justo e independente, sensato e coerente
Por Alexandre Campbell*
No sábado, o colunista Lauro Jardim levou às páginas da Veja a informação de que a próxima pesquisa CNI/Ibope sobre a sucessão presidencial, prevista para ser divulgada amanhã, mostraria um empate técnico entre o Governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e a Ministra Dilma Rousseff (PT). Com um detalhe: Dilma numericamente pela primeira vez à frente de Serra: um ponto percentual.
A informação causou alvoroço no cenário político. O PSDB desmentiu que tenha tido acesso a esta pesquisa. Ontem, Renata Lo Prete publicou na Coluna Painel, na Folha de S. Paulo, a seguinte nota:
“Bola de cristal. Nas contas do PSDB, Serra aparecerá na próxima pesquisa com algo em torno de 3 a 7 pontos percentuais à frente da candidata petista, Dilma Rousseff.”
A Agência Reuters disparou notícia mais ou menos no mesmo caminho: assegurando que Serra permaneceria à frente, com uma vantagem de três a sete pontos. Quem estará certo? Só amanhã saberemos. É preciso considerar ainda que Folha e Reuters possam estar falando de cenários diferentes. Com Ciro na parada, as últimas pesquisas mostraram que Serra se sai melhor, por exemplo.
Independente dos números, a CNI/Ibope não deve trazer grande novidade, além do óbvio crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de votos, fenômeno que vem sendo registrado por todos os levantamentos.
Mais importante que isso será observar uma das inúmeras perguntas contidas no questionário, em que o Instituto quer saber se o eleitor prefere votar em um candidato “apoiado pelo Presidente Lula”, de “oposição ao Presidente Lula” ou “não vai levar em conta o apoio do Presidente Lula para votar”.
Se o índice de eleitores que escolher a opção “apoiado pelo Presidente Lula” for superior às intenções de votos em Dilma, saberemos que ela ainda tem uma margem de crescimento. Se estes números se equivalerem, estaremos então próximos do “teto pré-eleitoral” de Dilma. Ela pode continuar avançando entre aqueles que “não vão levar em conta o apoio do Presidente Lula para votar”, mas será numa proporção bem menor e com mais dificuldade.
É preciso entender que “o apoio do Presidente Lula”, hoje, é o fator mais importante (senão o único) para justificar os índices de Dilma, mas não é suficiente para assegurar a eleição da Ministra. O que as pessoas costumam chamar de transferência de votos (e que pode fazer com que a Ministra se eleja) têm outros componentes, como a satisfação do eleitor com a vida que leva, a avaliação positiva do governo, etc.
São situações que não levam diretamente ao voto no candidato oficial, mas lhe criam um ambiente favorável. E por outro lado criam uma dificuldade para o candidato da oposição que precisa encontrar um discurso de quem promoverá avanços sem rupturas, fugindo da comparação que o Planalto tentará impor com o governo de Fernando Henrique.
Resumindo: o ambiente é favorável para a petista, que iniciará a campanha com um patamar elevado. É a candidata da “continuidade”. Mas daqui para frente iniciará um outro momento da sucessão eleitoral em que o crescimento se dará em um ritmo mais lento.
O eleitor vai querer conhecer também a “Dilma”, não apenas a “candidata de Lula”.
*Alexandre Campbell, colunista do Perspectiva Política às terças, é jornalista, estudante de Marketing Político e autor do Blog do Campbell, onde escreve diariamente sobre política.
In: 02. Corrida 2010| 04. Partidos| 09. Justiça| DEM| PT
16 Mar 2010Informa O Globo:
“Numa série de depoimentos que vinham sendo mantidos em sigilo pelo Ministério Público Federal, o corretor do mercado financeiro Lúcio Funaro denunciou suposto esquema de arrecadação de recursos para o PT, em transações suspeitas com fundos de previdência de empresas estatais. Entre os principais acusados por Funaro estão o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, o ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno, o atual tesoureiro do partido, João Vaccari, e até o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT).
[...]
Os primeiros depoimentos foram prestados por Funaro entre novembro de 2005 e março de 2006. Neles, ele detalhou como funcionavam o pagamento do mensalão do PT ao Partido Liberal (PL), comandado na época pelo então deputado federal Valdemar Costa Neto. Funaro também levantou suspeitas contra o deputado do DEM Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), que investigava empresas do economista na época da CPI dos Correios.
[...]
Os depoimentos foram incluídos no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão. Segundo Funaro, havia desvios contínuos de dinheiro nos fundos de estatais. Um dos beneficiados seria Dirceu, que nega.”
Todos aqueles interessados nos rumos da política nacional, que acompanham o noticiário sobre o tema, precisam ficar atentos para o desenrolar dessas investigações citadas acima.
Novas e escabrosas revelações sobre os subterrâneos do mensalão podem, e devem, atormentar o PT e, consequentemente, a campanha de Dilma Rousseff, na busca destes pela Presidência.
O ponto principal é o de que começa a parecer indubitável que houve grande desvio do meu, do seu, do nosso dinheiro, para que existissem recursos suficientes para o empreendimento do mensalão.
O Perspectiva estará de olho.
Por Arthurius Maximus*
Que Lula se acha o “protagonista universal” ninguém duvida disso. Dotado de uma soberba que não se justifica, nosso Presidente tem a incrível habilidade de meter os pés pelas mãos e de mostrar todo o seu desconhecimento no quesito ética e sobre o que realmente significa ser o mandatário de uma nação importante a todo o momento.
Embevecido pelos prêmios oferecidos por banqueiros que tiveram seus bolsos recheados “como nunca antes na história desse País” e por jornais que se deixaram enganar pela sua aparente boa imagem, Lula tem o ego constantemente acariciado por uma legião de aduladores e “baba-ovos” que o acompanha para onde quer que vá.
Não satisfeito em apoiar genocidas, intolerantes e ditadores condenados pelas cortes internacionais e pelas entidades de direitos humanos, Lula ainda pretende ser uma figura importante na esperança de diálogo entre palestinos e israelenses.
Contudo, do alto de sua pequenez e de seu pensamento ideológico estático, que ainda vê na “Guerra Fria” e no anti-americanismo uma condição válida para reafirmar sua “biografia revolucionária”, Lula protagoniza uma das maiores gafes diplomáticas já cometidas por um Presidente brasileiro no exterior.
Ao recusar-se a comparecer à realização de uma cerimônia em homenagem a Theodor Herzl, o jornalista austro-húngaro fundador do movimento sionista, que levou à criação do Estado de Israel, Lula já “de cara” elimina suas parcas possibilidades de ocupar um protagonismo na região.
Afinal de contas, ao recusar-se a comparecer a uma importante cerimônia do lado israelense e abraçar de bom grado o equivalente do lado palestino, Lula dá um recado claro de que nutre simpatias por um dos lados da questão e de que não tem condições de atuar com imparcialidade na questão. Isso, por si só, já o desqualifica como negociador (principalmente para Israel).
Isso, para o Brasil, é muito ruim, pois, como no caso de Honduras, perdemos relevância na mediação de um conflito que poderia nos render muitos dividendos internacionais e mostramos toda a nossa face “terceiro-mundista”, que é incapaz de separar visões ideológicas de posições internacionais que nos podem ser vantajosas, ou seja, Lula demonstra que não tem o cacoete necessário para ser um estadista e afirma sua condição de político “chinfrim”.
Infelizmente, para uma primeira visita de um Presidente brasileiro a Israel, o estrago feito por Lula (no que diz respeito a Cuba, às ditaduras e a Israel) dificilmente será esquecido pela comunidade internacional, pelo povo israelense (que considerou a recusa um insulto) e poderá manchar para sempre a reputação de nosso País no cenário local e internacional.
*Arthurius Maximus é colunista do Perspectiva Política às segundas e editor do blog Visão Panorâmica
In: Tiago Franz
15 Mar 2010Por Tiago Franz*
Hoje, 15 de março, se comemora o Dia Internacional do Consumidor. Dia de toda pessoa física ou jurídica que adquire produtos e serviços. Em outras palavras, dia de todos os que comem, vestem, se divertem, trabalham e por aí vai.
E quem não faz isso, o que é? É preciso ser um potencial consumidor para existir na sociedade atual? Bom, essa é uma questão à parte do que venho comentar aqui, mas serve como provocação para refletirmos.
O que pretendo hoje é lembrar os direitos conquistados – nem sempre respeitados – e, principalmente, os “deveres” dos consumidores.
E por que a data em que se comemora o Dia Internacional do Consumidor é 15 de março? Em 1962, nesta data, o Presidente estadunidense John Kennedy, em um discurso histórico, anunciou, pela primeira vez, os direitos básicos do consumidor: informação, segurança, escolha e participação. Vinte e três anos mais tarde, em 1985, a ONU deu legitimidade internacional a estes direitos.
No Brasil:
No embalo da Constituição de 1988, foi criado, em 1990, o Código Brasileiro de Defesa do Consumidor, que passou a vigorar em março de 1991. Passadas duas décadas, ainda há muito o que melhorar no País. Os direitos existem e são constantemente difundidos e relembrados, mas o desrespeito continua.
Mesmo com o trabalho realizado por associações civis e pelo Procon, que defendem os prejudicados e atuam na prevenção e divulgação de informações aos consumidores, ainda há muito a melhorar.
Segundo o Procon de Chapecó-SC (cidade onde resido), o maior número de reclamações atendidas pelo órgão é contra empresas de telefonia, principalmente sobre cobranças indevidas e descumprimento de contrato. As instituições financeiras vêm em seguida, com problemas em financiamentos e empréstimos, que na maioria das vezes ocorrem porque os consumidores são mal informados e deixam de ler os contratos que assinam.
Defender-se é importante, mas o consumidor não tem só direitos. A expressão “consumo consciente” é cada vez mais difundida. Organizações e iniciativas de diversas esferas têm alertado as pessoas sobre as responsabilidades que todos devem assumir enquanto consumidores. Essa responsabilidade envolve as escolhas que fazemos ao adquirir produtos e serviços, o aproveitamento e destino que damos aos bens adquiridos, entre outros cuidados.
O Instituto Akatu, entidade brasileira ativista que defende o consumo consciente, atua para transformar o comportamento das pessoas em relação ao consumo. Além de combater o consumismo, que é considerado uma das doenças sociais modernas, o Akatu dá dicas de como contribuir com a reciclagem do lixo e como economizar e aproveitar bem os alimentos, a água e a energia elétrica.
Como já fazem muitas outras organizações e iniciativas, é preciso cobrar, das empresas e das autoridades, políticas sustentáveis de produção de bens. É importante também pensarmos nas possíveis consequências sociais dos serviços que consumimos.
O Dia do Consumidor é uma ótima oportunidade para repensarmos nossas atitudes.
Reflitamos!
*Tiago Franz, escrevendo excepcionalmente em uma segunda, é jornalista, colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve no Twitter em @tiagofranz
In: 01. Análise Política| 02. Corrida 2010| 08. Lula| Dilma Rousseff| José Serra| PSDB| PT
14 Mar 2010Está correndo a informação de que a nova pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentará um resultado de empate técnico entre o Governador José Serra e a Ministra Dilma Rousseff.
Além disso, aparentemente, Dilma já estaria matematicamente na frente, embora ainda empatada com Serra tecnicamente, por conta da margem de erro da pesquisa.
É uma informação a ser conferida, mas parece que os dados que serão divulgados em breve comprovarão realmente este furo. A pesquisa teria sido feita no início de março.
É dito por todos os entendidos que, dentro do ninho tucano, isso já era esperado, embora a previsão fosse a de que Dilma ultrapassaria Serra, por conta da grande exibição na mídia ao lado de Lula, apenas no início de abril.
Seja verdade ou não que o PSDB já estava preparado para a perda da dianteira, o fato é que se por um lado José Serra não tem mais espaço nenhum para recuar e será mesmo o candidato a Presidente tucano, por outro, o fato de Dilma ultrapassar Serra anima a militância petista ao mesmo tempo em que desanima a tucana, além de, principalmente, gerar um aumento da perspectiva de poder do lado governista que, por si, causa efeitos positivos.
A equipe de Serra confia que, ao sair do governo por ter que se desincompatibilizar para concorrer ao Planalto, Dilma estagnará por conta de, compulsoriamente, sair um pouco de debaixo dos holofotes.
Aí, Serra e Dilma estariam emparelhados e a campanha, a partir de junho, decidiria tudo.
Do lado tucano, defende-se a tese de que José Serra é um candidato muito mais robusto e experiente e que, por isso, levará vantagem na campanha.
Já do lado petista, acredita-se que a popularidade de Lula e o desejo de continuidade dos brasileiros bastam para operar o milagre de eleger Presidenta uma mulher que nem vereadora foi.
Serra terá o desafio de ser anti-Dilma sem ser anti-Lula. Dilma terá o desafio de se mostrar ao eleitorado como alguém que merece e tem capacidade e trajetória para ser Presidente.
Quem se sair melhor no seu desafio leva.
A ver.
In: Jessica Riegg
14 Mar 2010Por Jessica Riegg*
Reproduzo para vocês um fato que aconteceu esta semana na minha cidade (Divinópolis –MG). Ele pode traduzir o que acontece em muitos outros locais.
Para entender:
Divinópolis é uma cidade que fica na região Centro-Oeste do estado e é referência na questão de saúde. Todos os municípios da microrregião enviam pacientes para serem tratados aqui, tanto de enfermidades casuais quanto de doenças sérias.
O Pronto Socorro Regional, por esse motivo, fica sempre lotado obrigando os enfermos a aguardarem durante horas por um atendimento. A cidade possui apenas um hospital que atende pelo SUS, com apenas 120 leitos, para uma população de mais de 120.000 de habitantes, apenas de Divinópolis, sendo que, como citado, esse hospital atende a toda a macrorregião.
O fato:
Na última quinta-feira (11) o ainda Governador mineiro, Aécio Neves, visitou a cidade e assinou o contrato liberando R$ 8.900.000,00 para a construção do Hospital Regional, que vai atender toda a macrorregião. É, sem dúvida, uma grande conquista, mas que é insignificante diante o tamanho dos problemas na cidade.
Nas mesmas edições dos jornais, que glorificavam o Governador pela liberação da verba, haviam diferentes matérias falando a respeito do descaso com a saúde.
Uma criança que não foi atendida, uma grande confusão no PSR por falta de atendimento, diversas denúncias sobre descaso com o lixo hospitalar e o mais grave: o Secretário-Adjunto de saúde alegando que algumas irregularidades encontradas no PSR foram plantadas pelos próprios médicos, que temem por seus empregos – concursados por sinal -, por causa da vinda da Faculdade Federal de São João Del Rei de Medicina para a cidade.
O que eu percebo é que, apesar de um esforço (pequeno) do Governador em auxiliar a saúde, ela ainda é muito precária.
A Secretária de Saúde disse que a vinda do HR vai desafogar um pouco e apressar os atendimentos de quem precisa de internação, mas que ainda vai faltar muito para que o problema seja resolvido. O Secretário-Adjunto ainda disse que o Pronto Socorro Regional não sofrerá nenhuma mudança após o término das obras do novo hospital já que a saúde primária (cuidados para que as doenças não apareçam) não é bem cuidada.
Em relação a isso, o Governador também autorizou verbas para a construção de dois PSF (Programa de Saúde da Família) para tentar diminuir as enfermidades. Mas a saúde é precária e a população cresce mais a cada dia. Quando essas três obras estiverem prontas, a população vai ter crescido e o problema continuará o mesmo.
O que fazer então? Torcer para ter dinheiro e contratar um plano de saúde particular e decente? Não! Está na constituição federal, temos direito a saúde!
O que precisamos é escolher bons governantes esse ano para garantir que os investimentos na saúde sejam maiores e que sejam principalmente na saúde primária e na remuneração dos médicos para que nos atendam com dignidade, já que alguns nem deixam os pacientes se sentarem para o atendimento.
Vote consciente!
*Jessica Riegg é colunista do Perspectiva Política aos domingos e escreve diariamente no Twitter em @jessicariegg
Informa o Globo:
“A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público do estado contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) por improbidade administrativa. Desde 2006, a prefeitura de São Paulo não paga as dívidas que tem com ex-servidores públicos municipais. Os precatórios foram determinados judicialmente e o valor total da dívida passa de R$ 240 milhões.”
Acredito, sinceramente, honestamente, que Gilberto Kassab tem que ser, sim, responsabilizado pela falta de pagamentos no que diz respeito aos precatórios.
Para quem não sabe, os precatórios são as dívidas que o poder público tem com particulares, como indenizações devidas por exemplo. Sendo assim, é de suma importância que, em uma sociedade justa, estes sejam quitados.
Entretanto, o que eu gostaria de saber é o porquê de só Gilberto Kassab estar enfrentando esse tipo de desgaste decorrente de ação da Justiça.
Digo, sem medo de errar, que milhares de prefeituras brasileiras são devedoras, no que diz respeito aos precatórios. Entre elas, as de diversas capitais.
Portanto, é no mínimo curioso que este tipo de destaque seja dado ao Prefeito paulistano. Ainda mais em momento subsequente ao do problema que Kassab teve com relação às contas de sua campanha, mais especificamente no que tange as origens de algumas doações.
Aliás, as doações da campanha de Kassab fazem parte de episódio igualmente curioso. Trata-se de mais um caso em que centenas erram da mesma forma, mas onde só o Prefeito paulistano é acionado da forma como foi e sofre forte desgaste.
Antes que certo tipo de resposta surja nos comentários, explico meu posicionamento desde já:
Escândalos únicos, singulares, devem ser punidos exemplarmente e não são – a não ser no olhar sobre o todo do sistema – fontes de paradigmas, afinal, cada esquema é um diferente dos outros.
Contudo, irregularidades semelhantes cometidas por diversas pessoas e órgãos diversos deveriam – por justiça – serem tratadas de forma igual, isonômica, pelo Judiciário nacional.
Em suma o que quero dizer é o seguinte, sem tirar nem pôr:
Kassab deve responder pelas irregularidades nas contas da campanha se estas forem comprovadas?
Deve! Claro!
Kassab deve ser responsabilizado pelas dívidas dos precatórios?
Deve! Óbvio!
Porém – em que pese a minha completa aversão a teorias da conspiração – por que só ele?
In: 01. Análise Política| 02. Corrida 2010| 08. Lula| Ciro Gomes| Dilma Rousseff| Geraldo Alckmin| José Serra| São Paulo
13 Mar 2010Informa o Globo:
“O PT estreou nesta sexta-feira nas emissoras de rádio de São Paulo uma inserção da propaganda partidária tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazendo as vezes de ‘cabo eleitoral’ da ministra Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT a presidente da República.
Depois que a ministra diz na propaganda do PT de 30 segundos que ‘São Paulo tem tudo para ser a terra do avanço tecnológico e do desenvolvimento humano’, Lula elogia a ministra, dizendo que ela é uma ‘mineira que tem a cara de São Paulo’.”
Não. Dilma não tem a cara de São Paulo.
O fato de Lula dizer isso configura uma das diversas ocasiões em que o Presidente “forçou a barra”.
Para falar a verdade, nem o Governador José Serra tem a tal “cara de São Paulo”.
Francamente, talvez Geraldo Alckmin esteja mais próximo.
De qualquer forma, uma pessoa certamente não tem a “cara de São Paulo”, embora muitos jurem – por interesse eleitoral – que ela tem:
Ciro Gomes.
Se bem que, quando Dilma Rousseff é dita como tendo a “cara de São Paulo”, está valendo tudo.
In: Yashá Gallazzi
12 Mar 2010Por Yashá Gallazzi*
Certa vez, numa discussão um tanto acalorada com alguns conhecidos, perguntaram-me quando exatamente eu me tornei um “porco direitista”. Na ocasião, ri da pergunta e nem dei muita importância, afinal estamos em um País onde qualquer um que critique o socialismo é automaticamente chamado de “direitista”.
Mas eis que hoje descobri quando me tornei um “porco direitista”. Foi no momento exato em que compreendi que Alexander Soljenitsin não é igual a Marcola; que Wladmir Herzog não é igual a Fernandinho Beira-Mar; e que Nelson Mandela não é igual a Elias Maluco. Em outras palavras, diferentemente dos esquerdistas que hoje governam o Brasil, este “porco direitista” aqui sabe bem a diferença entre um preso político e um delinquente vagabundo.
Lula, que assentou boa parte de sua mitologia pessoal na personagem do operário perseguido pela ditadura militar, resolveu mostrar ao mundo sua verdadeira face. Munido de seu cinismo sem limites, rasgou as vestes elegantes do “pobre-coitado-que-bebia-água-com-caramujo-e-virou-Presidente”, olhou na cara dos jornalistas e disse, “sem medo de ser feliz”, que Cuba tem direito de ter suas próprias leis e que o Brasil não se meterá nos assuntos internos daquela ilha.
É um democrata, esse Lula! Respeitador da tal autonomia dos povos, desde que – é claro! – os povos em questão sejam esquerdistas… Afinal, quando se tratou de defender a democracia de Honduras, Lula preferiu se alinhar aos golpistas, na esperança de criar mais uma “republiqueta bolivariana”, onde há mais igualdade, fraternidade e justiça social, mas falta sabonete e papel-higiênico…
Eu, como todo “porco direitista” que se preza, dou a maior importância para produtos de higiene pessoal. A civilização deles – dos esquerdistas – é aquela que pretende criar o “outro mundo possível”, o “novo homem”, a “igualdade plena”. A nossa civilização, por outro lado, é aquela dos antibióticos, da água encanada, da escrita e da literatura. Por isso somos incompatíveis, da mesma forma que nossas visões de mundo jamais poderão conviver pacificamente.
Mas há outra variante de tal “pensamento”. A “lógica” de Lula poderia servir para justificar até mesmo o horror nazista! Imaginem um repórter entrevistando Lula nos idos da década de 1930: “Senhor Presidente, dizem que há judeus sendo presos, torturados e mortos na Alemanha. O que o Sr. tem a dizer?”
E Lula, do alto de sua sabedoria de boteco, mandaria ver: “Veja bem, meu caro: eu estou convencido de que cada país tem direito a ter suas leis, e nenhum outro deve ficar dando pitaco de fora. Ou seja, quem sabe da situação da Alemanha direito é o meu querido Hitler, e só ele pode dizer com precisão as razões das medidas que ele toma. Eu só acho que se as leis da Alemanha estão sendo respeitadas, não cabe ao Brasil dizer o que é certo fazer, da mesma forma que o técnico do São Paulo não pode dizer pro meu querido Mano Menezes que esquema tático ele deve usar num jogo do Corinthians.”
Exagero? Não creio… Alguns dos leitores, conhecendo Lula e tendo lido o que ele disse sobre o regime cubano, não conseguem imaginá-lo dizendo o que vai acima? Eu consigo. E consigo por um motivo simples: é algo perfeitamente coerente com o caráter pedestre dele. Com sua moral maleável. Ou, melhor dizendo: com suas várias morais.
Morais, eu disse? Sim. Costumo dizer que tenho apenas uma moral, ainda que isso possa soar um tanto aborrecido ao leitor. Os “esquerdistas modernos”, como Lula, são melhores que eu: têm várias morais! Querem ver? Pois bem, se os presos políticos cubanos são iguais aos assassinos, sequestradores e traficantes presos em São Paulo, a “lógica” lulista me leva a concluir que Lula, Dilma e os demais presos políticos subjugados pelos militares brasileiros eram, também, iguais aos bandidos paulistas. Há alguma falha lógica nisso?
Mas isso valeria se essa gente tivesse uma moral só – como nós, os “porcos direitistas”. Como, porém, eles possuem várias, cada uma aplicável a um determinado caso específico, dirão que não! Os esquerdistas tupiniquins aprisionados pelos militares eram homens bons. Humanistas, dispostos a – como é mesmo? – “dar a vida em nome da democracia”. Em outras palavras, eles dividem os presos entre os que têm “pedigree” esquerdista, e os demais.
Quando você aceita a tese de Lula, aceita que um homem como Mandela pode ser, eventualmente, igualado a um vagabundo como Elias Maluco. Isso porque, segundo a “moral” torta desses “humanistas”, qualquer um que ouse se levantar contra a “revolução socialista” tem mais é que ser preso mesmo! Lênin, um dos maiores facínoras que o mundo já conheceu, não era menos sutil: todos precisam tomar parte na revolução. E quem não quiser? Simples: passa-se fogo!
Eu, não! Não aceito que Soljenitsin seja igualado a Marcola. Não admito que Herzog seja tratado como um Fernandinho Beira-Mar. De acordo com a minha única moral de “porco direitista”, uma pessoa aprisionada apenas por suas ideias políticas não é apenas um atentado à democracia: é uma humilhação para a espécie humana! Quem condescende com isso empresta justificativas para a barbárie mais abjeta. Flerta com a escória do mundo!
Hoje, os esquerdistas que defendem a maior e mais sangrenta tirania das Américas podem livremente pregar seu “outro mundo possível”, amparados pelas garantias do Estado democrático de direito que eles tanto abominam. Em Cuba, a ilha-prisão dos irmãos Castro, quem ousa contestar o regime assassino é preso e torturado. Isso se tiver sorte! Caso contrário, pode acabar sumariamente fuzilado.
Eis aí a diferença essencial entre nós – que eles chamam de “burguesia” – e eles, os esquerdistas: abraçamos a democracia e a liberdade como valores básicos, perenes e inegociáveis. Não consideramos as instituições democráticas meras “invenções da classe dominante”. Sabemos, ao contrário, que são criações da sociedade civilizada, aquela que tem por obrigação conter os bárbaros revolucionários.
Me tornei um “porco direitista”, aos olhos da realidade política brasileira, a partir do momento em que compreendi que as garantias e liberdades do indivíduo estão acima de qualquer distopia coletivista pregada por uma manada acéfala. Por isso acho que nenhum cidadão deve ser tolhido em seu legítimo direito de protestar contra qualquer governo. Mesmo quando se arvora a criticar os irmãos Castro, aqueles redentores que querem apenas nos salvar do jugo capitalista.
Meu – se me permitem a construção – “porco-direitismo” nada tem a ver, pois, com crenças econômicas. No caso específico do Brasil, você será automaticamente um “porco direitista” sempre que se recusar a igualar bandidos comuns a pessoas que pregam, pacificamente, o fim de uma ditadura sanguinária e a instalação de um regime democrático. E, acreditem: isso é libertador! Esqueçam o consenso progressista e politicamente correto que tomou conta “dessepaiz”: a sensação de defender quem combate os tiranos é revigorante. Não quer ser chamado de “porco direitista”? Ah, deixe disso! “O que é um nome?”, diria Shakespeare? “Aquilo que chamamos de rosa, caso tivesse outro nome, guardaria o mesmo perfume.”
Há milhares de ativistas políticos espalhados pelo mundo militando em favor da democracia. Estão na Europa, na Ásia e na Oceania. Nos Estados Unidos, no Brasil, no Chile, na Argentina e na Venezuela. Onde há liberdade – ainda que um filete dela apenas -, há um ser humano exercendo seu direito legítimo de contestar o governo. Há pessoas de várias nacionalidades, crenças, etnias e religiões protestando livremente por todo o globo.
E, como diria Fidel Castro em sua frase célebre, “nenhuma delas é cubana”.
*Yashá Gallazzi é colunista do Perspectiva Política às sextas e editor do blog Construindo o Pensamento