça das pessoas, não apenas por ver todos aqueles monumentos — e ficar imaginando como foi possível, há tantos mil anos atrás, a construção de edificações nas quais não passa uma folha de papel entre as pedras — mas também para ver que nós, brasileiros, quando comparados ao egípcios em termos sócio-econômicos, somos ricos. Para ver que nós, em termos políticos, somos muito mais democráticos que eles. E para perceber o quanto o Islamismo é forte no Egito, apesar de este ser — creio eu — o país muçulmano mais “liberal” do Oriente Médio. Mas os aspectos sócio-econômicos, políticos e religiosos ficarão para a postagem da semana que vem.
*Matheus Passos é colunista do Perspectiva Política aos sábados, cientista político, editor do blog Pensar Politicamente e escreve no Twitter em @mpassosbr.
A Convenção adiantada do PMDB se realizou hoje. O novo Diretório Nacional da legenda foi eleito. E este aclamou o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, como Presidente do partido, reconduzindo-o ao cargo.
O Senador Valdir Raupp (RO) será o primeiro Vice-presidente do partido e a Deputada Iris Araújo (GO) a segunda vice. O Senador Romero Jucá (RR) é o terceiro. Eunício Oliveira (CE) será o tesoureiro e Mauro Lopes novamente o Secretário-Geral.
Não está decidida ainda a aliança formal com o PT. Será a Convenção que se realizará no meio do ano que isto será decidido. É nesta próxima convenção que as vertentes vão se enfrentar e que o nível de tensão vai subir.
Os delegados enviados por cada diretório estadual peemedebistas dirão se o PMDB fecha com o PT, se alia ao PSDB, se posiciona de forma neutra ou lança candidatura própria.
Existe o grupo que reúne os diretórios Pernambuco, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que são contrários à união com o PT. Os dois primeiros querem o PMDB com Serra. Os três últimos gostam de ideia da candidatura do Governador paranaense Roberto Requião, mas, se ela não se der, preferem Serra. Se Requião viesse a participar, em um possível segundo turno também estariam provavelmente com o tucano, afinal, Requião teria poucas chances.
Acontece que Temer é expoente da ala governista do PMDB. Por isso mesmo é cotado para Vice de Dilma Rousseff, embora não seja o preferido de Dilma. E nem o de Lula, o que importa mais ainda.
Com a recondução de Temer, a aliança com o PT ganha força. Foi para garantir isso que os governistas, majoritários, adiantaram a Convenção. Fizeram isso para prevenir contra possíveis desgastes ou descidas nas pesquisas de Dilma que pudessem enfraquecer a ideia da aliança com o PT e também para fortalecer Temer, que tem sentido a rejeição ao seu nome dentro do governo.
Justamente por ser claro que o adiantamento foi feito para facilitar a aliança com o PT e o fortalecimento do nome de Temer, os grupos contrários ao governo dentro do PMDB pensam em se insurgir na Justiça contra a mudança de data maliciosa.
De qualquer forma, a decisão final se dará realmente em junho.
Aguardemos. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte e, com certeza, algumas cabeças vão rolar. Afinal, o grupo oposicionista do PMDB sabe fazer barulho e o governista lutará muito para conseguir fechar com o PT, já que este depende tanto do tempo de televisão peemedebista para que Dilma tenha mais chances, que dará muito do que o PMDB fisiológico requisitar.
Imaginem a ânsia dos que estão no entorno de Temer, Sarney e Calheiros.
Informa o Globo:
“O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) reafirmou nesta sexta-feira, em Recife, sua disposição em disputar a sucessão presidencial. Em entrevista na capital pernambucana, Ciro voltou a criticar a política de alianças do governo – que ‘mistura alhos com bugalhos, gato, sapato, galinha, pena, cachorro’- e acusou o PT de tratar aliados não fisiológicos como ‘bucha de canhão’ e ‘chiqueiro de ovelha’.
- Não tenho nada contra alianças, muito menos contra a do PT com o PMDB. A minha questão é outra: repito que tipo de cimento, quais são as bases dessa aliança de desiguais? Alhos com bugalhos, gato, sapato, ouro diamante, galinha, cachorro, pena, tudo misturado como estamos hoje? Para o quê? Para reformar o país? – afirmou Ciro ao desembarcar no aeroporto dos Guararapes.
- O PT acostumou a tratar os parceiros como bucha de canhão. Por exemplo, o PCdoB é feito de gato, rato e sapato. Hoje não tem direto a absolutamente nada – acrescentou ele, ressaltando que o mesmo não aconteceu com o PSB porque o presidente da legenda não permitiu.
- O PT trata seus aliados como força subalterna, como chiqueiro de ovelha – completou.
E ratificou, mais uma vez, a intenção de manter a postulação à presidência:
- Minha candidatura apresenta um projeto de futuro e uma proposta ética. Só se meu partido decidir, vou para casa, afirmou, lembrando que sua candidatura é uma proposta ética, de ’limpeza moral e desenho de futuro’.
Ciro disse, no entanto, que sua candidatura não é irreversível, mas assegurou que só o seu partido pode demovê-lo da ideia de disputar a sucessão presidencial. “
O Presidente do PSB e Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se constrangeu com as declarações de Ciro.
Por que será?
É por essas e por outras que dizem que Ciro, quando bafejado pelas chances reais de vitória, as jogou fora sendo verborrágico.
Imaginem quando essas chances não existem…
“Minha candidatura apresenta um projeto de futuro e uma proposta ética”.
Lá vai Ciro Gomes tentando fortalecer sua candidatura a Presidente.
“O PT trata seus aliados como força subalterna, como chiqueiro de ovelha”.
Lá vai Ciro Gomes arruinando sua candidatura a Presidente.